comboia

24 novembro, 2006

Papa se recusa a participar de première com grávida

O papa Bento XVI se recusou a participar da première do filme Jesus - A História do Nascimento, que será realizada no Vaticano no próximo domingo. A autoridade religiosa não confirmou o motivo de sua ausência, mas para alguns jornais, Ratzinger ficou constrangido após Keisha Castle Hughes, atriz de apenas 16 anos que interpreta Maria, anunciar que está grávida de seu namorado.
A gravidez antes do casamento, condenada pela Igreja Católica, causa muita discussão entre as autoridades do Vaticano. Ao contrário de todo o elenco, Keisha não foi convidada para a estréia oficial do filme.

O drama religioso mostra a fase em que Maria e José peregrinaram até Belém, para o nascimento de Jesus Cristo.

De acordo com o porta-voz do Papa Bento XVI, Ratzinger está se preparando para fazer uma viagem à Turquia. Quem fará a apresentação do evento será o diretor Catherine Hardwicke e a atriz Shohreh Aghdashloo.
Edição terra
24 de novembro, 2006

Nelly Furtado recusa US$ 500 mil para posar nua

A cantora canadense Nelly Furtado, 27 anos, recusou uma oferta de US$ 500 mil para posar nua para a Playboy, segundo informações do tablóide inglês The Sun.
Fotos: Nelly Furtado mostra nova música em premiação
Fotos ampliadas de famosos!

"Foi tentador (...) Mas eu gosto de deixar algumas coisas apenas para o quarto. É algo para ser guardado apenas para você mesma", disse ela à MTV.

Nelly Furtado admitiu que passou um bom tempo pensando na oferta. "Mas eu não quer dizer que eu nunca posarei nua. As pessoas gostariam de nos ver nuas diariamente", completou.

24 de novembro, 2006

Christine Fernandes vai a festa em sex shop


Christine Fernandes deixou em casa o marido Floriano Peixoto e o filho Pedro, 3 anos, para curtir uma festa no sex shop Pselda, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira.
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Christine Fernandes passeia com o marido e o filho

A atriz foi comemorar o aniversário da dona do sex shop, Suzana Leal, e o lançamento das calcinhas Brazilians Secrets, que possuem um enchimento para aumentar o bumbum das mulheres.

Christine riu bastante com os rapazes vestidos de árabes que foram contratados para animar a festa e aproveitou para conferir as peças à venda. Ela se encantou com uma camisola vermelha.

Além dela, a atriz Íris Bruzzi compareceu ao lugar e fez a alegria dos fotógrafos brincando com um chicote.
24 de novembro, 2006

Jude Law comemora aniversário de grife em Hong Kong

Jude Law, 33 anos, foi o convidado especial da festa em comemoração ao 40º aniversário das lojas Dunhill na China. O evento, realizado em Hong Kong nesta quinta-feira, contou com a participação de executivos, modelos e investidores.
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A marca Dunhill se consolidou como uma das maiores redes que disponibilizam acessórios de casa, além de bens de consumo. Em mais de 100 anos de história, a empresa já produziu cigarros, aparelhos de barbear, materiais eletrônicos e isqueiros, entre outros objetos.

Jude Law aproveitou sua estadia na China para inaugurar mais ala da loja, que foi aberta no centro comercial de Hong Kong. Na festa de lançamento, o ator distribuiu sorrisos e deu entrevistas, além de fotografar e dar autógrafos aos fãs.

Fonte: terra.com.br
24 de novembro, 2006

17 novembro, 2006

'iPod' da Microsoft passa pelo julgamento do público

AP
Festa de Chicago contou com o rapper Lupe Fiasco

A última invenção da Microsoft, o reprodutor de música digital Zune, enfrentará o veredicto mais temido, o do público, que terá que dizer se o aparelho - que chegou terça-feira às lojas - está à altura do 'rei' da reprodução digital: o iPod da Apple.

Até agora, o novo utilitário da Microsoft, no qual a empresa investiu anos de trabalho e milhões de dólares, só passou pelo crivo de alguns especialistas e da imprensa especializada, que o receberam com certo ceticismo. "Num mundo sem o iPod, o Zune seria imbatível", disse Michael Gartenberg, analista da Jupiter Research, que não acredita que o lançamento do reprodutor da Microsoft causará algum tipo de dano ao reprodutor da Apple, que domina 80% do mercado americano.

A empresa de Steve Jobs tem a seu favor não apenas o fato de ter se transformado na líder indiscutível da reprodução digital, com quase 70 milhões de iPods vendidos em cinco anos, mas também o de ter criado uma nova tendência, um novo mercado, assim como ocorreu nos anos 80 com o walkman da Sony.

Ao longo destes anos, várias empresas como a Creative, a Sony e a SanDisk lançaram reprodutores de arquivos MP3 com a intenção de acompanharem o embalo da Apple, mas nenhum deles teve sucesso significativo. Apenas o anúncio de uma gigante como a Microsoft gerou expectativas sobre a chegada ao mercado de um produto suficientemente original e inovador para competir com o iPod.

Mas, à primeira vista, os analistas tiveram uma conclusão unânime sobre o Zune: é parecido com o iPod. De fato, o Zune é retangular como seu concorrente, tem uma tela onde vídeos podem ser vistos e um círculo para mexer no menu, embora sem as qualidades do projetado e patenteado pela Apple.

O Zune com 30 GB de memória será vendido por US$ 250, a mesma faixa de preço do iPod com mesma capacidade de armazenamento. Além disso, é um pouco maior e mais pesado. No entanto, o aparelho da Microsoft, que será fabricado pela Toshiba, tem algumas particularidades, como uma tela maior (meia polegada) e um sintonizador de rádio em freqüência modulada, algo do que seu concorrente não tem.

A grande inovação do Zune, segundo os especialistas, é a conexão WiFi que permite detectar a presença de outros usuários que estejam perto e trocar músicas com estes, embora a música emprestada só possa ser escutada três vezes. Os próprios diretores da Microsoft apresentaram esta "socialização" da música como a grande contribuição do Zune para o mundo dos reprodutores de arquivos digitais.

Mas os analistas acusam a Microsoft de entrar tarde no mundo das novas tendências, talvez sob a idéia equivocada de que são modas passageiras. Sendo assim, decidiu entrar no multimilionário setor dos videogames quando Sony já era imbatível com o PlayStation, e agora entra no da música digital quando o iPod é, praticamente, onipresente nos EUA.

Paralelamente ao lançamento do Zune, a Microsoft apresentou hoje um site de download de música, o Zune Marketplace, também muito parecido ao que a Apple criou, o iTunes, que é líder no mercado de downloads. Tudo isso de olho nas temporada de vendas natalinas, durante a qual a Microsoft pretende dar uma boa dentada no bolo que até hoje era quase exclusivo da Apple.

Para isso, Microsoft tentou nas últimas semanas ganhar a simpatia do público mais jovem, através de encontros com estudantes; dos artistas independentes, com intervenções em blogs especializados; e da indústria fonográfica. Na semana passada, a empresa assinou um acordo com uma das grandes do setor, a Universal Music, segundo o qual esta ganhará uma parte das receitas que a Microsoft obtiver com as vendas no Zune Marketplace.

Em contrapartida, a Universal Music disponibilizará para os usuários do site todos seus catálogos de músicas.

Agência Efe - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência Efe S/A.
17 de novembro, 2006

iPod poderá ser usado em vôos de seis companhias

A Apple anunciou recentemente que seu popular tocador de MP3 iPod será integrado ao sistema de entretenimento de seis companhias de aviação comercial. A partir de meados de 2007, passageiros das companhias americanas United Airlines, Continental e Delta, além de clientes da holandesa KLM, da francesa Air France e da Emirates, do Emirados Árabes, poderão conectar seu aparelho aos monitores embutidos nos assentos e também recarregá-los durante o vôo.
A aparelhagem está sendo desenvolvida pela Panasonic Avionics Corp., e os disositivos serão instalados principalmente em aviões utilizados para vôos internacionais, que possuem sistemas de entretenimento mais sofisticados, conforme noticiado no site Sacbee.

No entanto, porta-vozes das empresas Air France e KLM afirmam que o contrato ainda não está fechado e que a Apple estaria se precipitando no anúncio, conforme informado pelo site Gadget Tell.

Magnet

17 de novembro, 2006

Robôs agora podem se consertar sozinhos

Robô quadrúpede é capaz de se adaptar sozinho a avarias

É um feito que faz pensar em robôs com consciência e mentalidade próprias. Cientistas apresentaram na quinta-feira um robô quadrúpede e perspicaz, parecido com uma estrela-do-mar, que é capaz de notar danos em seu corpo e encontrar sozinho um jeito de consertá-los.
Os pesquisadores Josh Bongard (Universidade de Vermont), Hod Lipson e Victor Zykov (ambos da Universidade Cornell) construíram um robô que observa seu próprio movimento com a ajuda de sensores nas articulações, o que faz seu computador interno gerar um conceito de si mesmo - ao menos da sua estrutura física.

Ele usa esse modelo interno de si próprio para perceber como caminhar sobre suas quatro pernas e oito articulações motorizadas.

"No início, o robô começa e não sabe como ele é. Você olha e vê que é uma máquina de quatro patas, mas o robô não sabe. Ele acha que poderia ser uma cobra, uma árvore, ou ter seis patas", disse Lipson em entrevista.

Segundo ele, o robô usou vários movimentos das suas articulações, primeiro para gerar hipóteses e então para formular uma percepção acurada de si.

Os pesquisadores então testaram a capacidade do robô para se adaptar a novas situações - neste caso, um "ferimento" -, encurtando uma das pernas. O robô percebeu que algo estava errado.

Animais compensam ferimentos mudando os movimentos - mancando, por exemplo. As máquinas podem ser programadas para reagir a um problema de certa forma, mas, quando os danos são inesperados, normalmente elas falham.

Mas esse esperto robô reagiu gerando um novo conceito da sua estrutura, sentindo precisamente a alteração, e então criando uma nova forma de andar, usando um passo diferente para se adaptar.

"Não achamos que seja auto-consciência, que seria o robô pensar em si", disse Lipson. "Mas acho que ele está avançando na direção da consciência, como um gato, nesse nível."

Além da contribuição ao debate filosófico, a pesquisa tem implicações práticas - por exemplo, eles poderiam ser no futuro enviados para explorar ambientes inóspitos em outros mundos ou no leito marinho.

"Robôs em outros planetas precisam ser capazes de continuar sua missão sem intervenção humana caso sejam danificados e não possam comunicar seu problema para a Terra", disse Bongard em nota.

O pesquisador Christoph Adami escreveu um comentário que acompanha a pesquisa, intitulado "Com que sonham os robôs?", uma alusão ao romance de ficção científica "Andróides Sonham com Carneiros Elétricos" (1968), de Philip K. Dick.

O "sonho" que ele descreve seria a forma pensada pelos robôs para se repararem sozinhos. "Embora os robôs pareçam preferir sonhar consigo mesmos em vez de com carneiros elétricos, eles podem, sem querer, ter nos ajudado a entender com o que sonhamos."

Lipson não se abala com cenários em que máquinas maliciosas se voltam contra seus criadores humanos, como nos filmes O Exterminador do Futuro e 2001: Uma Odisséia no Espaço. "É só tirar o robô da tomada", recomendou. "Há coisas mais imediatas com que se preocupar do que com isso."

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17 de novembro, 2006

Desfile une moda e tecnologia na Coréia


Reuters

Modelo exibe na passarela da Ubiquitous Fashionable Computer Fashion Show um colar de MP3 players e um fone de ouvido.

Em Koyang, ao norte de Seul, tecnologia e moda se misturam num desfile original: trata-se da Ubiquitous Fashionable Computer Fashion Show, onde modelos percorrem a passarela para exibir, mais do que roupas, novidades da tecnologia que, como o nome da mostra indica, podem ser usadas (ou estão) em toda a parte.
Entre as peças mostradas pelas modelos estão um colar que é na realidade um MP3 player com seu fone de ouvido e um bio-sutiã que permite ouvir música além de controlar as condições físicas da usuária. As informações são da agência .

17 de novembro, 2006

Acesso a banda larga no Brasil está próximo de desenvolvidos

As empresas brasileiras estão próximas das suas concorrentes em países desenvolvidos no que diz respeito ao acesso à Internet em banda larga. Pelo menos 58% das empresas do país com mais de dez funcionários usam Internet rápida, de acordo com dados de 2005 do Ministério da Ciência e da Tecnologia. Nos países desenvolvidos, esse índice é de 63%, segundo a Unctad (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento).

Para empresas, banda larga é vital como água
ONU adverte para o excesso de regulamentação na Internet
O dado consta de um relatório divulgado nesta quinta-feira, que define o acesso à banda larga para empresas como tão vital quanto serviços como água e luz. "Com banda larga, você interage com o cliente de uma forma mais eficiente e mais rápida", afirma um dos autores do relatório, Angel Gonzalez Sanz, em entrevista à BBC Brasil.

De acordo com o relatório, a diferença no acesso à banda larga revela uma nova dimensão da chamada divisão digital existente entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento.

Sem restrição no tipo de acesso, o total de empresas conectadas à internet sobre para 96,26%, segundo dados do ministério.

Domicílios
Se as empresas brasileiras parecem estar praticamente em pé de igualdade com as do exterior, as estatísticas sobre domicílios deixam claro que a divisão digital também afeta o Brasil.

Os dados gerais da Unctad, que incluem empresas e domicílios, indicam que a taxa de penetração da Internet no Brasil era de apenas 19,5% em 2005 - embora a própria entidade cite dados do governo brasileiro que indicam que 24,4% da população tinha acesso à Internet em casa ou no trabalho.

"O problema número 1 na América Latina, e certamente no Brasil, é a desigualdade", afirma Sanz. "Quando você observa os dados, percebe que a penetração da Internet nas camadas sociais mais altas é equivalente aos países desenvolvidos", diz o especialistas, acrescentando que a taxa cai drasticamente nas camadas mais pobres.

Ainda assim, o país está relativamente bem colocado na comparação com outros países em desenvolvimento.

Segundo a Unctad, 80 de um grupo de 151 países em desenvolvimento nem tinham estatísticas sobre o assunto. Entre os 71 que forneceram os dados, 48 tinham taxas de penetração inferiores a 2,9%.

Comércio
A entidade diz ainda que o menor acesso à banda larga faz com que os países em desenvolvimento saiam perdendo, por exemplo, em comércio - que, nos países desenvolvidos, vem sendo feito cada vez mais via Internet.

"Para se tornarem mais competitivos na economia mundial e estimularem o crescimento econômico, os países em desenvolvimento claramente precisam ter melhor acesso à banda larga", afirma a entidade, que estima que o acesso ao tipo mais rápido de conexão à rede possa gerar bilhões de dólares à economia de um país anualmente.

O relatório também associa o uso das tecnologias de informação, cujo benefício máximo seria obtido com o uso da banda larga, ao aumento de produtividade. "Há um número cada vez maior de sinais em países desenvolvidos e em desenvolvimento de que a adoção de tecnologias de informação e comunicação (ICT, na sigla em inglês) por empresas ajuda a acelerar o crescimento da produtividade, que é essencial para sustentar a geração de renda e emprego", afirma a Unctad.

ICT é o nome dado a tecnologias usadas no processamento de informações, ou seja, para armazenar, converter e transmitir dados via computador.

Segundo a entidade, o uso dessas tecnologias é ainda mais útil em países em desenvolvimento, que poderiam melhorar a sua competitividade no mundo.

Para Angel Sanz, o Brasil está bem colocado em relação a outros países da América Latina, destacando-se no uso de serviços bancários on line, nos sites governamentais (e serviços oferecidos por eles) e em setores específicos como o automotivo - embora, neste caso, as transações se dêem mais entre fornecedores do que em vendas ao consumidor final.

BBC Brasil

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17 de novembro, 2006

Milhares de usuários ficam sem Hotmail em diversos países

Milhares de usuários do serviço de e-mail MSN Hotmail, da Microsoft, em diversos países não conseguiram acessar suas mensagens. O problema ocorreu entre a tarde de quarta-feira e a manhã de quinta-feira.
Usuários que tentaram se conectar no serviço neste período foram redirecionados a uma página com a mensagem server too busy (servidor muito ocupado). O site instruía os internautas a esperar alguns minutos e tentar novamente. Apesar da recomendação, o serviço ficou indisponível por horas.

A Microsoft, através de seu porta-voz em Portland, nos Estados Unidos, disse à BBC Brasil que "alguns clientes podem ter passado por dificuldades para se conectar ao Hotmail e ao Windows Live Mail (outro serviço de mail da Microsoft)" e pediu, aos usuários, "desculpas pela inconveniência".

A empresa não divulgou o motivo da interrupção no serviço, o prazo de duração do problema e nem a quantidade de internautas prejudicados. O serviço voltou ao normal na quinta-feira à tarde.

Mais de 200 milhões de contas
O Hotmail é um dos serviços mais usados de e-mails do mundo, ao lado do Yahoo Mail, segundo dados de março de 2006. São mais de 200 milhões de contas de Hotmail.

Além do Brasil, o problema foi registrado em diversos países, como Argentina, Grã-Bretanha e Espanha. Segundo a colaboradora da BBC em Madri, Anelise Infante, na Espanha o problema começou na noite de quarta-feira, às 19h (16h no horário de Brasília), e continuou por toda a manhã de quinta.

Na Argentina, de acordo com a colaboradora da BBC em Buenos Aires, Marcia Carmo, o serviço esteve indisponível para diversos usuários durante toda a manhã de quinta-feira.

Neste mês, o MSN Hotmail aumentou a capacidade de armazenamento de e-mails de 250 megabytes para para 1 gigabyte em alguns países.

Redação Terra
17 de novembro, 2006

ONU adverte contra excesso de regulamentação da Internet

Qualquer tentativa de regulamentar a Internet deve respeitar as noções legais e políticas vigentes na vida fora da rede, afirma a Unctad (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento) em um relatório divulgado nesta quinta-feira.
"Toda regulamentação abrangente da Internet deve ser muito próxima das noções existentes e aceitas da teoria legal e política em uso. Nesse sentido, redesenhar políticas e regulamentações para muitas atividades que em algum grau migraram para a Internet pode ser ineficiente", diz o relatório.

Um dos autores do documento, Angel Gonzalez Sanz, disse à BBC Brasil que muitas vezes os governos tentam encontrar "soluções rápidas, que se revelam ineficientes". Sanz e a Unctad defendem que as leis devem respeitar a estrutura "em camadas" da rede, que eles vêem dividida em sete níveis ¿ desde a camada dos cabos e fios, passando pela dos softwares até a camada do conteúdo.

De acordo com o documento, "quanto maior o número de camadas afetadas, pior a regulamentação".

Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado brasileiro adiou a votação de uma polêmica proposta de regulamentação que prevê a obrigatoriedade de cadastro de todos os usuários e obriga provedores de acesso à Internet a manter registro de todas as conexões realizadas por, pelo menos, três anos. Vários senadores pediram mais tempo para estudar a proposta

Brasil
A Unctad sugere que algum grau de regulamentação é necessário, ao dizer que os governos não podem mais deixar a Internet como está. "A sociedade está indo para a Internet e com ela também vai a necessidade de organizá-la e governá-la", afirma o relatório.

Sanz não quis comentar os detalhes do projeto em tramitação no Congresso, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), mas disse, que em geral, quando o objetivo é impedir crimes eletrônicos, o controle deveria ser feito na ponta do conteúdo, e não do acesso.

"Se nós estamos falando de fraudes, você provavelmente deveria se aproximar da camada do conteúdo", disse Sanz. Ele diz entender a reação negativa à idéia da identificação obrigatória. "Essa cena (que está ocorrendo no Brasil) é familiar. Há sempre uma resistência daqueles que se preocupam com a violação da privacidade. É uma preocupação bastante razoável".

Segundo Sanz, também é normal, nas tentativas de regulamentar a rede, exigir dos provedores alguma responsabilidade pela manutenção das informações sobre as transações passadas.

Ele ressalta, porém, que, ao tornar a retenção de dados obrigatória, é preciso assegurar a proteção desses dados, proibindo, por exemplo, a sua retransmissão a partes não autorizadas.

"É preciso encontrar o equilíbrio entre segurança e privacidade", diz Sanz. O especialista diz que o Brasil não é o único país a estudar um sistema de identificação dos usuários para aumentar a segurança na rede. Segundo Sanz, na Europa, por causa da preocupação com o terrorismo, há países considerando medidas do gênero.

Angel Sanz cita o caso da Espanha, onde a idéia de instituir uma espécie de cartão de identificação eletrônica para cada usuário teria sido bem aceita. "O importante é a forma de colocar (os controles) em prática. Cada país vai avaliar o que considera aceitável", diz.

Quanto à possibilidade de criminosos de burlar a obrigatoriedade da identificação - argumento usado por críticos do projeto - Sanz diz que, como no mundo offline, qualquer regulamentação pode ser "contornada". Segundo ele, a eficácia do sistema vai depender do seu grau de sofisticação.

BBC Brasil

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17 de novembro, 2006

China libera Wikipedia em mandarim, mas com censuras


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A China desbloqueou a versão em mandarim da Wikipedia (zh.wikipedia.org), a popular enciclopédia eletrônica que durante um ano foi censurada no país, confirmou hoje a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em comunicado, a entidade parabenizou os responsáveis pela Wikipedia (www.wikipedia.org) pelo fim do bloqueio, e os elogiou por "sempre terem se recusado a fazer autocensura e pedirem a outros gigantes da internet que seguissem seu exemplo".
"Enquanto Yahoo, Google e Microsoft alegam que é impossível negociar com as autoridades chinesas e que, se recusassem censurar seus representantes, seriam expulsos do país, o exemplo da Wikipedia prova o contrário", concluiu a RSF. Após permanecer um ano bloqueada pela censura chinesa, a Wikipedia voltou a ser acessível no país em outubro, mas sua versão em mandarim só foi liberada poucos dias atrás.

Mesmo assim, a Wikipedia ainda não é completamente "livre" nas redes chinesas: a página mostra uma mensagem de erro se alguém tentar buscar termos em inglês "sensíveis" ao Governo chinês, como "Tibet" e "Falun Gong", entre outros. A censura sofrida pela Wikipedia em mandarim impediu seu crescimento e, por isso, essa versão da Wikipedia tem muito menos artigos que a inglesa (1,4 milhões), a alemã (477 mil) e a espanhola (159 mil), entre outras, embora o mandarim seja o idioma mais falado do mundo.

No entanto, nos últimos dias, a versão chinesa conseguiu superar a barreira dos 100 mil artigos e, assim, já está no grupo dos "grandes" idiomas na Wikipedia. Outro serviço de internet muito censurado pela China, o servidor de blogs Blogspot, que ficou bloqueado durante mais de um ano, até agosto, voltou a ser proibido no país, apenas dois meses depois de ter voltado a funcionar livremente.

O Ministério de Assuntos Exteriores chinês defendeu hoje sua política de limitação de acesso à internet, alegando que é "prática habitual em outros países", e acrescentou que todos os sites devem respeitar as leis e regulamentos chineses se quiserem operar no país. A China é o segundo país do mundo em número de internautas, com 123 milhões de usuários de internet, atrás dos EUA, que tem 198 milhões.

Agência Efe - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência Efe S/A.
17 de novembro, 2006

Vôo 1907: investigação levará mais oito meses

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O chefe da Divisão de Investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, responsável pela investigação do acidente do Boeing da Gol com o Legacy da empresa americana ExceAir, indicou nesta quinta-feira ao divulgar o relatório preliminar, que a conclusão das investigações da Aeronáutica deve demorar pelo menos mais oito meses. Segundo ele, os primeiros 45 dias foram dedicados à coleta de informações. "A investigação de um acidente desta magnitude não é breve. É um processo demorado. Minha previsão é de que demore, ao todo, oito meses". Ele disse, porém, que o prazo pode ser estendido por mais tempo. "Há investigações de acidentes internacionais recentes que levaram três anos", argumentou.

De acordo com o coronel Rufino, qualquer conclusão seria prematura. "No momento, eu ainda não tenho nenhuma coisa que eu possa dizer 'isso contribuiu'. Tenho várias linhas, vários pontos que eu preciso investigar e reunir dados", disse. O coronel garantiu, no entanto, que é possível afirmar que os pilotos de ambas as aeronaves não perceberam a aproximação. "Ninguém viu ninguém. Não houve percepção visual e não ocorreu nenhuma tentativa de ação ou manobra evasiva de acordo com os dados dos gravadores de vôo".

O relatório revela ainda que os sistemas TCAS (sistema embarcado que serve para evitar colisões) de nenhuma das duas aeronaves emitiu qualquer alerta de tráfego ou recomendou procedimentos para evitar o choque. De acordo com o coronel Rufino, logo após o choque a aeronave Boeing teria se desmanchado. "Após a colisão, o Boeing ficou incontrolável aos pilotos e caiu (...). E, com certeza, se desintegrou no ar. Uma aeronave que viajava a 11 mil metros de altitude, a 800 km/h, e que ao atingir o solo havia avançado apenas 6 km perdeu completamente a capacidade de vôo, se desintegrando".

Sobre o fato de ainda não ter ouvido os controladores de vôo que estavam de plantão no dia do acidente por eles terem apresentado atestados médicos, o coronel Rufino explicou que os depoimentos não eram imprescindíveis à primeira etapa das investigações. Mas não deixou de destacar que espera ouvi-los em breve. Os atestados eram válidos até o último dia 13.

A comissão já recuperou os dados dos registradores de vôo das duas aeronaves, entrevistou e submeteu a exames médicos os tripulantes do Legacy; realizou testes preliminares nos equipamentos do Legacy para averiguar seu funcionamento; e examinou os destroços do Boeing atrás de indícios que ajudassem a esclarecer o que aconteceu com o avião. A comissão também está analisando os dados registrados pelos radares do Cindacta 1, em Brasília, e Cindacta 4, em Manaus.
Fonte: terra.com.br
17 de novembro, 2006

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O relatório preliminar da comissão que investiga o acidente envolvendo com o Boeing da Gol e o jato Legacy, divulgado nesta quinta-feira, não apresentou conclusões definitivas nem apontou culpados pela maior tragédia aérea brasileira, mas levantou suspeitas sobre a ação do controle de tráfego. Segundo a investigação, por sete minutos os operadores do centro de controle do tráfego aéreo de Brasília (Cindacta-1) puderam constatar em seus radares que o Legacy havia entrado na "contramão", voando a 37 mil pés de altitude, contrariando seu plano de vôo.
Fonte: Terra.com.br
17 de novembro, 2006

16 novembro, 2006

BUSH ADVERTE CORÉIA DO NORTE SOBRE TRANSFERÊNCIA NUCLEAR

CINGAPURA - Os Estados Unidos considerarão uma "grave ameaça" a pretensão da Coréia do Norte de transferir tecnologia nuclear, advertiu nesta quinta-feira (16) o presidente norte-americano George W. Bush, em discurso em Cingapura.

O programa nuclear da Coréia do Norte será um dos assuntos principais da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) neste fim de semana em Hanói, para onde Bush viajará na sexta-feira (17) na segunda etapa de sua viagem pelo Sudeste Asiático.

A Coréia do Norte, segundo Bush, deve dar "passos concretos" para demonstrar que verdadeiramente pretende renunciar a seu programa de armamento nuclear.

Fonte: G1.com.br
16 de novembro, 2006

AMEAÇAS E BRUXARIAS AGUARDAM BUSH EM SUA VISITA À INDONÉSIA
O presidente dos EUA é esperado na Indonésia na segunda-feira (20) como parte da viagem que também inclui Cingapura e Vietnã.

JACARTA - Ameaças de líderes religiosos extremistas e bruxarias com serpentes aguardam o presidente americano George W. Bush na Indonésia, país que visitará na segunda-feira (20) como parte de uma viagem que também inclui Cingapura e Vietnã.

Um conhecido bruxo indonésio, Ki Gendeng Pamungkas, lançou uma maldição contra Bush na cidade de Bogor, perto de Jacarta.

Este praticante de magia negra sacrificou um corvo, uma serpente e uma cabra, e misturou seu sangue com brócolis e açúcar. Pamungkas jogou a mistura no rosto com e depois dirigiu suas preces a "Satã, que provocará catástrofes durante a visita de Bush".

"Minha bruxaria o fará inchar-se como um brócolis. Bush se sentirá incômodo durante sua visita. Seus homens se tornarão paranóicos e pensarão que seu presidente foi atacado. Haverá fortes chuvas e relâmpagos", antecipou.

O bruxo disse que recorreu a um ritual vodu haitiano contra Bush "porque é um ocidental e a magia negra indonésia não funciona contra estrangeiros".

A Indonésia é o país com maior número de muçulmanos do mundo. No total, 90% de seus 220 milhões de habitantes afirmam pertencer ao Islã. A grande maioria da opinião pública se opõe ao apoio americano a Israel e à invasão do Iraque.

O Islã contra Bush
O líder islamita radical da Indonésia Abu Bakar Bashir exigiu nesta quinta-feira (16) o cancelamento da visita do chefe de Estado americano.

"Bush é excelente na arte de aparentar e tem muito pouca ética. Sua visita está certamente motivada por seu próprio interesse ou de seu grupo", declarou o islamita, que tem muita influência sobre parte dos fundamentalistas muçulmanos indonésios.

Abu Bakar Bashir passou quase 26 meses na prisão depois de ter sido declarado culpado de envolvimento nos atentados de Bali de 2002, embora sempre tenha negado qualquer participação no ataque. Ele alega ser perseguido por sua oposição à política americana.

O líder muçulmano convocou manifestações contra Bush e pediu a Jacarta o rompimento das relações com Washington. Também denunciou que o presidente americano "matou centenas de milhares de muçulmanos".

16 de novembro, 2006

Brasil perde o Mundial para a Rússia
Em partida emocionante, rivais estragam a festa verde-amarela mais uma vez

Fonte: GLOBOESPORTE.COM

ENQUETE
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Gamova finta o bloqueio: a russa fez 28 pontos OSAKA, Japão - Mais uma vez, a Rússia foi o carrasco. Na madrugada desta quinta-feira, a seleção euro-asiática derrotou o Brasil por 3 sets a 2, parciais de 15/25, 25/23, 25/18, 20/25 e 15/13, e impediu a conquista do tão sonhado título inédito do Campeonato Mundial Feminino.

A derrota traz à memória os Jogos Olímpicos de Atenas, em que a seleção brasileira chegou a ter cinco match points no quarto set, mas caiu diante da Rússia, só que na semifinal. Desta vez, o Brasil chegou a abrir 13/11 de vantagem no tie-break. Mas as russas marcaram os últimos quatro pontos do jogo e ficaram com o título.

FOTOS: Decepção e prata na final do Mundial

O jogo

O primeiro set da final do Mundial foi empolgante. Nervosas no início, as brasileiras, que até ali estavam invictas, saíram atrás no placar. Com ajuda do gigantesco bloqueio, as russas abriram 13/11. Porém, uma série de saques da meio-de-rede Fabiana desencadeou reação fantástica da equipe do técnico Zé Roberto Guimarães, que marcou 11 pontos seguidos. Com ataques eficientes da ponta Jaqueline, que somou oito pontos no período, as meninas conseguiram anular a Rússia: 25/15.

No segundo set, a seleção manteve o ritmo, mas as rivais voltaram com postura diferente. Mais atentas, marcaram Jaqueline, que mesmo assim novamente foi destaque. Com saques fortes e direcionados na atacante Sokolova, as brasileiras usaram a tática de quebrar o passe da Rússia e pontuar nos contra-ataques. Do outro lado, o tamanho das jogadoras foi a arma que mostrou mais eficiência: 25/23.

Embalada pela vitória no set anterior, a Rússia manteve o ritmo. O bloqueio fez mais uma vez a diferença. Comandado pela gigante Gamova, o time do técnico Giovanni Caprara neutralizou a seleção brasileira, que, mesmo quando tinha chance de pontuar no contra-ataque, desperdiçava. Em um erro grosseiro do bloqueio brasileiro, 25/18 para as russas.

O quarto set foi muito equilibrado. A Rússia tentava fechar a partida e a seleção brasileira, tirar a vantagem. Com belos pontos de bloqueio, principalmente da atacante Sheilla, o Brasil foi retomando o ritmo imposto no início. As rivais, surpresas com a reação, não conseguiram evitar a derrota por 25/20 e o empate em sets: 2 a 2.

No tie-break, prevaleceu a maior frieza das russas, especialmente no fim. As brasileiras chegaram a estar a dois pontos da taça, ao abrir 13/11. Mas a Rússia se impôs e fez quatro pontos seguidos, conquistando seu sexto título mundial (contando os cinco conquistados pela antiga União Soviética) e deixando para o Brasil o vice-campeonato.

RÚSSIA 3 X 2 BRASIL (15/25, 25/23, 25/18, 20/25 e 15/13)

RÚSSIA: Borodakova, Godina, Sokolova, Gamova, Merkulova, Akulova. Líbero: Kryuchkova
Entraram: Safronova, Sheshenina, Kulikova e Bruntseva
Técnico: Giovanni Caprara

BRASIL: Walewska, Sassá, Fofão, Fabiana, Jaqueline e Sheilla. Líbero: Fabi
Entraram: Mari, Carol Gattaz, Carol Albuquerque e Renatinha
Técnico: José Roberto Guimarães

16 de novembro, 2006

PT LEVA AO PLANALTO PRESSÃO CONTRA PEDIDOS DE ALIADOS
Em reunião nesta quinta no Planalto, petistas vão discutir participação no governo para tentar reduzir avanço do PMDB.

Marco Aurélio Garcia, presidente interino do PT Três dias depois de a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ter escancarado a insatisfação com o tratamento dado pelo governo ao partido na distribuição de postos estratégicos no Congresso, a cúpula petista reúne-se hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de manter o espaço da legenda no novo ministério. Na prática, apesar do discurso oficial em defesa da coalizão, os petistas querem frear o apetite do PMDB por cargos.

A reunião de Lula com a comissão política do PT ocorrerá no Palácio do Planalto, às 11h30. Foi solicitada pelo presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, para definir como será o relacionamento do partido com o governo no segundo mandato. A montagem do ministério, no entanto, é uma questão que tem aborrecido os petistas.

"Não vamos pedir cargos nem emprego para as pessoas, mas é evidente que, se todos os partidos estão se posicionando, o PT também precisa se posicionar", afirmou Jilmar Tatto (SP), deputado federal eleito e um dos vice-presidentes da sigla. "Se o PT é o principal partido do País, tem o presidente e uma bancada forte na Câmara, é claro que tem de ser dado a ele um tratamento correto."

O PT controla atualmente 15 dos 34 ministérios. Ao longo do primeiro mandato, perdeu pastas robustas, como Saúde, sob controle do PMDB. Com esse argumento, dirigentes do partido avaliam que a fatia do PMDB - hoje no comando de Saúde, Minas e Energia e Comunicações - já está melhor do que a encomenda e não deve ser ampliada.

A queixa de Ideli faz parte de um movimento para conter a expansão da partilha. Antes mesmo de saber da reunião da cúpula do PT com o presidente, a senadora disse que pediria a Lula a 'devolução' da liderança do governo no Senado. A cobiçada cadeira é ocupada pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR).

"É mais do que legítimo que a direção do PT e as bancadas queiram ser prestigiadas, mas só o presidente Lula pode tomar a posição que melhor convier para garantir a governabilidade", amenizou o senador Tião Viana (PT-AC), nome que o partido queria para líder.

Garcia procurou pôr panos quentes nas divergências, alegando que picuinhas não serão discutidas na reunião. "O governo nunca esteve exposto a uma artilharia do PT, mas de alguns petistas", observou o presidente interino do partido, que também é assessor de Relações Internacionais do Planalto.

Para Joaquim Soriano, secretário-geral-adjunto do PT, o mais importante é Lula dizer como será a composição do ministério. "Minha expectativa é que o presidente conte qual será o método para montar a equipe", afirmou o petista, ao defender a aliança com 'partidos nacionais' e não com alas divididas.

Inconformado com a cobrança da fatura, Soriano foi taxativo. "Há os que já colheram muito, como o PMDB, e outros que nem deveriam estar nas negociações", disse, numa referência aos envolvidos no escândalo do mensalão. "É aceitável, por exemplo, sentar à mesa com o PTB de Roberto Jefferson?", questionou. "Ninguém no PT entende isso."

Fonte: G1.com.br
16 de novembro, 2006

NAIR BELLO SEGUE EM COMA PELO 6º DIA E ESTADO É "MUITO GRAVE"

Do G1, em São Paulo


Nair Bello está internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o último sábado O estado de saúde da atriz Nair Bello, de 75 anos, é "muito grave", segundo o boletim médico divulgado ao meio-dia nesta quinta-feira (16). A atriz não recuperou a consciência mesmo depois de ter sua sedação suspensa e ainda está em coma. Ela depende de aparelhos para respirar e de medicamentos para manter a pressão arterial.

Este é o sexto dia de internação de Nair Bello. Ela sofreu uma parada cardíaca na manhã do último sábado (11), quando estava em um salão de beleza próximo à sua residência, no bairro de Higienópolis, Zona Oeste da capital paulista.

A cabelereira conta que Nair tinha reclamado de cansaço e que achou que ela estivesse brincando no momento do enfarte. Mas, ao perceber a gravidade da situação, a dona do salão saiu correndo para chamar os bombeiros, que a reanimaram e a levaram para a Santa Casa de Misericórdia. À tarde, a atriz foi transferida para o hospital Sírio-Libanês a pedido da família.

Histórico
Nair Bello Souza Francisco nasceu na capital paulista em 21 de abril de 1931 e começou a carreira na Rádio Excelsior, em 1949, como locutora. Ela participou pela primeira vez de um filme no ano de 1951, em "Liana, a pecadora". Nas filmagens, contracenou com a amiga e apresentadora de TV Hebe Camargo e foi dirigida por Antonio Tibiriçá.

A comediante participa atualmente do programa humorístico Zorra Total, como a "Dona Santinha" e também participaria do elenco de "Pé na jaca", a próxima novela das 19h da Rede Globo, mas foi substituída pela atriz Arlete Salles.

A estréia em novelas ocorreu em "Sossega Leão", transmitida em 1976, pela extinta TV Tupi. A última participação ocorreu este ano, na novela "Bang Bang", como Dona Zorra, também conhecida como "Viúva Lake".

16 de novembro, 2006

Obras deixam 5 milhões de pessoas sem água nesta quinta-feira no Rio

da Folha Online

Uma obra de manutenção na Estação de Tratamento de Água do rio Guandu deixa 85% da população da cidade do Rio e 70% da Baixada Fluminense sem água nesta quinta-feira. A previsão é de que os reparos sejam feitos das 8h às 20h. Somente no Rio, cerca de 5,2 milhões de clientes da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) serão afetados.

De acordo com a Cedae, a manutenção é feita para evitar perdas principalmente no verão, quando os dias são mais quentes e o consumo de água aumenta significativamente. Durante a paralisação do abastecimento, carros-pipa atenderão hospitais. A Cedae recomenda que a população evite desperdiçar água a partir de quinta-feira já que o abastecimento será normalizado somente após 72 horas da conclusão da manutenção.

Os reparos na rede serão feitos com a instalação de placas de PVC sobre a laje próxima ao difusor de cloro no canal de água filtrada da estação. De acordo com a Cedae, essa instalação vai melhorar a adequação do ponto de aplicação do cloro.

Paralelamente a esta intervenção, 28 frentes de trabalhos realizarão serviços de inspeção, limpeza das unidades de tratamento, vistoria e substituição de tubulações e bombas.
16 de novembro, 2006

Sites de jovens fazem apologia da anorexia

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

A internet potencializa problemas como a anorexia e a bulimia, diz estudo recém-concluído pela ONG Seu Abrigo. A entidade visa proteger crianças e adolescentes de distúrbios alimentares.

O levantamento identificou 50 weblogs (diários virtuais) e 120 páginas do Orkut (site de relacionamentos) mantidos por brasileiros em que há troca de informações sobre as doenças --como dietas ou orientações de como se comportar como uma anoréxica ou bulímica. "É um cenário que possibilita a articulação entre os indivíduos no sentido de afirmar a patologia", diz no estudo a diretora-executiva da ONG, Ana Helena Soares, pesquisadora da Fundação Fiocruz.

"A doença esvazia seu significado problemático e passa a ser associada como uma marca de identidade", diz.

O estudo, finalizado na semana passada, segue o mesmo modelo do adotado pela ONG espanhola Protegeles, que foi publicada pela Defensoria do Menor da Espanha.

O levantamento brasileiro apontou que 67% dos usuários dos weblogs que fazem apologia a anorexia ou a bulimia têm entre 13 e 17 anos de idade e são, em sua maioria, do sexo feminino. A baixa faixa etária, segundo o estudo, indica que atualmente há "uma ameaça para os menores" na internet do país.

16 de novembro, 2006

Modelo morta por anorexia se achava gorda com 46 kg

A modelo Ana Carolina Reston Macan, que morreu anteontem, aos 21 anos, vítima de complicações provocadas pela anorexia nervosa, já havia declarado sete meses atrás que tinha perdido o controle e que havia parado de comer. "Às vezes ainda me acho gorda. Eu tenho uma imagem distorcida de mim", afirmou ela.

Durante uma entrevista concedida em abril deste ano ao Agora, a modelo afirmou que estava trabalhando no Japão quando a obsessão pela magreza começou a se tornar uma doença. Ela teve que ser internada e acabou voltando ao Brasil. "Eu pesava 46 kg, tenho 1,74 m, e ainda tomava remédio para emagrecer. Cheguei a pesar 42 kg", lembrou.

Reprodução

A modelo Ana Carolina Reston Macan, morta por anorexia nervosa
Depois de ter realizado o tratamento, a modelo voltou a pesar 46 kg e continuou freqüentando um psicólogo. O problema, entretanto, persistiu, e a modelo acabou sendo internada em 25 de outubro passado em decorrência de uma insuficiência renal.

Debilitada pela anorexia nervosa, a pressão arterial dela despencou, o que fez com que passasse a ter dificuldade para respirar. Seu quadro clínico evoluiu para uma infecção generalizada --e Ana Carolina acabou morrendo anteontem, quando pesava 40 kg. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo.

A entrevista concedida pela modelo foi publicada na "Revista da Hora", do Agora, em 30 de abril deste ano.

Perfil

De acordo com a prima de Ana Carolina, Geise Strauss, 30, a modelo comia muito pouco --"gostava de maçã e tomate"-- e, em seguida, entrava no banheiro para vomitar. A modelo vítima de anorexia namorava Bruno Setti, de 19 anos, seu colega de profissão, e fazia bicos como promotora de casas noturnas.

Na internet, na página de relacionamentos Orkut, Ana Carolina cita "O Pequeno Príncipe", "Gabriela Cravo e Canela" e "Meu Pé de Laranja Lima" como livros preferidos. No item em que as pessoas mencionam os pratos preferidos, a modelo cita marcas de cozinha: "Prefiro as moduladas", ironiza.

Na noite de ontem, havia mais de 500 recados deixados no perfil de Ana Carolina com mensagens para seus familiares. A maioria dos textos era de pêsames, porém muitas afirmavam que o caso da modelo deveria servir como alerta para as demais meninas que exercem a profissão.

Casos famosos

Ocorrências de anorexia e bulimia podem ser encontrados no cinema, na música, no esporte e até em família real. A atriz Jane Fonda, por exemplo, conviveu com a anorexia dos 15 aos 40 anos. Ela conta que queria "agradar e ser perfeita", o que na época queria dizer "esquelética".

Na música, um dos exemplos mais conhecidos de problemas relacionados a distúrbios alimentares é o da cantora e baterista Karen Carpenter, que morreu em 1983, aos 32 anos, depois de ter sofrido um ataque cardíaco decorrente de anorexia. Ela formava com o irmão, Richard, o grupo The Carpenters, famoso nos anos 70.

Outro caso emblemático é o da princesa Diana (1961-1997), que assumiu que foi bulímica e anoréxica --e que já havia tentado cometer suicídio.

No esporte, a surfista brasileira Andréa Lopes, hoje com 31 anos, teve anorexia aos 20 anos. No auge da doença, chegou a pesar 38 kg --hoje ela tem 59 kg. "Todo mundo que vinha me oferecer comida era uma ameaça para mim. Tinha obsessão com o meu peso e só pensava em ser campeã mundial."

Ela começou a se tratar após insistentes pedidos da mãe, que chegou a ouvir na praia que a filha "deveria ter Aids".

Colaborou a Folha de S.Paulo
16 de novembro, 2006

FAB suspende aquartelamento de controladores de tráfego aéreo

da Folha Online

A FAB (Força Aérea Brasileira) suspendeu às 18h30 desta quarta-feira o aquartelamento de 149 controladores de tráfego aéreo do Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília.

O "plano de reunião", como é definido pela FAB, havia sido acionado ontem para pôr fim aos atrasos que atingiam os vôos em todo o país, causados pela falta de operadores.

Segundo a FAB, o aquartelamento foi suspenso porque a situação já estaria normalizada nos aeroportos e as escalas de controladores completas. Nesta quarta, no entanto, os atrasos continuaram nos aeroportos de São Paulo e Brasília, onde os vôos atrasaram, em média, 40 minutos.

Hoje é o quinto dia seguido de atrasos. No fim do mês passado e no feriado prolongado de Finados (2), uma operação-padrão --aumento do intervalo entre decolagens e diminuição no número de vôos por controlador-- realizada pelos operadores de tráfego aéreo causou atrasos generalizados nos pousos e decolagens.

Os problemas na escala do Cindacta 1 são agravados pela ausência de diversos controladores, afastados por problemas de saúde desde o último dia 29 de setembro, quando um Boeing da Gol caiu em Mato Grosso e matou 154 pessoas.

16 de novembro, 2006

Estado de SP é o que mais perde participação no PIB, diz IBGE

CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio de Janeiro

Apesar de se recuperar e crescer 6,4%, São Paulo foi o Estado que mais perdeu participação no PIB do país entre todos as unidades da federação em 2004, segundo resultado das Contas Regionais elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta quinta-feira.

A participação do Estado mais rico do país caiu de 31,8% em 2003 para 30,9% em 2004 e atingiu o menor patamar desde o início da série histórica em 1985.

À época, o Estado correspondia a 36,1% do produto. Em 90, atingiu o pico com 37% do PIB. Já em 95, apresentou declínio para 35,5%.

Segundo o Coordenador de Contas Regionais, Frederico Cunha, a agropecuária foi o principal fator a contribuir para o decréscimo de participação. A cana-de-açúcar e a laranja, que correspondem a 60% do setor agrícola paulista, amargaram queda nos preços. No caso da cana a redução foi de 22%. Para a laranja a baixa foi de 4%.

"São Paulo tem uma agropecuária saturada. Além do processo de dispersão das indústrias, com agências incentivando a expansão em outras regiões e guerra fiscal", afirmou. "A indústria cresceu em volume, mas não em valor."

O desempenho da agricultura paulista não fez frente à vigorosa expansão da indústria, que subiu 10,8% em 2004, impulsionada pelo aumento de 29% no setor automotivo, 45% dos equipamentos de comunicação e 21% nas máquinas e equipamentos.

Além disso, a participação da atividade financeira de São Paulo registrou uma queda no total do Brasil de 50% em 2003 para 48% em 2004, em um movimento de acomodação após a alta da taxa básica de juros (Selic) em 2003.

16 de novembro, 2006

13 novembro, 2006

GATES DIZ QUE NÃO É CONVENIENTE DEIXAR MUITO DINHEIRO PARA FILHOS

OVIEDO - O fundador e proprietário da Microsoft, Bill Gates, assegurou nesta quinta-feira (9) em Oviedo, onde recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, que "não é conveniente deixar grandes quantidades de dinheiro para os filhos".

Gates, de 51 anos, é pai de três filhos e há alguns meses anunciou que em 2008 abandonará suas tarefas na Microsoft para dedicar-se integralmente à Fundação Bill e Melinda Gates, que compartilha com sua mulher.

Foi exatamente este trabalho filantrópico que lhe valeu este ano o Prêmio Príncipe de Astúrias, o qual ele não pôde receber pessoalmente no mês passado em Oviedo, razão pela qual viajou hoje até a capital asturiana, no norte da Espanha, para agradecer pessoalmente o prêmio a Felipe de Borbón, herdeiro da Coroa.

Após reunir-se com o príncipe, Gates deu uma conferência na Universidade de Oviedo, na qual disse que era contra "deixar grandes quantidades de dinheiro para os filhos", já que isso "é negativo para a sociedade e para eles", posto que não lhes permite desenvolver seu próprio potencial.

Gates disse que se sente a "pessoa viva mais afortunada do mundo" por poder dispor de recursos para dedicar-se a trabalho humanitários.

"Tenho que aplicar a riqueza que a Microsoft me gerou na sociedade da melhor maneira possível, e a Fundação se transformou em um assunto de família ao qual estamos dedicando muita força", afirmou o empresário americano.

Gates revelou que na reunião com o príncipe falou da viagem que fez este ano com sua família à África e de como seu filho de seis anos lhe perguntou por que dedicava tanto dinheiro à sua fundação e não a ele.

O milionário filantropo acrescentou que, ao não saber bem como respondê-lo, decidiu levá-lo aos bairros pobres, o que "lhe interessou".

Gates também se mostrou convencido de que, quando seu filho crescer, o trabalho que leva a cabo na fundação lhe "entusiasmará" muito, pelo fato de ter sido apresentado a isso "muito jovem", como lhe aconteceu com os computadores.
13 de novembro, 2006

NAIR BELLO AINDA RESPIRA COM AJUDA DE APARELHOS, DIZ BOLETIM

Do G1, em São Paulo

A atriz Nair Bello, de 75 anos, está internada na UTI do Sírio-Libanês desde sábado (11)
A atriz Nair Bello, de 75 anos, que está internada há três dias em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, continua respirando com a ajuda de aparelhos, de acordo com o último boletim médico, divulgado por volta das 13h desta segunda-feira (13). Ainda de acordo com o comunicado, não houve alteração do quadro clínico nas últimas 24 horas.

Nair sofreu uma parada cardíaca na manhã do último sábado (11), quando estava em um salão de beleza próximo à sua residência, no bairro de Higienópolis, Zona Oeste da capital paulista.

A cabelereira conta que Nair tinha reclamado de cansaço e que achou que ela estivesse brincando no momento do enfarte. Mas, ao perceber a gravidade da situação, a dona do salão saiu correndo para chamar os bombeiros, que a reanimaram e a levaram para a Santa Casa de Misericórdia. À tarde, a atriz foi transferida para o hospital Sírio-Libanês a pedido da família. Veja reportagem do Jornal Hoje sobre a internação da atriz.

Em conversa informal com a imprensa no domingo (12), o filho da comediante, José Bello, disse que a mãe teve três paradas cardíacas no sábado (11): uma no salão de beleza, outra na Santa Casa e uma terceira no Sírio-Libanês. Os médicos ainda não sabem se as três paradas deixarão seqüelas.

Amigos da atriz visitaram o hospital no final-de-semana, como o ator Marcos Caruso, o "Alex", da novela "Páginas da Vida", da Rede Globo. Ele dsse que a viu bocejar e mexer os olhos. O diretor Carlos Lombardi, da novela "Pé na Jaca", que estréia na semana que vem e teria Nair no elenco, também esteve no hospital, acompanhado pela esposa. Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Reynaldo Gianecchini, Tom Cavalcanti e Fausto Silva foram alguns dos artistas que deram telefonemas de solidariedade aos familiares da atriz.

Histórico
Nair Bello Souza Francisco nasceu na capital paulista em 21 de abril de 1931 e começou a carreira na Rádio Excelsior, em 1949, como locutora. Ela participou pela primeira vez de um filme no ano de 1951, em “Liana, a pecadora”. Nas filmagens, contracenou com a amiga e apresentadora de TV Hebe Camargo e foi dirigida por Antonio Tibiriçá.

A comediante participa atualmente do programa humorístico Zorra Total, como a "Dona Santinha" e também participaria do elenco de "Pé na Jaca", a próxima novela das 19h da Rede Globo, mas foi substituída pela atriz Arlete Salles.

A estréia em novelas ocorreu em “Sossega Leão”, transmitida em 1976, pela extinta TV Tupi. A última participação ocorreu este ano, na novela “Bang Bang”, como "Dona Zorra", também conhecida como "Viúva Lake".

13 de novembro, 2006

Passageiros enfrentam novos atrasos em aeroportos do país

da Folha Online

Os principais aeroportos do país voltaram a registrar atrasos, na manhã desta segunda-feira. A espera varia de 30 minutos a três horas.

Os problemas são maiores nos aeroportos de Congonhas e de Guarulhos, em São Paulo. Também eram registrados problemas em Brasília, em Minas e no Rio.

No domingo (12), os passageiros voltaram a enfrentar ontem atrasos de até oito horas para conseguir viajar, mais de uma semana após o apagão aéreo que paralisou os principais aeroportos do país. A espera, também registrada nos últimos dias, se agravou na volta do fim de semana.

Um funcionário da Infraero, que pediu para não ser identificado, disse à Folha que a situação iria piorar ainda mais com forte probabilidade de também continuar até o feriado de quarta-feira, Dia da República.

Motivo

O presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), brigadeiro José Carlos Pereira, disse à reportagem não saber o motivo dos atrasos. A Aeronáutica nega que o maior espaçamento entre as decolagens seja resultado de uma nova operação-padrão por parte dos controladores, como ocorreu no início do mês, e considerou normais os atrasos de domingo.

No sábado, os problemas foram atribuídos em parte à ausência de dois controladores do centro de controle de Brasília, que não foram trabalhar no turno da manhã --um teve um problema familiar e outro, quebrou a perna--, de acordo com Wellington Rodrigues, presidente da ABCTA (Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo). O desfalque teria criado um um efeito bola-de-neve e persistido.

Tensão

Sem uma resposta oficial sobre a nova onda de atrasos, o clima nos aeroportos foi tenso durante todo o domingo. Em Cumbica, o boato era que os controladores de Brasília tinham intensificado a operação-padrão, iniciada no início do mês, provocando os atrasos. A informação, porém, não foi confirmada.

Cerca de 30 passageiros procuravam o SAC (Serviço de Aviação Civil), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), para registrar reclamação, em Cumbica.

Crise

A falta de controladores em Brasília foi agravada após a queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro, que resultou na morte dos 154 ocupantes. Após o acidente, ocorrido em Mato Grosso, um grupo de controladores foi afastado. No final de outubro, controladores decidiram iniciar a chamada operação-padrão, com maior espaçamento entre as decolagens. O objetivo seria garantir a segurança dos vôos. As normas internacionais determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves no mesmo instante.

O resultado foi uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos. No dia 2, feriado de Finados, o tráfego aéreo entrou em colapso. Milhares de passageiros sofreram com esperas de até 20 horas e os prejuízos chegaram à rede hoteleira.

A reportagem apurou que alguns controladores estão insatisfeitos com as negociações feitas com o governo federal. O fato indica que a categoria poderia ter aumentado o intervalo entre as aeronaves nos horários de pico, desde quinta, como uma espécie de operação-padrão, em menor escala que a registrada no início do mês, como forma de pressionar o governo. A Aeronáutica nega.

Com Folha de S.Paulo
13 de novembro, 2006

Lula conta com PMDB para ter apoio recorde na Câmara

RANIER BRAGON
SILVIO NAVARRO
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O segundo mandato do governo Lula poderá ser respaldado pela maior base de deputados na Câmara dos últimos 20 anos. Para que isso se concretize, o governo espera contar com 90% da bancada do PMDB e deve se beneficiar de uma prática que condenava na oposição: a migração de deputados entre as legendas.

Líderes de partidos governistas dizem, abertamente, que vão inflar suas bancadas com a adesão de deputados eleitos que esperam apenas a diplomação pela Justiça Eleitoral para abandonar o barco da oposição. PSDB e PFL, que elegeram juntos 131 deputados, já admitem que terão cerca de 120.

Computadas as bancadas eleitas em outubro, o governo Lula contaria com o apoio formal de 63% da Câmara, ou 325 dos 513 votos. Esse número não significa transferência automática de votos, já que "traições" nas bancadas são comuns, mas assegura margem confortável para aprovar projetos.

Esse cenário é possível contando o apoio de metade da bancada do hoje oposicionista PDT e a adesão de 90% do PMDB, que terá 89 deputados.

O presidente Lula precisaria, então, de poucos "neoaliados" para superar o melhor índice de apoio de um governo novo nos últimos anos, tomando como base de comparação os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, que começou as legislaturas com respaldo de cerca de 65% dos deputados.

Uma maioria robusta é crucial para o governo, entre outras coisas, por um simples motivo: em 2007, Lula terá que aprovar a prorrogação ou "eternização" de dois instrumentos considerados pelos últimos governos como essenciais à administração, a CPMF (o "imposto" do cheque) e a DRU (Desvinculação das Receitas da União, que permite maior liberdade na execução orçamentária). Como significam emendas à Constituição, é necessário o voto de pelo menos 60% dos deputados para aprovação.

Troca-troca

"A expectativa é que cheguemos à posse com 40 deputados", afirma o líder do PL, Luciano Castro (RR), que espera, com isso, um crescimento de quase 100%, já que os liberais elegeram 23 deputados.

Em 2002, o partido de Valdemar Costa Neto (SP) elegeu 26 deputados, tomou posse com 33 e chegou ao seu auge com 53 deputados, em junho de 2005, quando foi atingido em cheio pelo escândalo do mensalão. "Tem deputado com a ficha de filiação já assinada, só não estamos divulgando porque eles estão pedindo reserva por enquanto", completa Castro.

O PL se uniu ao Prona, que elegeu dois deputados, para criar o Partido da República. A fusão depende ainda de homologação da Justiça Eleitoral.

PL, PTB e PP foram os partidos usados no começo do governo Lula para receber os deputados que aderiam ao governo. A medida foi estimulada pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que teve o mandato cassado. Os oposicionistas PFL e PSDB, que elegeram 154 deputados em 2002, chegaram a perder mais de 40 integrantes durante a legislatura.

Com o mensalão, o governo mudou a indicação do destino a seus neoaliados para legendas como o PSB. "Um partido que atingiu a cláusula de barreira [regra que desidratará legendas pouco votadas] é normalmente procurado. As pessoas estão esperando a diplomação, como é exigido, para definir os rumos, mas é óbvio que há conversas nesse sentido", disse o líder do PSB, Alexandre Cardoso (RJ).

Oposição

A perspectiva de não contar com o simbólico um terço da Casa --número mínimo para pedir uma CPI, por exemplo-- preocupa a oposição. Com 65 eleitos, o pior desempenho desde 1994, o PFL já espera perder até dez deputados, alguns deles por conta do futuro secretariado do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). "Se não acontecer nenhum desvio, podemos recuperar e chegar a 60 com os suplentes dos secretários", diz o líder do PFL na Casa, Rodrigo Maia (RJ).

No caso do PSDB, a expectativa é que o partido perca deputados no Ceará e na Paraíba devido a turbulências internas no partido. "O PSDB deverá ter pouca alteração, mas isso não quer dizer que não haverá gente que entre ou saia", diz o líder da legenda, Jutahy Jr. (BA).

Mais uma vez, o retrospecto mostra que o governo não terá dificuldade em inchar sua base de apoio. Levantamento feito pela Folha mostra que deputados federais trocaram de partido nos últimos anos em uma velocidade média de uma migração a cada cinco dias. Desde 1995, há na Câmara dos Deputados o registro de 754 movimentações dos parlamentares saindo de uma legenda e ingressando em outra, um frenético "troca-troca" iniciado na metade da década de 80.

Um outro fator benéfico ao governo é a tendência de a base governista crescer nos primeiros meses da nova gestão.
13 de novembro, 2006

Acordos dão a Serra controle de projetos da cidade de SP

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo

Quando tomar posse no dia 1º de janeiro, o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), terá sob seu controle efetivo parte dos principais projetos da administração municipal da capital, comandada por ele até março deste ano.

De acordo com levantamento feito pela Folha, 30 importantes convênios entre Estado e município estarão em curso até 2008, ano em que Gilberto Kassab (PFL), sucessor de Serra na Prefeitura de São Paulo, deverá tentar a reeleição.

O pacote de parcerias dá ao governador tucano um poder de fogo para além do âmbito político no cenário pré-eleitoral, já que, somados, os valores chegam a R$ 1,5 bilhão, divididos entre Estado e prefeitura.

Sem um bom entendimento com José Serra, o atual prefeito pode não tirar do papel obras de grande visibilidade, já que, na maior parte dos casos, os acordos não passam de um "protocolo de intenções" e não há sanções para o governo do Estado em caso de descumprimento do mesmo.

Dependência

Ao deixar o cargo de prefeito em março último, o próprio Serra chegou a criticar o alto grau de dependência do município em relação ao Estado e à União. Dentre as obras, estão dois hospitais, a recuperação das marginais Pinheiros e Tietê, a urbanização de favelas e a construção de moradias, além da integração total do sistema de ônibus metropolitanos e metrô.

Todos foram assinados após o início da administração Serra-Kassab na prefeitura, em janeiro de 2005. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, liberou R$ 16 milhões, em abril daquele ano, para o hospital M'Boi Mirim.

O pefelista Cláudio Lembo, sucessor de Alckmin, ampliou os convênios em junho último ao liberar R$ 625 milhões para a finalização do Expresso Tiradentes, o antigo fura-fila, projeto concebido pelo ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000), de quem Kassab foi secretário.

Fator Alckmin

Um eventual bom desempenho da administração Kassab pode atrapalhar os planos da ala do PSDB que sonha retomar o controle da prefeitura, dona do terceiro maior orçamento do país. O grupo próximo a Alckmin, candidato derrotado à Presidência, avalia que o ex-governador pode disputar a eleição em 2008.

Nesse cenário, ficaria inviável para os tucanos uma aliança com Kassab tendo um nome do PSDB como vice do prefeito. Reservadamente, o PFL espera contar com a ajuda de Serra para tentar manter a Prefeitura de São Paulo. O partido foi um dos grandes derrotados da última eleição e vê na administração paulista uma janela para se reestruturar em todo o país.

Alckmin, por sua vez, conta com apoio integral de Serra caso aceite o desafio de concorrer em 2008, a exemplo do que ele próprio fez com o então candidato tucano em 2004, na acirrada disputa do atual governador eleito com a então prefeita petista Marta Suplicy, que tentava a reeleição.

Antes das negociações eleitorais, no entanto, o entendimento entre Alckmin e Serra deverá passar pela montagem do futuro governo tucano em São Paulo. Aliados do candidato derrotado esperam ser abrigados na nova gestão.

Na próxima semana, Serra vai se dedicar integralmente à composição de sua equipe.

13 de novembro, 2006

Em reduto tucano, Aldo defende "bom senso" para acabar com guerra fiscal

FELIPE NEVES
da Folha Online

O presidente em exercício, Aldo Rebelo (PC do B-SP), defendeu nesta segunda-feira que tanto o governo como a oposição devem ter bom senso para acabar com a guerra fiscal entre os Estados.

Segundo ele, o fim da disputa fiscal "é importante para São Paulo e para o Brasil e para a redução da carga tributária".

Em palestra na Fundação Mário Covas --com a presença de várias lideranças do PSDB--, Aldo afirmou que o fim da guerra fiscal passa por um pacto "justo" entre os Estados. "Só alcançaremos uma solução de equilíbrio pelo pacto federativo que dê a Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus."

Questionado sobre a atitude da oposição, ele elogiou o PSDB, que, segundo ele, "teve um papel muito importante, muito construtivo na solução da guerra fiscal no Brasil". Ele deu como exemplo o fato de São Paulo --que foi administrado por tucanos e agora por pefelistas-- ter aceitado a mudança no critério de cobrança do ICMS reivindicado pelo Nordeste.

Sobre o segundo mandato de Lula, Aldo acredita que não terá problemas para aprovar matérias de interesse nacional. "Fazer oposição não significa fazer oposição de interesse do país ou da população. Acho que o PSDB tem lideranças maduras, capazes e que compreendem esses princípios e essa relação."

Apesar dos elogios, ele evitou comentar a postura do PSDB e da oposição durante o primeiro mandato petista.

A palestra de hoje foi o primeiro evento de Aldo como presidente em exercício. Ele assumiu o posto ontem com a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Venezuela. Como o vice José Alencar está nos Estados Unidos para fazer uma cirurgia, coube a Aldo assuir interinamente a Presidência.
13 de novembro, 2006

Entrevista de Gushikem a Folha, em Brasília

FOLHA - Por que o sr. decidiu deixar o governo?
LUIZ GUSHIKEN - Conversei com o presidente [em audiência na sexta-feira] e acertei a minha saída. A reeleição de Lula abre um novo ciclo. A renovação de quadros é natural. Todos os membros de minha família se mudaram para São Paulo e Indaiatuba [interior paulista]. Quero estar mais próximo deles. Depois de cumprir a quarentena, examinarei o que fazer na iniciativa privada.

FOLHA - Tarso falou em "fim da era Palocci". O sr. concorda?
GUSHIKEN - Fui testemunha de que decisões fundamentais da economia passavam pela aprovação do presidente. Ainda bem que tivemos o Palocci na gestão da Fazenda, pois o Brasil foi colocado nos trilhos. A expressão foi infeliz, mas o inconformismo diante da acanhada taxa de expansão econômica é compreensível.

FOLHA - O sr. crê em guinada na economia?
GUSHIKEN - A idéia de guinada é ingênua. O debate do desenvolvimento é necessário, mas considero enfadonha uma discussão monotemática, centrada só nos juros. A discussão deve apontar os instrumentos para destravar o ambiente econômico. Nos temas mais sensíveis, como juros e câmbio, o talento dos gestores depende muito da discrição, do tipo pallociana, de forma a fazer o mercado ir se adaptando naturalmente às medidas, cuja eficácia é inversamente proporcional aos decibéis sonoros dos avisos prévios.

FOLHA - Para um grupo de ministros, bastaria queda mais rápida dos juros para materializar crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 5% ao ano. Ajuste fiscal seria secundário.
GUSHIKEN - Brinco que reunião de economistas é igual à de trotskistas. Bastam duas pessoas para aparecerem divergências insolúveis. Os males da economia não serão sanados com varinha mágica. Severidade fiscal é condição fundamental para se transmitir confiança para investimentos públicos e privados. O desafio é combinar estabilidade com taxas vigorosas de crescimento.

FOLHA - Em 2002, pré-crise ética, o PT teve grande representação no governo. Qual deve ser o peso no segundo mandato?
GUSHIKEN - O PT é o partido do presidente reeleito, o campeão de votos para a Câmara. A participação no governo não deve ferir sua dignidade como grande partido, mas não pode sufocar os aliados, dificultar a formação de um governo de coalização. O país precisa de tranqüilidade institucional após o clima eleitoral de exacerbada beligerância. Ser ganancioso por espaço no governo ou deflagrar feroz luta interna na conquista de posições no partido pode ser o caminho para transformar o PT no ninho da serpente do governo.

FOLHA - O sr. defendeu uma aproximação com o PSDB. O mensalão e o dossiegate a dificultaram mais. Será possível um dia?
GUSHIKEN - Acreditava que as bases sociais do PSDB, parte da classe média e intelectuais, poderiam facilitar a governabilidade no contexto de uma base de apoio parlamentar volátil. Na época, muitas lideranças do PSDB estavam sensíveis a uma aproximação. Não proclamavam o caráter beligerante demonstrado na eleição. Hoje, vejo dificuldades. Mas, em política, os amigos de hoje podem ser os inimigos amanhã, e vice-versa.

FOLHA - Com os escândalos, uma série de dirigentes do PT e ministros de peso caiu. Qual será o futuro do PT?
GUSHIKEN - O PT é maior do que seus quadros dirigentes. É uma organização de milhares de militantes, criada e temperada em lutas sociais agudas. Apesar dos graves desacertos, estavam equivocados os que alardearam seu esgotamento histórico. O PT não é personalista, mas capaz de recriar lideranças.

FOLHA - O sr. concorda com a tese de que é preciso "despaulistizar o PT". Ao gerar conflitos devido a projetos pessoais de poder, essa seção seria a principal responsável pelas crises?
GUSHIKEN - A seção paulista não tem culpa do mérito de possuir grandes quadros dirigentes que travam disputas normalmente. Às vezes, a inconveniência "paulista" ocorre quando disputas locais internas e contra outros partidos se espraiam no quadro nacional, amplificando o problema. O PSDB padece da mesma situação.

FOLHA - Por que o PT se relaciona mal com a imprensa?
GUSHIKEN - É natural no ambiente democrático a vigilância da imprensa sobre os governantes, criticando-os e fiscalizando-os. Isso leva a um relacionamento naturalmente tenso, mas que ajuda o próprio governo a se corrigir. Mas, por outro lado, quando a mídia comete erros de julgamento, nem sempre se percebe esforço adequado de reparação para restabelecer a verdade. Isso talvez tenha contribuído para a postura defensiva, ainda que não seja a recomendável.

FOLHA - Quais foram os acertos de Lula que o reelegeram?
GUSHIKEN - Contribuíram de forma decisiva as políticas sociais. Mas por si só não seriam suficientes se não houvesse uma arrumação na economia que permitiu, mesmo com baixas taxas de crescimento, uma distribuição da renda que sensibilizou a população historicamente desfavorecida.

FOLHA - E os maiores erros?
GUSHIKEN - Não ter conseguido uma base parlamentar sólida e leal. Perdemos até a eleição para a presidência da Câmara [tendo dois candidatos no páreo, em 2005]. Outro erro foi não ter percebido a CPI dos Correios como instrumento de guerra eleitoral sem tréguas contra o governo.

FOLHA - Quais as prioridades do segundo mandato?
GUSHIKEN - Criar condições para acelerar o processo de desenvolvimento econômico do país. Focar a problemática da segurança pública e atacar frontalmente a questão da melhoria da qualidade da educação básica, identificada nos estudos do Núcleo de Assuntos Estratégicos como o principal desafio estratégico do país e como o maior instrumento de transformação social.

FOLHA - O TCU acusa a Secom [então sob sua gestão] de contratar agências de publicidade para produzir cartilhas de prestação de contas do governo superfaturadas e de não ter realizado toda a impressão. Qual sua posição?
GUSHIKEN - Este assunto foi politizado por conta da campanha eleitoral, a começar pela falsa denominação cartilhas. Dá a entender que o governo mandou imprimir um manual para distribuir aos militantes do PT. É falso. Fez parte da estratégia de desinformação e difamação da oposição. Eram revistas de prestação de contas semestral das atividades do governo, o que sempre defendi como obrigação. É absurdo alegar que não houve a produção das revistas. A oposição disse que elas "inundavam o Brasil", o que não deixa de ter certa razão. A distribuição desse material foi muito extensa. As suspeições do TCU sobre superfaturamento e realização do serviço são apressadas e baseadas em metodologias que apresentam erros. A Secom seguiu o procedimento padrão como a lei determina, deixando para as agências publicitárias a responsabilidade contratual, por meio de licitação privada, de encomendar serviços gráficos. As gráficas que foram subcontratadas pelas agências são as maiores do mercado. Têm boa organização administrativa e seus registros irão completar as provas já entregues ao TCU.

FOLHA - Repasse ao PT para distribuir não é ilegal e imoral?
GUSHIKEN - Não há ilegalidade na utilização de um partido político como canal de distribuição dos balanços da administração federal. Qualquer entidade privada pode colaborar com a administração pública, doar-lhe bens ou serviços. Fossem os balanços uma publicidade partidária ou pessoal do presidente ou de seus ministros, isto é, tivesse havido a utilização da máquina pública a serviço do partido, haveria certamente procedimento imoral, contrário à ética pública. Errados foram os procedimentos do governo passado que usavam estatais para fazer propaganda do governo, como no Plano Real.
FOLHA - No governo, houve divisão entre ministros em relação aos interesses do banqueiro Daniel Dantas com os fundos de pensão. Dirceu e Henrique Pizzolato ficaram a favor. Por que o sr. era contrário a Dantas?
GUSHIKEN - Minha posição política sempre foi contrária às pretensões empresariais de Dantas porque poderiam redundar em gigantesco prejuízo aos trabalhadores, os únicos e verdadeiros donos dos fundos de pensão. Pizzolato, à época diretor de publicidade do Banco do Brasil, também detinha o cargo de presidente do Conselho da Previ. Estranhamente, fazia críticas à minha posição naquele conflito. Acredito que esta foi a sua motivação para o falso testemunho contra minha pessoa e que foi utilizado para a denúncia apresentada no Supremo Tribunal Federal.

FOLHA - Sua briga com Dantas o tornou incômodo para Lula?
GUSHIKEN - Jamais o presidente me criticou. E ficou indignado com a sórdida espionagem empreendida contra mim e outras pessoas feita por Dantas.
13 de novembro, 2006

PT pode virar o "ninho de serpente" do 2º mandato

KENNEDY ALENCAR
da Folha de S.Paulo, em Brasília

De saída do governo, o ex-ministro Luiz Gushiken vê risco de o PT se transformar no "ninho da serpente" do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se for "ganancioso por espaço no governo ou deflagrar feroz luta interna" por "posições no partido". Afirma que o PT não deve "dificultar a formação de um governo de coalização".

Em entrevista exclusiva à Folha, Gushiken, 56, diz que os maiores erros do governo foram não ter constituído "base parlamentar sólida e leal" e "não ter percebido a CPI dos Correios como instrumento de guerra eleitoral sem tréguas". Julga que Tarso Genro (Relações Institucionais" foi "infeliz" ao sentenciar o "fim da era Palocci". Defende a política econômica do ex-ministro Antonio Palocci Filho. "Ainda bem que tivemos o Palocci na gestão da Fazenda, pois o Brasil foi colocado nos trilhos". Lembra que Lula bancou Palocci.

Gushiken diz considerar "ingênua" a idéia de "guinada" e "enfadonha" e "monotemática" a discussão sobre juros. A Tarso e Dilma Rousseff (Casa Civil), ministros que atacaram Palocci, recomenda "discrição do tipo pallociana" --para ele, método mais eficaz do que os "decibéis sonoros dos avisos prévios".

Um dos ministros mais poderosos do primeiro mandato de Lula até deixar a Secretaria de Comunicação de Governo na reforma ministerial de julho de 2005, durante o escândalo do mensalão, Gushiken integrou com Palocci e José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, o chamado "núcleo duro" do governo petista.

A queda da Secom aconteceu quando Gushiken virou alvo de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, que o acusou de ordenar à Visanet que fizesse contrato com Marcos Valério, o operador do mensalão. Gushiken nega e afirma que Pizzolato mentiu porque ele era contrário à defesa que o grupo do ex-diretor do BB teria feito em favor do banqueiro Daniel Dantas no fundo de pensão Previ.

Após ter permanecido no governo como chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, Gushiken deixa o governo depois de atravessar novo desgaste com o caso das cartilhas. O TCU (Tribunal de Contas da União) suspeita de superfaturamento e de que parte das revistas com prestação de contas do governo não foi impressa. "A Secom seguiu o procedimento padrão, como a lei determina", diz, argumentando que o governo e as gráficas têm provas sobre preço e realização dos serviços. Gushiken pretende, após uma quarentena, trabalhar na iniciativa privada.
13 de novembro, 2006

Gushiken deixa o governo Lula; veja íntegra da carta de exoneração

da Folha Online

O ex-ministro Luiz Gushiken está deixando a chefia do NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência). Ele comunicou sua decisão de deixar o governo federal na sexta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A carta de demissão foi divulgada só nesta segunda-feira.

"Encerro a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual formalizo meu pedido de exoneração, estando plenamente satisfeito com as mudanças que ajudei a implementar na Secom", diz ele em carta.

Com o pedido de afastamento, Gushiken abre espaço para o presidente Lula fazer a reforma ministerial do segundo mandato. "Com a nova fase que se configura na vida política do país delineia-se uma ampla renovação de dirigentes na administração pública federal, movimento natural e positivo para o seu segundo mandato."

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Gushiken disse que o PT não deveria ser ganancioso no segundo mandato de Lula. "Ser ganancioso por espaço no governo ou deflagrar feroz luta interna na conquista de posições no partido pode ser o caminho para transformar o PT no ninho da serpente do governo."

Na carta, Gushiken credita a Lula o resultado vitorioso do PT nas eleições. "A memorável vitória neste segundo turno é, em grande parte, fruto de suas virtudes e talentos pessoais."

O ex-ministro afirma ainda que a gestão de Lula no Planalto deverá ficar marcada na história. "No futuro, a história haverá de fazer o adequado registro desses avanços, dos momentosos acontecimentos, da força de sua autoridade e das conquistas civilizatórias de seu governo."

Gushiken aproveita ainda para falar da crise política e pedir uma reforma política. "Esta experiência impõe na agenda uma profunda reforma política e a contínua modernização institucional, como forma de possibilitar maior transparência das atividades públicas e menor suscetibilidade do aparelho estatal às vicissitudes éticas inerentes ao jogo da política. Estes são, segundo penso, os positivos efeitos de purificação daquele processo."

O ex-ministro também critica a forma ele e outros integrantes do PT foram tratados. "Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa. Com base nesse preceito execrável buscou-se destruir reputações. O clima político-eleitoral envenenado pela maledicência turvou o ambiente, contaminou as percepções e estabeleceu juízos distorcidos."

Veja abaixo a íntegra da carta de Gushiken a Lula:

"Meu caro Presidente e amigo Lula,

A memorável vitória neste segundo turno é, em grande parte, fruto de suas virtudes e talentos pessoais.

Somente uma liderança forjada em genuínas lutas emancipatórias e dirigindo um governo que tem compromisso com a Justiça e a marca generosa da inclusão seria capaz de receber o significativo voto de confiança que lhe foi outorgado nas eleições.

No futuro, a história haverá de fazer o adequado registro desses avanços, dos momentosos acontecimentos, da força de sua autoridade e das conquistas civilizatórias de seu governo.

Estamos todos muito orgulhosos e honrados.

A sua reeleição significa um avanço no processo de identidade e autonomia política de grande parte da população mais humilde deste país que historicamente estiveram sujeitas à manipulação e a uma postura de subordinação. E, ao contrário de divisão, este desenvolvimento da auto-estima e a consciência de autonomia dos excluídos fortalecem o país como nação verdadeiramente integrada.

A meu ver, este é o fator que contribuirá decisivamente para que o ambiente beligerante que marcou a disputa eleitoral venha a ceder espaços para que o país esteja unido na busca por maior progresso e justiça social para o nosso povo.

Mas não devemos nos esquecer das lições da crise política deflagrada há dois anos. Esta experiência impõe na agenda uma profunda reforma política e a contínua modernização institucional, como forma de possibilitar maior transparência das atividades públicas e menor suscetibilidade do aparelho estatal às vicissitudes éticas inerentes ao jogo da política. Estes são, segundo penso, os positivos efeitos de purificação daquele processo.

Por outro lado, os aspectos deletérios daquela crise também não podem ser esquecidos. Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa.

Com base nesse preceito execrável buscou-se destruir reputações. O clima político-eleitoral envenenado pela maledicência turvou o ambiente, contaminou as percepções e estabeleceu juízos distorcidos.

Naquela conjuntura, em julho de 2005, fiz questão de ser destituído da condição de ministro para que, em meio à crise política que se instalara, pudesse responder às acusações e evitar que as inúmeras ilações feitas contra minha conduta prejudicassem o governo. A elucidação dos fatos tem sido a luta incansável que travo, desde então, em defesa de minha honra.

Nos foros adequados tenho apresentado a minha defesa e as provas documentais da correção de minha conduta. Estou absolutamente tranqüilo que, no exame sereno e fiel dos fatos, restará provada, de forma cabal e definitiva, a minha integridade pessoal, bem como a dos funcionários da Secom.

Caro amigo Presidente,

Esta é também uma carta de agradecimentos e despedida.

Somos-lhe profundamente gratos, eu e meus familiares, pela confiança que depositou em minha pessoa nestes quatro anos de governo. Quero registrar também minha gratidão por um gesto generoso seu que está fixado na minha memória e que se refere a um fato aparentemente pequeno e trivial: o convite que me fez em maio de 2002 para ajudar na coordenação de sua campanha eleitoral, mesmo sabendo das enormes debilidades físicas às quais eu estava sujeito naquele momento.

Sabe o amigo que sempre encarei as etapas mais decisivas de minha vida como transitórias. Foi assim em 1986 quando deixei a direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Em 1998, quando abdiquei de continuar no Parlamento, depois de três mandatos consecutivos, e dediquei-me à coordenação de sua campanha eleitoral, função a qual retornei em 2002, por ocasião da vitoriosa eleição presidencial. Sempre fui movido pela avaliação de que cumprido um ciclo, eu deveria perseguir novos desafios e trilhar outros caminhos.

Encerro a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual formalizo meu pedido de exoneração, estando plenamente satisfeito com as mudanças que ajudei a implementar na Secom. O NAE está organizado e elaborou com extrema dedicação o Projeto Brasil 3 Tempos, o qual deverá oportunamente ser apreciado.

Registro, de modo especial, o diagnóstico e os estudos do NAE de que a Qualidade da Educação Básica, entre tantas prioridades, deve merecer a maior de todas as atenções pelo inegável poder de transformação da realidade social brasileira.

Com a nova fase que se configura na vida política do País delineia-se uma ampla renovação de dirigentes na Administração Pública Federal, movimento natural e positivo para o seu segundo mandato. Expresso minha firme convicção de que o segundo mandato terá um duplo sentido histórico. Sem dúvida, será um ciclo de reafirmação da democracia brasileira e da definitiva consolidação das bases para que o Brasil seja reconhecido pelo mundo como nação justa e próspera para todos os seus cidadãos.

A senhor, Presidente, meus votos de pleno êxito nesta empreitada histórica.

Cordialmente,

Luiz Gushiken"
13 de novembro, 2006

10 novembro, 2006

Tamanduás sem Bandeira fazem educação ambiental divertida

“Tamanduás sem Bandeira”, assim é conhecida, nacionalmente, a companhia cênico-musical (MG) que realiza pesquisas no campo do teatro, dos bonecos, da música infantil e da educação ambiental. O grupo formado por jovens atua, desde 1999, com intervenções pedagógicas em escolas e projetos sociais. O grupo realiza várias atividades em feiras e condomínios, tais como oficinas eco-culturais (malabares, brinquedos com sucata, instrumentos musicais alternativos, teatro de bonecos com reutilizáveis, confecção de livros de pano, literatura de cordel, etc).
10 de novembro, 2006

Processso Judicial Eletrônico (projeto de lei)


Ministro Barros Monteiro enfatiza importância do processo eletrônico de execução fiscal
Ao abrir a solenidade de lançamento do processo judicial eletrônico de execução fiscal dos Tribunais Regionais Federais de 1a e 3a Regiões, o presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, ressaltou a importância dessa solução tecnológica na agilização dos trâmites processuais. "A comunicação on-line, que dispensa a digitalização ou a lenta troca física de papéis, bem como a inserção de peças, tais como petições e despachos padronizados, são algumas das suas inúmeras vantagens", observou o ministro.

O ministro enfatizou ainda que o Conselho da Justiça Federal, "atento às suas funções", não só incentiva a criação de tais projetos, mas também participa do seu desenvolvimento junto aos Tribunais Regionais Federais, por meio da Comissão para Padronização da Plataforma Tecnológica da Justiça Federal (Cominf). Por intermédio da Cominf, o CJF fará a custódia dos padrões e interfaces de comunicações adotados entre os sistemas dos TRFs e o sistema de ajuizamento e acompanhamento processual da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

A integração entre os sistemas da Justiça Federal e da PGFN permite que toda a troca de correspondência, tais como envio de petições e despachos, seja efetuada em meio eletrônico. Conforme apontou o ministro Barros Monteiro, essa troca de documentos "ocorrerá de forma totalmente segura, com o uso da certificação digital". Ele lembrou que isso se torna possível graças à utilização da Autoridade Certificadora da Justiça (AC-JUS), resultante de proposta do CJF em parceria com o STJ e os cinco TRFs, que posteriormente teve a adesão de outros órgãos do Judiciário.

Ao finalizar o seu discurso, o ministro felicitou o ministro da Fazenda e os membros da PGFN, "pelo êxito da iniciativa", e congratulou-se ainda com as desembargadoras federais Asussete Magalhães e Diva Malerbi, presidentes dos TRFs da 1a e 3a Regiões, com os juízes federais Alexandre Vasconcelos e Leila Paiva, coordenadores dos projetos de execução fiscal virtual na 1a e 3a Regiões, assim como com as equipes técnicas que os assessoraram.

Compuseram a mesa de abertura da cerimônia a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, o coordenador-geral da Justiça Federal, ministro Fernando Gonçalves, o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Lucena Adams, representando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e as desembargadoras federais Asussete Magalhães e Diva Malerbi. A solenidade foi prestigiada por diversas autoridades do Judiciário e do Executivo.

Fonte: STJ

10 de novembro, 2006

PARADA GAY DE JERUSALÉM OCORRE SEM INCIDENTES GRAVES

Delia Millán

Jerusalém, 10 nov (EFE).- A comunidade homossexual de Jerusalém comemorou hoje seu festival anual no estádio do campus da Universidade Hebraica, evento cujo alcance foi reduzido pela inicial oposição dos judeus ultra-ortodoxos, mas que transcorreu sem maiores incidentes.

Entre 3 mil e 4 mil pessoas foram ao estádio universitário, cercado por um forte esquema de segurança. "Não se pode dizer que veio pouca gente, porque se não vieram é porque tiveram medo", explicou uma porta-voz da Casa Aberta, representante jurídica da comunidade homossexual e organizadora do evento.

A porta-voz lembrou que, "no ano passado, vários participantes foram agredidos, alguns com faca, e é preciso somar a isso o fato de que houve muita polêmica este ano".

O festival, originalmente convocado como a Parada Mundial do Orgulho Gay, foi reduzido a uma manifestação de caráter local, e depois, no último momento, a uma festa isolada no estádio universitário.

A indignação da comunidade judaica ortodoxa - que protagonizou uma onda de violência nas ruas nos últimos dias - influenciou na situação.

Em entrevista à rádio pública israelense, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, foi perguntado hoje sobre se a violência deu frutos, a que respondeu que "não se pode ver as coisas de forma tão simples".

"A parada dos homossexuais significou um grande agravo para os sentimentos de muitas pessoas, não somente dos judeus mas também dos cristãos", afirmou, em referência a um comunicado do Vaticano de dois dias atrás contra a manifestação gay na cidade santa.

Outro fator que fez a parada minguar foi a necessidade de a Polícia dispor de todas as suas forças em momentos em que as milícias palestinas ameaçam retomar os atentados suicidas por causa da morte de pelo menos 19 civis em um bombardeio em Beit Hanoun, Gaza.

Em qualquer caso, com parada ou sem ela, o festival foi celebrado em um ambiente festivo. Entre os participantes havia muitos heterossexuais e a comunidade gay seguiu os conselhos dos organizadores sobre discrição e não fez demonstrações eróticas.

O evento teve como foco apresentar a luta pelos direitos dos homossexuais no marco da defesa das minorias e das liberdades em geral. A Anistia Internacional (AI) compareceu, com cartazes que diziam: "O amor é um direito humano".

Outro grupo presente foi o das Mães de Filhos Gays, criado há cinco anos e que, além de lutar para que a sociedade aceite seus filhos, ainda entram em contato "com outros jovens cujos pais não os aceitam", explicou um de seus membros, Sara C., de 62 anos.

"Estes filhos (rechaçados) se sentem muito encorajados pelo fato de que outros pais aceitem seu filhos gays", afirmou.

Em seu discurso, a chefe da Casa Aberta, Noa Sattah, disse que estão "todos unidos pela mudança social". Já o escritor Sami Michael sustentou que "há mais de uma forma de ser judeu", em aparente alusão aos protestos dos fundamentalistas.

Os grupos de apoio heterossexuais compareceram sob a tese de que o festival é, antes de tudo, uma luta pelos princípios de respeito e tolerância, "uma batalha entre a luz e o obscurantismo".

Se é para falar de obscurantismo, a manifestação de Jerusalém lembrou os homossexuais que morreram, como os judeus, nos campos de extermínio nazistas.

"Eu só soube 10 anos depois de chegar a este país que nos campos de concentração, além da Estrela de David, usavam o Triângulo Rosa", comentou uma ex-professora de anti-semitismo de 69 anos.

Um grupo de esquerda se manifestou com cartazes com o triângulo, em que estavam escritas reivindicações atuais como: "Solidariedade com Beit Hanoun" e "A Ocupação não é um Orgulho".

Outros muitos cartazes eram respostas diretas aos protestos dos ortodoxos, como o de um jovem que, citando um versículo de Êxodo referente aos judeus do Egito, dizia: "Torturaram-nos, mas têm que se multiplicar".

Os incidentes, apesar do temor inicial, foram poucos: um homem conseguiu subir no palco durante o evento e pegou o microfone para insultar os homossexuais, e alguns ativistas gays, ignorando o pacto de se manifestarem apenas na universidade, fizeram uma marcha. Dez deles foram detidos.
10 de novembro, 2006

PARADA GAY DE JERUSALÉM OCORRE SEM INCIDENTES GRAVES

Delia Millán

Jerusalém, 10 nov (EFE).- A comunidade homossexual de Jerusalém comemorou hoje seu festival anual no estádio do campus da Universidade Hebraica, evento cujo alcance foi reduzido pela inicial oposição dos judeus ultra-ortodoxos, mas que transcorreu sem maiores incidentes.

Entre 3 mil e 4 mil pessoas foram ao estádio universitário, cercado por um forte esquema de segurança. "Não se pode dizer que veio pouca gente, porque se não vieram é porque tiveram medo", explicou uma porta-voz da Casa Aberta, representante jurídica da comunidade homossexual e organizadora do evento.

A porta-voz lembrou que, "no ano passado, vários participantes foram agredidos, alguns com faca, e é preciso somar a isso o fato de que houve muita polêmica este ano".

O festival, originalmente convocado como a Parada Mundial do Orgulho Gay, foi reduzido a uma manifestação de caráter local, e depois, no último momento, a uma festa isolada no estádio universitário.

A indignação da comunidade judaica ortodoxa - que protagonizou uma onda de violência nas ruas nos últimos dias - influenciou na situação.

Em entrevista à rádio pública israelense, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, foi perguntado hoje sobre se a violência deu frutos, a que respondeu que "não se pode ver as coisas de forma tão simples".

"A parada dos homossexuais significou um grande agravo para os sentimentos de muitas pessoas, não somente dos judeus mas também dos cristãos", afirmou, em referência a um comunicado do Vaticano de dois dias atrás contra a manifestação gay na cidade santa.

Outro fator que fez a parada minguar foi a necessidade de a Polícia dispor de todas as suas forças em momentos em que as milícias palestinas ameaçam retomar os atentados suicidas por causa da morte de pelo menos 19 civis em um bombardeio em Beit Hanoun, Gaza.

Em qualquer caso, com parada ou sem ela, o festival foi celebrado em um ambiente festivo. Entre os participantes havia muitos heterossexuais e a comunidade gay seguiu os conselhos dos organizadores sobre discrição e não fez demonstrações eróticas.

O evento teve como foco apresentar a luta pelos direitos dos homossexuais no marco da defesa das minorias e das liberdades em geral. A Anistia Internacional (AI) compareceu, com cartazes que diziam: "O amor é um direito humano".

Outro grupo presente foi o das Mães de Filhos Gays, criado há cinco anos e que, além de lutar para que a sociedade aceite seus filhos, ainda entram em contato "com outros jovens cujos pais não os aceitam", explicou um de seus membros, Sara C., de 62 anos.

"Estes filhos (rechaçados) se sentem muito encorajados pelo fato de que outros pais aceitem seu filhos gays", afirmou.

Em seu discurso, a chefe da Casa Aberta, Noa Sattah, disse que estão "todos unidos pela mudança social". Já o escritor Sami Michael sustentou que "há mais de uma forma de ser judeu", em aparente alusão aos protestos dos fundamentalistas.

Os grupos de apoio heterossexuais compareceram sob a tese de que o festival é, antes de tudo, uma luta pelos princípios de respeito e tolerância, "uma batalha entre a luz e o obscurantismo".

Se é para falar de obscurantismo, a manifestação de Jerusalém lembrou os homossexuais que morreram, como os judeus, nos campos de extermínio nazistas.

"Eu só soube 10 anos depois de chegar a este país que nos campos de concentração, além da Estrela de David, usavam o Triângulo Rosa", comentou uma ex-professora de anti-semitismo de 69 anos.

Um grupo de esquerda se manifestou com cartazes com o triângulo, em que estavam escritas reivindicações atuais como: "Solidariedade com Beit Hanoun" e "A Ocupação não é um Orgulho".

Outros muitos cartazes eram respostas diretas aos protestos dos ortodoxos, como o de um jovem que, citando um versículo de Êxodo referente aos judeus do Egito, dizia: "Torturaram-nos, mas têm que se multiplicar".

Os incidentes, apesar do temor inicial, foram poucos: um homem conseguiu subir no palco durante o evento e pegou o microfone para insultar os homossexuais, e alguns ativistas gays, ignorando o pacto de se manifestarem apenas na universidade, fizeram uma marcha. Dez deles foram detidos.
10 de novembro, 2006