06 fevereiro, 2007

Para cientista político, PMDB é "gelatinoso"
"O PMDB é um partido muito gelatinoso, que não tem doutrina", diz Moura.
Para Reis, "é difícil ter um consenso dentro do PMDB".
André Luís Nery

Do G1, em São Paulo

Em entrevistas ao G1, os cientistas políticos Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Paulo Moura, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS), afirmaram que o PMDB se caracteriza como um “partido dividido”, que se “adapta à lógica do poder local”.

“O PMDB é um partido muito gelatinoso, que não tem doutrina. Com o fim do regime militar, ele perdeu a bandeira da democracia e não a substituiu. Depois da morte de Ulisses Guimarães, ficou sem uma liderança nacional, com a possibilidade de disputar a presidência, mas preservou a máquina nacional, como uma federação de grupos nacionais”, disse Moura, ao analisar o fato de o PMDB ter elegido o maior número de deputados estaduais e distritais nas eleições 2006.

Segundo o cientista político da Ulbra-RS, “o PMDB se adapta em cada região do país à lógica do poder local. Se observa que o partido nunca vai unido para dentro do governo federal. Muitas vezes essas diferenças têm a ver como as disputas entre os caciques regionais do PMDB".

Opinião parecida tem o cientista político Fábio Wanderley Reis, da UFMG. “O PMDB opera com uma lógica de dispersão, de certa fragmentação, caracterizando-se como um partido dividido. Por isso, é difícil ter um consenso dentro do PMDB e estabelecer uma candidatura presidencial que tenha uma perspectiva", afirmou ele.

Para Reis, "o PMDB tem muita força no país, pois soube capitalizar e alcançar uma penetração grande na período do bipartidarismo (regime militar)". “Como opera de forma pragmática, cria lideranças regionais, o que não leva à convergência de uma linha nacional ou federal”, destacou.
06 de fevereiro, 2007