25 outubro, 2006


Que jornalismo queremos?

Uma antiga reflexão que alguns de nós jornalistas fazemos é sobre modelos de financiamento à informação. Como fazer com que a informação que não tem lugar assegurado nas páginas da chamada "grande imprensa", mas que seja relevante para a sociedade tenha seu lugar nas páginas ou telas? Um modelo de financiamento à informação que leve em conta as necessidades de transformação, educação, reflexão e construção do mundo, da cidadania e da qualidade de vida nossa e das futuras gerações.
Hoje a responsabilidade de financiar o jornalismo que a sociedade recebe é das agências de publicidade. O modelo de organização destas empresas privilegia resultados que possam ser dimensionados em milhões de espectadores e ouvintes, centenas de milhares de leitores e outros grandes números. Ou seja, quando uma agência de publicidade decide colocar a verba de seus clientes em anúncios em um veículo, o que está sendo comprado é público. As empresas de comunicação, por seu lado, sabendo que seu produto não é mais a informação, mas sim o volume de leitores, passam a privilegiar conteúdos fáceis, sem nenhum questionamento ético ou moral, coisas que dão público.
Ou seja, virou um mercado de compra e venda de público. O jornalismo fácil, aquele que dá o que o público quer, este está recebendo dinheiro. O jornalismo crítico, sério, que leva a sociedade a refletir e a mudar seus rumos, o jornalismo que levou a grande maioria de nós para as faculdades de comunicação, este está morrendo de inanição.
Vamos seguir fazendo o jornalismo que o público precisa. Vamos continuar tendo o Jornal do Meio Ambiente, a EcoAgência, a Eco 21, a Ecologia e Desenvolvimento, o Água on line, o Eco, a Envolverde, o Repórter Eco, a Terra da Gente e muitos outros veículos que cotidianamente além de fazer jornalismo da melhor qualidade lutam para sobreviver em um mercado onde não falta dinheiro, mas sim visão de mundo.

Adalberto Wodianer Marcondes
Diretor de Redaçãoagencia@envolverde.com.br