28 dezembro, 2006

Mundo: o ano da derrota de Bush no Iraque


Foi o ano em que o presidente dos Estados Unidos sofreu a maior derrota militar desde o final da guerra do Vietnã, nos anos 70.

Com a incapacidade das forças internacionais de segurança, comandadas pelos Estados Unidos, em controlar os insurgentes, a violência entre sunitas e xiitas levou o número de mortes a taxas recordes -entre os civis e entre os soldados norte-americanos, que em dezembro pediram reforços a Bush. Explosões de carros-bomba se tornaram rotina. Ficou claro que a estratégia adotada no Iraque não estava surtindo efeito. Bush ainda sinalizou com possíveis mudanças, mas era tarde demais.

No começo de novembro, com o eleitorado fortemente influenciado pelas baixas americanas na guerra, o Partido Republicano de Bush foi derrotado pelos democratas nas eleições legislativas -um resultado que antecipou as discussões sobre a sucessão de Bush em 2008. No dia seguinte à derrota política o presidente afastou o secretário de Defesa que arquitetou a estratégia americana no Iraque, Donald Rumsfeld. Colocou em seu lugar Robert Gates, ex-diretor da CIA (a agência de inteligência dos EUA).

As dificuldades de Bush e dos americanos no Iraque, no entanto, devem continuar em 2007. A insurgência não dá sinais de que vai abaixar as armas. E os terroristas da al-Qaeda continuam fazendo ameaças sistemáticas ao governo Bush.

Os americanos esperam que Bush reduza o contingente de 140 mil soldados que hoje combatem no Iraque. Mas a comunidade internacional teme que uma debandada do Exército dos EUA leve ao acirramento dos confrontos entre xiitas, sunitas, curdos e terroristas sem identidade religiosa definida. Resta saber o que Bush, pressionado de todos os lados, fará agora.
Redação G1
28 de dezembro, 2006