comboia

23 janeiro, 2007

ITAMARATY ENVIA PEDIDO DE EXTRADIÇÃO DO CASAL DA RENASCER
A decisão de extraditar ou não será tomada pela justiça americana.
O casal foi detido na terça-feira da semana passada (9) pelo FBI.

Do G1, em Brasília
O ministério das Relações Exteriores enviou nesta segunda-feira (22) para o governo dos Estados Unidos o pedido de extradição dos fundadores da igreja apostólica Renascer Estevam Hernandes Filho e Sônia Hadsad Moraes Hernandes.

A decisão de extraditar ou não os dois será tomada pela justiça americana. A extradição é necessária para que eles cumpram a ordem de prisão decretada pela Justiça de São Paulo. O casal foi detido na terça-feira da semana passada (9) pelo FBI - a polícia federal norte-americana - por entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil não declarados.
23 de janeiro, 2007

Queda de andaime deixa três mortos e 23 feridos em Minas
Operários caíram de uma altura de 30 metros, o equivalente a nove andares.
Trabalho de resgate dos bombeiros durou quase seis horas.

Do G1, em São Paulo

Três pessoas morreram e 23 ficaram feridas na queda de um andaime, na manhã desta segunda-feira (22), em uma fábrica de cimento na região metropolitana de Belo Horizonte. Os bombeiros chegaram a divulgar que havia quatro mortos, mas uma pessoa soterrada foi retirada com vida dos escombros.

Operários limpavam chaminé da fábrica de cimentoO andaime estava instalado dentro de uma chaminé na indústria de cimento Soeicom. Os operários faziam a limpeza da estrutura quando ela desabou. Oito trabalhadores foram levados de ambulância para hospitais de Belo Horizonte.

O trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros demorou aproximadamente seis horas.
Segundo a empresa, o trabalho de limpeza já tinha terminado quando ocorreu o acidente. Aproximadamente 30 trabalhadores estavam na estrutura, que ficava a uma altura de 30 metros, o equivalente a nove andares, no momento do acidente.

Uma equipe da Delegacia Regional do Trabalho foi até o local, nesta tarde, para começar a investigar a causa do acidente. A área foi interditada.

De acordo com a empresa responsável pela obra, a manutenção era feita por uma companhia terceirizada e, por isso, não tinha informações sobre o acidente. Os bombeiros suspeitam que o desabamento possa ter sido provocado por excesso de peso.
23 de janeiro, 2007

POLÍCIA DESMONTA QUADRILHA DE TRÁFICO DE MULHERES
Mulheres eram enviadas para casas de prostituição na Europa.
"Clientes" pagavam passagem e hospedagem diária.

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Gazeta, de Vitória

A Polícia Federal desmontou uma quadrilha especializada em tráfico internacional de mulheres, na segunda-feira (22), no Espírito Santo. Pelo menos três pessoas foram presas. Uma mulher foi detida no aeroporto de Vitória, quando tentava embarcar uma moça de 24 anos para Portugal.

As "clientes" do grupo criminoso eram enviadas para a Europa para trabalhar em casas de prostituição. Cada uma pagava 2 mil euros (cerca de R$ 5,5 mil) pelas passagens, mais 10 euros (R$ 27) por dia, para hospedagem.

As investigações começaram há um mês e meio, depois de uma denúncia anônima. A polícia procura outros integrantes da quadrilha.
23 de janeiro, 2007

ESCRIVÃO DA PF ASSASSINA COLEGA E DEPOIS SE MATA EM MATO GROSSO
Agente foi executada quando saía para uma investigação.
Não havia indícios de problemas entre eles, dizem policiais.

Do G1, em São Paulo, com informações da Globo News
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Um escrivão da Polícia Federal assassinou uma colega e depois se matou, nesta segunda-feira, em Rondonópolis (MT). Segundo a PF, a vítima era agente da corporação e foi morta quando saía para uma investigação.

A direção do órgão no estado já foi para a cidade. Também estão no prédio da PF em Rondonópolis a Polícia Militar e o Instituto Médico-Legal.

Segundo os policiais, não havia indícios de problemas de relacionamento entre o escrivão, de 27 anos, e a agente, de 34. Ele estava há seis meses na Polícia Federal e ela era recém-empossada. A agente era casada e tinha uma filha de seis ano
23 de janeiro, 2007

AGRONEGÓCIO LAMENTA FALTA DE MEDIDA ESPECÍFICA PARA O SETOR
Agricultura não foi contemplada, diz CNA.
Apenas questão logística deve ser atendida.

Reuters
SÃO PAULO (Reuters) - O agronegócio deve ser beneficiado apenas indiretamente pelas medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado nesta segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram especialistas do setor, que lamentaram a ausência de medidas específicas para a área.

"A agricultura não foi contemplada, a não ser no quesito da infra-estrutura. Se for cumprido o que está colocado, atende em muito um dos problemas, que é o logístico", disse o superintendente técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Ricardo Cotta, por telefone.

O ex-ministro Roberto Rodrigues, hoje coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, concordou com Cotta.

Para ele, "embora, surpreendentemente, não tenha nenhuma medida específica em favor da agropecuária e do agronegócio, (o pacote) tem efeitos indiretos potencialmente favoráveis para o setor rural".

"É o caso do investimento em infra-estrutura, especialmente a anunciada melhoria do Porto de Santos, por onde sai a maior parte das exportações do agronegócio, sobretudo se tais melhorias de fato forem acopladas à implementação do Rodoanel e das rodovias e ferrovias que servem a região", afirmou o ex-ministro, em um comunicado.

"Em suma, não obstante ser lamentável o fato de não haver nenhuma medida diretamente relacionada com o maior setor da economia brasileira --o agronegócio-- os efeitos indiretos do PAC para o setor são positivos."

De acordo com o superintendente técnico da CNA, ainda que o setor agrícola possa ser beneficiado com os investimentos anunciados em infra-estrutura, eles representam apenas pouco mais de 10 por cento do total previsto no PAC, de mais de 500 bilhões de reais.

"O grande montante diz respeito a energia, e aí é investimento da Petrobras, que iria investir com ou sem pacote", completou Cotta.

(Por Roberto Samora)

23 de janeiro, 2007

Programa de crescimento pode mudar a pedido dos governadores
Alguns representantes dos estados querem modificar medidas tributárias.
Baixo corte nos impostos é a maior crítica contra o PAC.
Do G1

Em São Paulo e em Brasília

Pelo menos 19 governadores decidiram nesta segunda-feira (22), poucas horas após o anúncio do Programa de Aceleração da Economia (PAC) pelo presidente Lula, que irão apresentar propostas para mudar o pacote do governo. Mais cedo, alguns deles reclamaram que o governo federal não os consultou para elaborar as medidas. As mudanças serão sugeridas ao presidente em uma reunião marcada para o dia 6 de março.

O programa de aceleração da economia anunciou um investimento da ordem de R$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para destravar o desenvolvimento, limitou salários do funcionalismo público, cortou mais de R$ 6 bilhões em tributos e barateou o preço dos computadores. No geral, reuniu uma série de medidas que apontam na direção certa. Mas ainda assim, foi alvo de críticas de políticos, empresários, economistas e sindicalistas, que avaliaram as medidas insuficientes - pelo menos para alcançar a meta do próprio governo, que é crescer 4,5% em 2007 e 5% ao ano até 2010.

Vários pontos do pacote provocaram reações. O principal deles foi a redução da carga tributária, a grande vilã da estagnação do país. O corte foi considerado tímido (será de R$ 6,6 bilhões, em 2007, e de R$ 11,5 bilhões, em 2008) e representa apenas 0,74% dos R$ 812 bilhões arrecadados em impostos no ano passado. “O principal obstáculo para o crescimento do país é a carga tributária. Para que o Brasil pudesse crescer 5% ao ano, a carga teria de estar por volta de até 33% do PIB, seis pontos a menos do que é hoje”, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral.

Na mesma linha, o corte nos gastos públicos – outro ralo do dinheiro que poderia estar sendo aplicado para promover o crescimento – ficou abaixo das expectativas. A medida mais significativa neste sentido foi o teto imposto para o salário pago ao funcionário público. Os reajuste foram limitados à 1,5% acima da inflação. Mas, por outro lado, o pacote concretizou o aumento do salário mínimo para R$ 380. O que deve gerar uma gasto extra do governo, só com o salários dos aposentados, de R$ 5 bilhões. “A questão do gasto público ainda preocupa”, afirmou Paulo Skaff, presidente da Fiesp.

O volume de investimentos, R$ 503,9 bilhões, agradou à indústria da construção civil e de máquinas e equipamentos – as principais beneficiadas. A maior parte deste valor será aplicada em energia – que ficará com R$ 274,3 bilhões. Em seguida, segundo anunciou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vêm os investimentos em infra-estrutura social e urbana (obras como saneamento e metrô), com R$ 170,8 bilhões.

A infra-estrutura – rodovias, portos, hidrovias, aeroportos – é a vedete do plano, uma decisão acertada, de acordo com os analistas. Além do investimento direto, o governo ainda vai criar um fundo de investimento em infra-estrutura – e as cotas desse fundo poderão ser compradas pelos trabalhadores usando o Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). Para começar, serão R$ 5 bilhões de FGTS. Cada trabalhador poderá usar até 10% da sua conta e não pagará imposto retido na fonte depois de cinco anos de aplicação.

Habitação e saneamento básico também ganharam espaço nos planos do governo. Só a Caixa Econômica Federal receberá R$ 5,2 bilhões em crédito, o que permitirá um aumento de R$ 2,4 bilhões para investimentos nestas duas áreas. O limite de crédito para habitação popular será acrescido em mais R$ 1 bilhão em 2007 para famílias com renda familiar mensal de até três salários mínimos.

Uma das principais medidas para estimular a compra da casa própria, no entanto, ficou de fora do pacote. O governo chegou a afirmar que subsidiaria até dois terços do valor do imóvel para famílias com renda de até dez salários mínimos – faixa em que o déficit habitacional é maior. A idéia era prorrogar a multa adicional de 50% do FGTS (em caso de demissão sem justa causa) paga pelas empresas e usar esse dinheiro para o subsídio. Mas as negociações com os empresários não avançaram, segundo o governo, e o benefício não foi incluído no pacote.

Outra ausência sentida pelos críticos: a CPMF. A prorrogação da alíquota de 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira não consta do programa, mas isso não quer dizer que o percentual vá voltar aos originais 0,08%. O governo tem até o fim do ano para mandar um projeto de lei ao Congresso Nacional regulamentando a prorrogação do percentual.

Uma das medidas que o consumidor mais deve sentir no bolso é a que beneficia os setores de computadores. O programa determina ampliação dos limites beneficiados com alíquota zero de PIS e Cofins para microcomputadores. Atualmente, os limites são de até R$ 2,5 mil e até R$ 3 mil para microcomputadores e notebooks. A partir da medida, o limite sobe para até R$ 4 mil em ambos os casos - as máquinas estarão isentas do PIS e da Cofins. Com isso, os fabricantes economizarão cerca de R$ 200 milhões – o que significa que o computador vai ficar mais barato.

23 de janeiro, 2007

22 janeiro, 2007

A saúde das plantas nos jardins

por Rodolfo Geiser
*Engenheiro Agrônomo e paisagista

É comum os paisagistas serem consultados sobre a saúde das plantas. Muitos são os interessados em saber por que as folhas estão enrugadas; por que a planta não cresce; e assim por diante. Ficamos até constrangidos em responder estas perguntas pois freqüentemente a razão desses problemas está na falta de planejamento do jardim.

Plantas são como seres humanos. Necessitam serem cultivadas no lugar certo. Um homem que vive num porão, num lugar úmido, sem sair de casa, está "pedindo" para ficar doente ou pegar um resfriado que pode se desenvolver em uma gripe. E, no corpo debilitado podem surgir doenças oportunistas que se aproveitam de suas fraquezas. É exatamente assim com as plantas.

Um jardim saudável nasce de um bom projeto de paisagismo que considere as exigências de cada planta. A principal delas é o tipo de luminosidade que requer. Basicamente, na natureza existem dois tipos básicos de plantas: as heliófilas e as umbrófilas. Ambas palavras têm sua origem na língua latina e grega: helio= luz, filos = amigo de, o que significa no primeiro caso, plantas amigas-da-luz que exigem o máximo de luz durante todas as horas do dia. Não podem receber o sol da manhã e deixar de receber a luz do sol da tarde. Necessitam luz durante todo o período diurno, o que ocorre principalmente com as espécies de grama, as espécies de plantas floríferas anuais e semi-perenes.

Já as umbrófilas são plantas amigas-da-sombra, que gostam de sombra durante todo o dia. Mas não a sombra demasiada, como aquela do canto mais obscuro de nossa casa. Plantas sempre requerem luz para crescer e no caso destas últimas, luz indireta.

Entre um e outro tipo, existem diversas nuances quanto às exigências de luz. Daí a necessidade de conhecermos bem cada espécie de planta que vamos selecionar para nosso jardim.

Uma planta heliófila colocada num local à sombra está sujeita a ter o crescimento de suas folhas alongado à procura de luz. Elas, as folhas, ficam mais longas e estreitas e havendo menos luz ainda, começam a ficar amareladas. Técnicamente, denominamos esse sintoma de "estiolamento", resultado da planta que cresce sem as condições de luz genéticamente necessárias em função da espécie. E nesse alongamento, ocorre uma debilidade do sistema vital da planta, tornando-a mais vulnerável à incidência de pragas, principalmente as cochonilhas e pulgões. Pragas que não surgiriam se essa espécie estivesse crescendo à pleno sol, com todo vigor e, consequentemente, mais resistente.

O inverso também é verdadeiro. Plantas umbrófilas, em pleno sol, ficam esturricadas, não se desenvolvem e as folhas ficam também amareladas, de um amarelo mais intenso comparativamente à planta estiolada. Amarelo esse que tende a ficar cor-de-palha quando as folhas começam a ficar "queimadas" pelo sol.

Outro cuidado importante no trato do jardim, e raramente mencionado, é aquele para com as ferramentas. As ferramentas têm de estar limpas. Limpá-las quando terminamos os trabalhos do dia. No caso das tesouras de poda, limpá-las também quando passamos a utilizá-la em outra planta ou outra espécie de planta. A questão da higiene no trato das plantas é similar à higiene humana: lavamos nossa louça, nossas roupas e os médicos e dentistas sempre higienizam seus aparelhos antes de utilizá-lo em um outro paciente. Ferramentas sujas e não limpas, podem transmitir doenças, principalmente fungos e viroses. E enxadas e pás sujas de terra podem levar consigo sementes de ervas más e mesmo o bulbinho da temida tiririca.

Adubações corretas também colaboram na resistência das plantas. O pó calcáreo, além de melhorar o PH do solo, também dificulta o aparecimento de doenças oportunistas que atacam as raízes e o cloreto de potássio é um produto químico excelente para deixar as plantas sadias e mais resistentes à incidência de doenças e pragas.

É muito bom que os interessados em ter plantas saudáveis num jardim, pensem bem nos fatores citados. Porque depois que as pragas e doenças aparecerem, estaremos diante de um sério problema, que pode afetar não só o jardim de uma casa, como também os de toda a vizinhança. Há uma responsabilidade social e ética nisso. E não considerar o acima exposto, quando estivermos diante de ataques severos de doenças e pragas, vai nos levar à necessidade do controle químico, normalmente indesejável, dado seus riscos às crianças, animais domésticos, nós mesmos e ao próprio meio ambiente. Já ataques não severos podem ser resolvidos por métodos mais simples, como catação do predador e uso de produtos orgânicos que não causem dano às demais formas de vida, como a calda de fumo que controla os pulgões. Agora, é bom frisar, uma ou outra doença e praga, não severa, é perfeitamente aceitável e podemos conviver com elas. O problema é quando elas extrapolam seu dano e faz-se necessário utilizar medidas mais drásticas
22 de janeiro, 2007

Biólogos querem saber por que incidência de caravelas cresceu

Fonte: O Estado do Maranhão

Cinco biólogos maranhenses, que integram há dois anos o grupo Physalis, estão pesquisando os motivos do crescimento da incidência de caravelas nas praias de São Luís. Mais de 200 ocorrências de queimaduras, em decorrência do contato com estes animais marinhos, foram registradas este ano na capital maranhense.
O trabalho de pesquisa é inédito no estado e um dos poucos realizados no país. Para uma das biólogas envolvidas na atividade, Denise Ramalho, na hora da escolha do objeto de estudo, o grupo levou em consideração a falta de conhecimento sobre o tema.
Foi levantada ainda a necessidade de orientar a população sobre os cuidados relativos à prevenção e ao tratamento, em caso de contato com os quinidários, cujo nome científico é Physalia physalis.
“A caravela, como é popularmente conhecida em função do seu formato, é uma colônia de indivíduos que trabalha em cooperação. Não pode ser confundida com a água-viva, que é outro tipo de quinidário”, esclareceu a bióloga.
Na primeira fase do projeto, entre as hipóteses estudadas pelo grupo, chegou-se à conclusão de que as caravelas migram para a orla maranhense para garantir a reprodução da espécie, que ocorre entre os meses de agosto e outubro. Entre os motivos que explicam a preferência pelas águas da região estariam o clima e a velocidade dos ventos.
“Todos os levantamentos ainda não podem ser considerados totalmente conclusivos. O certo é que o nosso mar oferece as condições ideais para esses animais se reproduzirem. Para nossa surpresa, a fase de reprodução em 2006 se estendeu bastante. Queremos descobrir o que levou a isso. O problema é que o Maranhão não dispõe de recursos tecnológicos”, ressaltou Denise Ramalho.
apoio
Para continuar as pesquisas, o grupo Physalia está buscando o apoio do poder público. Os estudos até o momento concentram-se nas praias de São Marcos e Calhau, mas o objetivo é expandir o foco de atuação. Por conta da grande incidência na área, o Olho d’Água será um dos alvos. “Em uma única manhã nas praias que trabalhamos, encontramos mais de 400 ocorrências de caravelas. Algumas chegaram a medir 17 centímetros de comprimento”.
A parceria com outras instituições prevê o incremento das atividades de educação ambiental, que já foram iniciadas pelos biólogos. O grupo já percorreu algumas escolas da rede pública e particular aplicando questionários sobre as caravelas.
“É preciso que as pessoas tenham em mente que nós é que estamos invadindo o habitat desses animais marinhos e por isso é necessário tomar alguns cuidados para garantir uma convivência pacífica. Nesse tocante, fazemos um alerta, para que as pessoas não matem os animais”, disse a bióloga.
Por conta das cores, as caravelas chamam muita a atenção das crianças, principais vítimas das queimaduras. O veneno que provoca a irritação na pele é expelido pelos tentáculos.
O grupo fez um apelo para que as pessoas evitem utilizar outros produtos, que não uma solução de água com vinagre. Para aliviar a dor, pode ser utilizada também uma bolsa de gel a uma temperatura fria.
“O vinagre é bom porque ele evita que a substância tóxica ex-pelida pelos tentáculos se prolifere e aumente a queimadura, que podem até matar. Esse veneno é uma proteção das caravelas e também é expelido para imobilizar os peixes e crustáceos, que os alimentam”, concluiu a pesquisadora.
22 de janeiro, 2007

Semeando Desejos

fonte Recado do Cheida nº 86
por Luiz Eduardo Cheida

Quando possuímos poucas coisas, poucas coisas nos possuem.

Se é verdade, dificilmente agimos para que isso aconteça.

Antes disso, atuamos de forma oposta pois, desta forma foi que aprendemos.

Nos submetem, desde a infância, a uma verdadeira idolatria do gigantismo: o Maracanã é o maior estádio do mundo. A professora indaga pelas montanhas mais altas do mundo. Copacabana é a praia mais linda do mundo. Sua tia, para quem o sobrinho é raro superdotado, pergunta em voz alta, no almoço de domingo, os nomes dos rios mais extensos do mundo. Pelé é o maior jogador do mundo. Incrédulos, lemos sobre os filmes cuja produção foram as mais caras do mundo. O carnaval brasileiro é a maior festa popular do mundo. As revistas nos trazem as listas dos livros mais vendidos, dos carros mais rápidos, dos aviões mais super, e até das armas mais destrutivas. O Brasil, em terras ocupáveis, é o mais vasto país do mundo. Por fim, nos congratulamos, sem nem bem saber porquê pela fusão de empresas que, assim, se tornam as maiores do mundo!

Este culto ao imenso é a senha para entender que a aquisição de bens tem uma relação direta com a felicidade.

Ter é ser.

A idolatria do consumo.

É o nosso modelo de civilização que se reproduz semeando desejos.

São estes desejos que, transformados em necessidades inadiáveis, por pura estupidez, vampirizam a natureza, impondo frustração, desigualdade, alienação.

O resto você já sabe.

Ter é ser.

Ou seria o contrário?

Como dizia o pai do Verdi, dileto amigo meu, vivo na época em que ainda não tinham inventado esse negócio de ecologia:

Melhor ter amigo na praça que dinheiro na caixa

Um forte abraço e até sexta que vem (no mesmo banco, na mesma praça e no mesmo jardim).

*Luiz Eduardo Cheida é médico e deputado estadual eleito no Paraná. Foi Prefeito de Londrina (1992 – 1996), Secretário de Meio Ambiente do Paraná e Membro titular do CONAMA (2003 – 2006).
22 de janeiro, 2007

Unidades de conservação no sul da Bahia serão ampliadas

fonte:Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente

Está em fase avançada o processo de ampliação de três Unidades de Conservação (UC's) no Sul da Bahia consideradas os maiores fragmentos de Mata Atlântica no Nordeste. São elas: a Reserva Biológica de Una e os Parques Nacionais do Descobrimento e do Pau-Brasil. O Ministério do Meio Ambiente pretende ainda criar os Refúgios de Vida Silvestre de Una e do Rio dos Frades.
A Reserva Biológica de Una fica na região cacaueira do sul da Bahia, com área de 7.324 hectares. A previsão é de que ela seja ampliada em 64,5% passando a ocupar 18.679 hectares. O Parque Nacional do Descobrimento, localizado em Prado, extremo sul do estado, ocupa área de 10.623 hectares. Abriga uma rica fauna ameaçada de onças pintadas, o raro mutum do Sudeste e a águia Harpia ou gavião-real. Com a ampliação em 50,3%, passando a uma área de 31.705 hectares, será a maior reserva de Mata Atlântica do Nordeste e uma das maiores do Brasil. Já o Parque Nacional do Pau-Brasil, no município de Porto Seguro, envolve parte das bacias dos rios Taipe, da Barra e Trancoso. Ele hoje possui área de 12.240 hectares e terá uma ampliação de 106% passando a 23.777 hectares.

Será criado ainda o Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Rio dos Frades, onde ainda ocorrem restingas cobertas de vegetação com grande riqueza de orquídeas e bromélias, endêmicas do extremo sul da Bahia. O refúgio de vida silvestre é uma categoria de proteção integral que não necessita desapropriar a área, mas ordena o uso da terra de forma a garantir que as atividades econômicas sejam totalmente compatíveis com a preservação. Os 24.155 hectares por serem protegidos nos RVS Rio dos Frades e de Una serão aproveitados economicamente de forma sustentável, preservando os ecossistemas da faixa litoral e atraindo turistas com alto nível de exigência ambiental e paisagística. As propostas visam proteger integralmente os remanescentes existentes e ainda promover a regeneração natural de áreas que servirão para reconectar fragmentos isolados facilitando o fluxo gênico da biodiversidade através do deslocamento da fauna e da dispersão e cruzamentos de plantas.
22 de janeiro, 2007

Água é insuficiente em ⅔ do semi-árido

Mais de 65% dos municípios da região correm risco de enfrentar problemas de abastecimento até 2015, aponta estudo da ANA

por PrimaPagina

Dois terços dos municípios do semi-árido correm o risco de enfrentar problemas de abastecimento de água até 2015. Um levantamento da ANA (Agência Nacional de Águas) aponta que a disponibilidade hídrica é insuficiente em 447 cidades do Nordeste e do norte de Minas Gerais — onde vivem quase 8,7 milhões de pessoas. Em 60,1% dos municípios da região, a oferta de água não é satisfatória. Em 6,2% dos casos, o sistema de distribuição não deve atender o crescimento da demanda ou os mananciais é que não vão comportar o aumento do consumo.

Os dados são do Atlas Nordeste: Abastecimento Urbano de Água — um levantamento da ANA que pode ser dividido em dois produtos. Um deles é uma ferramenta interativa que permite consultas a informações técnicas sobre a situação dos sistemas de abastecimento e de mananciais em mais de 1,2 mil municípios do Nordeste e do norte de Minas Gerais. O outro é um pacote de estudos sobre o fornecimento de água no semi-árido, com análises sobre o cenário atual, projeções sobre a demanda, previsão de investimentos e propostas de alternativas para contornar a ameaça de desabastecimento.

Quando se observa o universo de cidades analisadas pelo Atlas, a situação fica ainda mais preocupante. A oferta de água não é satisfatória em 754 municípios, onde vivem cerca de 26,3 milhões de pessoas. Em outros 71, que possuem 1,8 milhão de habitantes, a situação é crítica devido à incapacidade do sistema de fornecimento ou dos mananciais atenderem a demanda por água. Entre os municípios que sofrem ameaças de desabastecimento estão algumas capitais nordestinas, como Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), São Luís (MA) e Teresina (PI).

Mas é possível identificar certa relação entre a situação do abastecimento e a qualidade de vida nas 1.256 cidades analisadas pelo Atlas. Entre os 50 municípios de menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais), apenas seis tem oferta de água satisfatória para atender a demanda até 2015. Já entre os 50 de maior IDH, são 30 os preparados para suprir o crescimento do consumo.

Com base no diagnóstico sobre as perspectivas futuras, os autores do atlas elaboraram uma série de planos alternativas — como a construção de estações de tratamento, de sistemas de captação e distribuição — tendo em vista um horizonte de 20 anos. Para a realização das obras propostas, a ANA estima que serão necessários investimentos da ordem de R$ 3,6 bilhões, dos quais R$ 2,4 bilhões seriam para municípios localizados na região semi-árida.

A quantidade de recursos que precisará ser investida varia muito caso a caso. Esse aporte tende a ser menor nos projetos realizados em municípios do Maranhão e Minas Gerais, que tem maior oferta de recursos hídricos (represas, rios, lagos, etc). Já em Estados como Piauí, Pernambuco, Paraíba e Maranhão, a maior oferta é de águas subterrâneas, que em muitos casos tem uma custo mais elevado de exploração.
22 de janeiro, 2007

" Desenvolvimento Sustentável só com Educação Ambiental "

Captação de água de chuva já é obrigatória em SP

por John Emilio Garcia Tatton*

São Paulo - Desde 2 de janeiro, tornou-se obrigatória a implantação de
sistema para captação e retenção de águas pluviais coletadas por telhados,
coberturas, terraços e pavimentos descobertos, em lotes edificados ou não,
que tenham área impermeabilizada superior a 500 m² no Estado de São Paulo.
É o que determina a Lei estadual 12.526/2007, promulgada pela Assembléia
Legislativa para a prevenção de enchentes (DOL de 2 de janeiro de 2007).

Para obrigar à implantação do sistema, as aprovações e licenças para os
parcelamentos e desmembramentos do solo urbano, os projetos de habitação,
as instalações, as obras e outros empreendimentos ficam condicionados à
obediência ao disposto na lei. O Poder Executivo tem prazo de 60 dias para
regulamentá-la.

O sistema de captação deve ser constituído de condutores e reservatório,
com a capacidade aferida de acordo com o cálculo fixado no artigo 2º da
lei. No caso de estacionamentos, 30% da área devem ser reservados para
drenagem, seja sem piso, seja com o uso de pisos drenantes (os
estabelecimentos desse tipo terão 90 dias para se adaptarem à lei).

A lei permite três destinos para a água reservada: infiltração no solo;
despejo na rede pública depois de uma hora de chuva; e utilização para
finalidades não potáveis, em edificações que tenham instalações desse tipo
(água de reúso, para regar jardins ou lavar pisos, por exemplo).
Justificativa ? A lei é originária do Projeto de Lei 464/05, de autoria do
deputado Adriano Diogo (PT). Em sua justificativa, o deputado afirma que,
além dos prejuízos recorrentes em áreas urbanas com alta impermeabilização
durante períodos de chuvas, também a qualidade de vida e a saúde são
afetadas diretamente, com a destruição de patrimônios pessoais e o risco
de contração de doenças infecto-contagiosas, comumente ocasionadas pela
água de enchentes.

Incentivo fiscal ? Na Câmara Municipal de São Paulo tramita desde 2005 o
Projeto de Lei 743/05, que propõe incentivo fiscal, em forma de desconto
no IPTU, aos contribuintes que, em suas edificações, mantenham áreas
permeáveis que possibilitem a efetiva absorção de água de chuva. O
desconto é de 3% a 8%, podendo chegar a 10%, caso a parte permeável atinja
um quinto da área total do terreno. O projeto, de autoria da vereadora
Claudete Alves (PT), tramita na Comissão de Constituição e Justiça.

Para ler a lei na ínntegra acesse o site http://www.sindusconsp.com.br. Meio Ambiente, Legislação Ambiental

*Educador Ambiental
Biólogo - Depto. Planejamento e Gestão Ambiental - Sabesp
22 de janeiro, 2007

Ambiente: Os impactos globais do consumismo

Por Stephen Leahy, da IPS

Toronto– O hábito compulsivo de comprar tem conseqüências ecológicas nefastas que deixam sérias seqüelas nos povos do Sul, segundo os especialistas, que prevêem, também, que este ano será um dos mais quentes do último século. É hora de as pessoas se darem conta da relação existente entre suas compras e as conseqüências que isso tem na deterioração ambiental e no aquecimento global. Na América do Norte as vendas para as comemorações de Natal e final de ano alcançaram números recordes. É sabido que os norte-americanos, canadenses e, em menor medida, os europeus são consumidores que desperdiçam muito.

Seriam necessários cinco planetas para sustentar o consumo dos primeiros e apenas três se todos nós nos comportássemos como os segundos, segundo o informe Planeta Vivente divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A humanidade superou a capacidade do planeta de nos sustentar em 1984, segundo esse documento. Nestes 22 anos, os níveis de consumo de recursos aumentaram não somente na América do Norte e Europa, mas, também na China e Índia, além de algumas zonas da Ásia e América Latina. O ritmo de consumo sem precedentes, que para os economistas é um sinal do saudável estado da economia mundial, provocou a mudança climática, entre outros males sociais e ambientais.

“As pessoas não acreditam que com suas ações individuais façam a diferença”, disse à IPS Monique Tilford, diretora-executiva do Centro para um Novo Sonho Americano, uma organização que defende um consumo responsável do ponto de vista ambiental e social. Por exemplo, um computador chinês que nos Estados Unidos ou na Europa se compra por US$ 40 ou US$ 50 pode ser produto do desmatamento ilegal das selvas da Indonésia. Essa ação ilícita fomenta as organizações criminosas, a perda de biodiversidade, libera grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera e provoca a perda de terras dos povos indígenas.

“É necessário que as pessoas se transformem em consumidores com consciência ambiental e social”, disse Tilford. Isto é, que comprem menos coisas que não são imprescindíveis para sua subsistência, mas, também, que estejam dispostas a gastar mais em produtos que não prejudicam o meio ambiente nem os povos de outras nações. “E os que estão dispostos a ser mais conscientes costumam não dispor do conhecimento nem da informação sobre o que é melhor, e esse é o papel de organizações como a nossa”, acrescentou a ativista. A organização de Tilford iniciou uma Rede de Compra Responsável dirigida aos governos federais e regionais em 2000, que conseguiu criar um grande mercado de produtos que não prejudicam o meio ambiente.

“É muito complicado para as pessoas saber de onde vêm e com são fabricados os produtos existentes nas lojas”, disse Lester Brown do Earth Policy Institute, dos Estados Unidos, comprometido com uma economia sustentável a favor do meio ambiente. A China fábrica um terço dos móveis do mundo, um dado surpreendente para um país que protege suas selvas com rigor. A importação de madeira disparou nesse país e supera com folga os 40 milhões de metros cúbicos por ano. Os dados mostram que a reexportação de produtos florestais da China para os Estados Unidos e a Europa aumentou cerca de 900% desde 1998.

“A escassez cruza as fronteiras com rapidez”, disse Brown em uma entrevista. “Se os fabricantes de móveis chineses não conseguem árvores em seu país, as conseguem na Sibéria, em Myanmar (nome dado à Birmânia pela junta militar no governo), Papua Nova Guiné e Indonésia”, acrescentou. Greenpeace, Global Witness e outras organizações registraram grandes operações madeireiras ilegais nesses países, tendo a China com principal destino desses produtos. Na década passada, a China se converteu na principal fabricante de produtos de baixo custo. Mais de 80% dos brinquedos, incluindo artigos eletrônicos vendidos no mercado norte-americano, são fabricados nesse país. “Se não consumíssemos todas essas coisas chinesas, esse país não estaria crescendo tão rápido”, disse Brown.

O consumo excessivo chegou ao absurdo de um cidadão norte-americano comum, que vive na nação mais rica, gasta mais do que ganha no ano. Tilford admite que em nível do consumidor individual as pessoas costumam estar tão ocupada que não querem saber, ou ignoram o óbvio, que seu comportamento causa impactos ambientais como o aquecimento global. “É impressionante que as pessoas não façam o mínimo esforço para mudar”, ressaltou. “A enorme mudança social, necessária para que encontremos a forma de viver de maneira sustentável, não acontecerá sem que ocorra algum tipo de desastre que provoque o tipo de sofrimento que impulsione as pessoas a mudar”, acrescentou Tilford.

Brown e Tilford afirmam que a população norte-americana deve eleger pessoas que implementem políticas que visem a assegurar que os produtos vendidos nas lojas de seu país sejam sustentáveis, sem importar sua nação de origem. “As pessoas de outros países arriscam suas vidas para que possamos comprar nossos produtos gourmet”, disse Tilford. Mas, a menos que exista apoio popular, nada acontecerá. (IPS/Envolverde)

Crédito da imagem: Lido Contemori/Ciudad Redonda
(Envolverde/ IPS)
22 de janeiro, 2007

Vida longa ao mercado de carbono

Por Adalberto Wodianer Marcondes*

Existem alguns temas que caem no gosto da sociedade e passam a ocupar muito espaço nos cenários de comunicação. O aquecimento global é um deles. Aliás, é o tema ambiental que mais mobiliza as atenções no momento. E isto é muito bom. O termo “aquecimento global” retorna 798.000 hits no Google, enquanto “efeito estufa” tem 593.000 hits de presença na internet. Protocolo de Kioto, com “i”, tem 645.000 hits e Protocolo de Kioto, com “y” tem outros 852.000. Isto apenas em sites em português. Se a mesma busca for realizada em inglês certamente os números serão astronômicos.

No Brasil a febre atingiu os principais meios de comunicação, a ponto de o tema ser tratado em uma série de reportagens no principal informativo semanal da TV Globo, o Fantástico. E isto para falar somente dos líderes de audiência, porque, em verdade, os temas Efeito Estufa, Protocolo de Kyoto, Crédito de Carbono e outros correlatos tornaram-se corriqueiros nas conversas do dia a dia. Surgem especialistas e consultores de todas as partes, sites, reportagens, propostas de inventário de emissões de carbono, cálculos para a neutralização das emissões e outros modelos de pequenos e grandes negócios.

É bom que a sociedade tenha a percepção de que as emissões de dióxido de carbono na atmosfera estão causando o aquecimento global, que isto, como explica o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, vai levar a grandes catástrofes mundiais, seja no mundo desenvolvido ou nos países mais pobres. Em seu filme “uma verdade inconveniente”, Gore aponta números bastante convincentes para provar que o aquecimento global é uma realidade, alerta para a necessidade de adoção de política públicas globais de redução de emissões de carbono na atmosfera e mostra algumas alternativas para o desenvolvimento econômico mais limpo.

Mas este saber social sobre o efeito estufa pode realmente mudar hábitos? Mais, pode fazer com que os acionistas e consumidores tenham uma visão de longo prazo e busquem no presente alternativas sustentáveis? Esta é uma questão que ainda está no ar. Algumas empresas estão embarcando na realização de seus inventários de emissões de carbono completamente às cegas, sem compreender exatamente o que poderão fazer com os resultados. Outras, no entanto, não se preocupam muito com a precisão da medição de suas emissões, desde que possam usar isso para a construção de uma imagem politicamente correta diante de um público cada vez mais sensível às cenas de furacões e grandes blocos de gelo se destacando das calotas polares da Terra.

Este cenário de mistério, onde a ciência assume ares de alquimia, oferece muitas oportunidades para manipulação de dados e informações, fazendo oscilar as certezas ao bel prazer dos objetivos de quem está com a palavra. É justamente este o jogo de cena que está sendo feito pelo governo dos Estados Unidos, que aproveita os dados que lhe interessam e descarta o que lhe pode ser inconveniente em suas justificativas para não assumir compromissos de redução de emissões no bojo do Protocolo de Kyoto, que foi ratificado em março de 1999 por 23 países, dentre eles o Brasil, e busca alternativas que reduzam a quantidade de gases poluentes, em relação aos níveis de 1990, em pelo menos 5,2% até 2012. Isto significa que os países signatários terão que colocar em prática planos para reduzir sua emissão já a partir de 2008.

A moda agora é fazer algo mais reluzente e menos efetivo, a neutralização das emissões de carbono através do plantio de árvores e outras ações que se enquadrem na alínea de “seqüestro de carbono”. O marketing resultante destas ações movimenta muitos recursos em comunicação, com resultados pouco significativos em termos de redução real das emissões de carbono na atmosfera. Para se obter resultados relevantes são necessários compromissos mais estruturados e o ingresso consciente em um mercado que se convencionou chamar de “crédito de carbono”. Este é até o momento o único caminho capaz de criar um equilíbrio global das emissões de carbono através da transferência de direitos de emissão e de neutralização de fato de emissões via seqüestro de carbono em quantidades industriais.

O Brasil tem no mercado de carbono um cenário de oportunidades e desafios. É tido como um dos países de maior potencial na emissão de certificados de seqüestro de carbono passíveis de negociação no mercado internacional. No entanto ainda não tem organizações realmente estruturadas para obter o máximo desta oportunidade global. Por outro lado, não tem, até 2012, nenhum compromisso formal de redução de suas próprias emissões de dióxido de carbono. Assim como também não têm nossos paradigmas comerciais, a China e a Índia. Portanto, as empresas que atuam em terras brasileiras não deveriam, em tese, ter preocupações em relação às suas emissões. Esta é uma tese, no entanto, que não merece receber muitas fichas em uma aposta real.

As emissões de carbono brasileiras estão divididas entre queima de combustíveis seja para atividades industriais, de transportes ou de geração de energia, e uma grande parcela, a maior, da queima de matéria orgânica resultado de desmatamentos florestais, principalmente na Amazônia. Novamente em tese seria fácil ao Brasil reduzir suas emissões de carbono simplesmente parando de devastar as florestas. Este seria o melhor dos mundos. No entanto, não será bem assim. Os países signatários do Protocolo de Kyoto não estão dispostos a deixar que o Brasil ganho créditos simplesmente deixando de fazer algo que ele não deveria estar fazendo. Ou seja, parar de desmatar é uma obrigação brasileira e nada tem a ver com a s metas de redução de emissão. Isto terá de ser feito com um aperto sério nas empresas.

Este é o ponto de maior controvérsia para os negociadores brasileiros nas conferências de clima das Nações Unidas. O quanto vale parar de desmatar? É melhor as empresas partirem do princípio de que não vale nada, e que os medidores virão para suas chaminés. Portanto, devem se preparar desde já para um cenário de grande probabilidade em 2012, o de terem de efetuar de fato reduções em suas emissões ou ir atrás de certificados de carbono para compensar seus excessos. Dos três países em desenvolvimento mais na mira doas atuais subscritores do Protocolo de Kyoto, o Brasil é o que mais tem a ganhar com a redução de emissões, uma vez que está mais bem estruturado em termos de biocombustíveis e tem melhor capacidade de entrar como grande player no mercado de crédito de carbono.

Índia e China baseiam seu crescimento econômico na queima de combustíveis fósseis, seja carvão ou petróleo. Nenhum dos dois países tem a capacidade de alterar drasticamente sua matriz energética de forma a manter os níveis de crescimento econômico deste início do século XXI em um cenário de obrigatoriedade de reduções de suas emissões. A compreensão desta limitação das duas economias que mais crescem atualmente pode oferecer ao Brasil e às empresas que atuam aqui importantes vantagens competitivas.

Uma das primeiras coisas a se ter em mente é que será vantajoso para o Brasil assumir metas de redução das emissões de carbono a partir de 2012 e, assim, pressionar China e Índia a também projetarem suas reduções. Neste cenário o Brasil tem mais capacidade de ação a partir de um mercado estruturado de emissão de certificados de crédito de carbono e da utilização de tecnologias limpas. Como vantagem adicional está a decisão da Comissão Européia em reduzir em 20% suas emissões de carbono em relação aos valores de 1990. Um número que pode ser ampliado para 30% caso os Estados Unidos mudem sua posição de ignorar a existência das mudanças climáticas.

As empresas brasileiras que estão realizando os seus inventários de emissões de carbono de forma séria, referendada por organizações e profissionais capacitados, estarão um passo à frente na avaliação de suas ações no novo e possível cenário de restrições das emissões. Saber com antecipação qual é sua posição e poder planejar com calma as ações de compensação pode ser a diferença entre continuar a crescer ou ter de botar o pé no freio da produção. Além disto, a redução das emissões na Europa poderá representar excelentes oportunidades de negócios para o Brasil, na medida em que algumas das grandes empresas européias estão presentes aqui e poderão transferir suas linhas de produtos que ficarem inviáveis na Europa para o Brasil. Isto se o país estiver preparado para compensar o aumento em suas emissões de CO2.

Ganharão as empresas que conseguirem estabelecer uma fronteira clara entre a reputação de suas ações de caráter socioambiental e, em especial, de competência e qualidade em seus inventários de emissões de carbono, e as múltiplas facetas do marketing ambiental que está se estabelecendo através de ações meramente de comunicação. O valor da reputação é o que efetivamente tem o reconhecimento de acionistas e consumidores, sejam eles pessoas físicas ou as grandes trades responsáveis pelo comércio global, que estarão cada vez mais pressionadas impor critérios ambientais a seus fornecedores.

Por isso é importante que a moda pegue. E mesmo as empresas que estão apostando apenas no marketing acabam por contribuir para mostrar o valor da sustentabilidade e da consistência das ações das empresas comprometidas com resultados em um mercado que acabou de nascer, mas que certamente terá vida longa. (Envolverde)

(*) Adalberto Wodianer Marcondes é diretor responsável da Envolverde.
(Envolverde/Envolverde)

22 de janeiro, 2007

Meio ambiente nas mãos de especialista

por Gizella Rodrigues
Da equipe do Correio

A pasta ambiental voltará às mãos de um especialista. Depois de extinguir a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e fundi-la à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o novo governo decidiu criar o Instituto Brasília Ambiental, que tratará das questões de meio ambiente no Distrito Federal. O professor Gustavo Souto Maior, coordenador do Núcleo de Estudos Ambientais (NEA) da Universidade de Brasília (UnB), comandará o órgão. O nome dele foi confirmado pelo governador José Roberto Arruda e pelo secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi. A nomeação deve ser publicada nos próximos dias, no Diário Oficial do DF.

Até que o Instituto Brasília Ambiental seja criado, o que exige a aprovação de uma lei na Câmara Legislativa, Gustavo Souto Maior assumirá o cargo de subsecretário de Meio Ambiente. O governador deve enviar o projeto de lei assim que os deputados distritais voltarem do recesso, em 1º de fevereiro. Inicialmente, o instituto terá a competência das extintas Semarh e Comparques.

O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a criar um órgão para o controle do meio ambiente, mas, nos últimos três anos, o cargo de secretário era ocupado apenas por indicação política. Em 1989, foi instituída a Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (Sematec), na gestão do ex-governador Joaquim Roriz. O primeiro secretário foi o engenheiro civil Rubem Fonseca, que tinha cursos de especialização na área ambiental. Em 2000, a Sematec foi transformada em Semarh. Entre 2003 e 2006, o cargo de secretário foi ocupado pelo pastor Jorge Pinheiro, ex-deputado federal, por Antônio Gomes, atual diretor da Companhia Imobiliária do DF (Terracap), Roberto Giffoni, corregedor-geral do novo governo, e pelo jornalista Rubens Martins, o último secretário. Nenhum deles era especialista no assunto.

Os ambientalistas não concordam com a extinção da Semarh nem com a criação do instituto. “Meio ambiente é muito mais que fauna e flora e concessão de licenças ambientais. Quando a pasta fica vinculada à de habitação, o próprio governo não entende esse conceito. Na verdade, as duas pastas foram fundidas para acelerar a emissão de licenças para os condomínios. Isso é uma visão retrógrada”, afirma a doutora em geologia e integrante do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF, Mônica Veríssimo. Para ela, o instituto não terá autonomia.

Em entrevista ao Correio em 12 de janeiro, Cássio Taniguchi, rebatia a crítica. “É preciso haver integração nessas áreas. O governo Roriz tinha 36 secretários, mas um ficava batendo cabeça com o outro”, afirmou. Gustavo Souto Maior é engenheiro cartógrafo, com mestrado em gestão econômica do meio ambiente pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorando em ciências ambientais. Desde 1993, ele trabalha na Câmara Legislativa do DF — é consultor legislativo concursado na área de meio ambiente, desenvolvimento urbano e rural desde 1993.

*legenda imagem: Marcelo Ferreira/CB - 15/3/06
Souto Maior é consultor legislativo desde 1993 e coordena o Núcleo de Estudos Ambientais da UnB
22 de janeiro, 2007

DEBATE COM CANDIDATOS À CÂMARA SERÁ NO DIA 29
Data foi confirmada pelos candidatos Chinaglia, Rebelo e Fruet.
Petista alegou problemas na agenda e pediu adiamento.

Leandro Colon, do G1, em Brasília

O debate entre os três candidatos à presidência da Câmara será realizado na próxima segunda-feira (29). A confirmação foi dada pelos candidatos Arlindo Chinaglia (PT -SP), Aldo Rebelo (PC do B-SP), que disputa a reeleição, e Gustavo Fruet (PSDB -PR). O encontro será no auditório da TV Câmara, com transmissão ao vivo pela emissora. Clique aqui para conhecer as regras do debate.

A idéia inicial era realizá-lo na quarta (24) ou quinta-feira (25), mas Chinaglia alegou problemas na agenda e pediu para que ocorresse no dia 29. Aldo e Fruet concordaram e o debate foi marcado para as 11h de segunda (29).

Em reunião nesta segunda-feira (22), os assessores dos três candidatos definiram as regras e descartaram a proposta de Chinaglia de realizar debates separados, com a presença apenas de dois dos três deputados em cada encontro.

O petista havia sugerido esse modelo na semana passada com o objetivo de evitar que os outros dois concorrentes se juntassem contra ele no debate. Entretanto, na reunião, os assessores do petista não fizeram essa exigência.

A eleição está marcada para o dia primeiro de fevereiro, mesma data da posse. Todos os deputados serão informados e convidados a assistir ao debate na Câmara.

Regras
Pelas regras acertadas, o debate terá duas horas de duração e será dividido em quatro blocos. No primeiro, os três candidatos se apresentam e respondem a perguntas da jornalista Cláudia Brasil, da TV Câmara, que mediará o debate. No segundo, seis jornalistas que cobrem a Câmara farão perguntas, sendo dois repórteres por candidato.

No terceiro bloco, os candidatos perguntam entre si, com direito a réplica e tréplica. E no quarto e último bloco, os deputados responderão às perguntas enviadas pela população por e-mail e telefone.

Fruet está em Brasília e pretende passar o dia ao telefone com aliados. Aldo e Chinaglia participaram do lançamento do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Palácio do Planalto.
22 de janeiro, 2007

DONA DO LEGACY NEGA QUE SISTEMA ANTICOLISÃO TENHA SIDO DESLIGADO
ExcelAire diz que reportagem baseia-se em informação incompleta.
Não havia indicação de que equipamento estava desligado, diz nota.

Do G1, em São Paulo

A ExcelAire, proprietária do Legacy que colidiu com um Boeing da Gol, em 29 de setembro, divulgou nota nesta segunda-feira (22) sobre reportagem da revista “Veja”. De acordo com a publicação, as gravações da caixa-preta do jato indicam que, após o choque, os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino teriam percebido que o equipamento anticolisão estava desligado. A empresa nega que os equipamentos tenham sido desligados.

Depois da colisão, o Boeing da Gol caiu em região de mata fechada em Mato Grosso, causando a morte das 154 pessoas que estavam a bordo. Lepore e Paladino conseguiram pousar o Legacy na base aérea de Cachimbo, no Sul do Pará, e seus sete ocupantes nada sofreram.

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De acordo com a ExcelAire, as reportagens e notícias sobre o caso “baseiam-se em informações incompletas, especulações e interpretações equivocadas sobre complexas questões técnicas, o que gera considerações prematuras e incorretas”. Na nota, a empresa volta a afirmar que os pilotos não desligaram o transponder ou o sistema anticolisão. A comissão que investiga o acidente pretende fazer uma nova entrevista com os pilotos americanos para saber se os equipamentos estavam ou não desligados.

Leia abaixo a íntegra da nota:

"Sobre as recentes declarações publicadas pela imprensa, referentes às investigações e ao inquérito do acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, a ExcelAire esclarece:

Diante da divulgação do que se alega serem trechos isolados dos diálogos registrados na caixa-preta do jato Legacy, a ExcelAire e seus pilotos Joseph Lepore e Jan Paladino manifestam que continuarão a agir com discrição sobre o assunto, em respeito às investigações em andamento.
Como já ocorreu no passado, as recentes reportagens e notícias sobre o caso baseiam-se em informações incompletas, especulações e interpretações equivocadas sobre complexas questões técnicas, o que gera considerações prematuras e incorretas sobre os fatos.

Mais uma vez, a ExcelAire enfatiza que conclusões precoces baseadas na interpretação de materiais e dados que vêm sendo analisados no processo investigativo não contribuem para seu adequado andamento.

A empresa afirma, novamente, que seus pilotos não desligaram o transponder ou o sistema TCAS, de anticolisão, seja intencional ou inadvertidamente. E que não havia nenhuma indicação na cabine, ao longo do vôo, que apontasse o não funcionamento desses equipamentos.

Os responsáveis pelas investigações do acidente continuam analisando o transponder do jato Legacy e outros sistemas aviônicos da aeronave. E somente após o término dessas perícias é que será possível determinar se houve falhas ou defeitos que pudessem comprometer seu funcionamento.

Por fim, a ExcelAire reitera que a conclusão das investigações responderá às várias questões ainda não resolvidas, esclarecendo e corrigindo assim os equívocos decorrentes das interpretações precoces recentemente publicadas.

ExcelAire"
22 de janeiro, 2007

Gripe aviária será ameaça por anos, diz OMS
Mundo está longe de conseguir controlar uma eventual pandemia do vírus H5N1.
Afirmação é da nova diretora da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan.

Da Reuters

O mundo vai precisar de anos para eliminar a gripe aviária, e a ameaça de uma pandemia humana vai existir enquanto o vírus estiver ativo nas aves, disse na segunda-feira (22) a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan.

"Enquanto o vírus (que causa a gripe aviária, o H5N1) continuar circulando nos pássaros, a ameaça de uma pandemia vai persistir. O mundo está a anos de controlá-la no setor avícola", disse ela em um pronunciamento à diretoria executiva da organização, formada por 34 países.

Desde o ressurgimento da doença, em 2003, houve 267 casos de infecção em humanos, a maioria no Sudeste Asiático, sendo que 161 deles resultaram em mortes. Quase metade das mortes aconteceu em 2006, disse Chan.

Embora a doença continue sendo uma enfermidade animal, ela não perdeu sua virulência nas oportunidades em que conseguiu passar para os seres humanos. A taxa de mortalidade em 2006 chegou a 70%, enquanto a média nos três anos é de 60%.

A OMS já fez vários alertas de que o vírus, que foi detectado pela primeira vez em 1997 em Hong Kong, pode deflagrar uma pandemia global se sofrer mutações que lhe permitam ser transmitido de pessoa para pessoa. Por enquanto, todos os casos de infecção humana envolveram contato com animais infectados.

Chan, que assumiu a liderança da OMS este mês, disse que é impossível prever quando, e se, essa mutação vai ocorrer.

"Os vírus da gripe são conhecidos por serem instáveis e caprichosos. É impossível prever seu comportamento", disse ela à diretoria, que se reúne duas vezes por ano. "A mensagem é simples: não podemos baixar a guarda."

A gripe aviária é um dos principais assuntos da agenda do encontro da diretoria, que durará oito dias e também discutirá doenças infecciosas como a Aids, a malária e a tuberculose, além de enfermidades crônicas como a diabete e as doenças cardíacas. Também será definido o orçamento da entidade para 2008-2009.

22 de janeiro, 2007

Ingleses saqueiam navio encalhado e levam fraldas e ao menos 15 motos BMW
População de Lyme, no sul da Inglaterra, levou para casa pacotes de fraldas.
O cargueiro MSC Napoli foi danificado por tempestades na semana passada.

Um acidente com um navio cargueiro no sul da Inglaterra produziu uma cena inusitada para os padrões europeus: moradores da região saquearam os produtos que caíram da embarcação. A imagem de pessoas carregando pacotes na praia de Branscombe, em Devon, ganhou destaque na mídia internacional por se tratar de um dos países mais ricos do mundo.

Foi uma ação parecida com a que ocorre nas estradas brasileiras quando um caminhão que transporta mercadorias tomba. Em poucos minutos centenas de moradores da região aproveitaram o encalhe do navio cargueiro MSC Napoli para levar os produtos que chegaram boiando à praia.

Levaram pacotes de fraldas, caixas de vinho e até mesmo 15 motocicletas da marca BMW -a um custo de cerca de R$ 65 mil cada uma. As informações são da polícia.

O cargueiro MSC Napoli foi abandonado por seus tripulantes depois de ser danificado por tempestades na quinta-feira da semana passada. A polícia foi chamada ao local para evitar novos saques.

Desastre ambiental

Moradores de Devon saquearam produtos que caíram de navio cargueiro que encalhou. O navio foi deliberadamente encalhado na baía de Lyme, em Devon, para impedir que afundasse. Ele adernou entre 18 e 25 graus e começou a liberar óleo e mais de 200 dos seus 2.400 contêineres no mar.

Por causa disso houve um vazamento de óleo que se espalhou por cerca de oito quilômetros, disse a guarda costeira. "Um brilho de óleo foi visto saindo do MSC Napoli, que é suspeito de vir do espaço alagado na casa de máquinas", disse em nota a Agência Marítima e de Guarda-Costeira.

Cerca de 200 toneladas de óleo já teriam vazado da embarcação, espalhando-se por cerca de oito quilômetros. Mas as autoridades disseram que a mancha está "se rompendo e dissipando", sem representar uma grave ameaça ambiental.

Equipes de resgate esperam começar a recolher as 3.000 toneladas restantes de petróleo dos tanques do navio ainda na segunda-feira, mas alertam que a operação pode demorar vários dias.

"Temos dois barcos fretados agora para receber o óleo, e o bombeamento deve começar hoje", disse Robin Middleton, representante do governo para operações de resgate e intervenção marítimos, à rádio BBC.

"Este é um produto muito viscoso, quase como lama, então o que eles têm de fazer é aquecê-lo e removê-lo lentamente. Pode provavelmente levar a maior parte da semana", afirmou.

A guarda costeira disse que alguns contêineres a bordo levam materiais potencialmente perigosos -perfume, ácido de bateria e autopeças. Alguns se romperam e foram dar nas praias, cujos freqüentadores foram alertados a não entrar em contato com os materiais.

"Os donos do barco indicaram uma empresa privada de segurança para guardar os contêineres que derem nas praias", disseram os proprietários da embarcação.

O Napoli, construído em 1991 e de bandeira britânica, ia da Bélgica para Portugal quando foi danificado, na quinta-feira. Seus 26 tripulantes foram resgatados de helicóptero em um bote.

Em 2001, o mesmo barco, então chamado Normandie, encalhou num arrecife no estreito de Málaca (entre Malásia e Sumatra), lotado e a plena velocidade. Ficou várias semanas por lá, até ser rebocado para reparos que incluíram a soldagem de mais de 3.000 toneladas de metal no casco.
22 de janeiro, 2007

JOVEM DE 17 ANOS RECUSA CONVITE PARA DANÇAR E É ASSASSINADA
Irmão da vítima tentou defendê-la e ficou ferido.
Crime aconteceu na madrugada de domingo, em Porto Alegre.

Do G1, em São Paulo, com informações da Globo News

Uma jovem de 17 anos negou um convite para dançar em uma festa em Porto Alegre (RS) e foi assassinada, na madrugada de domingo (21).

Vanessa Silva da Costa foi até um bar com seu irmão. Segundo testemunhas, um homem a chamou para dançar, mas ela recusou. Inconformado, ele saiu do estabelecimento, voltou armado e fez um novo convite. A adolescente negou e foi atingida com um tiro no lado esquerdo do peito.

A vítima foi levada para o Hospital São Lucas, mas não resistiu aos ferimentos. O irmão dela, de 13 anos, tentou defendê-la e levou um tiro de raspão. Ele não corre risco de morrer.

A polícia acredita que um vizinho de Vanessa foi o autor dos disparos. Ele está foragido.

O corpo da adolescente foi enterrado nesta segunda-feira (22).
22 de janeiro, 2007

Humanos invadiram Europa há 45 mil anos
Artefatos achados na Rússia apontam chegada do Homo sapiens ao continente.
Falta de competição com neandertais teria facilitado colonização a partir do leste.

Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo

Universidade do Colorado em Boulder/Divulgação
Artefatos de marfim com provável estatueta de homem (no centro, com 'cabeça' redonda no alto)Um sítio arqueológico na Rússia acaba de acrescentar mais uma peça ao quebra-cabeças da história da expansão dos seres humanos modernos pelo planeta. Artefatos desenterrados lá indicam que o Homo sapiens invadiu a Europa há cerca de 45 mil anos, por uma rota que pode ter partido do interior da Eurásia.

Os achados do sítio de Kostenki, cerca de 400 km ao sul de Moscou, ajudam a confirmar que essa é a história de uma expansão-relâmpago. Tudo indica que os seres humanos modernos saíram de seu lar original, o continente africano, há cerca de 60 mil anos. Cerca de 10 mil ou 15 mil anos depois, eles não só já ocupavam o interior russo como haviam seguido o litoral asiático até a Indonésia, e até cruzado o mar e alcançado a Austrália.

“O interessante é ver que esses recém-chegados da África tenham ocupado primeiro um dos lugares mais secos e frios da Europa”, afirmou em comunicado John Hoffecker, do Instituto de Pesquisa Ártica e Alpina da Universidade do Colorado em Boulder (EUA). Ao lado de colegas da Academia Russa de Ciências, Hoffecker é um dos autores do estudo sobre Kostenki, que está na edição desta semana da revista americana “Science” (www.sciencemag.org). “Seria um dos últimos lugares da Europa aonde você gostaria de ir tendo vindo da África.”

É verdade que a ligação entre os achados e os Homo sapiens não é a direta, já que os únicos restos humanos do sítio são dentes, que não permitem a diferenciação precisa entre gente como nós e os neandertais.

No entanto, a tecnologia parece típica de seres humanos modernos: instrumentos fabricados com osso, chifre e marfim (os neandertais só usavam pedra e madeira para criar suas ferramentas), artefatos de pedra feitos com lâminas finas, além de indícios de arte. A identificação ainda é duvidosa, mas parece haver uma estatueta não-concluída, feita de marfim de mamute e que lembra um homenzinho. Se novos estudos confirmarem o fato, poderá ser o exemplo mais antigo de arte figurativa (com imagens reconhecíveis) da história humana.

O mais impressionante talvez seja os sinais de trocas de longa distância com outras populações da Era do Gelo. Algumas conchas furadas, provavelmente usadas na fabricação de colares, vieram das margens do mar Negro, a nada menos que 500 km de distância do sítio. Os moradores do sítio tinham estratégias de sobrevivência diversificadas, caçando tanto animais de grande porte (mamutes, rinocerontes lanosos e cavalos) quanto bichos menores e mais numerosos, como lebres e raposas-do-ártico. A tecnologia deles, embora tenha alguns pontos em comum com a que dominaria a Europa nos períodos finais da glaciação, tem características únicas, que sugerem seu papel de precursora dos artefatos que viriam depois.

Universidade do Colorado em Boulder/Divulgação
Escavação no sítio arqueológico de KostenkiA questão óbvia que vem à mente, no caso da colonização da Europa, é: por que a Rússia? Afinal, após passar pelo Oriente Médio, os H. sapiens poderiam ter muito bem avançado diretamente rumo ao oeste. No entanto, para Hoffecker, a chave para explicar isso pode ser a provável ausência de tribos neandertais na região durante esse período. “É como se os neandertais tivessem deixado a porta de trás da Europa aberta”, compara ele. Assim, os ancestrais da humanidade moderna teriam tido tempo de se adaptar às condições do continente antes de competir diretamente com seus primos da Europa Ocidental.

22 de janeiro, 2007

Crânio traz mescla de humano e neandertal
Fóssil de 40 mil anos, achado na Romênia, tem mosaico de traços modernos e arcaicos.
Pesquisadores, no entanto, são cautelosos ao interpretar significado do fóssil.

Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo

Ainda sem o siso, fóssil deve ser de adolescenteJoão Zilhão e seus colegas definitivamente não são do tipo que desiste fácil. O arqueólogo português que trabalha na Universidade de Bristol (Reino Unido), ao lado de uma equipe internacional de pesquisadores, acaba de publicar mais um artigo científico descrevendo um possível caso de miscigenação entre seres humanos modernos e neandertais na Era do Gelo européia.

No estudo, que está na edição desta semana da revista científica americana “PNAS”, Zilhão e companhia descrevem a descoberta e análise do crânio de um adolescente que morreu há cerca de 40 mil anos onde hoje é a Romênia. Eles dizem não ter dúvidas de que se trata de um ser humano moderno, um Homo sapiens como nós. No entanto, o crânio também apresenta um conjunto de características morfológicas decididamente esquisitas e arcaicas.

Uma das explicações para esse mosaico de traços, sugerem eles, é a mistura entre os humanos anatomicamente modernos oriundos do continente africano, que começaram a invadir a Europa por volta da época em que o adolescente viveu, e os neandertais que dominavam o continente então e só desapareceram de todo (de que maneira exatamente, ninguém sabe hoje) 10 mil anos depois.

O crânio foi desenterrado em 2003, partido em mais de 30 cacos, numa galeria de cavernas calcárias chamada Pestera cu Oase (“caverna dos ossos”, em romeno). Apesar da fragmentação, os colegas paleoantropólogos de Zilhão, liderados pelo americano Erik Trinkaus, da Universidade Washington em Saint Louis, conseguiram datar a caveira e realizar uma detalhada análise morfológica.

Dá para ter certeza razoável da idade do espécime na época da morte (algo entre 15 e 20 anos) porque seus dentes do siso, embora totalmente formados, ainda não haviam terminado de aparecer acima da linha dos demais dentes.

Várias das características do fóssil são típicas dos primeiros humanos modernos, mas em outros detalhes ele é diferente de qualquer um dos indivíduos desse grupo que viveram na Europa durante a última glaciação, de acordo com a comparação detalhada feita por Trinkaus, Zilhão e seus colegas. Por outro lado, detalhes da testa e da nuca, assim como os dentes enormes, sugerem uma semelhança intrigante com os neandertais e outros humanos arcaicos.

O crânio foi remontado a partir de 38 fragmentosÉ aí que mora a controvérsia. Muitos pesquisadores sustentam, tanto com base na morfologia desses primeiros humanos europeus modernos quanto no DNA, que praticamente não houve mistura entre H. sapiens e neandertais – eles seriam duas espécies totalmente separadas. Trinkaus e Zilhão defendem um longo processo de miscigenação entre os dois povos, e seu trabalho mais famoso foi a descoberta de um suposto menino “mestiço” em Portugal, no fim dos anos 1990.

No novo trabalho, os dois dizendo que ainda é cedo para afirmar qualquer coisa sobre o exemplar romeno, mas que, seja qual for a verdade sobre ele, a chegada dos H. sapiens à Europa foi um processo muito mais complexo do que se imagina.

22 de janeiro, 2007

Estudo revela 'Vale do Silício' dos chimpanzés
Macacos do Congo usam 22 tecnologias e estão entre os mais 'avançados' da espécie.
Bichos reutilizam ferramentas e escolhem matérias-primas específicas para cada tarefa.
Reinaldo José Lopes

Do G1, em São Paulo

A floresta equatorial do Congo definitivamente tem pouco a ver com a Califórnia, mas ao que parece o país africano também tem seu Vale do Silício, um pólo de tecnologia tão rico quanto a meca americana dos computadores. A única diferença é que não se trata de tecnologia humana: as matas do chamado triângulo de Goualougo são um dos maiores pólos tecnológicos de chimpanzés.

A descoberta vem de um levantamento de sete anos feito por uma dupla de americanos, a bioantropóloga Crickette Sanz e o biólogo da conservação David Morgan. Os dois descobriram que os chimpanzés de Goualougo fabricam e usam instrumentos de 22 maneiras diferentes. A abundância de tecnologia é tão grande que os macacos congoleses assumiram a liderança entre os mais hábeis de sua espécie, empatando com seus primos de Gombe, na Tanzânia – um lugar que é estudado há quatro décadas.

Uma descrição completa do “Vale do Silício” primata deve aparecer numa edição futura da revista científica “Journal of Human Evolution”. A variedade é impressionante: os bichos fabricam e usam instrumentos para os mais diversos usos, desde alimentação até proteção e limpeza do próprio corpo, ou mesmo como elemento extra em brincadeiras. Muitas das ferramentas precisam de até quatro passos de preparação antes de estarem prontas para o uso; outras são usadas de forma conjunta e reutilizadas durante meses.

“Com esse trabalho, esperamos trazer novos dados sobre a compreensão causal do uso de objetos que esses grandes macacos têm, bem como sobre os mecanismos sociais necessários para manter as tradições da fabricação de ferramentas”, disse ao G1 Crickette Sanz, que trabalha no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha.


Os primatas de Goualougo são importantes por uma série de razões. Eles vivem numa região de mata bem preservada e, até o começo do trabalho dos americanos, aparentemente nunca tinham visto seres humanos por perto. Os bichos também são o primeiro grupo de sua subespécie (denominada Pan troglodytes troglodytes) a ter suas tradições culturais documentadas de forma exaustiva. Para perturbar os bichos o mínimo possível, os pesquisadores fizeram amplo uso de câmeras de vídeo com sensores infravermelhos. Posicionadas em cantos estratégicos da floresta, elas disparavam quando os animais passavam na frente delas, filmando-os discretamente.

Terríveis contra os insetos

De todos os resultados da pesquisa, o que mais chama a atenção é o conjunto de técnicas sofisticadas que os chimpanzés usam para atazanar cupins e abelhas. Em meio à dieta principalmente vegetariana dos primatas, os cupins e o mel são adições calóricas muito bem-vindas. Mas as duas iguarias são de difícil acesso. Por isso, os chimpanzés usam seqüências padronizadas de ferramentas para alcançar esses prêmios – é a primeira vez que se documenta esse tipo de técnica entre a espécie.

No caso dos cupinzeiros, os bichos usavam um bastão específico para abrir a entrada do ninho (fazendo movimentos circulares com as mãos ou usando os pés para fincá-lo no cupinzeiro) e uma “vara de pescar” especialmente preparada. Essa vara normalmente é um galho com a ponta desfiada, como se fosse uma escova: vários cupins mordem as cerdas e são rapidamente engolidos. (Essa técnica da “escova”, ao que tudo indica, foi inventada pelos macacos de Goualougo.)

Já no caso das colméias há uma seqüência de três instrumentos: um galho grosso e forte usado como “pilão”, que abre a entrada do ninho de abelhas; outro um pouco mais fino, que é usado como alavanca para abrir essa abertura; e finalmente um pauzinho delicado, com o qual o mel é extraído e levado à boca.


Divulgação
A fêmea Dorothy usa um "pilão" para abrir colméia em busca de mel. Apesar de todos os instrumentos serem feitos de matéria vegetal perecível, os bichos parecem saber muito bem que eles podem ser reutilizados. Os chimpanzés muitas vezes carregam suas “varas de pescar” preferidas de cupinzeiro em cupinzeiro. “E eles podem reutilizar as ferramentas de punção [as usadas para abrir o buraco] que deixam perto dos cupinzeiros por um período de vários meses”, conta Sanz.

Seletivos
“Os chimpanzés de Goualougo também são muito seletivos ao escolher a matéria-prima mais adequada para cada tarefa”, acrescenta a antropóloga. A análise mostrou que os bichos não escolhem simplesmente os galhos mais próximos: para abrir buracos nos cupinzeiros, eles usam quase sempre uma única espécie de árvore – um grau de especialização com poucos precedentes entre a espécie. A preparação empregada também é cuidadosa: o galho é cortado no tamanho desejado com mãos e dentes, limpo de ramos laterais menores e, às vezes, tem sua ponta deliberadamente afiada, entre outras técnicas.

A alimentação, no entanto, não é o único estímulo tecnológico para os primatas do Congo. Para beber água, por exemplo, os bichos fabricam esponjas mascando de duas a cinco folhas. A massa resultante é mergulhada num riacho e espremida dentro da boca. As folhas também são usadas como “papel higiênico” (limpando fezes, urina, esperma e polpa de frutas). Galhos cheios de folhas também fazem às vezes de “capa de chuva” (os bichos cobrem as costas com eles durante temporais) e “esteiras” (colocados sobre troncos espinhosos, permitindo que os macacos sentem tranqüilos em cima deles).

Para os pesquisadores, esses dados indicam que a necessidade de ampliar as opções alimentares não explica, por si só, a origem do uso de ferramentas entre os grandes macacos. E sugere que os primeiros ancestrais diretos do homem (provavelmente muito parecidos com os chimpanzés modernos) podem ter tido uma tecnologia diversificada sem precisar fazer instrumentos de pedra. “O repertório amplo dos chimpanzés do triângulo de Goualougo mostra a complexidade e as aplicações que podem ser conseguidas com ferramentas perecíveis”, conclui Sanz.
22 de janeiro, 2007

Receita e Policiais Rodoviários Federais vão ajudar a Força Nacional de Segurança
Cerca de 280 homens darão reforço no policiamento.
Eles vão atuar nas divisas do estado.

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo

A Força Nacional de Segurança vai receber ajuda das Receitas Estadual e Federal nas operações programadas no Rio de Janeiro. Elas vão trabalhar nos pontos mais movimentados das rodovias que cortam o estado. Cerca de 280 homens, entre eles há também agentes da Polícia Rodoviária Federal, ajudarão no trabalho.

Atuação das Receitas Estadual e Federal
As tropas vão montar barreiras nas principais estradas de acesso a São Paulo (Rodovia Presidente Dutra), Espírito Santo e Minas Gerais (BR-040). Homens ficarão nessas rodovias, mas poderão se movimentar a qualquer chamado dos outros integrantes da Força Nacional para atender problemas como contrabando. Além das rodovias, também serão fiscalizados portos e aeroportos. A previsão é que os fiscais fiquem nas estradas por tempo indeterminado.

A partir de fevereiro, a Receita atuará na Baía de Guanabara. Duas lanchas farão a fiscalização. Entre abril e maio, dois helicópteros adquiridos recentemente, também ajudarão no reforço. O objetivo é fazer uma integração de rodovias, mar e ar, para tentar fechar as fronteiras da região.

Saiba como foi o trabalho dos homens da Força Nacional de Segurança no domingo
No domingo (21), tropas montaram barreiras nas principais estradas de acesso ao Rio.
No sul do estado, no município de Paraíba do Sul, parte da tropa está hospedada numa pousada de um santuário. De lá, 40 homens seguiram para a primeira operação na BR-040, que liga o Rio de Janeiro a Minas Gerais. A rodovia foi escolhida estrategicamente pelo comando da Força Nacional de Segurança. Lá passam diariamente centenas de caminhões. Por isso, os policiais decidiram fiscalizar o conteúdo de cada carga.

Os ônibus também foram parados e os passageiros foram revistados fora e dentro dos veículos. Policiais verificavam se os carros estavam em situação regular. Por telefone, militares checavam as placas para saber se os veículos não eram roubados.

Na rodovia Presidente Dutra, também no sul do estado e que liga o Rio a São Paulo, não houve operação no domingo (21). A Força Nacional priorizou os pontos que poderiam ser usados pelos criminosos como rota alternativa para escapar da repressão.

As estradas secundárias foram vistoriadas. No município de Miracema, próximo a Minas, a Força Nacional também revistou carros e pediu documentos aos motoristas. Ao todo, oitenta soldados da Força Nacional estão sediados no noroeste do estado. Em parte das divisas do Rio com Minas Gerais e Espírito Santo eles fazem patrulhamento dia e noite. Mas em alguns pontos o trabalho não tem horário nem local definidos. Segundo o comando da operação, é uma estratégia para flagrar bandidos que tentam entrar com drogas e armas no estado.

Nos pontos de bloqueio, como em Miracema, os homens da Força Nacional recebem o apoio de policiais militares.

Trecho da BR-040 é assaltado no sábado (20)
Ameaçando pôr fogo no ônibus, quatro homens que embarcaram na Rodoviária Novo Rio, na Zona Portuária do Rio, com destino a Manhumirim (MG), assaltaram 22 passageiros e renderam uma família para roubar o carro em que fugiram. O assalto aconteceu por volta das 23h do sábado (20) num trecho da serra na Rodovia Washington Luiz (BR -040, Rio-Juiz de Fora), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

22 de janeiro, 2007

Aeroportos de São Paulo têm pelo menos 62 vôos cancelados
Segundo Anac, problema é conseqüência do fechamento em Congonhas.
No aeroporto, 37 pousos e decolagens estão atrasados.
Isabela Noronha

Do G1, em São Paulo

Os dois principais aeroportos de São Paulo - Congonhas, na Zona Sul da capita, e Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo - registram pelo menos 62 vôos atrasados, entre chegadas e partidas, nesta segunda-feira (22), segundo mostrava a tabela da Infraero às 12h.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), os atrasos são conseqüência do fechamento da pista principal de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, por cerca de 30 minutos na manhã desta segunda.

No aeroporto de Congonhas, 14 partidas, marcadas entre 8h20 e o fim do dia, só acontecerão uma hora ou mais depois do previsto. No mesmo aeroporto, desde 6h10, 23 vôos chegariam atrasados.

No aeroporto de Cumbica, na Grande São Paulo, 11 vôos partiriam com uma hora ou mais de atraso e 12 chegadas estavam atrasadas entre 7h e o fim desta segunda. Dois vôos foram cancelados.

A Anac deve divulgar um balanço oficial dos atrasos em todo país no início da tarde desta segunda.
22 de janeiro, 2007

Veja alguns pontos do PAC divulgados pelos ministros
Lula diz que pacote fará país crescer de foma 'correta'.
Medidas serão implementadas gradativamente.

Do G1
Em Brasília

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado nesta segunda-feira (22) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê investimentos de R$ 503 bilhões até 2010, prioridade para a infra-estrutura, como portos e rodovias, e corta menos gastos e impostos do que o esperado. Durante a apresentação do plano, em Brasília, Lula afirmou que o pacote vai permitir ao país crescer “de forma correta, porém mais acelerada” do que o registrado no seu primeiro governo. "Não vamos entrar na rua Augusta a 120 por hora. O objetivo é acelerar o crescimento sem comprometer a estabilidade", disse ele.

O PAC será divido em cinco partes: medidas de infra-estrutura (inclusive infra-estrutura social, como habitação, saneamento e transportes de massa), estímulo ao crédito, desenvolvimento institucional, desoneração e medidas fiscais de longo prazo. De acordo com o presidente, as medidas serão implementadas gradativamente.

Confira os principais pontos do PAC:

R$ 503 bilhões em investimentos até 2010: os investimentos são a base do programa de aceleração. Trata-se de um conjunto de projetos de infra-estrutura pública – que, espera-se, irão atrair investimentos privados. A expectativa é que a soma dos investimentos públicos diretos (R$ 67,8 bilhões em quatro anos), investimentos das estatais, financiamentos dos bancos oficiais e investimentos privados chegue a R$ 503,9 bilhões no período do programa, entre 2007 e 2010.

Prioridades é a infra-estrutura pública: O governo selecionou mais de 100 projetos de investimento prioritários em rodovias, hidrovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento, recursos hídricos.

Meta é crescer 5% ao ano: o objetivo é contornar os gargalos ao desenvolvimento e obter um crescimento econômico de 4,5% em 2007 e 5% ao ano entre 2008 e 2010. Nas duas últimas décadas, a média de crescimento ficou entre 2% a 2,5 %. O governo conta com o resultado do papel indutor do setor público, em que cada R$ 1 investido resulta em R$ 1,5 em investimentos privados.

Fonte dos recursos: Os R$ 67,8 bilhões necessários aos investimentos diretos nos próximos quatro anos virão da economia com os juros da dívida pública, porque conta com uma redução gradual da taxa Selic, além de 0,5% do PIB que seria abatido do superavit primário anual. Se os investimentos forem plenamente executados, o superávit então pode cair de 4,25% ao ano para 3,75%. Isso pode não ocorrer se a arrecadação crescer além do estimado e “sobrar” dinheiro para o superávit e os investimentos. No ano passado, o governo já tinha se proposto gastar parte do superávit e não foi preciso, porque a arrecadação foi recorde e só conseguiu investir 0,14% do 0,5% do PIB proposto.

Previdência Social: o governo vai criar um fórum de debates, com participação de especialistas, aposentados, trabalhadores etc, para propor, ao final de 6 meses, uma reforma do sistema previdenciário. Com uma ressalva: nenhuma mudança atingirá os direitos adquiridos de quem já ingressou no sistema. As mudanças seriam para as futuras gerações.

Impostos, encargos e desonerações: O PAC não proporá uma reforma tributária, nem trabalhista, pelo menos por enquanto. Por hora, o governo vai fazer a desoneração, por meio de medida provisória e decreto, de setores de bens de capital (máquinas e equipamentos), matérias-primas para a construção civil, equipamentos de transmissão digital, semi-condutores e computadores. Nos casos de investimentos em infra-estrutura (energia, portos, saneamento etc), a empresa ficará isenta do recolhimento do PIS/Cofins. Espera-se uma perda de arrecadação de R$ 6,6 bilhões em 2007. Duas medidas trarão alívio de caixa para as empresas: a data para recolhimento das contribuições ao INSS passará do dia 2 para o dia 10 de cada mês. E do PIS/Cofins, do dia 15 para o dia 20 de cada mês.
22 de janeiro, 2007

19 janeiro, 2007

Otimismo só não é maior por culpa do Ibama

Fonte: Gazeta Mercantil

Entidades vêem nas restrições ambientais o único empecilho para atingir as metas de geração. O ano de 2006 foi um dos mais importantes para o setor energético brasileiro na opinião de analistas e dos representantes das associações ligadas às áreas de geração, distribuição e comercialização. O seguimento recebeu R$ 11,8 bilhões para investimentos em infra-estrutura, ficando em terceiro lugar no ranking das prioridades do governo federal, segundo dados do Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, elaborou dois planos estratégicos. O primeiro deles, o Plano Decenal de Expansão, que compreende o período de 2006 a 2015 e o Plano Nacional de Energia, para até 2030. No total, o governo prevê, para os dois planos, investimentos de até US$ 40 bilhões. Ao longo do ano, entraram em operação hidrelétricas como Peixe Angical (TO-352 MW), Aymorés (MG-330 MW), Irapê (MG-360 MW). O setor privado e o governo federal, investiram na construção empreendimentos menores, as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que chegaram a 265 e estão produzindo 1.364 MW. No último ano, também foram definidos também os rumos de projetos estruturantes como o Complexo Madeira, e por parte do governo federal, liberados recursos para o desenvolvimento do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). São quase 3.300 MW, que em sua fase final prevista para 2007, serão gerados por meio de 63 PCHs, 54 parques eólicos e 27 usinas à base de biomassa, segundo a Eletrobrás. Para o presidente da Associação Brasileira das Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, este quadro positivo teve a participação considerável da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na regulamentação da legislação setorial. A Abrage credita também o trabalho da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) que participou no aprimoramento e na adequação das novas tarefas de contabilização e liquidação do mercado de energia elétrica mas, faz restrições à atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). "2006 marcou o fim das sobras de energia, que passaram a existir logo após o racionamento de 2001, fazendo com que os preços evoluíssem de R$ 60 MWh, alcançados no megaleilão de 2004, para R$ 105 MWh, atingidos em recente leilão, mais próximos do Custo Marginal de Expansão", diz criticando o ritmo de liberação das licenças ambientais de novas UHEs. "É incompatível com a velocidade necessária ao atendimento do mercado, apontada pelo planejamento decenal, forçando um programa mais acentuado para a participação das termelétricas na matriz elétrica", afirma. O executivo da Abrage espera, para 2007, uma rápida definição sobre o licenciamento ambiental das usinas do Rio Madeira e Belo Monte. "Essas usinas são absolutamente cruciais para o equilíbrio da oferta com a demanda de energia elétrica a partir de 2011. O impedimento ou até mesmo o atraso do início dessas obras exigirá um plano alternativo de obras de termelétricas, ainda mais forte, colocando em xeque o abastecimento de gás já bastante questionado, gerando incertezas quanto ao risco de déficit, e, conseqüentemente, reflexos no PLD", alerta. O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Mário Cileno, já enxerga para 2007, "apesar do otimismo", problemas pela frente, considerando preços da energia em função dos encargos e salienta a importância de novos empreendimentos. Observa que é possível que as coisas não aconteçam como estão sendo previstas. Para o aumento da oferta de energia elétrica, segundo Cileno, será preciso a utilização de novas fontes e a definição de entraves. "O custo da energia -- ressalta -- é influenciado pelos encargos crescentes. Resta ver que de 1999 até 2005, o custo do MW médio para uma indústria de médio porte subiu de R$ 63 para até R$ 185 e isso traz grande preocupação." O executivo da Abrace considera também que, nos últimos três anos, as industrias brasileiras, perderam a competitividade por conta dos encargos. "A enorme explosão dos encargos e a não priorização das novas hidrelétricas, somados aos entraves ambientais, causaram a retração de vários setores", afirma. Sobre novos empreendimentos, como o Madeira, Mário Cileno, enxerga como prioritário e não como agressivo ao potencial amazônico. "Este é um predicado que o Brasil não pode perder, o que é necessário é a agilização dos processos ambientais, o que vai permitir aos investidores um retorno mais rápido dos investimentos", argumenta apresentando os números dos encargos pagos. Em 2002 eram R$ 5,4 bilhões, em 2005 R$ 13,2 bilhões, ou seja um aumento de 140%. Em 2007, a Abrace espera que os reservatórios permaneçam cheios e que os usuários possam ser compensados com valores de tarifas mais baixas, em conseqüência de uma "possível" redução nos encargos. Conforme o diretor do conselho de administração da Associação Nacional dos Consumidores de Energia Elétrica (Anace), Lindolfo Paixão, em 2006 o setor viveu uma grande expectativa por conta das discussões em torno de um novo racionamento estimulado principalmente, pela crise do gás boliviano e pelas dúvidas com relação à postura dos organismos ambientais no novo período governamental. Ele destaca algumas decisões importantes que tiveram impacto sobre o mercado livre e sobre a avaliação do órgão regulador setorial. "O episódio da RTE (Revisão Tarifária Extraordinária) e a aprovação da Resolução 247 talvez sejam as mais emblemáticas delas, sendo assim, as expectativas para 2007 estão concentradas nos esforços que o governo deverá desenvolver para assegurar de forma definitiva e cabal que o abastecimento de energia aos consumidores está garantido para cinco ou seis anos adiante, pelo menos". Ressalta que a Anace ainda espera que seja debatido o tema de conflito de interesses envolvendo distribuidoras e comercializadoras do mesmo grupo empresarial e que novas medidas regulamentares sejam tomadas para ampliação do mercado livre. "Também é expectativa desta associação que medidas de governo não dificultem ações do regulador, especialmente aquelas vinculadas à fiscalização das concessionárias". Enquanto as associações estão otimistas, o consultor de energia, João Carlos Cascaes, não prevê para 2007, um quadro animador. Segundo o ex-presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), a situação é grave. "Tudo o que vemos é contrario à própria opinião do presidente Lula. Não existem novos projetos para empreendimentos que possam garantir a energia. Tucuruí, por exemplo, troca sempre de máquina mas, a quantidade de energia é pequena." De acordo com Cascaes, o mesmo acontece com a hidrelétrica de Itaipu. Estamos vendo o governo falando de universalização, na melhoria da qualidade de vida do povo, porém, não se constrói usinas que possam atender a crescente demanda. Acho isso tudo um oportunismo técnico e grave". Ainda sobre o desempenho do setor em 2006, o executivo vai mais longe e afirma que o governo brasileiro se rendeu a uma questão muito séria, a situação provocada pelo governo boliviano na questão do gás, envolvendo a Petrobras. " Considero o caso Brasil/ Bolívia como o blefe do gás", dispara. Quanto à atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Cascaes elogia a atuação de seu diretor geral Jerson Kelman. "O Kelman, sem vedetismo, colocou no papel as feridas que devem ser abertas, mostrando a realidade", diz. Já para o analista de energia do Banco Brascan, Felipe Cunha, 2006 foi um ano importante porque houve uma retomada da atuação das empresas, principalmente das distribuidoras de energia elétrica. " Em 2006, as empresas de energia foram os grandes destaques nas Bolsas de Valores. Podemos destacar duas delas, a Light (RJ), que obteve uma valorização de quase 50% em seus papéis depois da compra pela Rio Minas Energia, que tornou a empresa mais eficiente e a Copel (Companhia Paranaense de Energia) que obteve uma valorização de 30% no ano, principalmente depois do acordo pelo qual arrendou a UTE Araucária à Petrobras", afirma o analista do Brascan. Para 2007, Cunha chama a atenção para a questão do gás natural importado da Bolívia. "A questão do gás ainda precisa ser mais debatida, ainda existem muitas dúvidas que podem impactar no mercado".
19 de janeiro, 2007

Leis protegem Europa do lixo tóxico

Roberto Matsubayashi *

A Comunidade Européia, que tem, talvez, os consumidores mais exigentes do mundo, está apertando o cerco contra importações de produtos com potencial de danos ao meio ambiente. Embora algumas medidas adotadas pela Europa para a entrada de produtos em seus mercados possam ser interpretadas como simples entraves para importações ou até caracterizadas como barreiras não tarifárias, o fato é que muitas são mesmo necessárias para fazer frente ao desafio de tornar a Terra um lugar ainda habitável para as futuras gerações.

A maioria das iniciativas européias visa a proteger os consumidores, como fica evidente nas regulamentações que se referem à importação de alimentos. Mas a Comunidade Européia tem aprofundado as restrições, procurando ampliar as responsabilidades ambientais, sociais e o tratamento dado aos trabalhadores de fábricas de produtos que almejam vender para seus mercados. Medidas recentes ilustram essa tendência. Elas impõem condições para importação de equipamentos elétricos e eletrônicos que, para chegar ao mercado europeu, têm de estar adequados às exigências, a partir do segundo semestre deste ano.

Dois exemplos são as diretrizes 2002/95/EC, que restringe o uso de substâncias nocivas em equipamentos elétricos e eletrônicos, e 2002/96/EC, que trata do destino final de equipamentos elétricos e eletrônicos. As duas procuram amenizar o problema do lixo tóxico gerado pela cultura de consumo.

Essas diretrizes ficaram conhecidas como Restriction of Hazardous Substances (RoHS), ou Restrições a Substâncias Tóxicas, e Waste Eletric and Eletronic Equipments (WEEE), ou Lixo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos.

A idéia é fazer com que se limite a quantidade total de lixo que termina descartado em aterros sanitários, assim como dar outro destino às inúmeras substâncias tóxicas que podem contaminar ambientes que afetam a vida, como os lençóis freáticos e as emanações nocivas à atmosfera.

Impõem-se assim aos fabricantes a responsabilidade de aceitar de volta substâncias nocivas para dar-lhes destino final ou reciclá-las. A esperança é que isso estimule os fabricantes a projetar equipamentos que causem menos danos ao meio-ambiente. Além disso, os consumidores têm o direito de devolver os equipamentos sem custos adicionais.

Por outro lado, para prevenir a geração de lixo tóxico, a Diretriz 2002/95/EC prevê restrição ao uso de vários metais pesados (por exemplo, chumbo, mercúrio, cádmio e cromo) assim como retardantes de chamas à base de bromo em novos equipamentos eletrônicos e elétricos que pretendam entrar nos mercados europeus a partir de primeiro de julho de 2006.

Medidas como as descritas têm gerado várias mobilizações de empresas e entidades no sentido de se atender aos requisitos do mercado europeu, de inegável relevância para todos os países do mundo.

Dessa forma, novas oportunidades de negócios acabam florescendo. É ilustrativo disso o fato de que, cada vez mais, estão sendo criadas e desenvolvidas empresas terceirizadas que assumem o ônus da reciclagem e do destino do lixo elétrico e eletrônico.

No Brasil, alguns empreendedores já se preparam para assumir a sua parte nessa responsabilidade. São organizações necessariamente especializadas, uma vez que a informação precisa e científica é crucial para o sucesso da empreitada, e os altos volumes envolvidos exigem a aplicação de padrões técnicos altamente sofisticados. Por exemplo, toda essa especialização resulta na atualização constante dos padrões de infra-estrutura global para sincronização de dados cadastrais, o chamado GDSN, de maneira que esses padrões incorporem não só os dados logísticos e comerciais a respeito dos produtos, mas também os dados relacionados ao uso de substâncias controladas, instruções de desmontagem e reciclagem dos produtos e seus componentes.

Outra questão fundamental diz respeito ao aperfeiçoamento de processos precisos de rastreabilidade. Isso é extremamente necessário, já que, pelas normas que vêm sendo impostas, o fabricante é o responsável pelo produto final e, portanto, deve ser capaz de identificar cada componente que fez parte do produto. Apenas para ilustrar, é o caso de um fabricante de baterias – equipamento que, em geral, compõe-se de muitas das substâncias mencionadas nas novas normas –, que deve responsabilizar-se pela precisão das informações. Um erro em qualquer das etapas de fabricação pode ocasionar reações químicas nocivas e indesejáveis.

É para evitar incidentes desse tipo que se desenvolvem cada vez mais instrumentos de precisão, como os padrões em código de barras GS1 e, mais recentemente, o EPC (Electronic Product Code – Código Eletrônico de Produto), tecnologia que usa a identificação por radiofreqüência.

*Roberto Matsubayashi é gerente de Soluções de Negócios da GS1 Brasil
19 de janeiro, 2007

Descritas novas espécies de répteis no Cerrado e Caatinga

Espécies exclusivas dos biomas foram encontradas nos parques nacionais da Serra das Confusões, Piauí, e Grande Sertão Veredas, entre MG e BA

Brasília, 18 de janeiro de 2007 - Duas novas espécies de répteis brasileiros são oficialmente reconhecidas no meio científico nesse mês. Os lagartos Stenocercus squarrosus e Stenocercus quinarius tornaram-se os mais novos integrantes da fauna de répteis brasileiros, e são descritos na última edição do South American Journal of Herpetology, publicação da Sociedade Brasileira de Herpetologia. Eles são as primeiras espécies descritas entre as várias descobertas do maior levantamento feito no Cerrado brasileiro sobre a biodiversidade do grupo de répteis Squamata, que incluem lagartos, serpentes e anfisbenas, como são chamadas as cobras de duas cabeças.

A pesquisa, que registrou 253 Squamata no Cerrado, prova que a biodiversidade do bioma é ainda mais rica do que se pensava. Para o levantamento geral, foram percorridos mais de 30 mil quilômetros por dez estados, ao longo de sete anos de pesquisa, e coletados mais de 1.500 espécimes em campo. No Brasil, e especialmente no Cerrado, estes trabalhos de base, descritivos, ainda são extremamente urgentes. “Sem esses estudos não saberemos o que estamos protegendo e o que está sendo perdido em termos de biodiversidade”, salienta o analista em Biodiversidade da Conservação Internacional, Cristiano Nogueira, doutor em Ecologia, que descreveu as espécies em parceria com o zoólogo Miguel Trefaut Rodrigues professor do departamento de zoologia da Universidade de São Paulo.

Prioridade para a Conservação - As novas espécies descritas no artigo científico têm distribuição aparentemente restrita, ou seja, exclusivas de regiões especiais no Cerrado e seu contato com a Caatinga. As duas ocorrem em áreas prioritárias para a conservação, revisadas recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente. Com uma taxa de desmatamento de 2,6 campos de futebol por minuto, o Cerrado é considerado um hotspot mundial, como são definidas as regiões com maior diversidade biológica e mais ameaçadas do planeta.

Encontrado na região do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, entre Minas Gerais e Bahia, numa das porções mais ricas em répteis no Cerrado, o Stenocercus quinarius está protegido dentro do Parque. No entanto, a situação das populações que estão fora da unidade não é favorável, devido à perda de vegetação nativa. “Não há como assegurar a conservação da espécie apenas no Parque”, frisa Nogueira, observando que “se as áreas do entorno continuarem sendo devastadas, as populações sofrerão perdas significativas, principalmente na região das chapadas do oeste baiano, hoje dominadas por monoculturas de soja”.

A situação do Stenocercus squarrosus é diferente, mas não menos preocupante. Ele foi encontrado pelo pesquisador e curador de Herpetologia do Museu de Zoologia da USP, Hussam Zaher, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí, que poderá ser ampliado em breve, protegendo uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. “A expansão do Parque Nacional da Serra das Confusões e a conservação do entorno do Grande Sertão Veredas serão medidas importantes para as duas novas espécies”, conclui.

Testemunhos da história natural – As duas novas espécies ocorrem geralmente nos chamados carrascos - uma savana muito densa, seca, quase como uma floresta no topo de chapadas. “Eles vivem num ambiente muito restrito e visado pelas carvoarias”, alerta Nogueira. Rico em espécies endêmicas e com características geomorfológicas e de vegetação que o diferem das fisionomias típicas do Cerrado e da Caatinga, o carrasco pode representar o remanescente de um domínio anterior aos atuais, modificado por processos naturais climáticos e geológicos, e seu estudo deve oferecer pistas sobre a história natural da biodiversidade e das paisagens brasileiras. “As áreas de carrasco guardam informações biológicas antigas e únicas”, frisa o pesquisador. “Ainda não se sabe quais as origens deste tipo de ambiente, que em alguns locais já está sendo bastante impactado”.

Características - Com no máximo quatorze centímetros de comprimento até a cauda, e cabeça triangular sobre a qual há quatro protuberâncias que lembram, os Sternocercus parecem animais pré-históricos em miniatura. Eles vivem em troncos de árvores e em tocas feitas por outros bichos. Usam a coloração discreta como forma de camuflagem no ambiente natural, escapando dos predadores. Os nomes das espécies lembram aspectos da morfologia de cada um. Traduzindo do latim, “quinarius”, refere-se às cinco cristas salientes ao longo do corpo, e “squarrosus” diz respeito ao aspecto arrepiado das escamas do dorso.

Das mais de 50 espécies de Stenocercus conhecidas, a maioria está nas áreas elevadas da região Andina. A descrição das duas espécies representa um passo inicial para o conhecimento da diversidade de répteis no Cerrado, uma das regiões mais antigas da América Latina. Nogueira compara a descrição de novas espécies à montagem de um quebra-cabeça, em que cada informação é uma peça fundamental para completar o cenário original da biodiversidade. “Alguns estudos e mapeamentos de síntese só citavam as espécies de Stenocercus nos Andes; agora quando houver um estudo mais amplo desse gênero terão mais peças, e peças únicas e muito importantes, para o panorama geral da diversidade das áreas abertas do continente”, exemplifica.


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19 de janeiro, 2007