19 janeiro, 2007

Morales diz que Mercosul é união “contra o império”
Presidente boliviano diz que entrada do país no bloco ajudará no combate à pobreza.
Mas sugere que não quer pagar as mesmas taxas.

Fernando Scheller

Do G1, no Rio

O presidente boliviano Evo Morales afirmou nesta sexta-feira (19), no Rio de Janeiro, onde participa da Cúpula de Líderes do Mercosul, que o bloco econômico sul-americano é uma união contra o império dos países desenvolvidos, representado por políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Segundo ele, os programas de reestruturação financeira do FMI em seu país só fizeram aumentar a pobreza boliviana.

Por isso, diz Morales, o foco do Mercosul deve ser social. “Antes a América Latina só tinha um presidente contra o Império, Fidel Castro, e agora tem três”, afirmou, referindo-se a ele mesmo, a Hugo Chávez (Venezuela) e a Rafael Correa (Equador). Segundo ele, a entrada da Bolívia ressaltaria o caráter de combate à pobreza do mercado comum. “Antes, Paraguai e Uruguai estavam isolados no Mercosul”, ressaltou.

Embora não tenha comentado sobre se aceitará ou não a Tarifa Externa Comum (TEC), cobrada pelo Mercosul de todos os seus membros plenos, ele deu a entender que não pagaria os valores cobrados pelo bloco econômico, uma vez que eles são superiores aos praticados pela Comunidade Andina (CAN), da qual a Bolívia também participa. “Queremos nos integrar ao Mercosul sem renunciar à CAN”, afirmou.
19 de janeiro, 2007