19 janeiro, 2007

Morales pedirá para Lula 'preço justo' no gás
Presidente boliviano questionou negócios fechados por governos anteriores.
Porém, Morales esclarece que não vai chantagear Lula
EFE

COCHABAMBA, Bolívia - O presidente da Bolívia, Evo Morales , pedirá a Luiz Inácio Lula da Silva que seja "solidário e generoso" para pagar um "preço justo" pelo gás natural boliviano, segundo afirmou nesta quarta-feira (17) antes de embarcar rumo ao Rio de Janeiro.

O governante boliviano deu uma entrevista coletiva na cidade de Cochabamba, que visitou poucas horas antes de viajar ao Brasil, onde vai participar da Cúpula do Mercosul , nesta quinta e sexta-feira.

"A Bolívia não pode continuar subvencionando gás para o Brasil", disse o chefe de Estado boliviano. Ele questionou os "negócios obscuros, sujos" fechados pelos Governos anteriores com "algumas empresas" petrolíferas.

A Petrobras paga US$ 3,20 por milhão de BTUs, de acordo com o atual contrato de exportação, válido por 20 anos. A Bolívia é obrigada a vender até 30 milhões de metros cúbicos diários de gás ao Brasil.

A Bolívia atualmente também exporta gás para a Argentina, que compra 7,7 milhões de metros cúbicos diários e destina ao mercado interno entre 4,8 e 6 milhões, segundo números oficiais.

O presidente boliviano voltou a criticar a venda de gás à cidade de Cuiabá, no Mato Grosso, abastecida por uma empresa privada que paga ao Estado boliviano US$ 1,09 por milhão de BTUs.

"Isso tem que mudar. Como o presidente Lula sempre fala de generosidade, de solidariedade, agora confiamos no Governo do Brasil" para elevar o preço, acrescentou.
A pretensão inicial de Morales era de pelo menos US$ 8 por milhão de BTUs. Mas ele afirmou que um "preço justo" pode ser o pago pela Argentina, de US$ 5.

Caso o Brasil aceite aumentar o pagamento por suas importações de gás, a renda boliviana aumentará e "isso ajudará o povo boliviano a melhorar sua situação econômica", comentou.

O socialista esclareceu que, com o pedido, não pretende "chantagear" Lula, um dos seus aliados sul-americanos.

Além do preço do gás, ele disse que conversará com o presidente sobre créditos, cooperação e integração energética.

19 de janeiro, 2007