PARADA GAY DE JERUSALÉM OCORRE SEM INCIDENTES GRAVES
Delia Millán
Jerusalém, 10 nov (EFE).- A comunidade homossexual de Jerusalém comemorou hoje seu festival anual no estádio do campus da Universidade Hebraica, evento cujo alcance foi reduzido pela inicial oposição dos judeus ultra-ortodoxos, mas que transcorreu sem maiores incidentes.
Entre 3 mil e 4 mil pessoas foram ao estádio universitário, cercado por um forte esquema de segurança. "Não se pode dizer que veio pouca gente, porque se não vieram é porque tiveram medo", explicou uma porta-voz da Casa Aberta, representante jurídica da comunidade homossexual e organizadora do evento.
A porta-voz lembrou que, "no ano passado, vários participantes foram agredidos, alguns com faca, e é preciso somar a isso o fato de que houve muita polêmica este ano".
O festival, originalmente convocado como a Parada Mundial do Orgulho Gay, foi reduzido a uma manifestação de caráter local, e depois, no último momento, a uma festa isolada no estádio universitário.
A indignação da comunidade judaica ortodoxa - que protagonizou uma onda de violência nas ruas nos últimos dias - influenciou na situação.
Em entrevista à rádio pública israelense, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, foi perguntado hoje sobre se a violência deu frutos, a que respondeu que "não se pode ver as coisas de forma tão simples".
"A parada dos homossexuais significou um grande agravo para os sentimentos de muitas pessoas, não somente dos judeus mas também dos cristãos", afirmou, em referência a um comunicado do Vaticano de dois dias atrás contra a manifestação gay na cidade santa.
Outro fator que fez a parada minguar foi a necessidade de a Polícia dispor de todas as suas forças em momentos em que as milícias palestinas ameaçam retomar os atentados suicidas por causa da morte de pelo menos 19 civis em um bombardeio em Beit Hanoun, Gaza.
Em qualquer caso, com parada ou sem ela, o festival foi celebrado em um ambiente festivo. Entre os participantes havia muitos heterossexuais e a comunidade gay seguiu os conselhos dos organizadores sobre discrição e não fez demonstrações eróticas.
O evento teve como foco apresentar a luta pelos direitos dos homossexuais no marco da defesa das minorias e das liberdades em geral. A Anistia Internacional (AI) compareceu, com cartazes que diziam: "O amor é um direito humano".
Outro grupo presente foi o das Mães de Filhos Gays, criado há cinco anos e que, além de lutar para que a sociedade aceite seus filhos, ainda entram em contato "com outros jovens cujos pais não os aceitam", explicou um de seus membros, Sara C., de 62 anos.
"Estes filhos (rechaçados) se sentem muito encorajados pelo fato de que outros pais aceitem seu filhos gays", afirmou.
Em seu discurso, a chefe da Casa Aberta, Noa Sattah, disse que estão "todos unidos pela mudança social". Já o escritor Sami Michael sustentou que "há mais de uma forma de ser judeu", em aparente alusão aos protestos dos fundamentalistas.
Os grupos de apoio heterossexuais compareceram sob a tese de que o festival é, antes de tudo, uma luta pelos princípios de respeito e tolerância, "uma batalha entre a luz e o obscurantismo".
Se é para falar de obscurantismo, a manifestação de Jerusalém lembrou os homossexuais que morreram, como os judeus, nos campos de extermínio nazistas.
"Eu só soube 10 anos depois de chegar a este país que nos campos de concentração, além da Estrela de David, usavam o Triângulo Rosa", comentou uma ex-professora de anti-semitismo de 69 anos.
Um grupo de esquerda se manifestou com cartazes com o triângulo, em que estavam escritas reivindicações atuais como: "Solidariedade com Beit Hanoun" e "A Ocupação não é um Orgulho".
Outros muitos cartazes eram respostas diretas aos protestos dos ortodoxos, como o de um jovem que, citando um versículo de Êxodo referente aos judeus do Egito, dizia: "Torturaram-nos, mas têm que se multiplicar".
Os incidentes, apesar do temor inicial, foram poucos: um homem conseguiu subir no palco durante o evento e pegou o microfone para insultar os homossexuais, e alguns ativistas gays, ignorando o pacto de se manifestarem apenas na universidade, fizeram uma marcha. Dez deles foram detidos.
10 de novembro, 2006
Delia Millán
Jerusalém, 10 nov (EFE).- A comunidade homossexual de Jerusalém comemorou hoje seu festival anual no estádio do campus da Universidade Hebraica, evento cujo alcance foi reduzido pela inicial oposição dos judeus ultra-ortodoxos, mas que transcorreu sem maiores incidentes.
Entre 3 mil e 4 mil pessoas foram ao estádio universitário, cercado por um forte esquema de segurança. "Não se pode dizer que veio pouca gente, porque se não vieram é porque tiveram medo", explicou uma porta-voz da Casa Aberta, representante jurídica da comunidade homossexual e organizadora do evento.
A porta-voz lembrou que, "no ano passado, vários participantes foram agredidos, alguns com faca, e é preciso somar a isso o fato de que houve muita polêmica este ano".
O festival, originalmente convocado como a Parada Mundial do Orgulho Gay, foi reduzido a uma manifestação de caráter local, e depois, no último momento, a uma festa isolada no estádio universitário.
A indignação da comunidade judaica ortodoxa - que protagonizou uma onda de violência nas ruas nos últimos dias - influenciou na situação.
Em entrevista à rádio pública israelense, o ministro da Indústria e Comércio de Israel, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, foi perguntado hoje sobre se a violência deu frutos, a que respondeu que "não se pode ver as coisas de forma tão simples".
"A parada dos homossexuais significou um grande agravo para os sentimentos de muitas pessoas, não somente dos judeus mas também dos cristãos", afirmou, em referência a um comunicado do Vaticano de dois dias atrás contra a manifestação gay na cidade santa.
Outro fator que fez a parada minguar foi a necessidade de a Polícia dispor de todas as suas forças em momentos em que as milícias palestinas ameaçam retomar os atentados suicidas por causa da morte de pelo menos 19 civis em um bombardeio em Beit Hanoun, Gaza.
Em qualquer caso, com parada ou sem ela, o festival foi celebrado em um ambiente festivo. Entre os participantes havia muitos heterossexuais e a comunidade gay seguiu os conselhos dos organizadores sobre discrição e não fez demonstrações eróticas.
O evento teve como foco apresentar a luta pelos direitos dos homossexuais no marco da defesa das minorias e das liberdades em geral. A Anistia Internacional (AI) compareceu, com cartazes que diziam: "O amor é um direito humano".
Outro grupo presente foi o das Mães de Filhos Gays, criado há cinco anos e que, além de lutar para que a sociedade aceite seus filhos, ainda entram em contato "com outros jovens cujos pais não os aceitam", explicou um de seus membros, Sara C., de 62 anos.
"Estes filhos (rechaçados) se sentem muito encorajados pelo fato de que outros pais aceitem seu filhos gays", afirmou.
Em seu discurso, a chefe da Casa Aberta, Noa Sattah, disse que estão "todos unidos pela mudança social". Já o escritor Sami Michael sustentou que "há mais de uma forma de ser judeu", em aparente alusão aos protestos dos fundamentalistas.
Os grupos de apoio heterossexuais compareceram sob a tese de que o festival é, antes de tudo, uma luta pelos princípios de respeito e tolerância, "uma batalha entre a luz e o obscurantismo".
Se é para falar de obscurantismo, a manifestação de Jerusalém lembrou os homossexuais que morreram, como os judeus, nos campos de extermínio nazistas.
"Eu só soube 10 anos depois de chegar a este país que nos campos de concentração, além da Estrela de David, usavam o Triângulo Rosa", comentou uma ex-professora de anti-semitismo de 69 anos.
Um grupo de esquerda se manifestou com cartazes com o triângulo, em que estavam escritas reivindicações atuais como: "Solidariedade com Beit Hanoun" e "A Ocupação não é um Orgulho".
Outros muitos cartazes eram respostas diretas aos protestos dos ortodoxos, como o de um jovem que, citando um versículo de Êxodo referente aos judeus do Egito, dizia: "Torturaram-nos, mas têm que se multiplicar".
Os incidentes, apesar do temor inicial, foram poucos: um homem conseguiu subir no palco durante o evento e pegou o microfone para insultar os homossexuais, e alguns ativistas gays, ignorando o pacto de se manifestarem apenas na universidade, fizeram uma marcha. Dez deles foram detidos.
10 de novembro, 2006

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