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29 dezembro, 2006

Vereadores devolvem dinheiro para Prefeitura em cidade mineira
Câmara de Santos Dumont, em Minas, economizou 10% do orçamento deste ano.
E devolveu o dinheiro que sobrou para a prefeitura.
Do Bom Dia Minas

Os vereadores da cidade de Santos Dumont, na Zona da Mata, devolveram à Prefeitura o dinheiro que não usaram durante o ano. O cheque de R$ 262 mil foi entregue ao prefeito Evandro Nery e corresponde ao valor que o legislativo não gastou em 2006.

"Nós economizamos com diárias, transportes e até lanches, que nós tinhamos e cortamos", diz o vereador Cláudio Mendes. Ainda segundo o vereador, a economia representa pouco mais de 10% do orçamento da Câmara.

Santos Dumont tem cerca de 50 mil habitantes. Em 2007, a Prefeitura prevê um orçamento de 32 milhões. Nas ruas, a população aprovou a atitude dos vereadores da Câmara Municipal, que desde 2001 devolve à Prefeitura o que sobra do orçamento.

O prefeito disse que o dinheiro devolvido pelo legislativo pode resultar no asfaltamento de ruas ou ser usado para concluir obras em andamento. "Existem várias prioridades em que esse dinheiro pode ser aplicado. O dinheiro vai ser colocado na conta do legislativo para ser usado de forma transparente e da melhor forma possível", afirma Nery.

Apesar da cordialidade entre os principais representantes do poder público municipal, o prefeito reclamou da quantia devolvida pela Câmara. De acordo com ele, em 2005 o cheque teve um valor mais alto: R$ 340 mil.
29 de dezembro, 2006

MEGABLOCO DE GELO SE DESPRENDEU NO ÁRTICO, DIZ CIENTISTA
Massa com 66 quilômetros quadrados saiu da ilha de Ellesmere.
Para geógrafo, fato é mais um sintoma do aquecimento global.

Um grande bloco de gelo se desprendeu violentamente da ilha de Ellesmere, no Ártico canadense, indicaram nesta sexta-feira cientistas do Canadá, que vêem neste fenômeno um outro sintoma de aquecimento do planeta.

Uma massa de gelo de 66 km² de superfície se desprendeu da ilha de Ellesmere, enorme faixa de terra vizinha da Groenlândia.

O fenômeno, que ocorreu em agosto de 2005, emitiu tanta energia que foi detectado por aparelhos sismológicos canadenses situados a 250 quilômetros de distância. Mas ninguém pôde identificar então o que havia realmente acontecido.

O geógrafo Luke Copland, da Universidade de Ottawa, reconstruiu a cadeia de acontecimentos combinando os dados sísmicos e imagens de satélites fornecidas pelo Canadá e pelos Estados Unidos.

"Trata-se da maior perda em 25 anos", declarou Copland nesta sexta-feira, precisando que o bloco de gelo reduziu-se em 90% desde seu descobrimento em 1906.

"Isso ocorreu de maneira súbita, em uma hora. No passado, observávamos perdas progressivas de cobertura gelada, dia a dia, mas hoje parece que, quando se chega a certo ponto, uma plataforma de gelo pode se separar de uma única vez", afirmou.
29 de dezembro, 2006

FAIXAS PARA POSSE DE LULA CAUSAM POLÊMICA EM BRASÍLIA

Às vésperas da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os motoristas e pedestres de Brasília foram surpreendidos hoje por faixas colocadas em ruas e avenidas de Brasília com uma frase de duplo sentido que provocou protestos da oposição e levou a coordenação do evento a determinar a retirada das mensagens. "Lula presidente, tome posse do Brasil" eram os dizeres das faixas.

"É o retrato falado do que Lula e o PT pensam, que adquiriram o direito de se apropriar de uma Nação. A grande vantagem é que o Brasil tem na sua gente a sua maior riqueza e nossa gente não aceita nenhum tipo de servidão", disse o líder da Minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Para ele, a faixa do PT mostra a visão chavista do partido e do presidente.

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) deu outra interpretação para a locução petista: "Até o PT está pedindo para o Lula trabalhar".

José Zunga Alves de Lima, um dos coordenadores da festa popular da posse, reconheceu que as faixas permitiam uma dupla interpretação. Ele disse que isso ocorreu por um erro de layout. "A idéia era convidar o cidadão para a posse, para tomar conta do Brasil", afirmou. "Mas, como a faixa permitia dupla interpretação, foi retirada", anunciou.

Em entrevista concedida hoje, Zunga informou que a organização do evento popular espera um público de cerca de 50 mil pessoas. Em 2003, quando Lula tomou posse pela primeira vez, a estimativa do PT e dos partidos aliados foi de que estiveram na Esplanada dos Ministérios cerca de 120 mil pessoas. No entanto, cálculos da Defesa Civil de Brasília feitos com base em fotos aéreas da Esplanada indicaram que aproximadamente 71 mil pessoas estiveram na posse de 2003.

Crise aérea

Dirigente do PT do Distrito Federal e também coordenador do comitê de posse, Vilmar Lacerda afirmou que são esperadas caravanas de vários Estados. Elas devem chegar em cerca de 300 ônibus. Desses 300 ônibus, 70 deverão ser ocupados por integrantes de movimentos sociais rurais.

Zunga explicou que o partido estava encontrando dificuldades para alugar ônibus para transportar as pessoas para Brasília por causa da crise do setor aéreo. Devido às dificuldades enfrentadas pelos passageiros das companhias aéreas, a procura pelo transporte rodoviário aumentou.

O PT deverá divulgar nos próximos dias quanto será gasto com a comemoração. Mas, segundo Lacerda, o montante desembolsado pelo partido deverá ficar entre R$ 500 mil e R$ 600 mil. Partidos da base aliada e movimentos sociais também deverão colaborar. A Presidência da República e o Ministério da Cultura vão bancar outros R$ 1 milhão.

Em Brasília e nas cidades-satélites foram distribuídos nos últimos dias convites para que as pessoas compareçam à posse. "Segundo governo, um novo começo", é uma das mensagens do convite. Nele, está impressa a programação do evento. Às 14 horas deverá ser iniciada a concentração na Esplanada dos Ministérios.

Às 15h30 está previsto o desfile do presidente Lula em carro aberto pela Esplanada. Às 16 horas deverá começar a cerimônia de posse no Congresso. Para as 19h30 está previsto o início de shows musicais na Praça dos Três Poderes.
29 de dezembro, 2006

PM PRENDE PEDREIRO POR MORTE DE MULHER EM SP

Do G1, em São Paulo

O pedreiro G.C.L, de 48 anos, foi preso na madrugada desta sexta-feira (29) pela suspeita de assassinar a tiros a mulher, L.A.F.M., de 45 anos, na casa onde moravam, na Vila Guarany, Zona Norte da capital paulista.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o pedreiro confessou o crime. G.C.L. teria afirmado que deu os dois tiros na cabeça da mulher depois de uma discussão.

O homem de 48 anos foi preso pela Polícia Militar próximo de casa, quando supostamente tentava fugir.
29 de dezembro, 2006

PRF PRENDE 27 ESTRANGEIROS QUE ENTRARAM IRREGULARMENTE NO PAÍS

Da TV Morena

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu na tarde desta sexta-feira (29), durante uma fiscalização na BR-262, em Miranda, a 200 quilômetros de Campo Grande (MS), 26 bolivianos e uma peruana, que estavam sem visto de entrada no país. Os estrangeiros clandestinos foram pegos em um ônibus fretado, que seguia da Bolívia para São Paulo.

Em um carro que acompanhava o ônibus, foram detidos cinco brasileiros. Ao serem abordados, eles disseram que estavam levando os estrangeiros para um congresso evangélico em São Paulo. O ônibus foi apreendido e os estrangeiros estão sendo levados para a Polícia Federal.
29 de dezembro, 2006

POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL COMEÇA OPERAÇÃO ANO NOVO NAS ESTRADAS
Caos no sistema aéreo é preocupação para policiais nas rodovias.
Ação terá rondas terrestres e aéreas, radar e bafômetro.

Do G1, em São Paulo, com informações da Agência Brasil

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) começou nesta sexta-feira (29) a Operação Ano Novo em todo país. A ação deve intensificar o policiamento na malha viária federal com fiscalização em pontos fixos e móveis, rondas terrestres e aéreas, além de comandos de radar e bafômetro. Na operação passada foram registrados 1.502 acidentes, com 1.044 feridos e 57 mortes. A operação acaba no primeiro dia de janeiro.

Mais uma vez a situação dos aeroportos brasileiros causa preocupação, como foi verificado no feriado de Natal, quando a PRF registrou picos de até 50% no tráfego de algumas rodovias. Para quem pretende viajar por via terrestre, a PRF volta a recomendar muita cautela e planejamento.

A Inspetor Alvarez de Souza Simões, Coordenador de Controle Operacional, chama a atenção dos motoristas especialmente para as ultrapassagens indevidas, responsáveis pelos acidentes mais violentos. "A regra é: na dúvida, não ultrapasse. A colisão frontal é o que podemos chamar de 'encontro fatal', dado sua violência", disse.

A PRF vai limitar o tráfego de caminhões bi-trens e cegonhas, porque são veículos mais longos e lentos, que oferecem mais riscos a carros e outros veículos menores. Cada período de restrição vai durar seis horas e será aplicado apenas em rodovias de pista simples.

A infração a essa determinação é considerada infração média, e o motorista será multado em R$ 85,13, receberá 4 pontos na carteira de habilitação e permanecerá com o veículo estacionado até a liberação pela polícia. Caso insista em circular fora dos horários estabelecidos, pagará multa de R$ 127,69 e a infração passa a ser de natureza grave (5 pontos na carteira).
29 de dezembro, 2006

AEROPORTOS REGISTRAM 30 CANCELAMENTOS NESTA SEXTA-FEIRA

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal Hoje

Trinta vôos foram cancelados em cinco estados nesta sexta-feira (29), um dia após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciar que essa prática está proibida. A medida foi tomada pela agência para tentar reduzir os problemas nos aeroportos nesta virada de ano.

A situação foi pior no Rio, com 10 cancelamentos, nove no Aeroporto Santos Dumont e um no Galeão. Em Minas, seis vôos foram cancelados em Confins. No Aeroporto de Brasília, houve quatro cancelamentos. No Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, dois.

Em São Paulo, Cumbica registrou cinco vôos cancelados pela manhã. No início da tarde, Congonhas teve três cancelamentos.

A Anac informou que as empresas que cancelaram vôos nesta quinta-feira não serão punidas porque não houve prejuízo aos passageiros. Segundo a Anac, ninguém ficou sem voar.

Apesar dos cancelamentos, a situação nos aeroportos está tranqüila. Até o início da tarde, não foram registradas grandes filas.

Nota
A Anac divulgou nota informando que os registros de vôos cancelados em Congonhas, em São Paulo, de fato constaram como tal nos anunciadores de vôo no aeroporto, em virtude da inexistência, no sistema da Infraero, de terminologia adequada que identifique o fusionamento de vôos. "Assim, a Gol ao fusionar os números de vôo 1502 e 1504, transportou todos os passageiros das duas aeronaves inicialmente programadas em uma só aeronave. Quanto aos outros três vôos (1910, 1738 e 1508), que constaram dos referidos anunciadores como cancelados, eram cancelamentos programados e previamente autorizados pela Anac. Nos demais aeroportos de todo o país, não foram registrados cancelamentos de vôos."
29 de dezembro, 2006

POLÍCIA RECEBEU 146 DENÚNCIAS SOBRE ATAQUES CRIMINOSOS

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo

A polícia informou que o Disque-denúncia recebeu 146 ligações sobre as ações criminosas que aterrorizaram o Rio de Janeiro, na quinta-feira (28). Foram 16 ataques a delegacias, postos policiais e ônibus, nas Zonas Sul, Norte, Oeste e na Baixada Fluminense. Dezoito pessoas morreram e 30 ficaram feridas.

As denúncias começaram a chegar um dia antes da série de ações dos bandidos, segundo a polícia. As informações eram de que postos policiais e delegacias seriam atacados. A polícia continua em estado de prontidão. Somente quando os órgãos de Inteligência confirmarem que diminuíram os riscos de novos ataques, o esquema de plantão será modificado.

Centro Cultural é alvo de ataque, em Caxias
Criminosos atacaram o Centro Cultural Oscar Niemeyer, inaugurado há três meses, no centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na madrugada desta sexta-feira (29). A Biblioteca Governador Leonel de Moura Brizola, que faz parte do Centro Cultural, foi atingida com cerca de 13 disparos. Ninguém ficou ferido.

Os autores dos disparos chegaram a ser perseguidos por uma patrulha, mas conseguiram fugir. A moto em que estavam foi apreendida.

O Teatro Raul Cortez, que fica no mesmo prédio, não foi atingido. Segundo a Polícia Militar, os autores dos disparos seriam do Morro da Mangueirinha, no Bairro Centenário, em Duque de Caxias.

Vítimas dos ataques
Treze dos 30 feridos na madrugada de quinta-feira (28) permanecem internados.

O estado de saúde da modelo Bia Furtado, com queimaduras em 40% do corpo, é considerado gravíssimo. Ela está no Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A modelo era uma das passageiras do ônibus da empresa Itapemirim, que ia do Espírito Santo para São Paulo, e que foi incendiado por bandidos, na altura de Cordovil, no subúrbio.

Outras duas mulheres que estavam no ônibus também estão hospitalizadas. Segundo a secretaria municipal de Saúde, o estado de Fernanda Daibert Furtado é gravíssimo. Ela está no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Fernanda teve 54% do corpo atingido pelo fogo.

Também está internada, em estado grave, no Hospital Souza Aguiar, Maria da Penha Moraes, de 47 anos, com queimaduras em 20% do corpo.

Um homem, de 24 anos, que levou um tiro no olho esquerdo, está em observação. Seu estado é estável. Outro homem, que está sob custódia, levou um tiro no braço esquerdo e foi operado. Ele aguarda transferência para o Hospital Penal.

Já o menino Gabriel Lima Brito, de 6 anos, atingido por uma bala de raspão na cabeça, teve alta na manhã desta sexta-feira (29) do Hospital Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul do Rio.

Duas vítimas serão enterradas na tarde desta sexta-feira. Luiz Carlos Moreira da Silva, foi morto na porta da 28ª. DP (Campinho), quando foi registrar uma queixa. E o policial Robson Padilha Fernandes, levou tiros , na Lagoa, na Zona Sul do Rio.

Identificação de vítimas de ônibus incendiado vai demorar
Os corpos das sete vítimas que morreram carbonizadas no incêncio do ônibus da Viação Itapemirim durante a séria de ataques, continuam sem identificação no Instituto Médico Legal. Os corpos precisam passar por testes de DNA. Com isso, a liberação para enterro só deverá ocorrer dentro de 30 dias.

O IML está fazendo contato com os parentes das vítimas. É necessário fazer coleta de sangue dos parentes para o reconhecimento das vítimas. Até o momento, ninguém apareceu no IML.

Em entrevista ao Bom Dia Rio da TV Globo no começo da manhã, o Relações Públicas da Polícia Militar, coronel Aristeu Leonardo, disse que ainda não dá para confirmar se esse ataque faz parte da onda de violência que começou nesta quinta-feira (28) e deixou 18 mortos.

O coronel confirmou o reforço no policiamento e disse também que os órgãos de Inteligência continuam os trabalhos para diminuir qualquer possibilidade de novos ataques.

Ele informou também que o patrulhamento está sendo feito em comboios, principalmente à noite e de madrugada. E disse que as famílias dos dois policiais mortos durante a ação criminosa vão receber todo o auxílio possível da polícia.

Sobre o réveillon no Rio, Aristeu disse que 14.500 homens vão fazer o patrulhamento em todo o estado. Segundo o coronel, esse número é 20 % maior do que o do ano passado e o efetivo será plenamente satisfatório para trazer tranqüilidade à festa de fim de ano.

Suspeito de participar de ataques é identificado
A Polícia Civil identificou, na noite desta quinta-feira (28), um dos bandidos acusados de atacar o posto de policiamento do Alto da Boa Vista, na Zona Norte. Dois policiais ficaram feridos na ação criminosa. É um traficante do Morro do Borel, na Tijuca, que está em liberdade condicional e foi reconhecido por testemunhas. A prisão dele será pedida pela delegacia da Tijuca.

Bandidos voltam a atacar na noite de quinta-feira
Por volta das 21h, homens que ocupavam dois carros fizeram vários disparos contra duas bases do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE), uma na Linha Vermelha (via que liga a Ilha do Governador à Zona Sul), próximo à entrada da Ilha do Governador, e outra na Linha Amarela (que liga o subúrbio à Zona Oeste), no acesso à Avenida Brasil. Ninguém ficou ferido e os bandidos conseguiram fugir.

Outros criminosos atearam fogo em um ônibus da empresa Pendotiba, que passava pela Estrada Francisco da Cruz Nunes, próximo ao Parque da Colina, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Bombeiros do quartel de Niterói foram ao local para controlar as chamas. Não houve vítimas e ninguém soube informar como o fogo começou.

Depois de um dia inteiro de muita tensão e medo, os moradores do Rio também enfrentaram problemas na hora de voltar pra casa. Muitas empresas de transporte impuseram um toque de recolher para os motoristas e muitos ônibus foram recolhidos das ruas, deixando os pontos lotados de passageiros que aguardavam condução para voltar para casa. Para alguns a demora foi de cerca de três horas.

Durante a madrugada desta sexta-feira, bares e restaurantes de Copacabana, na Zona Sul, às vésperas do réveillon, estavam de portas fechadas. Os lugares que decidiram abrir não receberam muitos clientes. Só os quioques da orla é que pareciam estar com o movimento normalizado.
29 de dezembro, 2006

EUA CONTRADIZEM ADVOGADOS DE SADDAM E DIZEM MANTER CUSTÓDIA
Departamento de Estado diz que status de Saddam não se alterou.
Advogados de Saddam afirmam esperar execução até sábado.


O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein não foi entregue às autoridades iraquianas, como havia dito seu advogado, afirmou nesta sexta-feira (29) o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey. "Não houve nenhuma mudança", disse.

A especulação sobre a proximidade do enforcamento do ex-ditador toma conta do noticiário internacional nesta sexta-feira, com a contradição de informações entre autoridades dos Estados Unidos, do Iraque e membros do comitê de defesa de Saddam Hussein.

Munir Haddad, juiz da Corte de Apelações do Alto Tribunal Penal iraquiano, que assistirá à execução, disse que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein será enforcado "à noite ou amanhã", declarou nesta sexta-feira à noite.

O chefe da equipe de advogados de defesa de Saddam, Khalil al-Dulaimi, disse mais cedo que o governo norte-americano havia entregue o ex-ditador iraquiano à custódia da justiça do Iraque nesta sexta-feira, o que aceleraria a execução, que poderia acontecer ainda nesta sexta à noite ou no sábado (30) pela manhã.

Assim que a custódia for passada ao Iraque, a justiça do país pode decidir livremente sobre o momento do enforcamento. A manutenção de Saddam sob custódia dos Estados Unidos deve adiar a execução por dias ou mesmo semanas.

"Fomos informados que o presidente não está mais sob a autoridade das forças americanas", disse al-Dulaimi. O Departamento de Estado dos Estados Unidos negaram a informação pouco depois e afirma que o país mantém a custódia do ex-ditador.

Oficiais do governo iraquiano negaram, no início desta sexta-feira (29) especulações crescentes de que Saddam poderia ser executado nas próximas horas, e informaram que há movimentação dentro do governo para que a execução seja adiada por um mês ou mais.

Além disso, o comitê de defesa do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein afirmou nesta sexta-feira ter obtido autorização dos Estados Unidos para se encontrar "nos próximos dias" com Saddam Hussein, antes que ele seja enforcado.

O advogado de Saddam, entretanto, disse acreditar na possibilidade da execução até o sábado (30), já que eles já recolheram os objetos pessoais apreendidos junto com Saddam.

Um juiz iraquiano ouvido pela Associated Press confirmou que Saddam deve ser executado no mais tardar no sábado.

Desde que a sentença de morte do ex-ditador e dois de seus antigos colaboradores foi confirmada, na terça-feira (26), aumentaram as especulações sobre uma provável data da execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, que deveria acontecer num prazo de até 30 dias, de acordo com as leis iraquianas.

Na quinta-feira (28), um alto representante do governo americano afirmou que a morte de Saddam aconteceria no sábado (30), mas o Ministério da Justiça iraquiano negou a informação nesta sexta-feira (29). Uma alta autoridade do Ministério da Justiça disse à agência Reuters que Saddam não será executado antes de 26 de janeiro, 30 dias depois de sua apelação ter sido rejeitada.

Nesta sexta-feira, no entanto, um dos advogados do ex-ditador iraquiano, Najib al-Nuaimi, falou à rede "CNN" que Saddam Hussein pode ser levado à forca no sábado, citando o que chamou de "diferentes fontes". Clique aqui para ler a matéria (em inglês).

Saddam Hussein foi condenado à morte em novembro pelo Alto Tribunal Penal do Iraque, pela execução de 148 xiitas em Dujail (60 km ao norte de Bagdá) nos anos 80.

Os advogados de Saddam foram convocados nesta sexta-feira (29) a recolher os objetos pessoais do ex-ditador. Um advogado de defesa, que não quis ser identificado, disse que o ex-presidente havia sido transferido da custódia de forças dos Estados Unidos para o governo iraquiano, mas o Ministério da Justiça negou o fato.

De acordo com a rede de televisão americana "NBC", o ex-presidente iraquiano seria executado até o domingo (31).

Segundo informações divulgadas na quinta-feira pela rede "NBC", Saddam seria enforcado antes do começo da Festa do Sacrifício muçulmana, que começa neste fim de semana. A rede norte-americana citou como fonte de informação um militar americano de alta patente que pediu para não ser identificado.

"Ninguém pode evitar a execução" de Saddam Hussein, condenado à morte por enforcamento, afirmou nesta sexta-feira o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, em um encontro com familiares de algumas vítimas do ex-ditador.

"Depois que foi decidido pela corte, ninguém pode opor-se à decisão de executar o criminoso Saddam", disse Maliki. "Aqueles que rejeitam a execução de Saddam estão minando a dignidade dos mártires do Iraque."

Apelo
Giovanni di Stefano, um dos advogados de Saddam, afirmou nesta quinta-feira que pediu aos Estados Unidos que não entreguem o ex-ditador, que consta como seu prisioneiro de guerra, às autoridades iraquianas para execução.

Di Stefano disse ao canal via satélite "Sky" que os Estados Unidos "têm em suas mãos" o futuro de Saddam e podem se negar a entregar o ex-ditador ao Iraque "por não ter tido um julgamento justo".

O advogado italiano afirmou que enviou o pedido à Comissão de Direitos Humanos dos Estados Unidos, e considerou "um julgamento político" o processo contra o presidente iraquiano.

Em carta ao povo iraquiano, Saddam Hussein disse que subirá ao patíbulo "como um mártir".

William Waack: execução pode transformar Saddam em vítima

*Agências Reuters, Efe e France Presse colaboraram com este texto.

29 de dezembro,2006

28 dezembro, 2006

Mundo: o ano da derrota de Bush no Iraque


Foi o ano em que o presidente dos Estados Unidos sofreu a maior derrota militar desde o final da guerra do Vietnã, nos anos 70.

Com a incapacidade das forças internacionais de segurança, comandadas pelos Estados Unidos, em controlar os insurgentes, a violência entre sunitas e xiitas levou o número de mortes a taxas recordes -entre os civis e entre os soldados norte-americanos, que em dezembro pediram reforços a Bush. Explosões de carros-bomba se tornaram rotina. Ficou claro que a estratégia adotada no Iraque não estava surtindo efeito. Bush ainda sinalizou com possíveis mudanças, mas era tarde demais.

No começo de novembro, com o eleitorado fortemente influenciado pelas baixas americanas na guerra, o Partido Republicano de Bush foi derrotado pelos democratas nas eleições legislativas -um resultado que antecipou as discussões sobre a sucessão de Bush em 2008. No dia seguinte à derrota política o presidente afastou o secretário de Defesa que arquitetou a estratégia americana no Iraque, Donald Rumsfeld. Colocou em seu lugar Robert Gates, ex-diretor da CIA (a agência de inteligência dos EUA).

As dificuldades de Bush e dos americanos no Iraque, no entanto, devem continuar em 2007. A insurgência não dá sinais de que vai abaixar as armas. E os terroristas da al-Qaeda continuam fazendo ameaças sistemáticas ao governo Bush.

Os americanos esperam que Bush reduza o contingente de 140 mil soldados que hoje combatem no Iraque. Mas a comunidade internacional teme que uma debandada do Exército dos EUA leve ao acirramento dos confrontos entre xiitas, sunitas, curdos e terroristas sem identidade religiosa definida. Resta saber o que Bush, pressionado de todos os lados, fará agora.
Redação G1
28 de dezembro, 2006

Economia: o ano dos grandes negócios

Confira aqui os principais fatos de economia e negócios

A compra da mineradora canadense Inco pela brasileira Vale do Rio Doce (na foto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, e o presidente da Inco trocam camisas das seleções de futebol) deu o tom de 2006 para as empresas brasileiras: foi um ano de grandes negócios. Em março, o Bradesco comprou a operadora de cartões American Express. Um mês depois, o Itaú anunciaria a compra do Bank Boston. A onda de compras e fusões não deixou de fora nem o mercado de internet, que voltou aos (bons) velhos tempos da bolha com a união dos maiores sites de comércio eletrônicos do país, o Submarino e a Americanas.com (isso sem contar a compra do YouTube pelo Google). Houve, no entanto, percalços para algumas companhias. O pior deles enfrentado pela Petrobras, que teve suas refinarias na Bolívia confiscadas pelo governo de Evo Morales.

No cenário econômico - com exceção do fraco desempenho do PIB nacional -, o balanço é positivo. Mesmo que o governo tenha perdido seu mentor da política econômica, o ministro da Fazenda Antonio Palocci. O dólar barato derrubou a inflação, que chegou no final do ano na casa dos 3%. Com isso, o juro básico da economia chegou ao seu patamar mais baixo, 13,25%. Os bons ventos bateram no mercado de ações e no risco-país: a Bovespa bateu recorde de alta e o risco Brasil caiu abaixo dos 200 pontos pela primeira vez na história.
28 de dezembro, 2006

Ciência e Saúde: o ano das controvérsias

O ano de 2006 trouxe excelentes demonstrações de como o discurso científico, embora seja a melhor forma disponível à humanidade de entender e dominar a natureza, ainda pode ser frágil e cheio de armadilhas.

O ano foi aberto com a revelação bombástica de que o sul-coreano Woo-suk Hwang, até então venerado por suas pesquisas, havia falsificado os resultados de sua suposta clonagem de embriões humanos. A apresentação da fraude trouxe constrangimento à revista científica americana "Science", responsável pela divulgação original dos resultados, e colocou a comunidade científica em alerta: é preciso tomar mais cuidado com o que pesquisadores afirmam ter feito por aí.

A fraude dos clones de Woo-suk Hwang

A lição foi bem sentida em agosto, quando Robert Lanza, da companhia ACT (Advanced Cell Technology), nos Estados Unidos, apresentou um novo método "ético" para a obtenção de células-tronco embrionárias -- um que não levaria necessariamente à morte do embrião.

Embora em tese isso fosse verdade, todos ficaram de sobreaviso quando foi revelado que, a despeito do potencial, Lanza e seus colegas haviam de fato destruído os embriões usados no estudo. O problema levou a "Nature" (rival britânica da "Science") a publicar um alerta quando o estudo saiu em sua revista.

A criação das células-tronco "éticas"

O mesmo mês de agosto mostrou que a controvérsia sobre o que é verdade científica não se restringe a campos relativamente novos como a biotecnologia. Na mais antiga das ciências, a astronomia, 2006 foi o ano em que seus praticantes definiram de uma vez por todas o que é um planeta. A decisão obrigou os astrônomos a rebaixarem o pequenino Plutão, que passou a ser tido apenas como um "planeta anão".

O rebaixamento de Plutão para a "segundona"

E o Brasil também teve sua dose de celeumas científicas. O estopim foi a viagem de Marcos Cesar Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, à Estação Espacial Internacional, em março. O vôo espacial custou US$ 10 milhões aos cofres públicos e levou o país a se engajar numa discussão mais madura sobre que rumos deveria dar a seu combalido programa espacial.

A histórica viagem espacial de Marcos Pontes

Confira outros grandes fatos científicos do ano:

Grupo acha "elo perdido" de todos os vertebrados
Nasa retoma montagem da Estação Espacial Internacional
Americanos decidem reformar o telescópio Hubble
Braço biônico é controlado por pensamento
Começa o "Projeto Genoma" dos neandertais
Projeto de lei da Mata Atlântica é aprovado
Primeiro avião de Santos-Dumont completa cem anos

Redação G1
28 de dezembro, 2006

Ciência e Saúde: o ano das controvérsias

O ano de 2006 trouxe excelentes demonstrações de como o discurso científico, embora seja a melhor forma disponível à humanidade de entender e dominar a natureza, ainda pode ser frágil e cheio de armadilhas.

O ano foi aberto com a revelação bombástica de que o sul-coreano Woo-suk Hwang, até então venerado por suas pesquisas, havia falsificado os resultados de sua suposta clonagem de embriões humanos. A apresentação da fraude trouxe constrangimento à revista científica americana "Science", responsável pela divulgação original dos resultados, e colocou a comunidade científica em alerta: é preciso tomar mais cuidado com o que pesquisadores afirmam ter feito por aí.
28 de dezembro, 2006

Brasil: o ano marcado pela tragédia aérea


O ano de 2006 foi marcado pela maior tragédia da aviação no país: em 29 de setembro, após colidir com um jato, um Boeing 737-800 da Gol caiu em Mato Grosso. As 154 pessoas que estavam a bordo do vôo 1907 morreram. Como a região do acidente era de mata fechada, o resgate durou quase dois meses. Tudo acompanhado com agonia pelos brasileiros. Saiba mais do acidente.

Depois do desastre, o sistema aéreo entrou em colapso. Em outubro, os controladores de vôo iniciaram operação-padrão, causando atrasos em todos os aeroportos. As mesmas cenas de revolta e perplexidade por parte dos passageiros voltaram a ocorrer no fim do ano, mas desta vez por culpa de companhias aéreas.

O ano teve também histórias de abandono e solidariedade: em janeiro, o caso de um bebê dentro de um saco plástico jogado pela mãe na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, causou comoção. Sobraram candidatos para a adoção.

O medo invadiu a casa dos brasileiros, com a crise na segurança pública que se espalhou pelo país. Para contê-la, houve soluções provisórias (como a transferência de presos para contêineres no Espírito Santo) e as que saíram do papel após anos, como a nova penitenciária de segurança máxima no Paraná.
28 de dezembro, 2006

França: Lixo tóxico espalha o medo

Por Julio Godoy, da IPS

Paris- Cresce na França o temor pela decisão de queimar uma grande quantidade de lixo tóxico trazidos por mar desde a Costa do Marfim. Os resíduos, cerca de sete mil toneladas de petróleo e substâncias químicas misturadas com terra e cascalho, foram transportados no mês passado desde Abidjã, capital marfilesa, até a cidade portuária francesa de Le Havre. Uma vez no porto, foram levados de trem ao incinerador que fica em Salaise-sur-Sanne, a cerca de 50 quilômetros da cidade de Lyon, onde devem ser queimados nos próximos meses. Moradores e grupos ambientalistas respeitam a operação, mas outros levantam dúvidas sobre a eficiência do incinerador.

“Não sabemos nada sobre a toxidade destes dejetos, e perguntamos por que devem ser queimados em lugar de armazenados”, disse à IPS o porta-voz da Federação para a Proteção da Natureza (Frapna), Alain Chabrolle. Ele explicou que o acordo entre os governos da França e da Costa do Marfim “foi feito em total segredo, sem informar ao público. A companhia que administra o incinerador foi escolhida por Abidjã sem licitação”, afirmou. Chabrolle, disse que recentemente se descobriu que os incineradores emitem um nível de dioxinas superior ao permitido pelas normas ambientais e sanitárias francesas.

As dioxinas são subprodutos de processos industriais e de combustão. São substâncias muito tóxicas e voláteis, de grande persistência e capacidade para acumularem nos tecidos animais gordurosos e se transmitir através da cadeia alimentar. Estes compostos causam desordens nos sistemas imunológico e neurológico e podem provocar diversas doenças, desde uma forma persistente de acne até câncer, além de problemas na tireóide e defeitos de nascimento. Os cientistas comprovaram que os incineradores de lixo são os principais responsáveis pela contaminação da atmosfera com toxinas.

Dioxina se converteu em sinônimo de veneno ecológico depois do desastre ocorrido na cidade italiana de Seveso. Em julho de 1976, navios de carga de uma usina química perto dessa localidade se romperam e liberaram vários quilos de lixo tóxico, causando a morte de dezenas de milhares de animais domésticos e de criadouros. Cerca de 25 quilômetros quadrados de terra e vegetação foram afetados. Mais de 600 pessoas tiveram de ser evacuadas e duas mil tratadas por envenenamento com toxinas.

Jean-Luc Pérouze, porta-voz da organização ambientalista francesa Vivre Ici, disse que as deficiências do incinerador em Salise-sur-Sanne e a natureza tóxica do lixo a ser queimado “requerem um estudo epidemiológico na localidade e uma análise sistemática do solo da região”. Pérouze acrescentou à IPS que “queremos saber se podemos comer verduras, ovos e carne de animais que criamos aqui sem ter de pensar duas vezes sobre os riscos sanitários”. O lixo foi embarcado originalmente em Amsterdã até Abidjã em agosto pela firma holandesa de transporte de petróleo Trafigura Beheer BV.

Na capital da Costa do Marfim, o lixo causou a morte de, pelo menos, 10 pessoas, envenenamento de 10 mil e a contaminação de produtos agrícolas e de diversos sítios ao redor de uma lagoa. Salaise-sur-Sanne é uma pequena localidade no densamente povoado vale do Rio Rohne, onde se concentra grande parte da indústria química da França. Ali, antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os militares franceses produziram armas químicas como o gás mostarda. A preocupação pelo lixo tóxico aumentou depois que estudos do Instituto para a Vigilância da Saúde (InVS) constaram que os riscos de contrair câncer são maiores entre as populações que vivem perto de incineradores.

“Havia uma significativa relação entre o crescimento do risco de alguns tipos de câncer e o lugar de residência próximo de incineradores”, disse o InVS. As pesquisas também concluíram, em uma população de 2,5 milhões de pessoas que residem perto de incineradores, cerca de 136 mil desenvolvem diferentes tipos de câncer. O InVS calculou que o risco de contrair essa doença aumenta quase 10%. A França tem 128 incineradores, o maior número da Europa, e os usa para queimar lixo doméstico e industrial. Estes estudos levaram as autoridades sanitárias e ambientalistas a pedir uma moratória na queima dos dejetos.

Sébastien Lapeyre, porta-voz do Centro Nacional Independente de Informação sobre Incineração de Lixo, disse que os resultados da pesquisa InVS são “aterradores”. A indústria “não pode continuar mentindo sobre as conseqüências para a saúde humana da incineração de lixo tóxico. É tempo de deixar de usar esta tecnologia arcaica e perigosa”, disse à IPS. A oposição à incineração de lixo aumentou nos últimos anos, disse a antropóloga Elvire Van Stael, de Lyon. “Na França, o número de pessoas que rejeita projetos em zonas residenciais por questões ecológicas cresce dia a dia, particularmente quando se refere a incineradores”, acrescentou à IPS.
28 de dezembro, 2006

Refugiados ambientais

Por André Campos, da Repórter Brasil

Deslocamentos humanos provocados por alterações no meio ambiente são um problema crescente no mundo - e afetam também o Brasil. Situação é tão preocupante que a ONU debate criação de leis internacionais sobre o tema.

Em dezembro de 2004, um tsunami varreu a costa de diversos países asiáticos e africanos, deixando aproximadamente 300 mil mortos e milhões de desabrigados. Vilas inteiras foram destruídas, enormes quantidades de sobreviventes precisaram caminhar dias até os abrigos temporários onde muitos vivem ainda hoje. Oito meses depois, foi a vez do furacão Katrina chegar à costa do golfo do México e colocar um milhão de norte-americanos na estrada. Nem seis semanas haviam se passado quando um terremoto de grandes proporções atingiu o sul da Ásia, numa tragédia que gerou inclusive acordos diplomáticos entre Índia e Paquistão – inimigos há décadas – para que a abertura da fronteira na região da Caxemira permitisse o fluxo de pessoas afetadas.

Está cada vez mais claro que situações como estas são apenas a ponta de um grande iceberg. Segundo estimativa da Universidade das Nações Unidas (UNU), até 2010 o mundo terá 50 milhões de pessoas obrigadas a deixar seus lares, temporária ou definitivamente, por problemas relacionados ao meio ambiente. Uma conta que inclui não somente as vítimas de grandes desastres, mas também comunidades inteiras que estão sendo silenciosamente impelidas a migrar devido a problemas como a degradação de solos e águas – freqüentemente, para nunca mais voltar.

“Esta nova categoria de refugiado precisa encontrar seu lugar nos acordos internacionais”, afirma Janos Bogardi, diretor do Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana da ONU. Dados da universidade indicam que o número de ‘refugiados ambientais’ no mundo pode, em breve, ultrapassar a quantidade oficial de pessoas em situação de risco contabilizadas pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) – lista que abarca, entre outros, refugiados políticos e pessoas em busca de asilo. Estimativas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, por sua vez, mostram que já hoje há mais pessoas deslocadas por desastres ambientais do que por guerras.

Como dar assistência a essas pessoas? Quais devem ser as obrigações dos países em relação a elas? E quem realmente pode ser considerado um refugiado ambiental? Para Bogardi, estas são apenas algumas das questões que permanecem em aberto (ver box "À espera de leis internacionais"). E a realidade brasileira, ao contrário do que muitos possam imaginar, não é alheia a esse debate.

No passado e no presente, são diversas as regiões e circunstâncias onde uma grande quantidade de brasileiros pode encontrar abrigo sob esse guarda-chuva. Há situações bastante conhecidas, como a dos flagelados da seca que, desde o século XIX, tem suas andanças retratadas em obras hoje clássicas de nossa literatura. Outras, no entanto, permanecem ignoradas pela opinião pública, e, não raro, totalmente descobertas de qualquer tipo de política capaz de atender os afetados.

Terras submersas

Alguns dados mostram que a ligação entre problemas ambientais e processos migratórios no Brasil pode ser muito mais generalizada do que se pensa. Em 2002, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ouviu todas as prefeituras brasileiras para traçar um perfil do meio-ambiente nos municípios do país. E dos 50 que mais perderam população entre os censos de 1991 e 2000 – todos com até 20 mil habitantes – metade declarou enfrentar alterações ambientais relevantes que afetaram a vida da população. Um número 15% maior do que a média brasileira para os municípios desse tamanho.

O assoreamento dos corpos d’água, presente em 53% dos municípios brasileiros segundo esta mesma pesquisa, é um dos exemplos de como alterações ambientais podem levar ao deslocamento de comunidades inteiras. No rio Taquari, que corta o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, ele é o pivô daquilo que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) considera atualmente o mais grave problema ambiental e socioeconômico do Pantanal.

Historicamente, as terras sob a influência do rio recebem pulsos de inundação que alagam suas áreas marginais durante alguns meses do ano. Um fenômeno que começou a mudar a partir da década de 1970, com a expansão desordenada da agropecuária na região. O desmatamento e o manejo inadequado dos solos geraram processos erosivos graves na porção alta da bacia do Taquari. Vento e chuva, por sua vez, se encarregaram de levar os sedimentos para as áreas mais baixas do relevo. Já nas águas do Taquari, eles foram carregados por décadas correnteza abaixo, enchendo de terra locais da parte baixa do seu curso. Resultado: diminuiu seu leito, o rio transbordou em diversos pontos, os pulsos de inundação deixaram de existir e uma área de 500 mil hectares encontra-se hoje permanentemente submersa e improdutiva. Para se ter uma idéia do tamanho do estrago, isso equivale a quase 60% do total de terras desapropriadas pelo Governo Federal para reforma agrária em 2004.

Os prejuízos para os pescadores são imensos e muitos pecuaristas abandonaram a região. Pior ainda é a situação de cinco colônias de pequenos produtores – São Domingos, Bracinho, Cedro, Miquelina e Rio Negro – localizadas na parte baixa do curso do Taquari, no município de Corumbá (MS). Naquela região, o “entupimento” do rio levou ao arrombamento das suas margens. Uma situação que literalmente afundou a agricultura desenvolvida nessas comunidades, onde já chegaram a morar 550 famílias. “Hoje não deve ter mais que 20 delas vivendo por lá”, afirma Emiko Resende, pesquisadora da Embrapa Pantanal. “Muitos dos atingidos estão vivendo sob lonas na periferia cidades como Corumbá e Ladário (MS), e alguns entraram em programas de assentamento de sem-terras, em outros lugares.”

Apenas para a pecuária de corte, segundo cálculos da Embrapa Pantanal, os prejuízos causados pelo problema chegaram a 1,2 bilhões de reais entre 1996 a 2003. Isso sem considerar os pequenos produtores.
Além da agropecuária, a mineração é outra atividade freqüentemente associada ao assoreamento de corpos d’água no Brasil. Uma prática também responsável por muitos outros problemas ambientais, como a destruição da mata ciliar, a erosão e a contaminação do meio-ambiente por produtos químicos. Desde a época colonial, a descoberta de minérios resulta em intensos fluxos migratórios para áreas no interior do país. No entanto, passada a bonança inicial, não raro resta apenas uma grande área degradada onde há grande dificuldade para o desenvolvimento de alternativas econômicas. O resultado é uma debandada geral.

Na região central do Mato Grosso, o município de Alto Paraguai é um típico e atual exemplo. Nele fica a cabeceira do rio Paraguai, onde o garimpo de ouro e diamante, feito diretamente no leito do rio, durante décadas constituiu a base da economia. Criado em 1953, junto com a ascensão da atividade, o município hoje definha abraçado com a mineração. Principalmente a partir da década de 1990, intensificou-se o esgotamento das riquezas e o declínio da exploração de minérios. Ficaram os impactos ambientais, como, por exemplo, o severo assoreamento do Paraguai. E o município, que tinha 13,8 mil habitantes em 1991, possui hoje população estimada de 6,1 mil moradores. Atualmente, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais discutem formas para garantir a subsistência de populações locais remanescentes dos garimpos. Não muito longe dali, em Alto Garças, outro município mato-grossense, há projetos para recuperar áreas destruídas pela mineração, de forma que elas gerem produção agrícola para o município.

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À espera de leis internacionais

O aumento das catástrofes naturais e do ritmo de degradação das terras faz dos refugiados ambientais membros de uma categoria em expansão no mundo. Categoria que, no entanto, permanece não existindo oficialmente. O conceito de refugiado como ele é conhecido hoje surgiu ao fim da 2ª Guerra Mundial, quando a quantidade de pessoas deslocadas por conflitos bélicos no planeta atingiu proporções jamais vistas. Sua definição acolhe os perseguidos por opinião política, questões raciais, religiosas, de nacionalidade e associação a determinado grupo social.

Bogardi, da Universidade das Nações Unidas, defende que os refugiados ambientais devem receber status legal e programas de assistência similares ao dessas pessoas. Além do direito de asilo, os refugiados reconhecidos por lei também podem gozar dos mesmos serviços públicos que os cidadãos dos países para onde vão. “Há uma grande variedade de situações nas migrações pelo mundo, mas as pátrias recebedoras, de forma geral, assumem que são todos migrantes econômicos”, explica Bogardi. “Pessoas que querem melhorar de vida, mas que, de outra forma, poderiam continuar vivendo onde estavam.”

Para Stuart Leiderman, pesquisador da Universidade de New Hampshire, também é necessário neste contexto rever a idéia de que só é um refugiado aquela pessoa que cruza fronteiras nacionais. “Especialmente em grandes países, refugiados ambientais também são os que se dirigem a outras regiões dentro do próprio território”, diz. Leiderman é um dos criadores da Fundação LiSER, ONG de atuação internacional que quer inserir a realidade dos deslocados pelo meio ambiente na agenda das organizações humanitárias. Para ele, a liderança de um país como o Brasil nas discussões políticas sobre o tema pode abrir caminho para leis internacionais. Segundo a própria ONU, o Brasil é um dos países que demonstra maior grau de compromisso com a temática dos refugiados, tendo um papel de líder desde o início da formação de um marco internacional para a proteção dessas
28 de dezembro, 2006

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Sem a criação de grandes áreas de exclusão de pesca, boa parte das 60 espécies de tubarões e raias do litoral brasileiro poderá desaparecer dentro de dez anos. A avaliação é do oceanógrafo Sandro Klippel, analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo Klippel, que estudou a conservação dessa classe de peixes – os seláquios – no litoral da região Sul, a pesca industrial é a principal ameaça. “Na plataforma Sul, houve uma redução de aproximadamente 90% na abundância original das espécies, o que caracteriza fase crítica de extinção. A situação não é diferente no resto do litoral brasileiro”, disse à Agência FAPESP.

Entre 2001 e 2005, o pesquisador integrou a equipe do projeto Salvar Seláquios do Sul do Brasil, da Fundação Universidade Federal de Rio Grande (Furg), que identificou as áreas críticas em que seria necessário interditar a pesca ou interromper a captura de determinadas espécies. No fim de 2005, o pesquisador lançou, em co-autoria com o biólogo Carolus Maria Vooren, o livro Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil.

O projeto identificou 21 espécies de tubarões e raias na plataforma Sul. Nove delas criticamente ameaçadas de extinção. “A proporção é semelhante no resto do Brasil e a situação não mudou em 2006. Conseguimos a proibição da captura de certas espécies, o que ajuda muito, mas não houve avanços no ponto central: a criação de grandes áreas de exclusão de pesca”, afirmou.

A pesca de arrasto e de emalhe são as mais nocivas à biodiversidade marinha, de acordo com Klippel. Há áreas controladas, com fiscalização feita pelo Ibama. Cada barco pesqueiro flagrado realizando arrasto nessas áreas pode ser multado em até R$ 100 mil, mas as áreas de exclusão ainda não são suficientes.

“Avaliamos que seria preciso implementar, na plataforma continental, áreas de exclusão que equivalem a algo entre 30 e 50% de todo o litoral brasileiro. Com isso, conseguiríamos uma recuperação mínima dentro de dez ou 20 anos”, afirmou o pesquisador.

Hábitos reprodutivos especiais

Tubarões e raias sofrem particularmente com a ameaça de extinção devido a suas estratégias reprodutivas. “Os seláquios são vivíparos e as áreas costeiras de até 30 metros de profundidade são berçários. Dependendo da espécie, a gestação das fêmeas pode durar de um a três anos. A recuperação é muito lenta e impossível se houver pesca”, disse Klippel.

Embora algumas espécies sejam protegidas por lei, todas continuam sofrendo com a chamada pesca incidental. “Na maior parte das vezes, o barco pesqueiro procura outros peixes, mas atua nos berçários de tubarões e raias”, explicou.

Segundo o oceanógrafo, na década de 1980, somente no porto de Rio Grande (RS), eram desembarcadas anualmente cerca de 7 mil toneladas de tubarões e raias. Hoje, a fartura acabou. A criação de áreas de exclusão seria importante não apenas para preservar as espécies, mas para viabilizar a própria atividade pesqueira.

“A pesca só sobrevive porque tem subsídios do governo. O resultado é um círculo vicioso: incentiva-se o setor para que ele não quebre, evitando um impacto social, mas o investimento se transforma em devastação ambiental, que depois terá conseqüências sociais ainda mais perversas”, disse Klippel.

O livro Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil está integralmente disponível no site do Centro de Pesquisa e Gestão dos Recursos Pesqueiros Lagunares e Estuários de Rio Grande (Ceperg), do Ibama, no endereço www.ibama.gov.br/ceperg.
28 de dezembro, 2006

PARÁ REGISTRA MAIOR NÚMERO DE CASOS DE TRABALHO ESCRAVO NO PAÍS
Foram registradas 26 ocorrências durante este ano no estado.
Esse número representa 35,5% do total de casos, segundo o Governo.

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará ajuizou neste ano um total de 26 ações criminais contra fazendeiros acusados de submeter trabalhadores a condições análogas às de escravos - 22 só no segundo semestre. De janeiro a dezembro, foram denunciadas 42 pessoas em 15 municípios, a maioria deles localizada nas regiões sul e sudeste do estado.

Em dezembro, o Ministério do Trabalho divulgou a nova atualização do cadastro de empregadores acusados de utilizar mão-de-obra em situação análoga à de escravos. São 170 empregadores, pessoas físicas e jurídicas, flagrados cometendo esse crime em 13 estados. O Pará lidera a lista do ministério, com 35,5% do total dos casos.

A cidade campeã, com o maior número de denúncias, foi Paragominas, com cinco casos. O município de Rio Maria, com três denúncias, ficou em segundo lugar na lista dos acusados de manter trabalho análogo à escravidão. Em terceiro lugar no ranking, empatados com duas denúncias cada um, ficaram os municípios de Abel Figueiredo, Dom Eliseu, Goianésia do Pará e Tomé-Açu.

O chefe da Procuradoria da República no Estado, Felício Pontes Júnior, informou que as ações dos procuradores contra a escravidão em fazendas paraenses serão intensificadas em 2007. “Não podemos deixar que esses casos aumentem porque eles implicam violações de direitos humanos. Mais processos, com certeza, serão ajuizados”, afirmou.
28 de dezembro, 2006

NO DF 10% DOS DETENTOS SOLTOS PARA O NATAL NÃO RETORNARAM

Do G1, em Brasília, com informações do Bom Dia DF

No Centro de Detenção Provisória da Papuda, penitenciária do Distrito federal, 332 presos que estão em regime semi-aberto foram soltos no último sábado (23) para passar a data com a família. Doze não voltaram e estão foragidos.

No Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), dos 88 internos que receberam o indulto de Natal, 27 desobedeceram à ordem de retornar ao centro na terça-feira (26). Um número considerado normal, já que todo ano 30% dos adolescentes liberados nessa época têm que ser recapturados.

Na última quarta-feira (27), um dia depois de vencido o prazo, o vice-diretor do Caje, Itamar Guimarães, enviou um ofício ao juiz da Vara da Infância e da Juventude com a lista dos menores que ainda estão em liberdade.

Depois de a Vara da Infância e da Juventude emitir mandados de busca e apreensão, cabe à Delegacia da Criança e do Adolescente sair em busca dos menores infratores. Muitos acabam voltando não pelo fato de existir um mandado contra eles, mas porque cometeram uma nova infração enquanto estavam nas ruas.

No ano passado, todos os que receberam indulto foram recapturados. Mas a desobediência tem um preço. O bom comportamento e o tempo que falta para cumprir a medida sócio-educativa, critérios observados na concessão do indulto, deixam de contar pontos para um novo benefício.

“Ocorre que, não voltando, quebra-se a confiança que o juiz depositou nesses internos. Ao serem reconduzidos para a unidade eles voltam para a estaca zero. É claro que eles terão interesse em sair novamente em outras datas comemorativas e o juiz vai avaliar se é conveniente ou não. Vai avaliar o comportamento que eles tiveram no Natal”, explica o vice-diretor do Caje.

A situação é semelhante no Centro de Internação de Adolescentes Granja das Oliveiras (Ciago), inaugurado este ano. Dos 16 adolescentes liberados, dois não retornaram.
28 de dezembro, 2006

ATESTADOS MÉDICOS FALSOS VIRAM CASO DE POLÍCIA NO

Do G1, em Brasília, com informações do Bom Dia DF

O trabalho do ortopedista Mivan de Macedo virou caso polícia há cinco anos. Não por problemas de conduta, mas por decisões carimbadas em nome dele. O médico trabalha no Hospital Regional de Sobradinho, cidade próxima de Brasília, de onde já sumiram carimbos e blocos de atestados médicos.

Os documentos foram usados para atestar doenças que nunca existiram e a verdade veio à tona em um local inusitado. “A pessoa começou a vender os atestados em postos de gasolina. Uma secretária da rede de postos, por sinal muito inteligente, comparou os atestados e viu que existia uma situação sinistra”, conta Mivan.

Os médicos da rede pública de saúde reclamam da falta de segurança interna. É impossível ficar o tempo todo no consultório. Há muitos pacientes para atender em diferentes alas dos hospitais. Nessa ausência, surge a oportunidade para o roubo de atestados.

“Os atestados ficam sobre a mesa e qualquer pessoa pode pegar. Claro que eles não ficam assinados! Mas todo mundo tem acesso aos formulários. Com formulários em branco e carimbos de médicos a pessoa fica com a faca e o queijo na mão”, confirma o ortopedista José França.

Cláudia Gomes, outra ortopedista, também já teve o nome usado em atestados falsos. Em um deles, por exemplo, o Código Internacional de Doenças (CID), tem quatro números. O padrão médico prevê apenas três.

“No meu caso, assim que eu olhei percebi que a letra não era minha. O documento tinha sido emitido do Hospital Regional de Taguatinga e eu nunca trabalhei ou fui plantonista do HRT”, diz Cláudia.

Fora dos hospitais existe uma facilidade enorme. Com uma câmera escondida, a equipe de reportagem do Bom Dia DF entrou numa loja e perguntou sobre a venda de carimbos médicos. Segundo a vendedora, não é preciso apresentar nada. Nem identidade, nem documento que comprove a profissão.

“Geralmente, a própria pessoa vem encomendar. Quando a pessoa pensa em falsificar ela traz um papelzinho e a gente nem aceita! E tem gente que tira cópia da receita!”, revela a vendedora.

O que deveria ser uma identidade se perdeu na falta de fiscalização. Não existe um formato ou tamanho de letra específico para carimbos médicos. Nos pontos de venda, não há uma lista dos profissionais registrados para comprovar a atividade. E até hoje não foi feito nenhum tipo de convênio para que esse comércio seja mais restrito e acompanhado.

É tudo livre. No Conic, centro comercial no centro de Brasília, informantes garantem que é possível conseguir atestados sem precisar de médico. Acompanhe o diálogo:
- O atestado é na moita! Como é que eu vejo isso?
- Às vezes aparece um ou outro aqui que faz. Mas essa questão é só com eles.
- Eles ficam direto aqui no Conic?
- Sempre aqui!
- A que horas eu acho eles?
- Geralmente na parte da manhã, cedo.
- De manhã é mais fácil achar? E você?
- Eu fico aqui de segunda a sábado.

Segundo o Conselho Regional de Medicina, o carimbo acabou se tornando mais uma tradição, já que nem a lei exige que ele esteja no atestado. A Polícia Civil trabalha em parceria com o órgão, mas nem um nem outro sabe dizer o número exato de casos de exercício ilegal da medicina por mês ou por ano. E o que é pior: não existe planejamento para resolver o problema.

“Eu acho que primeiro falta uma legislação, né?!”, admite a presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, Luciane Magalhães.

A equipe do Bom Dia tentou contato com a Secretaria de Saúde, mas não conseguiu resposta. A Polícia Civil informou que o combate a esse tipo de crime é difícil, já que nem todos os casos chegam às delegacias. A pena para o exercício ilegal da medicina é de seis meses a dois anos de prisão.
28 de dezembro, 2006

Principais aeroportos do país registram manhã tranqüila nesta quinta-feira
Governo deve divulgar hoje relatório sobre causas do apagão aéreo no Natal.
Empresas estão proibidas de fretar aviões, mas vôos já fretados estão mantidos.
Do G1, com informações do Bom Dia Brasil

O início da manhã foi tranqüilo nos principais aeroportos do país. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, não houve problemas. No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, quatro vôos tiveram atrasos de mais de uma hora. A expectativa é que o movimento aumente por causa do réveillon.

Quase três meses após o início da crise que se instalou no país, as autoridades do setor aéreo ainda não encontraram uma solução. O ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu o que muitos passageiros já tinham certeza: a TAM vendeu passagens além da capacidade dos aviões, ou seja, o caos na semana do Natal foi provocado por “overbooking”.

Na quarta-feira (27), as filas voltaram a aparecer no aeroporto de Brasília. O motivo foi a queda por meia hora do sistema da TAM que controla o embarque de passageiros. A empresa, no entanto, disse que o atendimento não foi afetado.

Nesta quinta-feira (28), o Ministério da Defesa deve divulgar o relatório que vai apontar as causas do apagão aéreo no Natal. Para tentar evitar que o problema se repita na véspera de Ano Novo, o Governo suspendeu os vôos charter. As empresas estão proibidas de fretar aviões, para evitar que faltem aeronaves nos vôos regulares.

"Houve faltas graves, não somente em relação a fretamentos, como em relação a ‘overbooking’. Vai haver sanções sérias; as sanções que a lei autoriza", afirmou o ministro da Defesa.

Os vôos que já foram fretados serão mantidos. Segundo Pires, está proibida a contratação de novos fretamentos. A direção da TAM não quis comentar as declarações do ministro.
28 de dezembro, 2006

TONELADAS DE PEIXES MORREM EM AFLUENTE DO TIETÊ

Milhares de peixes apareceram mortos nesta quarta-feira (27), em plena piracema, no Rio Itaim, afluente do Tietê, em Itu.

Só no trecho que corta a propriedade administrada pelo caseiro Orlando José Alexandre boiavam cerca de 13 toneladas de corimbatás, piavas e lambaris, esta manhã.

A Cetesb acredita que a mortandade foi causada por uma descarga de fundo da barragem de Pirapora, no Rio Tietê, que soltou lodo contaminado rio abaixo.
28 de dezembro, 2006

AMAZÔNIA PODE FICAR OITO GRAUS MAIS QUENTE EM 2100, AFIRMA INPE
No Sudeste brasileiro, efeito seria menos pronunciado.
Estudo vai para o Ministério do Meio Ambiente em fevereiro.

Daqui a cem anos a temperatura média da Amazônia poderá estar 8° C acima da atual, com volume de chuva 20% menor. Esse é um dos cenários traçados pelo meteorologista José Antonio Marengo, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe). Há dois anos ele coordena um estudo que deve ser entregue em fevereiro para o Ministério do Meio Ambiente, sobre os efeitos do aquecimento global no país.

“O Brasil é um país vulnerável às mudanças climáticas e algo tem de ser feito para se evitar catástrofes futuras”, alerta. A pesquisa, que segue até 2010, recebe investimento de cerca de R$ 800 mil e deve mostrar como ficará o clima no país nos próximos cem anos. São recursos do Programa de Biodiversidade, do Banco Mundial e do governo britânico que financiam os estudos climáticos feitos pela equipe do CPTEC.

O primeiro relatório do grupo de pesquisadores aponta que poderá haver uma elevação de temperatura de até 8°C e redução no volume de chuva em 20% na Amazônia. “Essa projeção é para um cenário pessimista, se não se respeitar o protocolo de Kyoto, se continuar o desmatamento desenfreado, por exemplo”, diz Marengo. Neste caso, a floresta amazônica atingiria um ponto de saturação em que não poderia mais absorver gás carbônico. “Deixa de ser floresta, passa a ser cerrado”, explica o pesquisador.

“Se a poluição for controlada e o desmatamento reduzido, a temperatura terá subido cerca de 5°C em 2100, mas somente na Amazônia. Teremos menos chuva, mas o Brasil vai continuar sendo um país tropical.”

Sudeste
A projeção feita pelos meteorologistas mostra que no Sudeste pode haver redução na umidade do ar e que também choveria cerca de 10% a menos. “Mas as temperaturas não subiriam mais que 3°C num cenário otimista e 5°C num cenário pessimista. As chuvas serão mais fortes, com tempestades mais severas.”

Entre as medidas que devem ser adotadas desde já para se evitar tais conseqüências estão a redução da poluição proveniente de veículos por meio do uso de combustíveis como álcool e gás natural e a redução nos desmatamentos e queimadas. “O ideal seria investir em energia eólica, em energia solar. Se a chuva não chega e a temperatura aumenta, as pessoas começam a recorrer a ar-condicionado e outros recursos que gastam energia elétrica”, explica o pesquisador. “Isso levaria ao caos.”
28 de dezembro, 2006

PMDB SE REBELA CONTRA RENAN E SARNEY E APÓIA CHINAGLIA
Peemedebistas se articulam em torno da candidatura de Chinaglia.
Calheiros (AL) e Sarney (AP) trabalham pela reeleição de Aldo Rebelo.

Da Agência Estado

Senadores Renan Calheiros e José Sarney O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP) atravessam a virada do ano como os peemedebistas de maior prestígio com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, mas começarão 2007 enfrentando rebelião da bancada de deputados contra sua hegemonia de poder sobre a Câmara.

Convencidos de que os dois senadores trabalham pela reeleição do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deputados do PMDB de 12 estados estão se articulando em torno da candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), só para impor uma derrota à dupla.

Esse grupo, que hoje é majoritário na Câmara, reconhece que Renan e Sarney são os grandes beneficiários da estratégia adotada pelo Palácio do Planalto na reforma ministerial. Embora líderes petistas e ministros influentes, como Tarso Genro, das Relações Institucionais, tenham trabalhado para que o presidente Lula apressasse as mudanças na equipe e começasse o segundo mandato com um governo de cara nova, quem venceu o jogo de pressão foram os dois senadores do PMDB.

Eles pregaram o adiamento da reforma do ministério para depois da sucessão no Senado, temerosos de que as escolhas do presidente gerassem insatisfações na base aliada e Renan pagasse a conta na hora da reeleição.

Além de evitar que a sucessão no Senado ficasse sujeita à habilidade presidencial na montagem da equipe, Renan ganha dobrado com o adiamento das mudanças. Um deputado que lhe faz oposição adverte que, uma vez na cadeira de presidente por mais dois anos, Renan reforçará sua força perante o Planalto na negociação da partilha do poder no governo de coalizão.

O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e vários líderes informais do partido, como o deputado Geddel Vieira Lima (BA), defendem a candidatura de Chinaglia a presidente da Câmara em nome da proposta de rodízio entre os dois partidos.

O acordo, assinado pelo presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, prevê o apoio do PMDB a Chinaglia agora, em troca do compromisso dos petistas de apoiar o candidato peemedebista a presidente da Casa, daqui a dois anos.
28 de dezembro, 2006

27 dezembro, 2006

EMPRESA BRASILEIRA VENDE MINICARRO DE LUXO NOS EUA
Após investimento de US$ 350 mi, Obvio! inicia produção em 2008. Ecológicos, modelos vão funcionar a gasolina, álcool ou gás natural.

Fernando Scheller, do G1, em São Paulo

Modelo 828: US$ 28 mil nos EUA
O empresário Ricardo Machado, um carioca de 46 anos formado em direito e apaixonado por carros, decidiu se arriscar em um mundo de gigantes, o das montadoras. A partir de 2008 começa a produzir o Obvio!, um carro de três lugares, tricombustível (funciona a gasolina, álcool e gás natural) e, segundo seu criador, com mais potência que seus concorrentes. "Os carros Smart precisavam de uma versão mais esportiva e ecológica", disse ele, se referindo aos modelos "minis".

A idéia ressoou bem no mercado internacional. Após participação em algumas feiras, Machado afirma que o carro tem distribuição garantida nos Estados Unidos: são 50 mil unidades, que chegarão à América do Norte em 2008. Com os contratos já fechados, o empresário diz que a montadora, além de criar 4 mil empregos, transformará o Rio de Janeiro no segundo maior produtor de automóveis do Brasil. O investimento total do negócio será de US$ 350 milhões. Em entrevista ao G1, Machado, que foi destaque em matéria de duas páginas da edição de fim de ano da revista norte-americana "Newsweek", falou mais sobre as ambições da montadora Obvio!. Leia os principais trechos:

G1: Como surgiu a idéia de produzir os carros para o mercado norte-americano, com o conceito ecológico?

Ricardo Machado: A idéia foi minha e do meu sócio, Anisio Campos. A Obvio! não é nem pretende ser uma montadora convencional. É uma empresa de "brand", que define seus produtos e administra os processos de desenvolvimento, engenharia, tecnologias e fabricação, produzindo carros urbanos de três passageiros para exportação, de alta segurança e performance. O projeto reflete empresas que quebraram paradigmas de mercado, como a Gol Linhas Aéreas, a Embraer e a Dell Computadores. Somos a primeira empresa fabricante de automóveis brasileira voltada para exportação. Participamos de quatro feiras internacionais nos EUA, onde a ZAP (Zero Air Pollution, distribuidora exclusiva da Obvio! nos Estados Unidos) recebeu pedidos de 700 pedidos de empresas interessadas em revender nossos produtos. Fomos convidados para Xangai, na China, onde a Obvio! negocia a exportação de partes para montagem de automóveis na China.

G1: O senhor acredita que vai atender a um mercado específico nos EUA ou os carros da Obvio! poderão, com o tempo, competir com as grandes montadoras?

Machado: Não competimos em hipótese alguma com grandes montadoras, somos carros de nicho, voltados para o mercado de luxo e com o máximo de 200.000 unidades produzidas ao ano. O volume de vendas de carros de passageiros nos EUA é de 7 milhões de unidades anuais.

G1: Como a Obvio! e a ZAP vão "se vender" nos EUA? Qual será o principal atrativo, a ecologia ou o preço?

Machado: O design inovador conjugado com a ecologia são nossos principais destaques, não buscamos preço baixo e alto volume. O design inovador e a proporção chama muito a atenção do público. Nossos veículos atenderão ou excederão as exigências de segurança e poluição de EUA, Europa e Japão. Não é nosso risco ou preocupação a formatação das vendas nos mercados dos distribuidores, que pagam adiantado pelos carros que serão produzidos. Nossa preocupação é com a qualidade e acabamento. Os investimentos e orçamento de mídia são baixos, pois nossos carros geram notícias em quase toda a mídia americana e européia.

G1: Em termos mecânicos, a Obvio! pretende atender ao cliente que busca que tipo de carro?

Machado: A melhor definição para nós foi a de um revendedor na Califórnia: "brinquedos para ricos", definição com a qual concordamos. Ao verificarmos que existia esse nicho não ocupado pelas fabricantes de micro-carros esporte de três lugares, criamos os carros em dois tamanhos e potências variadas, todos com alta segurança para os passageiros.

G1: Os carros serão produzidos no Rio de Janeiro. O quanto de tecnologia brasileira a Obvio! tem?

Machado: Usamos 85% de peças existentes nos carros fabricados no Brasil, apesar de atuarmos em um mercado diferente. Desenvolvemos um negócio baseado em pré-vendas, sustentado por cartas de crédito e assinamos um contrato de 21 anos com a ZAP, da Califórnia, para a entrega de um mínimo de 50.000 unidades ao ano. Estamos em avançadas negociações com empresas da Europa que aceitaram o modelo de parceria e querem 70.000 unidades. Nos mesmos moldes, negociamos 30.000 veículos ao ano para o Japão.

G1: O sr. acha que a popularização de carros como o da Obvio! incentiva programas de etanol, como o álcool brasileiro?

Machado: Perfeitamente. Quando fizemos nosso primeiro salão em São Francisco, em novembro de 2005, levamos uma delegação do governo do Rio de Janeiro e um analista de mercado da Petrobras. Primeiramente, lançamos os carros movidos a etanol (álcool) e gasolina, e eles foram um verdadeiro furor no salão. Tivemos que isolar os carros do público e 50 mil folhetos foram entregues em dois dias. Criamos a idéia de um tratado de "estados Irmãos" entre a California e o Rio de Janeiro e queremos dar continuidade à idéia, com o apoio da Petrobras. A empresa o que deu errado no programa do álcool brasileiro (nos anos 80) e é importante para nós que os novos usuários do combustível não enfrentem problemas.

G1: O sr. tem a intenção de fornecer também para o mercado brasileiro? O sr. acha que há espaço para a Obvio! aqui, mesmo com os flex fuel tão popularizados?

Machado: O mercado brasileiro tem potencial pequeno para a Obvio!, estimada em 500 unidades anuais. No Brasil, nosso apelo não é o combustível ecológico, mas a inovação em design. Os eventuais brasileiros interessados poderão adquirir os veículos diretamente no site da ZAP, distribuidor nos Estados Unidos. Após o pagamento dos impostos de exportação, que elevará os preços para US$ 30 mil, para o modelo 828, e para US$ 60 mil, no 012, os clientes locais poderão retirar as unidades diretamente no Rio de Janeiro. (Nos EUA, os dois modelos custarão, respectivamente, US$ 14 mil e US$ 28 mil) Em outubro de 2005, foi celebrado o contrato com a ZAP, que passou a ser proprietária de 20% da empresa, transformando a Obvio! em sociedade anônima. Com o contrato de 50 mil veículos, a Obvio! será a maior empresa exportadora de veículos do Rio de Janeiro e transformará o estado no segundo maior produtor de veículos do país.

G1: A produção da Obvio! funcionará de maneira diferenciada, com base em carteira de pedidos. Como funciona o sistema?

Machado: A Obvio! não produz em massa para tentar vender depois, como fazem as montadoras tradicionais. Ela produz só o que já está vendido, conforme definido com as equipes de fornecedores. É um sistema chamado "build to order" que a empresa desenvolveu e patenteou. O cliente da Obvio! é sempre o distribuidor dos veículos, que vende e presta assistência técnica ao cliente final, amparado pela Obvio!. Toda a operação é feita pela internet, sem a necessidade de papelada. Para estruturar a implantação do projeto, que terá custo de US$ 350 milhões, foi contratado o BES Investimentos do Brasil, banco de investimentos do Banco Espírito Santo.
27 de dezembro, 2006

TAM E INFRAERO TROCAM ACUSAÇÕES SOBRE COLAPSO NOS VÔOS
Companhia diz que sistema da estatal caiu na semana passada.
Anac e Governo examinam causas da crise aérea.

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal Hoje

A Infraero, estatal que administra os aeroportos, e a TAM trocam acusações sobre o caos nos terminais aéreos, que começou na última quarta-feira (20). A TAM diz que um dos principais motivos para os atrasos ocorreu na semana passada com a queda no sistema de comunicação com a estatal. Um relatório da Infraero diz exatamente o contrário: que o sistema dela não teria falhado. A queda teria ocorrido apenas na rede da companhia aérea.


Nesta quarta-feira (27), o sistema que concentra o sistema de dados da companhia aérea deixou de funcionar de novo. Segundo a TAM, o problema começou às 10h50 e ficou parado por 33 minutos, mas não causou grande impacto no tráfego aéreo, já que foi substituído por procedimentos manuais. Balanço da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que, dos 637 vôos marcados entre zero hora e 10h30, 98 atrasaram _o equivalente a 15,3% das operações. Vinte decolagens foram canceladas. As filas aumentaram nos balcões do check-in em Brasília e no Rio, mas, até o início desta tarde, não há registro de tumultos.

O mais novo capítulo na briga entre a TAM e a Infraero ocorreu nesta manhã, quando a empresa divulgou um relatório da Telemar que indica que houve falha na rede local da Infraero na semana passada. Já a estatal informou que só às 19h do dia 20, quando houve a pena, a TAM teria pedido ajuda. O relatório diz que o problema foi resolvido em 15 minutos.

A Anac continua investigando os motivos do colapso da semana passada. Funcionários da Anac estão realizando auditoria na TAM e vistoria em outras companhias aéreas durante esta semana.

O Governo federal também pretende examinar a crise aérea. O ministro da Defesa, Valdir Pires, convocou uma reunião para esta tarde com representantes da Anac, da Aeronáutica, da Infraero, das companhias e representantes do setor de turismo para discutir o assunto e traçar um plano para evitar novos problemas no ferido do réveillon.
27 de dezembro, 2006

26 dezembro, 2006

ATUAL LEGISLATURA BATE RECORDE DE TROCAS DE PARTIDO
Em 4 anos, 195 dos 513 deputados trocaram de partido.
Há casos de parlamentares que fizeram até 7 mudanças de sigla.

Como se não bastasse o recorde de deputados envolvidos em escândalos, a atual legislatura da Câmara, iniciada em 2003, chega ao fim como a campeã de parlamentares infiéis. Nestes quatro anos, trocaram de partido 195 dos 513 deputados - 38% do total. Esses parlamentares fizeram 345 mudanças partidárias, segundo levantamento da Secretaria-Geral da Câmara. Na legislatura anterior (1999-2003), 174 fizeram 281 trocas de legenda.

Na legislatura que termina em fevereiro, houve mais mudanças no ano seguinte à primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no ano anterior a sua disputa pela reeleição. Em 2003, houve 151 trocas, envolvendo 117 deputados. Em 2005, foram 156 mudanças feitas por 94 parlamentares - uma troca de partido a cada 2,4 dias, em média.

Há casos de deputados que fizeram até sete mudanças de sigla nesta legislatura. Alguns ficaram apenas um ou dois dias em uma legenda.

A fidelidade partidária, instrumento legal que pune o parlamentar infiel com a perda de mandato, já está prevista na Lei dos Partidos Políticos, mas é ignorada. Tornou-se um dos principais pontos da reforma política, mas não vai além da retórica dos políticos. A própria reforma, apontada como prioridade do Congresso a cada nova legislatura, não avança.

Os escândalos de corrupção envolvendo o governo Lula e a base aliada no Congresso provocaram mudanças pontuais nas regras de campanha, para tentar evitar o caixa 2, mas não diminuíram as campanhas milionárias.

A cláusula de barreira, que valeu nas eleições de 2006, foi derrubada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O instrumento, criado para evitar a proliferação de partidos nanicos de aluguel, exige desempenho mínimo das legendas para terem direito a recursos do fundo partidário, horário gratuito na TV e a presidir comissões no Congresso. Foi considerada inconstitucional pelo Supremo.

No troca-troca da 52ª Legislatura, 47 parlamentares dos oposicionistas PSDB e PFL passaram para partidos governistas. Só em 2003, primeiro ano da legislatura, 34 transitaram da oposição para a situação, número que contribuiu para reforçar as denúncias do deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que parlamentares receberam propina para reforçar a base aliada.

Camisas
Outro fenômeno da infidelidade partidária retratado nos números da secretaria-geral da Câmara é a grande quantidade de mudanças de legenda nos dias que antecedem a posse. Garantida a eleição, muitos parlamentares trocam de partido antes mesmo de iniciarem os mandatos. Foi o que aconteceu com 44 deputados reeleitos e novatos em janeiro de 2003. Outros seis parlamentares trocaram de partido no dia da posse.

"Essa temporada, a meu ver, é nefasta", diz o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, referindo-se ao período entre a eleição e a posse dos parlamentares. "Acima do candidato eleito, está o partido que respaldou a candidatura. Depois de eleito, o candidato não pode, no dia seguinte, numa vontade isolada, mudar de camisa."

Para Marco Aurélio, a Lei dos Partidos Políticos já é clara o suficiente ao prever a perda "de função ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legislativa, em virtude da proporção partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda tenha sido eleito", como diz o artigo 26. "Acredito que essa questão está reclamando um pronunciamento do Supremo Tribunal Federal", diz o ministro, também integrante do STF.

Para que haja uma decisão do Supremo sobre punição a parlamentares infiéis, é preciso que seja feita uma consulta ao tribunal, como aconteceu com a cláusula de barreira. "Para mim, está claro que, a rigor, o parlamentar não pode mudar de partido. Uma coisa é surgir uma incompatibilidade, outra é a cooptação, sempre condenável", diz o presidente do TSE.

Por conta dessa incompatibilidade, cinco deputados trocaram o PT pelo PSOL, em outubro de 2005. Orlando Fantazzini (PSOL-SP) não conseguiu ser reeleito pela nova legenda. "Minha vida inteira foi no PT. Não é fácil falar 'vou embora'. Mas é preferível perder o mandato e ficar com a cabeça erguida do que ter de ficar o tempo todo justificando o que não tem justificativa", diz Fantazzini.

26 de dezembro, 2006

ALA TUCANA QUER FAZER DE FHC PRESIDENTE DO PSDB
Partido escolherá nova direção em outubro.
Mas presidente Tasso Jereissati admite antecipar.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Uma ala do PSDB está operando para antecipar o processo de escolha do novo presidente do partido, previsto para outubro, e colocar no cargo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Com o argumento de que é preciso reformular a legenda, que sofreu duas derrotas consecutivas ao Palácio do Planalto -- com José Serra em 2002 e Geraldo Alckmin este ano --, o grupo também pretende neutralizar o poder de comando dos presidenciáveis Serra, Alckmin e do governador reeleito de Minas, Aécio Neves.

"Ou o PSDB coloca o FHC ou o partido está morto", avalia um importante senador. Para ele, além de ser o mais qualificado político tucano, FHC é o nome ideal para atuar na linha de frente do que chama de repaginação da sigla.

O atual presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), já sinalizou não ver problema em antecipar o processo interno de sucessão. Enquanto isso não acontece, fez um sinal para FHC, convidando o ex-presidente para coordenar um congresso da sigla previsto para ocorrer entre abril e maio de 2007. A idéia é que o evento sirva para dar o pontapé inicial no projeto de reconstrução.

"Todo mundo sabe que o partido precisa ser reorganizado. Ninguém melhor que o Fernando Henrique para fazer isso", afirma outro tucano com trânsito na cúpula tucana. "O PSDB está dividido e Fernando Henrique é o único que pode ser guarda-chuva."

A avaliação de vários tucanos é que a gestão de Tasso foi temerária. "Ele é um grande político, mas sem a abrangência nacional que tem alguém como Fernando Henrique", diz um líder tucano. O ex-presidente está ciente da movimentação para que assuma o posto máximo do partido, mas tem se esquivado. Prefere não ter compromissos partidários, mas está consciente de que muito provavelmente terá que assumi-los. Oficialmente, não admite a hipótese de comandar o PSDB.

Além de FHC, outros tucanos vêem na presidência uma chance de manter ou aumentar seu cacife político. Um deles é o ex-governador de Goiás Marconi Perillo - eleito senador em outubro -, que identifica no cargo a possibilidade de nacionalizar seu nome. Candidato derrotado ao Planalto, Alckmin não se entusiasma com a possibilidade de presidir o PSDB. Só o faria para manter-se na mídia, a exemplo de Serra após a eleição de 2002. O objetivo do ex-governador de São Paulo - depois de encarar temporada de estudos nos Estados Unidos - será disputar a prefeitura paulistana em 2008.

Na linha de frente dos tucanos que defendem uma repaginação no partido está o senador Antero Paes de Barros (MT). "O PSDB saiu da eleição com a bandeira da ética, mas precisa reafirmar suas propostas na área social e se inserir junto a movimentos importantes", avalia. Para ele, é necessário aproximar-se de movimentos pela reforma agrária e educação. “Essa discussão é imprescindível se o PSDB quiser revalidar o futuro”, afirma.

26 de dezembro, 2006

POPULAR NA FRANÇA, LULA É MAL AVALIADO NA INGLATERRA
Pesquisa apurou prestígio de líderes mundiais na Europa e nos EUA.
Melhor desempenho do brasileiro é na Espanha: 47%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o segundo mais popular político mundial, na avaliação de espanhóis e franceses, e um dos mais mal avaliados nos Estados Unidos e na Inglaterra.

O levantamento apurou o prestígio dos líderes mundiais e foi feito pelo Instituto Novatris/Harris Interactive, a pedido do recém-inaugurado canal internacional de notícias France 24.

Das 1.998 pessoas ouvidas na Espanha, 47% têm boa ou muito boa impressão do presidente brasileiro. O quadro se repete na França, onde 41% dos 2.140 entrevistados avaliam bem ou muito bem a gestão de Lula. Nos dois países, o brasileiro perde em popularidade apenas para a primeira-ministra alemã, Angela Merkel.

Em contrapartida, é também na Espanha que Lula tem o maior índice de rejeição: 33% dos entrevistados não gostam de sua gestão, contra 24% dos italianos e 23% dos alemães.

O resultado reproduz as disputas regionais entre partidos e políticos de esquerda e direita, o que demonstra que a opinião pública internacional associa a imagem de Lula ao socialismo ou à social-democracia.

Lula x Chávez
Na disputa com o presidente venezuelano Hugo Chávez, Lula é mais popular em cinco dos seis países que constam da pesquisa. Apenas os ingleses têm melhor impressão de Chávez: 11% de apoio. Na Inglaterra, Lula tem 9% de apoio e só aparece com melhor avaliação do que o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, citado por apenas 5% dos entrevistados.

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, países onde Fidel Castro e Ahmadinejad são os mais impopulares, o presidente Lula também apresenta o maior índice de indiferença: 72% dos entrevistados disseram não ter opinião sobre o brasileiro.

O objetivo do levantamento era descobrir a opinião de cidadãos de cinco países europeus - França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha - e dos Estados Unidos sobre temas políticos atuais como a guerra civil no Iraque, a pena de morte imposta ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e o prestígio dos principais líderes mundiais.

Neste último tópico, o presidente Lula participa da lista que inclui, além dos políticos já citados, outros nomes como os presidentes George W. Bush (Estados Unidos), Jacques Chirac (França), Fidel Castro (Cuba) e Vladimir Putin (Rússia), além do primeiro-ministro inglês Tony Blair e até o Papa Bento XVI.
26 de dezembro, 2006

ACM CONTESTA PREJUÍZO EM EMPRESA DE FILHO DE LULA
Senador costuma criticar transação entre Gamecorp e Telemar.
Balanço de 2005 aponta prejuízo de R$ 3,479 milhões da Gamecorp.

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) afirmou nesta segunda-feira (25) que, na sua opinião, um contador ligado ao "valerioduto" deve ter sido o responsável pelo balanço de 2005 da Gamecorp, que registrou prejuízo de R$ 3,479 milhões. A empresa tem entre seus sócios Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. O mau resultado financeiro da empresa aconteceu no mesmo ano em que a Telemar virou acionista da companhia, comprando 35% de participação por R$ 2,5 milhões.

ACM tem sido um severo crítico da transação entre a Gamecorp e a Telemar. Em discursos seguidos no plenário do Senado, ele costuma levantar suspeitas sobre a operação. Disse que o balanço reforça essas suspeitas. "É inacreditável que tenha havido prejuízo. Pelo que sabemos, a empresa está envolvida em muitos projetos e deveria ter lucros muito grandes. Acho que tem algo errado aí e o contador que conseguiu registrar esse prejuízo deve ser o mesmo do 'valerioduto", disse o senador.

"Valerioduto" é como ficou conhecido o caixa 2 do PT, montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. Resultou no escândalo do mensalão, o maior do governo Lula, pelo qual foram cassados os mandatos de deputado do ex-ministro José Dirceu (PT-SP), do presidente do PTB, Roberto Jefferson (SP), e do ex-presidente do PP Pedro Corrêa (PE).

A Gamecorp nasceu com capital de R$ 10 mil. Em 2005, logo depois da operação de compra de parte da empresa pela Telemar, os sócios da Gamecorp aumentaram o capital da companhia em mais R$ 2,7 milhões, depois de entrada dos recursos da Telemar e da garantia de exclusividade pelo conteúdo do que produzissem. No ano passado a Telemar investiu mais R$ 5 milhões na Gamecorp.

A empresa foi criada em outubro de 2004. Produz conteúdo para o público jovem, principalmente dicas para jogos de videogame. Aluga espaço na grade da PlayTV, antiga Rede21, da TV Bandeirantes. Os sócios originais da Gamecorp eram Fábio Luís, os irmãos Kalil e Fernando Bittar e Leonardo Badra Eid.
26 de dezembro, 2006

RORAIMA E RONDÔNIA TERÃO QUASE R$ 1 BI DO ORÇAMENTO
Valores equivalem aos de São Paulo, de população 20 vezes maior.
Provisão superou em 800% o proposto inicialmente pelo governo.

Agência Estado

O relator-geral do Orçamento de 2007, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e o novo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), amealharam R$ 934 milhões das verbas de investimento federal do próximo ano para seus Estados - quase dez vezes mais do que o inicialmente reservado pelo governo na proposta enviada ao Congresso, em agosto passado.

O valor previsto na lei orçamentária para os dois ex-territórios é tão desproporcional ao seu tamanho que quase empata com o de São Paulo, que tem uma população 20 vezes maior e foi contemplado com R$ 1,07 bilhão.

A provisão de recursos no Orçamento não é uma garantia de execução dos investimentos por parte do governo, mas - como dizem alguns parlamentares - quem põe mais balas no tambor sempre tem mais chances de acertar o alvo. Historicamente, os parlamentares do PMDB e, especialmente, os do norte do País - aí incluído o Maranhão - têm tido grande influência na Comissão de Orçamento. Com isso, conseguem aprovar mais emendas que beneficiam suas bases eleitorais.

Neste ano, o relator-geral e os relatores setoriais aprovaram R$ 14,9 bilhões em emendas, o maior volume da história recente dos Orçamentos. Desse total, R$ 3,5 bilhões são de emendas individuais igualmente divididas entre todos os parlamentares, com R$ 6 milhões para cada. Ocorre que outros R$ 11,4 bilhões são emendas coletivas disputadas a tapa pelas diferentes bancadas estaduais e regionais.

Como as demandas sempre superam os recursos disponíveis, cabe aos relatores setoriais do Orçamento e ao relator-geral definir onde alocar o dinheiro das emendas coletivas. Neste ano, por exemplo, o relator da área de infra-estrutura foi o deputado Pedro Novais (PMDB-MA), um dos mais antigos e influentes integrantes da Comissão de Orçamento.

Resultado: as verbas de investimento do Maranhão pularam de R$ 299,7 milhões na proposta inicial do governo para R$ 705,4 milhões no substitutivo aprovado pelo Congresso na última sexta-feira - uma expansão de 135,4%.

Mas nada se compara à performance de Roraima e Rondônia, que obtiveram 882% e 820% a mais do que o governo tinha proposto inicialmente. O Estado de Rondônia tinha R$ 60,6 milhões para investimentos antes das emendas e acabou com R$ 557,5 milhões. Roraima começou com R$ 38,4 milhões e terminou com R$ R$ 376,9 milhões. Isso equivale a R$ 934,44 por habitante do ex-território. Em São Paulo, o Orçamento de investimento é de R$ 26 per capita.

26 de dezembro, 2006

NOVAS ENCICLOPÉDIAS VIRTUAIS AMEAÇAM REINADO DA WIKIPEDIA
Sites querem dar mais credibilidade ao conteúdo on-line.
Citizendium vai revisar e “aprovar” informações da Wikipedia.

O sucesso da enciclopédia virtual Wikipedia, que permite a qualquer internauta introduzir ou modificar artigos, está ameaçado pela aparição de novas iniciativas como a Citizendium e a Scholarpedia, que pretendem oferecer informação com mais confiabilidade e seriedade.

Mas destronar a gigante Wikipedia não será tarefa fácil: em apenas três anos e meio, o site conseguiu acumular um milhão de artigos em 50 idiomas, com a colaboração de dez mil editores. Ainda assim, a Wikipedia apresenta muitas falhas -- entre elas o fato de qualquer um poder introduzir textos sem revisão, o que pode comprometer a qualidade de seu conteúdo.

Isso provocou nos últimos meses a aparição de outros projetos que enfatizam a busca de comprovação de cada um dos artigos publicados on-line. A Scholarpedia, por exemplo, só permite a divulgação de artigos de especialistas convidados -- que também se tornam revisores de seus próprios textos. Com isso, quando algum usuário quer modificar, ampliar ou corrigir um artigo, o texto final deverá ser autorizado pelo especialista que o redigiu inicialmente.

Muito mais exigente é a Citizendium, idealizada como um banco de artigos e referências aberto à colaboração de qualquer usuário da internet, mas sob a chefia de editores especializados que devem usar seus nomes reais. Curiosamente, esta iniciativa em fase de testes lançada há algumas semanas é liderada pelo co-fundador da Wikipedia, Larry Sanger. Após ver seu projeto crescer durante cinco anos, ele passou a ser um de seus principais críticos.

"A Wikipedia teve grande sucesso, mas é possível melhorar muito", disse Sanger quando anunciou o novo projeto. A Citizendium, que se estabelecerá como uma organização independente e sem fins lucrativos, prevê uma "separação gradual e progressiva" da Wikipedia em inglês. Porém, inicialmente o conteúdo será copiado e revisado pelos editores.

"A incorporação de editores e eliminação das contribuições anônimas melhorará o conteúdo da Wikipedia, que é extremamente útil, mas freqüentemente falho. O resultado será não só enorme e de graça, mas confiável", aponta Sanger. A meta final da Citizendium será melhorar ou até substituir o conteúdo da Wikipedia -- seus revisores darão o selo de "aprovado" aos artigos que considerem de qualidade.

Apesar de se encontrar ainda apenas em fase de teste, apoiado em uma plataforma tecnológica gratuita, a Citizendium já conta com cerca de 340 membros em seu fórum virtual, onde as discussões se concentraram em quais deveriam ser suas diretrizes. A participação no projeto piloto é feita sob convite.

A Wikipedia foi fundada há cinco anos por Sanger e Jimbo Wales. Alguns artigos de imprensa afirmam que o nascimento de Citizendium parece ser uma resposta à velha rivalidade entre ambos. Contudo, alguns especialistas apontam que, com o tempo, essa suposta rivalidade beneficiará igualmente a todos, já que a coexistência do "amadorismo" da Wikipedia com o "profissionalismo" da Citizendium poderia contribuir para o nascimento da "tão sonhada refinada enciclopédia" gratuita.
26 de dezembro, 2006

Lá vem chegando o... futuro

Os fins dos anos deveriam ser como qualquer fim de mês. Mas nossos rituais de passagem que fazem com que não sejam... e um destes rituais é imaginar como serão os próximos meses, ou o ano novo.

É muito difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro. A frase de Niels Bohr (prêmio Nobel de Física de 1922) revela parte da complexidade de lidar com o futuro. Mas, como nós todos viveremos (ainda) uma boa parte de nossas vidas por lá, vale a pena arriscar alguns palpites sobre o que pode -- e não sobre o que vai -- acontecer nos distantes idos de 2007. Lembrando, claro, que nunca ninguém volta às previsões do fim do ano anterior quando se faz um balanço do que verdadeiramente aconteceu no ano que passou.

Aliás, o que aconteceu no ano que passou? A Vivo “mudou” para GSM, por exemplo, o que não era nenhuma novidade. Todas as operadoras do Brasil e quase todas, no mundo, que ainda estão na segunda geração de celulares usam GSM (a Vivo usava, e ainda usa, em boa parte, CDMA). Muitos comentaristas previam, e há muito tempo, que a Vivo, na prática, não tinha escolha, principalmente depois que alguns dos principais fabricantes de celulares do mundo anunciaram que não ofereceriam mais aparelhos CDMA.

Este era o tipo da previsão fácil de fazer há vários, pelo menos quatro, anos: “este ano a Vivo vai desistir da plataforma CDMA” . Mas só aconteceu em 2006 e, em verdade, levará anos para acontecer, pois há muitos, muitos milhões de usuários de CDMA, como ainda os há de TDMA, noutras operadoras, tecnologia da primeira geração digital, que pode levar de três a cinco anos para desaparecer completamente...

Outras coisas importantes aconteceram em 2006, claro, e pouca gente previu: a fusão Americanas.com/Submarino.com foi uma delas, indicando que investidores no negócio de varejo virtual querem competir com o varejo de pedra e cal. E muitas outras coisas não aconteceram, e algumas delas até foram previstas, como o Brasil não ter progredido muito nos índices mundiais de inclusão digital. Aliás, desde 2004, quando o índice da revista “The Economist” começou a ser computado, nós saímos do 36º, perdendo dois lugares no segundo ano e mais três no terceiro, para acabarmos em 41º em 2006.

Isso importa? Se sim, que previsões podemos fazer para 2007? Será que vamos cair mais alguns lugares? A primeira resposta é sim, isto importa muito, pois mede quão preparado o país está para o mundo e economia digitais. A segunda é talvez, segundo a boa norma estabelecida por Bohr. A ameaça mais próxima é a Argentina (claro!) em 42º lugar; o Chile (31º) e o México (39º) já nos passaram e parece que não temos chances de alcançá-los. E o problema não é que o Brasil não avança, é que os outros estão indo mais depressa, como de resto é qualquer competição.

Nós avançamos muito em computadores pessoais neste ano; pelo menos em computadores pessoais que a Receita Federal vê, destes que pagam impostos ou são isentos deles. A diminuição da fúria arrecadatória sobre o principal instrumento de digitalização real da sociedade, que ainda é o PC (daqui a quanto tempo vai ser o celular? Faça sua previsão...) aumentou consideravelmente o número de computadores vendidos legalmente no Brasil, o que não significa que o número de computadores vendidos, no total, tenha aumentado significativamente. Se bem que, segundo analistas de mercado, serão vendidos sete milhões de PCs em 2006 (contra 5,4 milhões em 2005), 50% dos quais nas “feiras do Paraguai” do Brasil (que desovaram cerca de 70% das máquinas em 2005). Difícil é saber quão precisa é a medida da sonegação e do contrabando...

Deixando tais preciosidades prá lá, por enquanto, isso pode mesmo ter sido uma evolução, este ano. Pode nos deixar fazer a previsão de que mais brasileiros, pessoas físicas e empresas, terão acesso à internet e seu conteúdo e serviços, como consumidores e provedores. Quantos? Segundo a PNAD 2005, somente 10% dos brasileiros tinham acesso diário à internet. Assuma que metade dos sete milhões dos PCs vendidos este ano são “novos” (não substituem um já existente, com acesso à rede) e que cada um é usado por pelo menos duas pessoas. Arredonde, dobre o número para 2007 e... conclua que... no fim de 2007... 15% dos brasileiros estarão na internet? 5% de nós, a mais, na rede, todo dia, seriam uns dez milhões de pessoas, coisa que dá muito bem pra fazer com cinco milhões de PCs a mais.

O problema é que a conta da internet discada pode ser muito maior que a prestação do PC e a banda larga, conta fixa, disponível só aqui e ali, não vai nem tão cedo ter preço e cobertura pra botar este povo todo na rede. Ou todas as micro e pequenas empresas que precisam de internet para seus negócios... isso porque as médias e grandes já estão na rede. Resultado: o chute, feito nas mesmas bases da PNAD 2005, para o número de brasileiros na rede em 2007 fica limitado aos 15% do nosso faz-de-conta acima, 1% a mais ou a menos. Fim do ano que vem, se vocês lembrarem, podem me cobrar o erro na previsão, e tomara que eu esteja errando pra muito menos.

Com tanta, ou tão pouca, gente na rede (pelo menos aqui no Brasil), o que é que eles vão fazer? Ah... este é o resto da previsão, que é o que todo mundo que eu conheço, no mundo inteiro, está tentando fazer. Pra onde vai a mobilidade e o mercado celular? A web vai se tornar móvel, como já o é para os jovens, no Japão? O que vai acontecer com software e, especialmente, com Windows Vista? Será que software (inclusive Vista) vai sofrer algum impacto de aplicações rodando dentro de browsers, em particular coisas que parecem com Office? Será que software vai começar a se tornar commodity... e em que escala software como serviço vai vingar? E o conteúdo? Mais do que em 2006, 2007 será o ano dos blogs?

Não são poucas as perguntas e as respostas, para cada uma, são muitas. Tantas que ninguém pode tratar mais que umas poucas e, destas, talvez acertar uma pequena parte, especialmente nas previsões para o ano que vem. Porque um ano é muito e, ao mesmo tempo, muito pouco tempo para qualquer coisa. Tendências aparecem num ano e podem ser destruídas no outro. É disso que vamos falar na última coluna do ano, semana que vem: o que começou a pintar em 2006 (ou antes) que pode virar padrão em 2007 e o que está, talvez, pra começar a desaparecer nas próximas doze luas. Feliz Natal e até lá.
26 de dezembro, 2006