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31 outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "AVIÕES NÃO SAEM POR AÍ, NO ESPAÇO, COMO BEM ENTENDEM"
Para colunista do G1, é necessário uma investigação séria sobre o acidente que matou 155 pessoas, algo que não temos feito no País

Fim de uma tarde de sexta, 29 de setembro de 2006. Tudo parece dentro dos conformes, até a eleição que se avizinha. De repente, um avião da Gol - fazendo o vôo 1907, 155 pessoas a bordo- se choca com um jato executivo em pleno ar, sobre a floresta amazônica, entre Brasília e Manaus. Choque de aviões no ar é muito raro [menos de 20, desde 1960] e, em lugares tão remotos e sem testemunhas, é muito difícil saber direito o que aconteceu. Mas o Ministro da Defesa, a julgar pelo noticiário do dia, anunciou, pouco tempo depois, que "deve ter sido um descuido da tripulação da Gol"..
Só que aviões não saem por aí, no espaço, como querem e bem entendem: um conjunto de centros de controle de tráfego aéreo [em cada país] decide [e ordena] os caminhos por onde uma aeronave pode voar. Dada uma origem e um destino, o controle estabelece que rotas um avião vai usar, seja ele um Airbus 380 ou um Embraer Phenom. As rotas aéreas são túneis virtuais, no “céu”, dentro dos quais os aviões "controlados" por tais sistemas [de informação, operados por e dependentes de seres humanos] são obrigados a manter uma distância regulamentar uns dos outros. Assim, quando o leitor embarca de Brasília a Recife e o piloto diz que está voando na proa [direção] de Bom Jesus da Lapa, ele não o faz porque quer, mas porque um túnel no sentido Brasilia-Recife, naquela hora, para aquele vôo, passa por lá, numa altitude pré-determinada.
Há perguntas básicas a fazer, olhando para o “sistema de informação” ao redor dos aviões acidentados, antes de se chegar a uma conclusão:
1) Por que um jato executivo voava em rota de colisão com um avião comercial?
2) Será que o controle de vôo botou os dois em tal situação? Ou...
3) ...o controle de vôo nem sabia que o jato executivo estava lá e...
4) ... não fez nada [ou não tinha condições de fazer] para tirá-lo de lá?...
O ecossistema de aviação de um país minimamente organizado é um sistema de informação, cheio de computação, comunicação e controle por todo lado, dentro e fora dos aviões. Como vai ser, em futuro próximo, a malha viária das cidades: é provável que só consigamos minimizar os engarrafamentos das metrópoles quando tivermos controle “a priori” sobre que veículos podem estar em que ruas e quando. Um sistema de informação rudimentar para tal controle existe hoje em lugares onde há rodízio [como São Paulo] em função das placas ou onde se paga uma taxa de engarrafamento para entrar em certas regiões da cidade [como Londres]. Mas, no caso do ar, a situação é muito mais complexa e tem que ser tratada como tal. Afinal de contas, não dá [só] para multar um avião que está em rota de colisão com outro. A qualquer momento, pode haver centenas de aerovanes no ar, transportando dezenas de milhares de vidas [veja o tamanho do problema, nos EUA, aqui].
Nossas vidas, nos aviões, dependem de um grande, diverso e nem sempre devidamente conectado sistema de informação, cujo papel principal é garantir que toda aeronave no seu espaço aéreo saiba por que está onde está, ao mesmo tempo em que assegura que um avião qualquer não vai, de uma hora pra outra, entrar no microespaço do outro. Se isso acontecer, a chance de uma catástrofe é muito alta, e foi o que aconteceu com o vôo 1907, porque mesmo o sistema anti-colisão, instalado em todos os aviões mais modernos, é um último recurso, que nem sempre -como sabemos- funciona a contento.
Um dos casos recentes de colisão no ar, descoberta quase na hora pelo controle de tráfego aéreo e avisada aos pilotos, foi a que matou 59 pessoas quando um avião da DHL colidiu, sobre a fronteira suíço-alemã, com um Tupolev da Bashkirian Airlines: os dois pilotos mergulharam para evitar o desastre e a igualdade das ações foi o fim de todos os passageiros e tripulantes. Tanto os aviões daquele acidente como os da tragédia brasileira eram equipados com sistemas de alerta contra colisão; no caso dos Embraer Legacy e Boeing 737-800 do acidente de sexta-feira, os aviões tinham menos de um mês de uso e seus sistemas tinha passado por todos os testes de fábrica.
Assumindo que nenhuma das duas tripulações envolvidas no acidente estava, deliberadamente, tentando bater no outro avião, a responsabilidade do acidente é da assimetria de informação entre os envolvidos: se os aviões e o controle responsável pela área soubessem, com a devida antecedência, do choque iminente, a comunicação entre as partes teria criado condições - eliminada a assimetria de informação -para que o desastre fosse evitado. Uma coisa que o Ministro da Defesa deveria estar fazendo, desde sexta à tarde, era garantir ao país que - seja lá o que tiver acontecido -haverá uma ampla investigação no sistema de informação [e controle] de tráfego aéreo, para dar certeza aos brasileiros que, ao entrarmos num avião, não estamos correndo os mesmos riscos do Gol 1907, por culpa de responsabilidades estatais que deveriam funcionar bem perto de 100% de eficácia e eficiência, o que não parece ter sido o caso naquele dia.
A região onde aconteceu o acidente de sexta-feira está entre as zonas de influência dos controles de tráfego aéreo de Brasília e de Manaus; o acidente da DHL foi na interface dos controles aéreos da Alemanha e da Áustria. Lá, o papel de cada um dos controles no acidente foi objeto de muita discussão. Aqui, especialistas dizem que a região do acidente é uma “terra de ninguém”, apontando para a possibilidade de um dos dois centros de controle ter tomado uma atitude, em relação a um dos aviões, sobre a qual o outro não teve conhecimento. Ou pelo menos não a tempo.
Estamos vivendo na era da informação. Isso não significa apenas que há computadores em todo canto e que podemos acessar a internet, mas que boa parte das nossas vidas e das coisas de que dependemos nas indústrias, serviços, saúde, segurança, transportes depende cada vez mais de informação e de seu processamento eficiente e eficaz. E que toda vez que isso não acontecer alguma coisa muito grave pode acontecer. Desde desaparecer dinheiro das nossas contas bancárias até aviões se chocarem no ar.
Tomara que não haja nada errado com o controle de vôo. Mas, como o governo não vem tendo a tradição de investigar [seja lá o que for] a sério e profundamente -apesar de todas as declarações em contrário-, meu medo de avião aumentará muito. Que tudo dê certo, nos nossos vôos, nem que seja por acaso...
Agora, se não houver uma coluna aqui, semana que vem, procurem o Ministério da Defesa para reclamar...*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, C.E.S.A.R e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
Fonte: G1.com.br
31 outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "GRANDES NEGÓCIOS NA REDE -- CHEGOU A HORA, DE NOVO?..."
Colunista do G1 explica como fazer do seu site o próximo YouTube

Estamos vivendo o terceiro ciclo da internet. O primeiro foi o da tecnologia, quase como demonstração das possibilidades, e durou 1990/91 até o advento da internet comercial nos EUA, em torno de 1995, quando só havia cinco milhões de computadores ligados à rede, mais da metade dos quais lá mesmo nos EUA. O segundo tempo da internet foi o das “primeiras companhias” e “grandes e ousados planos de negócios”, muitos dos quais eram também ingênuos, inexeqüíveis e, vistos com a sabedoria que a experiência nos dá, hoje, inverossímeis. Aí estão -entre 1995 e 2001- a Amazon.com, Yahoo!, eBay, PayPal, AOL, Netscape, um monte de coisas que a Microsoft fez e, é claro, Google [criado em 7 de setembro de 1998].
Entre as muitas coisas que deram errado para idéias boas e factíveis da segunda onda da internet, estava o simples fato da rede estar se formando naquela época: muitos planos de negócio dependiam de crescimento exponencial de usuários nos sites e não havia usuários porque, na rede, não havia usuários o suficiente. Em 1998, a penetração da internet nos EUA era de 30% [e computador em 50% das casas, contra 20% em 1992]; lá, hoje, 73% da população está na rede, 62% deles em banda larga [eram apenas 21% em 2002]. No Brasil, 17% das casas têm computador e apenas 9.5% da população usa a internet diariamente, segundo o CGI.BR.
Este ano, mais de 50 milhões de americanos já postaram alguma coisa na internet, incluindo vídeos para os usuários de banda larga. O que nos transporta à terceira leva de companhias da web, criadas a partir do rescaldo da bolha da internet de 2001 e do amadurecimento de padrões e tecnologias da segunda onda, como Java [uma linguagem de programação de computadores] e Apache [um servidor de páginas web]. Além disso, há novos modos de projetar e construir sistemas de informação na rede, o que se convencionou chamar de web 2.0, talvez traduzido por construção mais eficiente e eficaz de sistemas de informação na web, combinada com banda larga para os usuários.
Na web 2.0 estão coisas como netvibes.com, um ambiente para composição de fluxos de informação [que serve para centralizar a leitura de blogs, por exemplo], Skype, o responsável mais direto pelo fenômeno de voz sobre protocolo internet [VOIP], que é o envio de fluxos de áudio [e vídeo] pela rede, “de graça” [isto é, pagando só sua conta de banda larga], sistemas de automação comercial como salesforce.com e os responsáveis pela notícia da semana, YouTube, empresa de 67 pessoas, fundada meros 20 meses atrás e comprada pelo Google pela fantástica quantia de US$ 1, 65 bilhão, o que resulta em uma agregação de valor de US$ 80 milhões por mês, no período.
Será que YouTube vale tudo isso mesmo? O Google tem tecnologia para fazer vídeo na rede, tem um site pra isso, muito mais gente de tecnologia em casa e todas as condições do mundo para destruir qualquer empresa “de internet” usando a inteligência de seus 8 mil colaboradores. Mesmo? Acontece que YouTube, que mostra mais de 100 milhões de vídeos por dia, tem 60% do tráfego de vídeo da rede e o Google só 10%. MySpace, rede social comprada por Rupert Murdoch por US$ 500 milhões, tem uns 25%. E o resto dos competidores não conta, pelo menos agora. Deter a melhor tecnologia do mundo é pré-condição para uma empresa chegar ao mercado, mas nem sempre “a melhor” vence: quem tem sucesso é o melhor “negócio”, principalmente do ponto de vista dos usuários
Quando Google veio ao mundo, o Altavista era o rei da busca, tendo destronado Lycos e Excite, por ser competente, multilíngue e simples. Era, inclusive, provedor de busca para Yahoo!. Mas a Digital [e depois a Compaq] não entendeu o poder do que tinha nas mãos e o resto é história. Os dois fundadores de Altavista trabalham, hoje, para o Google. No Google, também, nem tudo dá certo. O Orkut, por exemplo, é um fracasso retumbante em termos globais, com quarenta e cinco vezes menos tráfego do que MySpace [75% do mercado]; este, por sua vez, já vale mais do que Google pagou por YouTube.
Pouca gente sabe --antes de um negócio de tecnologia dar certo-- porque ele dará; depois, o campo fica lotado de analistas de passado a dar opiniões, a maioria sem nenhum fundamento. A aquisição que Google acaba de fazer é preventiva: o preço que Google poderia ter que pagar em perda de atenção, um dos itens que realmente conta na economia da rede, poderia vir a ser muito maior, principalmente se um dos outros gigantes da rede [como eBay, Microsoft, Amazon, Yahoo ou MySpace] entrasse no jogo. Ano passado, o eBay comprou o Skype [ou seus 100 milhões de usuários, 60 milhões ativos] por US$ 2, 6 bilhões por uma razão parecida: tinha que agregar gente, ou mais atenção, ou mais valor, aos seus 75% do mercado de transações entre consumidores, com exceção da China [onde o TaoBao tem 60%]. A China é osso duro de roer: o Google, que tem 44% das buscas no mundo, perde de 65% a 20% em Beijing para o Baidu.
Mas vamos voltar ao lado de cá do planeta, porque talvez o leitor esteja se perguntando o que deve fazer para ter a chance de descolar uma loteria como a sorteada para os dois caras que fundaram YouTube. Primeiro, faça algo necessário: as pessoas em rede, com câmeras e celulares que filmam e banda larga, simplesmente precisavam do YouTube para mostrar suas produções para os amigos e, como se descobriu, para o mundo. Depois, faça o necessário sobre uma base tecnológica que possa tratar muitos milhões de usuários: isso não é simples nem barato e o dinheiro para tal dificilmente estará disponível em países periféricos como o Brasil. Terceiro, acerte no marketing: tecnologia de classe mundial é apenas o ponto de partida para você tentar vender o que faz. Se as pessoas não gastarem tempo para entender sua tecnologia e usá-la... você está perdido.
Finalmente, cerque-se de quem entende de dinheiro. Os dois fundadores de Google [por que sempre dois?...] receberam, no começo de sua aventura, US$ 12,5 milhões de uma empresa de capital empreendedor chamada Sequoia Capital, uma das mais competentes do Vale do Silício e do mundo. Quando o Google lançou ações na bolsa, a Sequoia ganhou tanto dinheiro [uns US$ 1,5 bilhão...] que não sabia o que fazer com ele. Mas não foi difícil encontrar: uns meses atrás eles fizeram um investimento de pelo menos US$ 11,5 milhões no YouTube e devem, de novo, estar sorrindo à toa, junto com os fundadores. Resumo da ópera: faça tudo certo e encontre os investidores certos também. Senão, mesmo que você tenha a melhor idéia, tecnologia e negócio da rede e do mundo, seu destino mais provável será a lata de lixo da história...
*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). E-mail: silvio.meira@globo.com
Fonte: G1.com.br
31 de outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "POR QUE SOMOS TÃO POUCOS NA INTERNET BRASILEIRA"
Para o colunista do G1, faltam políticas públicas para dar acesso irrestrito à rede mundial de computadores no País

Se fosse o caso de dar um conjunto de respostas simples, mas que não explicam muita coisa, sobre por que o Brasil ainda tem tão pouca gente na internet, a lista de porquês até que não seria muito grande: porque a geografia do Brasil é complexa; porque nossa infra-estrutura é precária; porque a população é pobre; porque nós não estamos fazendo bom uso de soluções sociais para criar mais acesso à comunicação e computação para quem não pode ter, em casa, um PC e um telefone; e, enfim, porque não temos políticas públicas para tratar – com a intensidade devida – o problema de inclusão digital no Brasil.
Esta lista dos porquês, se devidamente explicada, nos diria porque há menos de 15% dos brasileiros na rede, mais de dez anos depois do início de operação da internet comercial [a internet aberta, pois antes a rede só estava nas universidades e centros de pesquisa], um fracasso retumbante frente a outros países em desenvolvimento [o Chile e a Malásia têm mais de 40%]. Antes dos porquês, talvez devêssemos achar algo que deu certo por aqui, pra saber se temos alguma chance de mudar o cenário, no médio ou longo prazo, pois o curto prazo talvez já esteja perdido.
Pensando bem, um sucesso brasileiro muito importante é o controle da poliomielite: os primeiros surtos notificados da doença no país datam de 1911 e, mesmo havendo vacina disponível desde 1955, daí até a década de 1980, surtos de pólio eram sucedidos por “surtos de vacinação”. Vacinava-se parte da população afetada depois que o surto já estava em declínio e, como resultado, seguiam-se mais surtos, no mesmo ou em outros locais, e o ciclo continuava.Entre 1976 e 1978, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, haviam ocorrido no Brasil [cerca de 110 milhões de habitantes, na época] mais casos de pólio do que na Índia [quase 700 milhões de habitantes]. Alguma coisa precisava ser feita, e foi: criou-se, em 1980, o Dia Nacional de Vacinação, uma operação pública, complexa e sofisticada que leva gotinhas a todos os pequenos brasileiros em todos os recantos deste gigantesco, diverso e confuso país. Mas, uma vez que, no fim da década de 1970, todos os lados da moeda resolveram acabar com a poliomielite, a vacinação nacional, no mesmo dia, deu resultado imediato: dos 1290 casos em 1980, caímos para 122 em 1981 e apenas 45 em 1982, o menor número da história registrada da pólio no Brasil. Em 1994, décimo-quinto ano da operação, o Brasil recebeu a Certificação da Erradicação da Poliomielite. Sucesso, aplausos.
Fim da história? Nada disso; continuamos vigilantes e vacinando crianças, país adentro, doze anos depois. O preço da saúde é a eterna vigilância e não acho que, qualquer que seja o governo, se ainda houver algum risco para a população, a interrupção do programa sequer venha a ser considerada, pois bastaria um único caso de pólio para derrubar o governo, mesmo no clima de aceitar quase tudo que uma parte do país parece viver. Se você quiser saber mais, a história da pólio no Brasil está aqui. Sem entrar na numeralha que explica os detalhes da pobreza e geografia brasileiras, talvez baste dizer que metade da população não tem renda para ter um telefone fixo, que seja, em casa. Só isso já deixa metade do nosso povo fora da internet, se a solução que estiver sendo considerada for “cada um por si”. Do ponto de vista da geografia, o país não é o mesmo em todo lugar: enquanto menos de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes têm cerca de metade da população, há uns 40 milhões vivendo em cerca de 4000 cidades que têm menos de 20 mil habitantes. Quantas destas 4000 teriam ADSL de 1 megabit por segundo hoje e quantas, por demanda econômica, terão daqui a dez anos? A pergunta não é menos complexa se a mudarmos, nas cidades de mais de 100 mil que têm banda larga [e não são todas], para: quantos habitantes de suas periferias [e não são poucos!] estão na internet e podem usá-la, no seu dia-a-dia, como mecanismo de acesso a conhecimento, serviços, compras, entretenimento e a oportunidades [de trabalho, inclusive]?
Guardadas as proporções, as deficiências de acesso à informação, hoje, na era da informação e do conhecimento, têm a mesma -ou maior- gravidade dos problemas causados pela pólio antes do nosso sucesso na vacinação. Do meu ponto de vista já vivemos, e viveremos cada vez mais, do que podemos fazer com nossos cérebros; e uma das fontes mais preciosas de material para alimentá-los é a capacidade de busca e análise de informação, aumentada pela internet de maneira jamais conseguida por nenhuma outra ferramenta na história, com exceção da capacidade de ler e escrever.
Aliás, vamos muito mal neste departamento: apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos domina a habilidade de ler e escrever. Na população, 8% são analfabetos “de pai e mãe”, como se diz em Taperoá, e 38% são analfabetos funcionais [podem até “saber” ler, mas não sabem “o que fazer” com o que lêem]; só 20% dos brasileiros completaram o ensino fundamental e médio. Para cada um de você, caro leitor, há outros três que não conseguiriam chegar até aqui, neste texto. Isso é uma tragédia nacional, pior do que o pólio, e muito pior do que só termos 14% das casas com internet.
A pergunta que poderia responder os porquês é... e então, o que fazemos primeiro? A resposta é... tudo, ao mesmo tempo, e o tempo é agora, antes que percamos para sempre uma vasta maioria dos brasileiros. Em resumo, precisamos botar todo mundo na internet e usá-la – intensamente, e para tudo – como mecanismo educacional; precisamos fazer isso em escala social, o que implica em tratar o problema da pobreza como parte da solução – muitos dos mecanismos de acesso têm que ser compartilhados e subsidiados, para quem não pode pagar; precisamos tratar o problema nacionalmente – um número muito grande de localidades e grupos de indivíduos só poderão entrar na rede, por muito tempo, via satélite, que custa caro e que vai precisar, mais uma vez, ser subsidiado.
E como fazer tudo isso? Nenhum segredo... precisamos de políticas públicas, em larga escala, no país inteiro, para todos os grupos de risco – pessoas e comunidades que, por si próprias, não resolverão seu problema de acesso –, como fizemos, enquanto país, no caso da pólio. Deixado como está, o problema irá “se resolvendo” por si próprio, tão lentamente quanto nos últimos onze anos. Se estivéssemos tentando seriamente, tanto quanto nos quinze anos em que erradicamos a pólio, talvez só faltassem quatro anos para só ficar fora da rede quem realmente quisesse.
E olha que as crianças não deveriam ter escolha, como não tiveram no caso da vacina. Internet na escola deveria ser mandatória, como lápis, papel e livro. A única salvação dos responsáveis pela falta das tais políticas é que os condenados por sua inexistência não sabem que estão condenados e os que sabem não entendem porque... o que deveria levar-nos, nós que achamos que entendemos, a uma campanha tão intensa como a da vacinação, pelo menos. E é isto que esta coluna vai fazer, entre outras muitas coisas.

*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife e Cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, C.E.S.A.R [www.cesar.org.br]
Fonte: G1.com.br
31 de outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "A BANDA LARGA MUDARÁ NOSSA EXPERIÊNCIA DE REDE"
Na estréia da coluna, que será publicada às terças no G1, o cientista da computação prevê o dia em que vigiaremos os governantes via web

Parece que foi ontem, mas já vivemos mais de uma década de internet. Lá atrás, teóricos enchiam a boca para falar do “ciberespaço”, termo cunhado por William Gibson em 1982 e popularizado dois anos depois em seu famoso “Neuromancer”, o romance que criou o gênero cyber-punk. No livro, o ciberespaço é uma alucinação coletiva, consentida, por operadores, por crianças aprendendo matemática... uma representação gráfica, abstrata, dos dados extraídos dos bancos de todos os computadores do sistema humano... Daí pra metáfora do “ciberespaço” representar a internet foi um pulo.
Faz um certo tempo que não ouço ninguém de tecnologia falar de “ciberespaço”; ainda há filósofos, sociólogos e outros analistas se referindo ao mundo conectado como tal, mas parece que eles não estão entre os mais alucinados usuários da internet. Esta, a rede de todas as redes, que junta a que está instalada na minha casa com a do meu escritório, a sala em que eu dou aula na universidade, as máquinas e software deste portal e a sua máquina, de onde você, agora, tenta entender onde eu quero chegar... a internet simplesmente chegou e começou a conectar o mundo. De uma certa forma, ela, que era muito presente no começo [ao ponto de muitas bandas usarem a cacofonia dos modems de 14, 28... kilobits por segundo discando para os provedores!] está começando a desaparecer no cenário contemporâneo.
Banda larga, sempre ligada, que cada vez mais gente tem e que em breve será a única forma de nos conectarmos, muda nossa visão e experiência da rede. Entramos em farmácias, lanchonetes, livrarias, YouTube, MySpace e Globo Media Center abrindo, displicente, múltiplos tabs no browser... seu navegador não tem isso ainda? Mude para Internet Explorer 7 ou Firefox, hoje! Chego no aeroporto, abro meu laptop e não só tenho banda larga, mas sem fio, em todo Brasil e no mundo, como se estivesse em casa. Vez por outra, dá até mais trabalho em casa, porque lá o suporte -o cara que desenrolar quando o sistema dá pau- sou eu mesmo. A Internet pública, a que todos temos acesso, migra rapidamente para a dimensão das infra-estruturas da sociedade, como a energia elétrica, e nós só precisamos nos preocupar com ela quando há algum problema. Quando “dá pau”...
Mas quase sempre tudo está funcionando e os consoles de jogos estão conectados; os melhores jogos são contra [ou com] outros seres humanos, que estão por aí, entre os mais de seis bilhões de terráqueos. Todos os celulares vão começar a funcionar do mesmo jeito, pela e na internet, algum dia, mais cedo do que tarde, e nós vamos poder filmar aquele guarda pedindo propina e mandar direto pros sites de notícias, a rede servindo de prova do crime. Pode até não dar em nada, no começo, mas dentro de algum tempo os vigiados [nós] vão se revoltar contra os vigias [os múltiplos pedaços do Estado] e exigir-lhes uma conduta minimamente apropriada, como nossos empregados que são. Capaz até de conseguirmos vigiar de perto os representantes do povo, expelindo os caídos on-line, real time... cassando mandatos por voto popular, na rede, na lata!...
No curto prazo, é uma utopia. Mas olhe daqui a cinqüenta anos e imagine uma só coisa que não vai estar na rede. Uma. Seu tênis vai estar, a câmera da porta da sua casa, seu carro [e várias partes dele, independentemente], os sinais de trânsito, os aviões, barcos, navios, animais de estimação, fogões, geladeiras... e, dentro dela e também na rede, o cacho de uvas comprado no supermercado. O selo do produtor estará na rede, será percebido e identificado como tal e poderemos descobrir um bocado de coisas sobre aquelas uvas que parecem tão belas e saudáveis... como a quantidade de agrotóxicos [se eles existirem, então] a que elas foram submetidas.
Talvez tenhamos muito mais coisas na rede. Dia destes eu pensei num olho artificial, nem tão punk assim, que tivesse uma resolução tão boa ou melhor do que um olho normal e pudesse ser colado, de alguma forma inteligente [pra não embaralhar a imagem!] no nervo ótico. Pra quem é muito míope ou tem outros problemas visuais mais severos, este olho teria caído do céu, desde que você quisesse trocar seu velho olho por um novo em folha, digital. Mas ele teria mais: poderia [pois é um sistema computacional] ter zoom e infra-vermelho. Quem não iria querer?... E mais: estaria conectado [sem fios!] na rede e poderia upload tudo o que visse pros servidores onde estivessem suas contas... gravando, on-line, sua vida. Pra que tirar fotos? Pra que prestar atenção em algo que não sei quando e se vou precisar? Gravado na rede, pelo nosso olho conectado, tudo poderia ser recuperado sob demanda... como o nome daquela pessoa que encontramos em algum lugar, que nos foi apresentada mas, na hora, estávamos com a atenção grudada noutra coisa. Ah, sim: como não poderia deixar de ser, este olho ouviria, também, e ultra-som, porque é multimídia. Claro.
Utopia? Previsão? Não, provável desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação, casadas com as ciências da vida, várias partes do que, em diversos graus de qualidade e completude, está começando a tomar forma em laboratórios mundo afora. Isso e muito, muito mais, que nos vai dar um trabalho muito grande quando formos pensar nas implicações para a vida, os seres humanos, seu comportamento privado e público e talvez até para a redefinição do eu, da noção de corpo, espaço e tempo. E da vida. Vai ser complicado, interessante e, acima de tudo, divertido.
Esta coluna vai ser sobre a sociedade da informação, que está começando a se tornar “a” sociedade em que vivemos, o espaço-tempo em que muitas das coisas descritas acima -e outras tantas que nem imaginamos, hoje - estão acontecendo ou vão acontecer. Não vamos falar de tecnologia pura; quando algum artefato, sistema, teoria ou aplicação aparecer por aqui, será sempre um motivo pra discutir seus possíveis impactos em nosso meio, o que seu uso vai mudar em nossas vidas, como o mundo vai [ou não] mudar por causa dele. O que vamos ganhar, o que perderemos e o que as pessoas que nem estão na rede estarão -e o que já estão- perdendo.Uma vez por semana, sempre às terças, vamos nos encontrar por aqui. Terça que vem, pra começar, pra discutir porque somos tão poucos, no Brasil, se começamos, em 1995, no começo da internet comercial aqui, tão bem. Coisas do Brasil, que vamos discutir aqui com um distinto, e nem tão discreto assim, olhar da periferia.
*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife e Cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, C.E.S.A.R [www.cesar.org.br].
Fonte: G1.com.br
31 de outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "TODA CIÊNCIA É DA COMPUTAÇÃO"
Colunista do G1 afirma que tudo o que ocorre no universo pode ser calculado por um computador

Muitos anos atrás [uns 20!], eu disse [para escárnio geral da platéia] que todas as áreas da ciência eram sub-áreas da computação num seminário do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para quem já era da área, naquela época, a introdução cada vez maior de informática - em todos os seus veios e meios, fossem computação, comunicação ou controle- em todas as áreas de atividade, presença ou funcionalidade humanas e, de resto, em tudo ao nosso redor, já significava que todas as áreas de interesse da ciência e do funcionamento da humanidade iriam ter uma componente dela muito importante, senão absolutamente fundamental.
Os anos se passaram: Seth Lloyd, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), postulou recentemente que o universo é seu próprio computador e que tudo o que vale a pena ser entendido em um sistema qualquer vem do entendimento de como tal sistema processa informação. No livro, a "New Kind of Science", , o cientista Stephen Wolfram tem uma tese ainda mais radical [porque trata do que e do como...]: tudo que está ao nosso redor [seja lá o que for] é computacional e, como se não bastasse, é computado por autômatos celulares, pequenos arranjos de bits capazes de processar sua informação e de seus vizinhos, no tempo, e tomar decisões simples a partir daí. Funciona para um monte de coisas [clique aqui para usar um gerador de ringtones para celulares]. Será que resolve todas?... Ninguém, por enquanto, sabe. Na última edição de Educause Review, Sandra Braman trata parte do assunto [Transformations of the Research Enterprise], especulando sobre computação, redes e dados nas demais ciências. Ela considera o tamanho do problema que vamos ter para capturar, transmitir, processar e administrar petabytes [quatrilhões... ou quinze zeros... '000.000.000.000.000] de dados que experimentos poderão gerar --como será o caso do novo acelerador de partículas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), o Large Hadron Collider (LHC)--, transformando a física, por exemplo, em uma ciência intensiva, quase que inteiramente dependente, de computação. Afinal de contas, segundo Lloyd, o que estaremos fazendo é construir computadores [ou programas de computador] para simular o comportamento de outros computadores "naturais" --o mundo lá fora-- cujo funcionamento queremos entender.
Uma coisa é certa: à medida que entendemos mais o universo ao nosso redor, boa parte dele pode ser modelada, e quase toda a modelagem que nós fazemos do universo de informação ao nosso redor é computacional.
Quer ver? Olhe a descrição do trabalho que fez Roger Kornberg ganhar o prêmio Nobel de Química de 2006: "Kornberg... descreveu como informação é retirada dos genes e convertida em moléculas chamadas RNA mensageiro... estas moléculas transportam a informação às fábricas de proteínas dentro das células”... O Nobel de Química foi dado, na verdade, para processamento de informação.
Isso se repete por onde quer que olhemos no cenário atual de ciência e tecnologia, e irá se espalhar, com o tempo, para toda a sociedade. Olhemos [literalmente] para astronomia. Sabe o que está para acontecer? Um único telescópio vai começar a gerar vinte terabytes de informação por dia.
Aliás, por noite... pois há de olhar para o céu noturno, excluindo a influência de nosso Sol. Qual o tamanho de tal montanha de informação? Vejamos: um terabyte é um milhão de megabytes, ou 1.000.000 megabytes. Pra quem não é de informática ou ciências, é bom explicar que “um mega” significa um milhão; ou seja, quando pensamos em um terabyte, estamos olhando para uma quantia que tem 12 zeros, o quase ininteligível trilhão. Costumava-se dizer, no passado [uns dez anos atrás] que a "Encyclopaedia Britannica" tinha cerca de um gigabyte [um bilhão de caracteres, contando as imagens]... e era mais ou menos verdade, porque uma versão da coisa cabia num CD [onde se pode comprimir algo perto de um gigabyte de informação].
Olhando [mesmo!] para os 20 terabytes por noite do nosso telescópio, e levando em conta que “um tera” equivale a 1.000 giga, é o mesmo que pensar num único instrumento de observação dos fenômenos do universo a gerar informação equivalente a 20.000 Britannicas, toda noite, noite após noite. O responsável por tal feito será o Large Synoptic Survey Telescope (LSST), um telescópio de 8.4 metros de diâmetro, americano, que ficará no norte do Chile [no Cerro Pachón], operacional em 2012, com uma câmera de três giga [bilhões!] pixels, uma resolução mil vezes maior do que a câmera digital média que está no mercado hoje, como a que você provavelmente usa para fotografar as estripolias de seus filhos. Cada “foto” do LSST, mil das suas. Já pensou?...
Vamos saber muito mais sobre o universo quando o LSST começar a funcionar. Mas vamos, para tal, ter que aprender a tratar quantidades realmente astronômicas de dados. Um dos maiores projetos de astronomia do mundo, o Sloan Digital Sky Survey (SDSS) --levantamento digital do céu, funcionando há anos, financiado em parte pela Alfred P. Sloan Foundation]-- mostra "apenas" um lote de 12 terabytes de dados. Os resultados podem ser vistos no Skyserver. E isso é somente 60% do que o LSST vai gerar por noite.
Os problemas e oportunidades para realizar eScience [“ciência em rede”... fusão dos modos teórico, experimental e computacional de fazer ciência, baseado em quantidades quase sempre imensas de dados] serão motores muito importantes do desenvolvimento das teorias e tecnologias de computação, comunicação e controle nas próximas décadas. Elas serão usadas como suporte à realização de qualquer tipo de ciência ou tecnologia.
Em breve, não haverá um "e" antes de eScience; a informática simplesmente estará imersa nas ciências todas, como leitura e escrita estão, hoje. E todas as ciências serão da computação... sem que ninguém note ou precise saber explicitamente.
Em resumo, toda a ciência é ciência da computação. Simplesmente porque o universo [inteiro] é computacional. Esta tese, que poderíamos chamar da universalidade da computação, estará na base de quase tudo, em ciência e tecnologia, e será discutido com muito fervor nos próximos muitos anos.
*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Fonte: G1.com.br
31 de outubro, 2006

SILVIO MEIRA: "DEITADA EM BERÇO ESPLÊNDIDO?"
Colunista do G1, afirma que Microsoft está atenta ao movimento de compras de sites na internet e que sua aposta no futuro é bilionária

A compra de YouTube pela Google liberou uma torrente de notícias e comentários na internet, fazendo lembrar os “bons tempos” em que quase tudo o que era feito na rede -inclusive grandes besteiras- era notícia. O fato é que a Google pagou um monte de dinheiro pelo site de vídeos, coisa que já comentamos aqui no G1. Muito do resto é conversa, mas uma parte faz sentido.
Don Dodge [do time de negócios emergentes da Microsoft] tem uma análise muito interessante em seu blog sobre por que o YouTube não vale a fortuna que foi paga por ele. Na verdade, ele diz também que o FaceBook [um site de relacionamento que concorre com MySpace] vale mais do que YouTube, que já está sendo chamado de SueTube… algo como ”Processe o Ttubo”, porque o dono, agora, tem renda pra pagar processos… Vai ver, Mark Cuban, aquele que disse que só um idiota compraria YouTube, estava certo. Dodge faz algumas contas baseadas na possibilidade de monetizar visibilidade e tráfego do YouTube, algo que não está nem um pouco perto de acontecer e compara com o que está por trás e no futuro do FaceBook, segundo ele um site de muito maior potencial. O fato é que Google não pagou por nenhuma tecnologia, comprou uma comunidade.
A discussão no blog de Dodge, um respeitado analista de novos negócios, é ainda mais interessante: as pessoas perguntam porque a Microsoft --estranhamente?-- não está comprando ou criando alguma comunidade… do tipo e tamanho do YouTube, por exemplo. E o sentimento parece ser que a empresa de Redmond está analisando o cenário para, alguma hora, aparecer com a comunidade que mata todas as comunidades [o chamado “winner takes all” – o vencedor leva tudo...]. Ocorre que o tempo passa e subconjuntos muito significativos dos usuários da rede fazem parte de comunidades que já têm uma cara de “winner takes all”, e estes ganhadores têm outros donos... que não a Microsoft.
Mas… é bom olhar em outras direções e ver, por exemplo, o que a Microsoft está fazendo com jogos e suas conseqüências para convergência digital. O Xbox Live e o Marketplace [mais do que uma comunidade, um mercado de coisas associadas a jogos…] ao redor do console, porta de entrada de uma grande comunidade de uso e prática de entretenimento global [que tem até “moeda” própria, os “Microsoft Points”…], são muito mais do que muita gente está pensando.
Há sete milhões de Xbox360 no mercado e 60% de seus donos está no Xbox Live [XBL], onde uma subscrição básica sai por US$ 50 por ano [contas: no momento, o XBL gera pelo menos US$ 200 milhões por ano]. A operação de vendas em torno do console ainda é deficitária [fala-se que a empresa perde entre US$ 50 e US$ 125 por console vendido] mas a receita empata com a despesa em 2006, incluindo jogos e serviços. E a Microsoft está apostando no lucro no setor em 2007, com 15 milhões de consoles no meio do ano [US$ 450 milhões de renda só no XBL…], e talvez uns 75 milhões em 2010 [faça as contas…].
Como é que isso vira uma comunidade? Só de jogos, já é; será ainda maior com a idéia de vender [mais barato] “episódios” de jogos, como se fossem partes de séries de TV, pois 80% dos jogadores não chega nos níveis finais dos principais jogos e não vêem razão para pagar o preço inteiro de certos jogos. Mas pegue o Xbox, ponha um navegador e uns drivers e você tem uma máquina que está na internet... pra ver vídeos de graça no YouTube; bote uma interface a mais e você tem uma TV digital [se for pelo ar, como as TVs das nossas casas; se for pela rede –IPTV-- não precisa de muito mais, pois já foi lançada a versão com HD/DVD]. E o Zune, o iPod da Microsoft, é compatível com o Xbox, o sistema de “pontos” do Marketplace, com o Live.com e com sabe-se lá mais com o que está em estoque na máquina de Redmond. Inclusive com o Vista, o próximo Windows...
Isso sem falar de coisas como celulares mais sofisticados [“smartphones”] rodando Windows Mobile, que eram 3 milhões no fim de 2004, foram 6 milhões em 2005, serão 12 milhões este ano e a Microsoft espera dobrar a conta de novo ano que vem. Como? Conectando as coisas em XBL para sincronizar dados, fazer download de jogos, jogar... gastando os tais “points”... ou grátis, para incentivar Windows também em celulares.
Pra montar e manter isso é preciso gente brilhante e dinheiro, e muito dos dois, combinados com um plano muito bom e detalhadamente executado. Depois de dizer publicamente que Google está tornando difícil o recrutamento de talento de primeira linha , para a Microsoft, o CEO Steve Ballmer anunciou que vai aumentar sua aposta em pesquisa e desenvolvimento, dos US$ 6,2 bilhões [R$ 13.3 bilhões] de 2005-2006 [julho a junho] para US$ 7,5 bilhões [R$ 17 bilhões] em 2006/2007, 15% do faturamento de US$ 50 bilhões no período. Para se ter uma idéia do tamanho de tal esforço de Pesquisa&Desenvolvimento, se os recursos prometidos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [FNDCT] do governo federal para 2006 forem efetivamente liberados e gastos, a República investirá R$ 1,2 bilhões, perto de US$ 500 milhões -ou quinze vezes menos do que os fabricantes de Windows- em pesquisa e desenvolvimento.
Resultado: talvez a Microsoft não esteja nem aí pro que está acontecendo nas comunidades da internet, a menos de sua própria família Live.com, porque é em boa parte de lá que espera construir o que talvez tenha sempre sido o sonho da empresa, uma “internet” dela. Isso deu errado lá no começo da internet porque, na época, não havia nenhuma internet sobre a qual a internet da Microsoft pudesse rolar. Agora, há. E pode dar certo, pois a empresa está construindo “sua” rede a partir de princípios bem fundamentados de rede, serviços, usos, usuários e receitas recorrentes. Dará certo? Não sei. Se Redmond não cometer os mesmos erros da America Online (AOL), talvez.
Uma coisa, porém, é certa: a Microsoft não está deitada, em berço esplêndido, esperando que o futuro chegue. Pode até não ser o maior vitorioso da guerra pelo domínio da internet, mas vai lutar todas as batalhas e atacar sempre, em muitos cenários, até o fim. Que não parece nem um pouco próximo.
*Professor Titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em Recife, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R) e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
31 de outubro, 2006

LULA DESCARTA MUDANÇAS NA ECONOMIA E NOS MINISTÉRIOS
O presidente aproveitou ainda para lançar ataques a Fernando Henrique Cardoso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (30), em entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, que vai manter o superávit primário em 4,25% e que priorizará desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade. Ele enfatizou que não pretende fazer alterações nos ministérios antes do início do futuro governo.
Lula afirmou que a orientação sobre a política econômica era dada por ele mesmo e não pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Neste domingo, o ministro Tarso Genro anunciou o "fim da era Palocci", marcada, segundo afirmou, por uma "preocupação neurótica" com a inflação."Nós fazíamos uma política econômica de governo, deliberávamos com vários ministros. Nós hoje podemos crescer, desenvolver mais porque isso é resultado de uma política séria que fizemos no primeiro mandato", disse o presidente.
Reforma ministerialSobre a formação do próximo governo, Lula disse que não pretende fazer grandes mudanças no primeiro escalão e lembrou que a composição de alianças respeitará o apoio dos partidos no primeiro e segundo turnos.
"Eu tenho até 1º de janeiro para indicar os novos ministros. Não pretendo trocar ministros agora, não pretendo fazer grandes mudanças, agora (...) Eu acho que se especula muito. Convocação da seleção e ministério no Brasil, todo mundo acha que pode dar palpite. Quem escolhe jogador é o Dunga e quem escolhe ministros sou eu", afirmou.
Para acabar com rumores de que substituiria Guido Mantega do comando da Fazenda, Lula enfatizou que ele continuará na pasta. O presidente disse ainda que primeiro fará uma discussão sobre o programa do futuro governo para depois montar a equipe de acordo com as forças políticas.
FHCO presidente lamentou declarações de Fernando Henrique que previu dificuldades do futuro governo com o Congresso Nacional, sobretudo por não ter uma maioria no Senado, levando em conta os parlamentares eleitos. "Eu lamento profundamente que um ex-presidente da República, que deveria ter um pensamento muito mais positivo com relação ao Brasil, fique instigando para as coisas não dar certo", disse.
Lula não mostrou preocupação em conviver com as investigações da Polícia Federal sobre a origem dos R$ 1,7 milhões que seriam usados por petistas para comprar um dossiê contra políticos do PSDB."Nós vamos convivendo como se convive no mundo inteiro, como convivem o Partido Democrata nos Estados Unidos e o Partido Republicano. Isso não é um problema", afirmou.
Novo CongressoNa nova relação com a oposição no Congresso, o presidente reeleito instou os partidos a terem uma postura diferente da campanha eleitoral para aprovar projetos de "interesse nacional", como o Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e a reforma política.
"O que é importante é que tem que haver uma diferenciação, entre oposição eleitoral e oposição partidária, para evitar atrapalhar o que dá certo no país. Os projetos não me favorecem um milímetro. Espero que a oposição seja responsavel para votar esses projetos. Depois pode falar mal de mim, o que não pode é atrapalhar o Brasil pela disputa eleitoral", disse na entrevista de cerca de oito minutos.
Fonte: G1.com.br
30 de outubro, 2006


O professor "data-show"

Não tenho nenhuma dúvida que a educação superior pode (e deve) se beneficiar da tecnologia para o aprimoramento da relação ensino-aprendizagem. As ferramentas educacionais de auxílio ao docente se aperfeiçoam a cada dia; não temos como ficar atônitos. Há uma verdadeira revolução tecnológica a cada segundo, mas não podemos esquecer que o profissional docente deve estar preparado para esse desafio.Considero também que a internet é o marco tecnológico da globalização no mundo. Junte-se a isso o surgimento no Brasil do neoliberalismo na década de 1990 que, subtraindo a visão mercadológica, busca a aproximação do Estado-Mercado, descentralizando os serviços não-exclusivos do Estado para a iniciativa privada.A tecnologia inova a cada dia. Primeiro tivemos os "pageres", mas conhecidos como BIP's, onde o proprietário desse aparelho recebia mensagens de texto retornando ao emissário; em seguida, no Brasil tivemos a internet, que representa a possibilidade de conexão imediata com o mundo da informação; depois vieram os celulares - tipo "tijolo"; hoje se fala do GPS (Global Position System), localizador via satélite; dos computadores portáteis; das USB (Universal Serial Bus) que permitem a utilização dos "pen drives" (canetas 'drives'); canetas a 'laser'; data-show; conferências virtuais; etc. Um mundo de praticidade ao nosso alcance.Sobre o uso de data-show gostaria de tecer algumas observações que anotei no meu velho "borrão" de recados, com uma típica caneta de tampa azul, da marca "Bic", que não troco por nenhuma "Mont Blanc" vendida nas melhores magazines do mercado. Talvez minha resistência a esse padrão de tinteiro seja devida a minha outra característica peculiar de perder canetas, ou tê-las levadas pelos amigos constantemente. Tanto que na minha mesa a caneta fica amarrada a um barbante. Assim, consigo manter querida caneta azul perto de mim.Voltando ao data-show, queria registrar que esse equipamento é fantástico. Ele dá qualidade à aula quando projeta no telão a síntese dos pontos do conteúdo a ser ministrado; quando projeta filmes; exibe a internet; usa figuras, sons, imagens etc. É um grande instrumento a serviço das práticas pedagógicas, sem dúvida.A utilização desse equipamento na educação merece questionamentos, pois ao mesmo tempo em que representa modernidade, pode causar o grande transtorno na relação aluno x professor. Enumero a seguir o que nunca deve ser feito no uso desse equipamento:1. o data-show não substitui o docente;2. ele deve ser utilizado como um instrumento auxiliar de interação entre o professor e o aluno na sala de aula;3. as aulas somente com data-show cansam os alunos, diminuindo o rendimento do conteúdo ministrado;4. o data-show não deve ser utilizado como um projetor de textos. Para isso temos os retroprojetores tradicionais, a um custo bem menor;5. é um crime acadêmico utilizar o data-show para exibir textos pesados, e o pior são os casos em que o professor ainda fica sentado ao lado da máquina lendo o que está escrito;6. deixar a máquina ligada por mais de duas horas seguidas; ou ficar ligando e desligando o equipamento. Esse material é sensível e sua lâmpada tem um custo muito alto.As situações acima são um pequeno alerta do que deve ser evitado no dia-a-dia da sala de aula. Conheço professores que usam o equipamento e não ministram mais a aula se ele não estiver presente ao seu lado. Certa vez uma professora pediu demissão, pois informou que não teria condições de ministrar o conteúdo sem a máquina... Isso é um absurdo!O mau uso desse equipamento em sala de aula tem causado um enorme prejuízo didático aos alunos. O professor não é um transmissor de informações, um "repassador" de conteúdos, ou algo semelhante. A relação professor x aluno tem que ser humanizada. Não defendo aqui o fim do uso da tecnologia. Não é isso. Os que me conhecem sabem que não largo meu "pen drive" de jeito nenhum.Estamos vendo surgir a cada dia um novo tipo de docente, o que chamo de "Professor data-show". Para mim, esse perfil de profissional que enumerei, está com os dias contados nas instituições de ensino. Educar é uma arte, do contrário contrataríamos robôs, ou melhor "data-shows". Vejam que as vantagens em contratar esse equipamento seriam muitas: não teríamos salários, décimo terceiro, FGTS, aviso prévio, etc.Sugeri a um amigo que, ao realizar o processo seletivo para contratação de professores universitários, adotasse o seguinte critério: definisse o ponto com o candidato; formasse a banca de avaliação; liberasse o uso do data-show; e na metade da exposição desligasse o equipamento; em seguida, deveria sugerir que o candidato simulasse uma quebra do data-show durante uma aula. O resultado final foi catastrófico. Somente 1 a cada 5 avaliados conseguiu terminar sua apresentação. É preciso que fique claro que a responsabilidade do docente em sala de aula é enorme. Mais uma vez registro que ensinar é uma arte, é para poucos. Quem não tiver competência para tal mister deve escolher outra profissão, ou ir pescar com os filhos. No mundo globalizado em que vivemos não existe espaço para amadores. Os alunos sabem o que precisam e onde encontrar caso sua instituição e seus professores não estejam conscientes do seu papel: na concorrência. Sobre INÁCIO FEITOSA NETO:Formação:Advogado, Especialista em Cooperativismo pela UFRPE, Especilista em Direito do Trabalho e em Didática do Ensino superior e Mestrando em Educação pela UFPE.Histórico:O autor tem se dedicado a estudar a educação superior no Brasil, principalmente em relação ao ensino jurídico. É assessor jurídico do Siespe (Sindicato das Instituições Particulares de Ensino Superior de Pernambuco) e Superintendente acadêmico da Faculdade Maurício de Nassau em Recife. e-mail: academico@mauricionassau.com.br telefone p/ contato:81-34134611
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/I9.com em 26/10/2006 às 17:19:09

professor "data-show"13/09/2006 - INÁCIO FEITOSA NETO

27 outubro, 2006

Justiça arquiva inquérito contra delegado que vazou fotos do dinheiro do dossiê

da Folha Online
A 9ª Vara Federal Criminal de São Paulo acatou a sugestão do Ministério Público Federal e arquivou o inquérito policial que investigava o "vazamento" das fotos do dinheiro (R$ 1,75 milhão) apreendido pela Polícia Federal com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha. O dinheiro seria usado para comprar o dossiê contra políticos tucanos por integrantes do PT.A imagem do dinheiro apreendido pela PF --que vinha sendo mantidas em sigilo-- foram "vazadas" para a imprensa pelo delegado Edmilson Bruno, de São Paulo.A PF abriu inquérito para apurar o "vazamento" e concluiu que houve prática de crime de violação de sigilo profissional. Mas o Ministério Público Federal entendeu não estar configurado crime.Em nota, o Ministério Público informa que "não surgiu nenhuma prova de que o delegado [...] tenha recebido vantagem indevida pela divulgação das fotos, afastando, assim, a caracterização de crime de corrupção passiva".Além disso, o MPF entendeu que não houve crime de violação de sigilo funcional, "pois as fotos do dinheiro apreendido somente revelam que o dinheiro existe, o que não constitui fato sigiloso".Em nota, o Ministério Público Federal lembra que "a conduta padrão da Polícia Federal [..] é a divulgação ampla das operações realizadas, das prisões efetuadas e dos materiais apreendidos".É que o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, assinou uma instrução normativa em 26 de agosto de 2004 que determina que materiais apreendidos sejam exibidos para ilustrar reportagens e evitar estimativas equivocadas."Em consonância com os princípios, diretrizes e fundamentos jurídicos e regimentais da política de Comunicação Social do DPF, deverão ser adotadas as seguintes condutas na divulgação: A apresentação de material apreendido em operações policiais, visando ilustrar reportagens, evitando-se em tais atribuir-se valores estimativos", diz o inciso VII do artigo 31 da norma.
17 de outubro, 2006
21h16

PF pede prisão de testemunha que mentiu sobre dossiê
ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília
A Polícia Federal pediu a prisão temporária de Luiz Armando Silvestre Ramos por falso testemunho. Ele se apresentou como Aguinaldo Henrique Delino e disse que transportou parte do dinheiro que seria usado por integrantes do PT para comprar um dossiê contra políticos tucanos. Por conta da lei eleitoral, a ordem de prisão só poderá ser cumprida na quarta-feira. Segundo a PF, Ramos já tem passagem na polícia por crime de estelionato. No depoimento que prestou à PF ontem, Ramos disse que levou R$ 250 mil para Hamilton Lacerda, ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT), apontado pela PF como quem levou o dinheiro para Gedimar Passos, que trabalhava no comitê nacional da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comprar o dossiê.Ramos disse à PF que sacou R$ 80 mil da sua conta no Bradesco de Pouso Alegre (MG), para a compra do dossiê. O restante do valor ele disse que seria levado por seu patrão que seria Luiz Armando Silvestre. A PF descobriu que ele era Ramos, o patrão.Outros envolvidosA PF também decidiu abrir inquérito para investigar se Rosely de Souza Pantaleão, ligada ao PSDB, cometeu crime de denunciação caluniosa ao apresentar informações inverídicas sobre o dossiegate. Rosely apresentou a denúncia para a PF dizendo-se jornalista --o que depois foi desmentido por ela mesmo. Ela pode ser processada por denunciação caluniosa. Rosely é secretária-executiva do PSDB em Minas Gerais. O delegado responsável pelo inquérito é Daniel Daher.
27 de outubro, 2006
21h05

26 outubro, 2006


Superinteressante muda linguagem para atrair leitores

Ariadne Mattos Olimpio analisou as reportagens de capa sobre saúde da revista em três períodos distintos, sob a ótica da análise do discursoEscrever ou reescrever? Formular um novo discurso ou reformular um discurso já existente? Essas são algumas das muitas perguntas que os jornalistas que escrevem sobre ciência se fazem todos os dias. Esclarecendo parte dessas dúvidas com a dissertação Gêneros do discurso, ciência e jornalismo: o tema da saúde em reportagens de capa da 'Superinteressante', a pesquisadora Ariadne Mattos Olimpio debate elementos importantes para o jornalismo científico. A dissertação foi defendida em junho, no Departamento de Letras Clássicas da Universidade de São Paulo (USP).
A pesquisadora analisou as reportagens de capa sobre saúde da revista Superinteressante em três períodos distintos: 1988 e 1989; 1995 e 1997; e 2002 e 2003 sempre sob a ótica da análise do discurso. Segundo Olimpio, a escolha dessa publicação deveu-se ao fato de ser um veículo comercial, com uma tiragem grande (mais de 400 mil/mês) e certa tradição dentro do jornalismo científico. Já a opção pelo tema saúde relaciona-se com o interesse que desperta nos leitores. “Isso ocorre porque geralmente as notícias sobre saúde não só informam, mas também orientam o comportamento do leitor já que dão dicas sobre cura e prevenção de doenças”, diz.
Para analisar o texto da revista nos três períodos, a pesquisadora recorreu ao Círculo de Bakhtin. Usando conceitos como dialogismo, gêneros do discurso e polifonia, Bakhtin considera o diálogo a essência da linguagem. De acordo com ele, a linguagem constrói-se não somente com o interlocutor direto, mas também com os indiretos. Nesse sentido, quem fala também está dialogando com o que já foi dito em lugares e tempos diferentes. Desse modo, os sentidos dos enunciados sempre são construídos no diálogo.
Olimpio percebeu diferenças consideráveis no diálogo proposto pela revista Superinteressante nos três períodos analisados, principalmente no que diz respeito à forma de atrair o leitor. Segundo ela, no primeiro período os títulos foram mais impessoais e existiam poucas marcas dialógicas (formas de criar identidade com o leitor). Já no segundo período, palavras como “você” passaram a ser usadas com freqüência, característica acentuada no último período. “Essa foi uma das formas de criar uma identificação direta com o leitor”, diz a pesquisadora.
A mudança temática é outra forma de mudar o diálogo com o leitor. De acordo com Olimpio, o primeiro período foi marcado por notícias que tratavam da cura de doenças, já no último, o tema preferido é a prevenção, e por isso as notícias deixam de ser somente informativas, passando a orientar também o comportamento do leitor. “Há nesse aspecto, uma grande mudança no diálogo entre a revista e seu leitor”, afirma.
Essas alterações são visíveis também nas fotos e ilustrações. De rebuscadas e bem elaboradas, as imagens tornaram-se mais simples e ligadas ao cotidiano. Por exemplo, no terceiro período é comum a presença de imagens de pessoas fazendo atividades triviais, como correr. “Assim, as fotos representam atividades que são recorrentes no universo do leitor”, diz Olimpio.
Apesar das diferenças, também há muitas semelhanças. A principal é a manutenção dos cientistas como principais fontes de informação. “Mais do que isso, o discurso científico é predominante em todos os períodos analisados”, diz a pesquisadora. Mas mesmo que as fontes se mantenham, a forma de transmitir a informação se transformou, de acordo com Olimpio. “Antes o discurso científico trazia explicações, no último período traz conselhos para a vida prática do leitor”, diz. Olimpio ainda observa que com o passar do tempo a Superinteressante passou a buscar cada vez mais fontes de fora do Brasil.
A forma de citar o discurso da ciência também foi parecido. A forma utilizada é o discurso direto preparado, que cria um certo distanciamento com a fonte. Essa forma caracteriza-se pelo uso de aspas com frases ditas pelo cientista.
Outra forma de criar identidade com o leitor, é antecipar perguntas que o público pode fazer. Essas perguntas tornam o texto mais didático e mais atraente. “Essa também é uma característica encontrada de forma mais acentuada no último período analisado”, afirma a pesquisadora.
Respondendo a pergunta inicial desse texto, Olimpio considera o jornalismo científico uma formulação de um novo discurso com suas peculiaridades próprias. “Não é uma simples reformulação de discurso (do científico para o jornalístico), mas sim a produção de um novo enunciado”, diz.
Por Cauê Nunes, ComCiência
26 de outubro, 2006


Atualização do Código de Ética dos Jornalistas irá à consulta pública


A atualização do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros será submetida a amplo processo de consulta na sociedade, que deve iniciar-se em dezembro
A comissão encarregada de conduzir os trabalhos já iniciou os trabalhos. A deliberação sobre possíveis alterações se dará em Congresso Nacional Extraordinário dos Jornalistas, a realizar-se em agosto de 2007, em Vitória (ES).
A comissão que trabalhará na revisão do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é composta pelo professor Francisco Karam (UFSC), especialista na questão, Carmem Pereira, representante do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), José Hipólito, representante da Comissão Nacional de Ética, Antônio Carlos Queiroz, representante do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Carmen Silva, representante da diretoria da FENAJ, e por um representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) a ser indicado.
Desde o final do ano passado, várias propostas para a reformulação do código já foram apresentadas e, a partir da proposta de criação da comissão no último Congresso Nacional dos Jornalistas, ainda serão coletadas sugestões através de consulta pública e contribuições dos sindicatos. O processo de consulta pública se dará em dezembro de 2006 e janeiro de 2007. A FENAJ disponibilizará um espaço em sua página eletrônica (www.fenaj.org.br) para receber contribuições dos interessados.
O cronograma de trabalho prevê, também, a realização de seminários estaduais ou regionais sobre o tema e teleconferências da comissão para a sistematização de propostas e avaliação do processo de trabalho. A proposta a ser apreciada no Congresso Extraordinário em Vitória será previamente encaminhada aos sindicatos da categoria.
Fonte: Fenaj
26 de outubro, 2006

Governo registra queda na taxa de desmatamento da Amazônia


da Folha Online
O Ministério do Meio Ambiente anunciou nesta terça-feira uma queda na taxa de desmatamento da Amazônia no período 2004-2005 e informou que o índice vai continuar a cair no período de 2005-2006. O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, projeta uma redução de cerca de 11% em relação ao período anterior de agosto de 2004 a julho de 2005. A área derrubada deve variar entre cerca de 16.700 km2 e 18.700 km2.
A diminuição no desmatamento no período 2004- 2005 foi de 31,5% em relação ao biênio anterior. No total, foram 18.793 km2 de área desmatada. A última queda nessa taxa ocorreu de 1995-1996 para 1996-1997, quando a quantidade de floresta derrubada diminuiu 27%. O Pará apresentou um aumento do desmatamento de 50% neste ano. Dos 20 municípios com maiores índices de floresta derrubada no ano passado, 14 tiveram uma redução das áreas devastadas em 2006. São Félix do Xingu, no Pará, é o que tem maior área derrubada de floresta, registrando uma taxa de 32%. Em 2005, os estados do Maranhão e do Tocantins foram os que apresentaram maior índice de crescimento no ritmo de devastação. Para 2006, as estimativas indicam aumento no desmatamento nos Estados do Pará, Amazonas, Maranhão, Tocantins e Roraima. Mato Grosso continua com uma redução em 2006 --34%-- porém, ainda é o primeiro em áreas devastadas.
26 de outubro, 2006

Lei de Biossegurança é regulamentada


São Paulo, SP – Após oito meses de espera, o que era projeto virou lei. Com a publicação no Diário Oficial da União de quarta-feira (23/11), a Lei de Biossegurança passa a valer, com todas as suas determinações publicadas em seis páginas.
Depois de realizados, até a semana passada, todos os entendimentos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministérios da Agricultura, da Saúde, da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, ainda faltava derrubar um obstáculo. Qual seria o número de votos necessários para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberar a comercialização de produtos geneticamente modificados (OGMs) ou de seus derivados?
O texto publicado no Diário Oficial deixa claro que a posição mais precavida saiu vencedora: “As decisões da CTNBio serão tomadas com votos favoráveis da maioria absoluta de seus membros, exceto nos processos de liberação comercial de OGM e derivados, para os quais se exigirá dois terços dos membros”.
A comissão será formada por 27 cidadãos brasileiros. Dentro desse grupo, 12 devem ser obrigatoriamente especialistas de notório saber científico, com grau de doutor. Serão escolhidos três representantes das áreas de saúde humana, animal, vegetal e do setor do meio ambiente. Os demais integrantes da CTNBio serão determinados por órgãos governamentais envolvidos com a questão.
No caso do uso das células-tronco embrionárias humanas, o texto reforça que elas poderão ser usadas de embriões produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. Além de viáveis, os embriões devem estar congelados e disponíveis para a pesquisa. Em qualquer caso de uso desse material genético, é necessário o consentimento dos genitores.
Enquanto a regulamentação cria as condições para que a CTNBio seja reativada – e existem centenas de processos aguardando esse ato –, ela também determina uma tarefa para as clínicas de fertilização. Essas instituições privadas terão que enviar um documento ao Ministério da Saúde comunicando a quantidade de embriões congelados disponíveis em seus bancos, com os devidos prazos de vencimento. Sobre isso, o ministério ainda terá que expedir, no prazo de 30 dias, uma norma específica com as instruções que deverão ser seguidas pelas clínicas.
26 de outubro, 2006


Relatório do WWF-Brasil aponta economia de R$ 33 bi com adoção do cenário Elétrico Sustentável

Estudo mostra diminuição no desperdício de energia de até 38%, geração de 8 milhões de empregos, estabilização nas emissões dos gases do efeito estufa.

Brasília, DF - Economia de R$ 33 bilhões para os consumidores, diminuição no desperdício de energia de até 38% da expectativa de demanda, geração de 8 milhões de empregos, estabilização nas emissões dos gases causadores do efeito estufa e afastar os riscos de novos apagões são os principais benefícios do estudo realizado pelo WWF-Brasil, apresentado nesta quinta-feira (14), no hotel Blue Tree, em Brasília. O relatório, intitulado Agenda Elétrica Sustentável 2020, foi desenvolvido por uma equipe de especialistas da Unicamp e balizado por uma coalizão de associações de produtores e comerciantes de energias limpas, grupos ambientais e de consumidores e traça dois cenários elétricos para o país de 2004 a 2020. Ambos assumem as mesmas hipóteses de crescimento e condições socioeconômicas da população. O cenário Tendencial segue os moldes adotados atualmente, mantendo o nível de desperdício de energia e o limitado papel das fontes não convencionais. Já o cenário Elétrico Sustentável apresenta políticas de planejamento mais agressivas, maior eficiência na geração e na transmissão de energia, racionalidade no consumo e maior utilização de fontes não convencionais para a produção de eletricidade. “O Brasil é referência hoje nas negociações internacionais sobre energias renováveis e mudanças do clima e temos que garantir que esse papel continue sendo exercido pelo país no futuro”, explica Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF-Brasil. “Entretanto, se as decisões tomadas sobre o setor elétrico forem equivocadas, podem colocar o Brasil na contramão de acordos e esforços globais, tais como o Protocolo de Quioto”, completa. A aplicação do cenário Elétrico Sustentável no Brasil resultará na economia de R$ 33 bilhões para os consumidores até o ano de 2020, o que equivale a 2,5 vezes o orçamento do Programa Fome Zero do governo federal para 2006 ou ao PIB de 2005 da Bolívia e do Paraguai juntos. A redução do desperdício de energia elétrica promovida pela adoção desse cenário, propiciará a diminuição da expectativa de demanda de energia elétrica em até 38%. Em termos práticos, isso corresponde à geração de 60 usinas nucleares de Angra III, ou 14 hidrelétricas de Belo Monte ou 6 hidrelétricas de Itaipu, ou seja, essas usinas não precisariam ser construídas. “Consumir energia de modo mais eficiente custa menos para o consumidor e para a sociedade do que construir nova usinas hidrelétricas o termelétricas a gás e a carvão. O Brasil fez um grande esforço de conservação energética na época da crise, mais já esquecemos aquelas boas lições”, afirma Gilberto Januzzi, professor da Unicamp responsável pelo desenvolvimento do estudo. Haverá ainda redução de sete vezes da área inundada planejada para a construção de reservatórios de hidrelétricas, o que diminuirá os impactos sobre as populações tradicionais e a biodiversidade nacional. A geração de 20% da demanda esperada de eletricidade em 2020 por fontes renováveis, como biomassa, eólica, solar e pequenas hidrelétricas irá gerar 8 milhões de novos postos de trabalho. “O cenário Elétrico Sustentável é uma proposta positiva para afastar de vez o fantasma do apagão e minimizar os conflitos socioambientais na evolução da matriz elétrica brasileira de forma barata e inteligente e ainda dar um bom exemplo para as nações desenvolvidas”, lembra Leonardo Lacerda, Superintendente de Conservação do WWF-Brasil. Com a adoção do cenário Elétrico Sustentável, em 2020, estará garantida a estabilização das emissões de dióxido de carbono e de óxido de nitrogênio, principais gases causadores do efeito estufa, em um patamar próximo ao de 2004. O cenário Elétrico Sustentável poderia reduzir 413 milhões de toneladas de CO2 acumuladas durante o período 2004-2020. Para se ter uma idéia, em 25 anos, o Programa Proálcool evitou a emissão de 403 milhões de toneladas de CO2. “No mercado internacional de carbono, as vendas desses 413 milhões de toneladas poderiam gerar uma receita acumulada de R$ 4,5 bilhões. Este é o tipo de proposta que o Brasil precisa para aproveitar o mercado de carbono e contribuir com os esforços globais no combate às mudanças do clima”, contextualiza Giulio Volpi, Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas para América Latina e Caribe da rede WWF. Entretanto, para que a Agenda Elétrica Sustentável se concretize é necessário que um conjunto de recomendações de políticas públicas seja adotado e implementado pelo governo e por diversos setores da sociedade. Dentre elas, é possível destacar a implantação de um plano nacional de eficiência energética com metas quantificadas e o lançamento da segunda fase do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa II). O estudo organizado pelo WWF-Brasil e parceiros faz parte de uma iniciativa internacional da rede WWF para reduzir a dependência de carbono da matriz energética de vários países do mundo. Ao todo, 16 países como União Européia, China e Índia fazem parte do esforço da rede neste momento. Parceiros do WWF-Brasil:
Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO)
Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA)
União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (UNICA)
Associação Paulista de Cogeração de Energia (COGEN)
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente (FBOMS)
Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC)
Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE)
Centro Brasileiro de Energia Eólica (CBEE)
Embaixada Britânica
Texto da WWF Brasil.-->


Ambientalistas se mobilizam pelo Rio dos Sinos


Acontece nesta quinta-feira (26/10), a partir da 11h da manhã na BR 116 próximo a rodoviária de São Leopoldo, RS, o Manifesto pela Vida no Rio dos Sinos.

São Leopoldo, RS - Organizado por entidades ambientalistas como a União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) de São Leopoldo, Movimento Roessler de Novo Hamburgo e Diretórios Acadêmicos da Unisinos, o manifesto ocorrerá na BR 116, onde os manifestantes pretendem parar o trânsito da auto-estrada por cinco minutos.

Os organizadores pretendem, com esta ação direta, chamar a atenção da população para exigir medidas e ações concretas do poder público, já que o esgoto doméstico é o principal fator de poluição do Rio dos Sinos.

A morte recente de um milhão de peixes, aponta que a falta de oxigênio na água está no seu limite. Ainda nesta semana, mais peixes apareceram mortos no rio dos Sinos.

Segundo os organizadores da manifestação, esta realidade já vinha sendo denunciada pelas entidades ambientalistas há muitos anos. Para eles, a inoperância das autoridades competentes, também é responsável pela atual situação em que se encontra o Rio dos Sinos. Leia abaixo, a carta formulada pelos manifestantes:

MANIFESTO PELA VIDA NO RIO DOS SINOS
Nós, cidadãos preocupados com a qualidade do Rio dos Sinos, reunidos após mais um desastre
ambiental, no rio que sofre o descaso de mais de um milhão de pessoas, viemos a público para manifestar
nossa indignação e dizer que QUEREMOS NOSSO RIO VIVO, E NÃO TRANSFORMADO EM UMA VALA DE ESGOTO!
Segundo o CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente, as águas dos rios são classificadas em 5 categorias, de 0 a 4; estando o Rio dos Sinos, em seu trecho inferior, na pior delas Classe 4. A água desta classe nem poderia ser consumida pela população, mesmo com tratamento, pois causa riscos à nossa saúde. Exigimos, como cidadãos diretamente afetados pelo descaso das autoridades, ações imediatas para que a qualidade das águas do Rio dos Sinos em seu trecho inferior retorne para, no mínimo, a Classe 3.
Exigimos também:
· a fiscalização eficiente sobre o setor industrial e imobiliário, por parte dos governos, através dos órgãos municipais e estaduais de meio ambiente;
· a imediata implantação, pelo governo do estado, da Agência de Bacia Hidrográfica dos Sinos;
· a ampliação e reforço dos mecanismos de controle social sobre as ações do estado e das indústrias, desburocratizando os conselhos e fóruns de participação pública, visando o engajamento efetivo da sociedade civil nas decisões de políticas públicas no setor ambiental e na aplicação dos recursos na bacia;
· que no licenciamento ambiental de qualquer nova atividade de grande e médio impacto sobre os recursos hídricos da bacia seja ouvido o Comitesinos, tendo esse poder de decisão sobre a implantação/restrição da atividade;
· a adoção de programas de recuperação das áreas verdes nativas ao longo de corpos da água, e o incentivo financeiro ao proprietários que preservem as áreas úmidas (banhados);
· a formulação de metas claras e factíveis de implantação/ampliação do sistema de tratamento de esgotos cloacais na bacia, pelos governos federal, estadual e municipal, contendo fontes de financiamento, planos de aplicação de recursos, medidas de acompanhamento, prazos de execução, e punições a quem não os cumprir.
Queremos construir juntos um modelo de vida construtivo e responsável, que respeite os limites da Natureza de absorver poluição e produzir bens materiais.

QUEREMOS NOSSO RIO VIVO!
UPAN – São LeopoldoMovimento Roessler – Novo Hamburgo CALBIO Unisinos DAGAMBI Unisinos DCE Unisinos
Para assinar envie um email para: rio_dos_sinos_vivo@yahoo.com.br
26 DE OUTUBRO, 2006


Relatório afirma que consumo humano supera capacidade de recuperação do planeta


Brasília, DF - A degradação dos ecossistemas naturais acontece num nível sem precedentes na história. É o que mostra o Relatório Planeta Vivo 2006, relatório bianual divulgado nesta terça-feira (24) pela rede WWF. O documento analisa o estado da natureza e indica que, se as atuais projeções se concretizarem, a humanidade consumirá perigosamente até 2050 duas vezes mais recursos que o planeta pode gerar por ano. Entretanto, existe uma clara diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, está praticamente na média de consumo mundial, mas ainda assim os brasileiros consomem mais do que o planeta agüenta. O Planeta Vivo 2006 reúne diferentes dados para compilar dois indicadores do bem estar da Terra. O primeiro é o índice Planeta Vivo, que avalia a biodiversidade, baseado nas tendências de mais de 3600 populações de 1300 espécies vertebradas no mundo. O segundo índice, a "pegada ecológica", mede a demanda da humanidade sobre a biosfera (quantos hectares uma pessoa necessita para produzir o que consome por ano).O documento, o sexto da série, confirma a tendência de perda de biodiversidade, já apontada nos levantamentos prévios. Os números gerais indicam uma acentuada perda de recursos naturais. Em 33 anos (entre 1970 e 2003), houve redução em um terço das populações de espécies de vertebrados analisados. Simultaneamente, a "pegada ecológica" da humanidade aumentou, com a demanda 25% maior do que a oferta de recursos, a ponto de ameaçar a capacidade de regeneração do planeta, ou biocapacidade. O ponto de equilíbrio entre o consumo e a regeneração dos recursos naturais do planeta seria equivalente a 1,8 hectares globais por ano por pessoa. Porém, o relatório mostra que já consumimos mais que isso para manter os padrões atuais de vida. O consumo médio, ou a "pegada ecológica", foi de 2,2 hectares globais por pessoa anuais. Os dados mostram ainda que o consumo é mais acentuado nos países desenvolvidos. Porém as maiores perdas (biodiversidade, biomas) encontram-se em áreas em desenvolvimento. Em 30 anos, 55% das populações de espécies tropicais desapareceram por causa da conversão de habitats naturais em lavouras e pastagens. No mesmo período, as populações de espécies de água doce analisadas sofreram redução de 30%. Em apenas dez anos, metade dos manguezais da América Latina foi destruída (2 milhões de hectares). "O ritmo de consumo dos recursos naturais disponíveis supera a capacidade de recuperação da Terra. O grande desafio é aumentar a qualidade de vida e reduzir o impacto sobre o meio ambiente", diz Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. Países em desenvolvimento têm sofrido as maiores perdas, entretanto, suas "pegadas ecológicas" de maneira geral não ultrapassam a biocapacidade per capita ao longo dos últimos 30 anos. Eles conseguiram melhoras expressivas em seus Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). No entanto, desde a ECO 92, houve um incremento de 18% na "pegada ecológica" dos países de alta renda. "Para que tenhamos desenvolvimento sustentável é preciso um equilíbrio entre IDH e biocapacidade per capita, ou seja, desenvolver sem destruir" completa Hamú.A "pegada ecológica" de gases causadores do efeito estufa resultante do uso de combustíveis fósseis foi o item que mais cresceu mundialmente: mais de nove vezes entre 1961 e 2003. Os grandes vilões são os países desenvolvidos. A participação das emissões de gases causadores do efeito estufa resultante do uso de combustíveis fósseis dos Estados Unidos, por exemplo, é de 59% de sua "pegada". Para os Emirados Árabes, o percentual fica em 77% e para o Canadá, 53%. Dentre os países em desenvolvimento, Índia, China e México apresentam números elevados de participação de emissões de CO2 em suas pegadas (32%, 47% e 45% respectivamente). No Brasil, as emissões por uso de combustíveis fósseis estão na casa dos 17%. A agricultura (26%), a pecuária (29%) e os usos florestais (21%) são os principais contribuintes às emissões dos gases causadores do efeito estufa. Estes números mostram uma matriz energética razoavelmente limpa, mas as pressões, como o desmatamento, sobre os ecossistemas são enormes. "Para nos desenvolvermos de forma sustentável, temos de melhorar no que já somos bons, não podemos sujar nossa matriz energética.Devemos investir em eficiência e ampliar a diversidade de fontes renováveis não-convencionais no Brasil. Porém, isso só não basta. É imprescindível evitar a perda de nossas florestas. Temos de estabelecer metas claras para redução do desmatamento" afirma Leonardo Lacerda, superintendente de Conservação do WWF-Brasil. Os países com mais de um milhão de habitantes que tiveram a maior "pegada ecológica" foram os Emirados Árabes Unidos, os EUA, a Finlândia, o Canadá, a Estônia, a Suécia, a Nova Zelândia e a Noruega. Apesar de estar entre as quinze maiores economias mundiais, o consumo médio per capita dos brasileiros coloca o país na 58ª posição do ranking da "pegada ecológica". A China encontra-se num patamar intermediário (em 69º lugar), mas o rápido crescimento econômico indica um papel central na manutenção de um caminho para a sustentabilidade.O relatório aponta ainda para a idéia de regiões e países com crédito ou débito ecológico, isto é, onde a biocapacidade é maior (crédito) ou menor (débito) do que a pegada ecológica. Com isso, nos próximos cem anos, a geopolítica atual deve mudar da divisão entre países em desenvolvimento e desenvolvidos para o conceito de credores e devedores ecológicos. Para que a "pegada ecológica" e o índice Planeta Vivo sejam mais positivos, são sugeridas várias medidas urgentes como planejamento familiar, oferecendo à mulher melhoras no acesso à educação, saúde e oportunidades econômicas; redução do consumo em países desenvolvidos; diminuição da intensidade da "pegada" por meio da redução dos recursos usados na produção de bens e serviços; aumento das áreas produtivas com a recuperação de áreas degradadas; e incremento na produtividade por hectare, levando em consideração aspectos tecnológicos e de degradação.
Texto da Assessoria de Comunicação do WWF.

25 outubro, 2006

Recuperando o debate e a história sobre o Jornalismo Ambiental

O Jornalismo Ambiental tem sido construído, ao longo do tempo, por inúmeras vozes, práticas e reflexões. Como costuma acontecer, elas estão dispersas, como verdadeiras pérolas que insistem em se tornar pouco acessíveis, sobretudo aos aventureiros da Internet. Navegamos, com cuidado e muita paciência, pela Web e, apoiados em pistas adequadas, conseguimos recuperar mais de 30 fontes relevantes sobre o Jornalismo Ambiental , entre artigos, documentos e entrevistas. Embora individualmente elas tenham grande valor, pela trajetória dos seus autores e dos seus protagonistas, coletivamente compõem um quadro importante e atual das reflexões, debates , práticas e conceitos associados ao pensar e fazer jornalismo ambiental. Compartilhamos este rico material com você, esperando que possa, generosamente, retornar com mais fontes para que, democraticamente, as possamos distribuir às gerações passadas e futuras de jornalistas ambientais.A prática comprometida dos que virão por aí certamente tem muito a ver com esses colegas que, de há muito, vêm trilhando o caminho. Concordar com eles, parcial ou integralmente, não é certamente o mais importante (a opinião é autônoma e o pluralismo de idéias é fundamental) mas, de qualquer forma, é preciso reverenciá-los pela disposição de ousar , pela lucidez das suas descobertas e pelo compromisso mantido inadiável, apesar dos desafios e dos dissabores. Naveguemos com eles. Siga o link. A viagem será, com certeza, recompensadora.
25 de outubro, 2006


Que jornalismo queremos?

Uma antiga reflexão que alguns de nós jornalistas fazemos é sobre modelos de financiamento à informação. Como fazer com que a informação que não tem lugar assegurado nas páginas da chamada "grande imprensa", mas que seja relevante para a sociedade tenha seu lugar nas páginas ou telas? Um modelo de financiamento à informação que leve em conta as necessidades de transformação, educação, reflexão e construção do mundo, da cidadania e da qualidade de vida nossa e das futuras gerações.
Hoje a responsabilidade de financiar o jornalismo que a sociedade recebe é das agências de publicidade. O modelo de organização destas empresas privilegia resultados que possam ser dimensionados em milhões de espectadores e ouvintes, centenas de milhares de leitores e outros grandes números. Ou seja, quando uma agência de publicidade decide colocar a verba de seus clientes em anúncios em um veículo, o que está sendo comprado é público. As empresas de comunicação, por seu lado, sabendo que seu produto não é mais a informação, mas sim o volume de leitores, passam a privilegiar conteúdos fáceis, sem nenhum questionamento ético ou moral, coisas que dão público.
Ou seja, virou um mercado de compra e venda de público. O jornalismo fácil, aquele que dá o que o público quer, este está recebendo dinheiro. O jornalismo crítico, sério, que leva a sociedade a refletir e a mudar seus rumos, o jornalismo que levou a grande maioria de nós para as faculdades de comunicação, este está morrendo de inanição.
Vamos seguir fazendo o jornalismo que o público precisa. Vamos continuar tendo o Jornal do Meio Ambiente, a EcoAgência, a Eco 21, a Ecologia e Desenvolvimento, o Água on line, o Eco, a Envolverde, o Repórter Eco, a Terra da Gente e muitos outros veículos que cotidianamente além de fazer jornalismo da melhor qualidade lutam para sobreviver em um mercado onde não falta dinheiro, mas sim visão de mundo.

Adalberto Wodianer Marcondes
Diretor de Redaçãoagencia@envolverde.com.br


PETROBRAS É ELEITA A COMPANHIA NACIONAL MAIS
SUSTENTÁVEL DO IBOVESPA

A Petrobras é a líder no ranking de sustentabilidade e responsabilidade social entre as 45 empresas nacionais com ações no Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista. A conclusão é do estudo feito por especialistas em sustentabilidade e ética da consultoria espanhola Management & Excellence, Madri (M&E), em parceria com a brasileira GrowAssociates. O estudo analisou os relatórios de sustentabilidade, responsabilidade social e ambiental das empresas participantes, com base nos critérios da Global Reporting Initiative (GRI, a Iniciativa Global de Relatórios). Após a avaliação dos quesitos de ética, transparência, responsabilidade social, governança corporativa e sustentabilidade ambiental, dezesseis companhias, com os relatórios de sustentabilidade especificos, chegaram à fase final, sendo pontuadas e classificadas de acordo com esses padrões. A Petrobras ficou em primeiro lugar nas cinco áreas do levantamento, alcançando 100% em transparência, ética, responsabilidade social corporativa e em governança corporativa. Recentemente a Companhia ingressou no grupo das 300 empresas mais sustentáveis do mundo, sendo inclusa no Dow Jownes Sustainability Index (DJSI, o Índice de Sustentabilidade da Dow Jones). O Ranking de 2006 Posição Empresa Percentual 1. Petrobras 97,73% 2. Itaú 96,59% 3. Bradesco 90,91% 4. Votorantim 88,64% 5. Acesita 77,27% 6. Unibanco 71,59% Vivo 71,59% 8. Aracruz 69,32% 9. Arcelor Brasil 63,64% 10. Eletropaulo 62,50% 11. Klabin 59,09% 12. Gerdau 55,68% 13. Souza Cruz 50,00% 14. Braskem 43,18% 15. Unibanco 28,41% 16. Cemig 22,73
25 de outubro, 2006