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08 fevereiro, 2007

8,3 milhões foram sondados para vender voto
Um quarto dos eleitores acredita que os governadores aproveitam o cargo para roubar. De acordo com relatório caberia ao TSE ser mais rígido na fiscalização.
Humberto Viana Do G1, em Brasília

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (7) pela ONG Transparência Brasil e pela União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon) aponta que mais de 8,3 milhões de eleitores foram abordados para vender o voto nas eleições de 2006.

Na última pesquisa, em 2002, apenas 3% do eleitorado recebeu proposta de compra de votos. O número apontado pela pesquisa revela que em 2006 a quantidade de eleitores abordados foi três vezes maior. Esse contingente de eleitores é maior do que a soma de todos os votos depositados dos estados de Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Amazonas. O levantamento foi feito em 142 municípios, incluindo regiões metropolitanas e capitais. O questionário abordou compra de votos por oferta de dinheiro ou bem material e uso da máquina.

“Esses dados são alarmantes. Eles mostram que o eleitor foi atingido pela desintegração geral da classe política nos últimos quatro anos”, disse o diretor da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo.

Confiança do eleitor
Os entrevistados também foram questionados a respeito da cobrança de propinas por agentes públicos estaduais durante os mandatos que se encerraram em 2006. O delito foi reportado por 4% dos eleitores. Entre as regiões, a mais afetada é a Nordeste, com 7%, seguida da Norte e Centro Oeste, com 4%, Sudoeste com 3% e Sul com 2%. A pesquisa revela que a grande maioria dos eleitores avalia bem os antigos governadores e tem esperança quanto aos novos, mas aponta que um quarto dos eleitores acredita que os governadores cujos mandatos se encerraram em 2006 aproveitaram o cargo para roubar, e um quinto dos eleitores crê que os novos titulares farão o mesmo.

Negligência
De acordo com relatório da Transparência Brasil, caberia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser mais rígido na fiscalização do processo eleitoral. O tribunal é a autoridade responsável pela integridade das eleições, e segundo a ONG, nada faz para identificar as áreas e os grupos populacionais mais vulneráveis à compra de votos e também não toma medidas preventivas para evitar a situação.
“Se limitar a fazer campanhas na véspera da eleição é pouco. Elas não atacam o problema”, disse Claudio Abramo. “O TSE tem que ser responsabilizado por não se informar sobre o assunto e não tomar medidas preventivas.”

Repercussão

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, rebateu as críticas do relatório divulgado pela ONG Transparência Brasil de que o TSE não tomou providências para evitar que eleitores vendam seus votos. Segundo o relatório, mais de oito milhões de eleitores foram incitados a vender seus votos nas eleições de 2006. Marco Aurélio classificou o fato de "gravíssimo", mas ressaltou que a Justiça Eleitoral só pode agir mediante provocação. Ele disse que o tribunal tem atuado de forma rigorosa na defesa da legislação eleitoral e na conscientização dos eleitores. “Nós temos aplicado e temos aplicado de forma rigorosa a 41A, da Lei 9.504 [dispositivo da Lei Eleitoral], que é captação ilícita de voto mediante promessa, mediante doação de alguma coisa para obter voto”, disse.

Marco Aurélio também ressaltou que a campanha educativa feita pelo tribunal nas últimas eleições representou um grande avanço. “Isso nunca foi feito no Brasil, ressaltando e alertando o eleitor quanto à importância do voto. Agora, a Justiça Eleitoral não é tutora de quem quer que seja”, disse.

Voto facultativo
Para tentar combater o problema, o presidente do TSE defendeu o voto facultativo. "Acho gravíssimo e esses dados revelam a quadra cultural que vivenciamos. Por isso mesmo eu sou favorável ao voto facultativo. Penso que, considerado o voto facultativo, somente comparecerão às urnas aqueles conscientizados que realmente percebam e percebem a importância do voto”, afirmou o ministro Marco Aurélio.
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08 de fevereiro, 2007

SENADO TIRA PAINEL DE FOTOS DO IMPEACHMENT
Diretor do Senado diz que material está em 'manutenção'.Fernando Collor (PRTB-AL) toma posse como senador nesta quinta.

A um dia da posse dos 27 novos senadores eleitos, a direção do Senado tirou da galeria de imagens da Casa, que conta a história do papel do Senado desde a instituição da República até os dias atuais, o painel com o relato e fotos do impeachment do ex-presidente e senador eleito Fernando Collor de Mello (PRTB-AL).
Eleito senador nas eleições de outubro, Collor de Mello toma posse nesta quinta-feira (1º) para um mandato de oito anos.
"O painel saiu para manutenção. Logo depois da posse dos senadores, ele voltará para o lugar", garantiu o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, ao lembrar que outros dois painéis também foram para manutenção.
O painel retirado da galeria - conhecida como "túnel do tempo" e que liga o plenário às alas onde estão os gabinetes dos senadores - tinha fotos panorâmicas do povo nas ruas pedindo o impeachment do ex-presidente Collor.
O painel relata ainda que, no dia 29 de dezembro de 1992, o Senado aprovou por 76 votos a cinco a perda do cargo por Collor e de seus direitos políticos até 2000. A sessão foi presidida pelo ministro Sidney Sanches, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na época, numa tentativa de preservar seus direitos políticos, Collor renunciou ao mandato antes do início do julgamento, mas a sessão teve continuidade. Há cerca de dois anos, Collor confidenciou que o seu desgosto com o impeachment foi tão grande que ele chegou a pensar em suicídio.
08 de fevereiro, 2007

'Não se faz política sem traidores', diz Collor
Ex-presidente quer contar versão do impeachment no primeiro discurso no Senado. E diz que o escândalo do mensalão foi muito pior que as denúncias que enfrentou.
Leandro Colon Do G1, em Brasília

Agência Estado
O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) durante sessão nesta semana no plenário do Senado (foto: Roberto Jayme/Agência Estado)
O ex-presidente da República e agora senador Fernando Collor (PTB-AL) avisa: em seu primeiro discurso na tribuna do Senado, em março, contará sua versão sobre os episódios que levaram ao impeachment em 1992.

Sob acusações de corrupção e tráfico de influência atribuídas ao seu tesoureiro de campanha, PC Farias, Collor renunciou. Mesmo assim, perdeu os direitos políticos por oito anos.

"Se a verdade ofender, alguns ficarão incomodados", diz. "Não se faz política sem a participação de traidores. Na política não existem amigos. Mas interesses", afirma. "O discurso terá detalhes, dia, hora, minuto, segundo, nomes, fatos concretos. Carreguei na tinta", afirmou.
Saiba mais

Collor recebeu o G1 em seu gabinete na manhã de quarta-feira (7). Ele contou um pouco do livro que pretende publicar sobre sua passagem pelo Palácio do Planalto, onde dirá que sofreu um golpe do Congresso.

"Tanto que meu livro chama “A crônica de um golpe”, a versão de quem viveu o fato. Um golpe articulado". Collor afirma que o escândalo do mensalão foi muito mais grave do que as denúncias que o derrubaram do Palácio do Planalto. "Vários megatons mais graves", diz. O senador falou ainda dos erros cometidos na presidência, principalmente na relação com o Congresso e quando tentou convocar a população para sair às ruas de verde e amarelo - como resposta, manifestantes saíram de preto.

"Foi um erro terrível. Um erro de avaliação", afirma. E admite que pensou no suicídio: "O que eu passei, me levou a pensar em tudo".

O ex-presidente conta também os planos como senador, diz que não é candidato a presidente em 2010, mas não descarta essa possibilidade no futuro.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista: G1 - O senhor ficou muito isolado na época do impeachment. Muitos o traíram? Collor - Claro, não se faz política sem a participação de traidores. G1 - Há alguns no plenário do Senado? Collor - Não tentei buscá-los, é uma página virada. Mas deve ter. Isso para mim não causa transtornos.

G1 - O senhor disse que houve traidores. Há amigos? Collor - Não. Na política não existem amigos, mas interesses. G1 - O que podemos esperar de seu primeiro discurso como senador? Collor - Será fundamentalmente a versão de quem viveu os fatos que levaram a meu afastamento da presidência em 92. Todos já deram suas versões, livros foram escritos, teses foram defendidas em universidades, artigos reproduzidos. Cada um dando sua versão. Não há ainda a versão de quem viveu o fato, ou seja, a minha. Ainda não foi dada essa oportunidade à nação brasileira. Agora, eleito senador, acho que chegou a hora da preencher essa lacuna. E será uma versão absolutamente fidedigna dos fatos. O juízo ficará a cargo de quem tiver a curiosidade de ouvir, assistir ou de ler. G1 - Poderia antecipar alguma coisa? Collor - Não poderia dar um ponto sem que puxasse a outro, sem que criasse ilação, o que acabaria deturpando. Prefiro guardar isso para que não haja nenhuma especulação.
08 de fevereiro, 2007


G1 - Seus adversários daquela época devem ficar preocupados? Collor - Eu acho que não. Será a verdade. Se a verdade ofender, alguns ficarão incomodados. Mas a verdade, em geral, busca esclarecer, dar uma luz nesse processo político movido contra mim que não é de conhecimento da sociedade. O discurso deve ser dado no final de março porque preciso de tempo para levantar todos os pronunciamentos realizados naquela época, sugestões de ordem levantadas em 92, toda a tramitação que foi dada a esse processo.

G1 - Então será um discurso rico em detalhes? Collor - Muito. Com detalhes, dia, hora, minuto, segundo, nomes, fatos concretos. Eu tenho um livro escrito de 640 páginas, que não pretendo publicar tão cedo. Algo que escrevi num momento de muita emoção, logo após minha absolvição no Supremo Tribunal Federal, em 94. É um livro importante porque ali estão colocadas as emoções de quem esteve submetido àquele moedor. Carreguei bastante nas tintas. Não distorci os fatos, mas carreguei na adjetivação, coisa que aprendi que no jornalismo devemos evitar. G1 - O senhor acha que foi vitima de algum tipo de golpe dentro do Congresso? Collor - Sim, sem dúvida. Tanto que meu livro se chama “A crônica de um golpe”, a versão de quem viveu o fato. Um golpe articulado. O ex-ministro Tales Ramalho (ex-ministro do Tribunal de Contas da União e ex-deputado), que me convenceu a publicar o livro, me disse: ‘olhe, a sua queda começou a ser tramada logo após a sua posse’. Contarei isso no livro, não no discurso. Ele disse que logo depois da posse, foi chamado para uma reunião com dirigentes de entidades de classe importantes, políticos importantes, e que, ao final do jantar, sentaram-se para tomar um cafezinho, e uma das pessoas disse: vamos ao que interessa, como faremos para derrubar o Collor? Aí, o Tales disse ‘vocês estão loucos. Ele foi legitimamente eleito’. E as pessoas mudaram de assunto. O Tales pediu licença e foi embora. G1 - O senhor tem dito que errou na relação com o Congresso. Qual foi seu erro? Collor - Minha relação com Congresso foi de uma prática política que adquiri, que não é a correta, de governar buscando sempre apoio da população, da massa. Porque sempre tive muita pressa, pouca paciência para ficar dialogando, explicando projetos. O que funcionava era o atendimento das questões paroquiais. Agora, isso não é defeito dos parlamentares, eles não têm culpa. Se eu estou jogando, estou aceitando as regras estabelecidas. E essas regras, embora deficientes, me obrigariam a cumprir meu papel no jogo: ser o líder e exercer a liderança política do país. Mas eu ocupava 80% do meu tempo para administrar o país, e apenas 20% com o Congresso. Sem dúvida que foi meu maior erro. Política se faz com conversa. A matéria-prima é conversa, palavra, entendimento, encontro, convivência. Se você falta com isso, cria um distanciamento muito grande e isso não é frutífero. Gera uma instabilidade na base de sustentação do governo. Na minha época, para cada projeto, tinha uma maioria diferente. Não é assim que funciona. Eu nunca tive uma base definida, sólida, de apoio no Congresso Nacional. Não conseguia.

G1 - O senhor disse que governava com apoio da população. Mas, em 92, o senhor chamou a população para ir às ruas de verde-amarelo, mas as pessoas responderam com roupas pretas... Collor - Foi um erro terrível. Um erro de avaliação. Naquele instante, eu estava saturado, não conseguia governar como gostaria. Falei aquilo num encontro com taxistas no Palácio do Planalto. E eu havia dito ao chefe do cerimonial que não falaria naquele dia. E assim foi feito. E fui para o elevador. E os taxistas começaram: ‘presidente Collor, vamos falar’. Eu não queria porque sabia que não conseguiria me conter. E alguns deles estavam com umas fitinhas verde-amarelas, e eu falei: nos próximo domingo, vamos sair às ruas de verde-amarelo. E aconteceu justamente o contrário: no domingo, as pessoas saíram vestidas de preto.

G1 - E qual foi sua sensação? Collor - De que isso era o início do fim, não tinha mais jeito. Eu perdi a minha grande base, a população. Uma base que ficou fragilizada com as denúncias e com o patrulhamento dos meios de comunicação, dos organismos da sociedade e partidos políticos. G1- Em algum momento, o senhor pensou em suicídio em 92? Collor - O que eu passei me levou a pensar em tudo. O importante é que a fé que possuo me ajudou a sobreviver a tudo isso. Porque aqueles que comandaram esse golpe não queriam meu fim político, mas o fim de minha vida biológica. E eu me lembro de uma vez, nos últimos instantes, o então governador Leonel Brizola, em audiência comigo no Palácio do Planalto, disse: ‘presidente, acompanhei a vida pública deste país nos últimos 40 anos, acompanhei Getúlio. Quero pedir um favor, como cidadão Leonel Brizola: não incorra no mesmo erro de Getúlio (que suicidou-se em 1954), resista’. G1 - O senhor acha que o escândalo do mensalão é maior do que as denúncias de sua época? Collor - Nossa, muito mais. Vários megatons mais graves. G1 - Por que então não chegou ao presidente Lula? Collor - Porque o presidente Lula tem uma base muito sólida, que o defende. A grande diferença é que me faltava a base de sustentação. Até porque eu também acredito na palavra dele. Eu tenho a postura de acreditar no que as pessoas me dizem até que seja provado o contrário. Eu acredito na palavra dele, embora isso tenha acontecido a poucos metros da sala presidencial. Acredito nele, porque - o que é um defeito do sistema presidencialista - é impossível saber tudo o que está acontecendo. G1 - E sua posição no Senado em relação ao governo dele? Collor - De apoio ao governo Lula. Porque ele vem fazendo uma administração eficiente. E ele mudou muito, é outro homem. Um amigo nosso em comum me disse que uma vez o Lula falou que foi uma sorte não ter ganhado em 1989, porque não estava preparado. E era verdade.

G1 - E o senhor estava preparado? Collor - A prova de que eu não estava preparado para governar o país, aos 40 anos de idade, é que sofri o impeachment. G1 - Na sua opinião, sua eleição ao Senado pode reconstruir sua história? Collor - A história é contada a conta-gotas. Sempre tem um ponto final. Mas também há vírgula a seguir. Fui presidente da República e sofri um impeachment em 1992. Ponto. Agora, com minha eleição ao Senado, o ponto se transforma em vírgula: fui eleito pelo estado de Alagoas, cumpri meu mandato e apresentei projetos. G1 - A partir daí, ponto final ou vírgula para disputar a presidência novamente? Collor - Não seria correto descartar, inteiramente, qualquer possibilidade. Até porque não acertei muito quando descartei qualquer possibilidade de participação na vida política. O que posso dizer é que não sou candidato em 2010. G1 - O que mudou do Collor de 1992 para o Collor de 2007? Collor - São 14 anos de diferença. Basicamente é uma mudança para qualquer um de nós. É o amadurecimento, a experiência, uma reavaliação da própria vida pessoal, profissional, política. Uma mudança grande, que significa evolução e eu espero que agora, com o mandato que recebi das urnas, possa dar minha contribuição ao debate no Congresso. G1 - Quais serão seus principais projetos como senador? Collor - O projeto que pretendo apresentar o quanto antes é o da reforma política, que considero a mãe de todos os projetos. G1 - O que pensa sobre a reeleição? Collor - É um instituto pouco republicano. Acredito que a questão da reeleição trouxe mais problemas que soluções. É uma forma viciada, pouco salutar. Eu acho que o jogo político brasileiro vem sendo praticado debaixo de um conjunto de regras deficientes.
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Procuradores da República descobrem fraudes no combate à dengue no DF
Residências não receberam tampas de caixa d´água compradas com recursos da Funasa.Elas seriam usadas para evitar a proliferação do mosquito.
Do G1 Com informações do DFTV

Mais de duas mil residências de todo o Distrito Federal deixaram de receber as tampas de caixa d´água. Compradas com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), elas seriam usadas para evitar a proliferação do mosquito da dengue. De acordo com a Procuradoria da República, há pelo menos 3 anos, as tampas estão abandonadas.

Durante a blitz foi constatado pela Procuradoria um outro problema: os agentes de saúde estavam preenchendo as fichas de controle e inspeção com informações que não eram verdadeiras. Orientados pela Secretaria de Saúde, eles colocavam informações nos relatórios falsas, dizendo que tinham aplicado o produto que combate a larva do mosquito, sendo que o procedimento não tinha sido feito. “Parece que é uma prática generalizada. Além do fato constituir crime por falsidade ideológica, coloca em risco a saúde da população do Distrito Federal”, afirma o procurador da República no DF, Petersons Pereira. No total, mil agentes estão nas ruas para orientar a população e fiscalizar as residências. Desse total, 475 são funcionários do governo federal. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais, Carlos Henrique Ferreira, avisa que Secretaria de Saúde terá que prestar informações sobre o caso. “O GDF será notificado sobre o problema e será convocado para dar suas explicações”, diz Carlos Henrique Ferreira, diretor do Sindicato. A Secretaria de Saúde informou que a denúncia não tem fundamento, porque desde 2005 os agentes não aplicam o inseticida.
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08 de fevereiro, 2007

07 fevereiro, 2007

8,3 milhões foram sondados para vender voto
Um quarto dos eleitores acredita que os governadores aproveitam o cargo para roubar. De acordo com relatório caberia ao TSE ser mais rígido na fiscalização.
Humberto Viana Do G1, em Brasília

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (7) pela ONG Transparência Brasil e pela União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon) aponta que mais de 8,3 milhões de eleitores foram abordados para vender o voto nas eleições de 2006.

Na última pesquisa, em 2002, apenas 3% do eleitorado recebeu proposta de compra de votos. O número apontado pela pesquisa revela que em 2006 a quantidade de eleitores abordados foi três vezes maior. Esse contingente de eleitores é maior do que a soma de todos os votos depositados dos estados de Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Amazonas. O levantamento foi feito em 142 municípios, incluindo regiões metropolitanas e capitais. O questionário abordou compra de votos por oferta de dinheiro ou bem material e uso da máquina.

“Esses dados são alarmantes. Eles mostram que o eleitor foi atingido pela desintegração geral da classe política nos últimos quatro anos”, disse o diretor da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo.

Confiança do eleitor
Os entrevistados também foram questionados a respeito da cobrança de propinas por agentes públicos estaduais durante os mandatos que se encerraram em 2006. O delito foi reportado por 4% dos eleitores. Entre as regiões, a mais afetada é a Nordeste, com 7%, seguida da Norte e Centro Oeste, com 4%, Sudoeste com 3% e Sul com 2%. A pesquisa revela que a grande maioria dos eleitores avalia bem os antigos governadores e tem esperança quanto aos novos, mas aponta que um quarto dos eleitores acredita que os governadores cujos mandatos se encerraram em 2006 aproveitaram o cargo para roubar, e um quinto dos eleitores crê que os novos titulares farão o mesmo.

Negligência
De acordo com relatório da Transparência Brasil, caberia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ser mais rígido na fiscalização do processo eleitoral. O tribunal é a autoridade responsável pela integridade das eleições, e segundo a ONG, nada faz para identificar as áreas e os grupos populacionais mais vulneráveis à compra de votos e também não toma medidas preventivas para evitar a situação.
“Se limitar a fazer campanhas na véspera da eleição é pouco. Elas não atacam o problema”, disse Claudio Abramo. “O TSE tem que ser responsabilizado por não se informar sobre o assunto e não tomar medidas preventivas.”

Repercussão

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, rebateu as críticas do relatório divulgado pela ONG Transparência Brasil de que o TSE não tomou providências para evitar que eleitores vendam seus votos. Segundo o relatório, mais de oito milhões de eleitores foram incitados a vender seus votos nas eleições de 2006. Marco Aurélio classificou o fato de "gravíssimo", mas ressaltou que a Justiça Eleitoral só pode agir mediante provocação. Ele disse que o tribunal tem atuado de forma rigorosa na defesa da legislação eleitoral e na conscientização dos eleitores. “Nós temos aplicado e temos aplicado de forma rigorosa a 41A, da Lei 9.504 [dispositivo da Lei Eleitoral], que é captação ilícita de voto mediante promessa, mediante doação de alguma coisa para obter voto”, disse.

Marco Aurélio também ressaltou que a campanha educativa feita pelo tribunal nas últimas eleições representou um grande avanço. “Isso nunca foi feito no Brasil, ressaltando e alertando o eleitor quanto à importância do voto. Agora, a Justiça Eleitoral não é tutora de quem quer que seja”, disse.

Voto facultativo
Para tentar combater o problema, o presidente do TSE defendeu o voto facultativo. "Acho gravíssimo e esses dados revelam a quadra cultural que vivenciamos. Por isso mesmo eu sou favorável ao voto facultativo. Penso que, considerado o voto facultativo, somente comparecerão às urnas aqueles conscientizados que realmente percebam e percebem a importância do voto”, afirmou o ministro
07 de fevereiro, 2007

Novas excursões na Floresta de Caxiuanã para estudar mosquitos e peixes
Texto: Fernanda Engelhard – Assessoria de Comunicação PPBio/Amazônia Oriental Equipes do Programa de Pesquisa em Biodiversidade seguem no próximo dia 7 de fevereiro para a Estação Científica do Museu Goeldi
O mosquito é um inseto que existe há mais de 170 milhões de anos e está distribuído em cerca de 2.700 espécies, organizadas em aproximadamente 35 gêneros. Para investigar esse grupo biológico, uma equipe de especialistas do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio/Amazônia Oriental) chega no dia 07/02 na Floresta Nacional (flona) de Caxiuanã, onde o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) mantém a Estação Científica Ferreira Penna. O grupo, coordenado pelo pesquisador associado do MPEG, Dr. Ulisses Confalonieri, terá a presença de mais nove pessoas entre elas estudantes, técnicos e funcionários da Secretaria Executiva de Saúde Pública do Pará (SESPA). O esquema amostral de pesquisa compreenderá nove parcelas destinadas aos estudos de campo do PPBio, sendo as coletas realizadas no dossel e ao nível do solo. Ainda segundo o pesquisador, há a previsão de se realizar as coletas em quatro parcelas aquáticas. O procedimento técnico para a coleta dos mosquitos é a utilização de armadilhas luminosas e redes, que são os tipos mais comumente utilizados para captura desses animais. Inseto famoso, mas não querido, o pernilongo, que pertence à família Culicidae, será um dos alvos do estudo. Seu tamanho pode variar, mas raramente passa dos 15 mm. Seu peso fica entre dois e 2,5 miligramas. Estudos anteriores realizados pelo pesquisador apontam que na região de Caxiuanã existem hoje 55 espécies de mosquitos da família Culicidae, da qual faz parte o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, e 26 espécies de mosquitos flebótomos, que são os responsáveis pela transmissão da leishmaniose. “Algumas espécies são mais facilmente encontradas nas épocas chuvosas enquanto outras o são nas épocas secas. Existem também espécies que são freqüentes o ano todo. Como nossa viagem será no período das chuvas, coletaremos apenas os mosquitos comuns nessa época”, explicou Ulisses. Peixes - A equipe responsável pelos estudos ictiológicos na Flona de Caxiuanã, sob a responsabilidade do pesquisador Luciano Montag, volta a campo também desta quarta-feira, 07/02, a fim de realizar novas pesquisas nos igarapés da região. Sua primeira expedição, que aconteceu em outubro do ano passado, rendeu bons frutos aos pesquisadores e ao PPBio. Durante a pesquisa foram coletados mais de dois mil indivíduos pertencentes a cinco ordens. Dentre eles, duas novas ocorrências na Flona de Caxiuanã. Ainda é desconhecida a espécie a que pertence os dois indivíduos encontrados, mas já se sabe que são das famílias Trichomycteridae e Crenuchidae. Com essa nova ocorrência, o número de diferentes famílias na Flona aumentou de 208 para 210. O resultado desse trabalho foi publicado no XVII Encontro Brasileiro de Ictiologia, ocorrido este ano entre os dias 28/01 e 01/02, em Itajaí, Santa Catarina. Nesta próxima viagem, a idéia é melhorar e refinar o protocolo (metodologia) de coleta por meio de rede de mão. Montag e mais três estudantes farão coletas com duração de cerca de oito horas em cada igarapé da área reservada aos estudos do PPBio. “A principio a coleta com a rede de mão é o método mais eficaz e de fácil padronização podendo ser usado em todos os locais de pesquisa ictiológica do PPBio, não só em Caxiuanã, mas também em outros estados como Manaus e Amapá”, concluiu Luciano.
07 de fevereiro, 2007

06 fevereiro, 2007

Sueca amante de animais vivia com 11 cisnes num apartamento de 25 metros quadrados
Polícia teve muita dificuldade para tirar as aves do cubículo.
Mulher declarou que tomava conta dos bichos desde 2001.

Do G1, com agências

Editoria de Arte do G1 mostra como seria o apartamento da sueca, cheio de cisnesA polícia sueca descobriu que uma senhora, amante dos animais, mantinha nada menos que 11 cisnes adultos em seu apartamento na cidade de Estocolmo. As aves e a mulher tinham que dividir os míseros 25 metros quadrados do local.

A senhora declarou à polícia que toma conta dos cisnes desde 2001, quando os encontrou feridos. Não há informação de onde ela teria achado os animais.

A polícia recolheu as aves e as encaminhou para um abrigo. A mulher, que não teve sua identidade divulgada, pode ser processada com base nas leis de proteção aos animais do país.

"Foi uma dificuldade transportar esses 11 enormes cisnes, que não são conhecidos por serem animais dóceis", disse o oficial Bjorn Engstrom, do departamento de polícia.

06 de fevereiro, 2007

Polícia prende 155 cabras e leva todas de camburão para a delegacia
Devastaram plantação de tomate e milho de um argentino.
Verdadeiro dono não apareceu para pagar fiança.

MENDOZA, Argentina - O agricultor Antonio Vergel decidiu colher alguns dos tomates e milhos que cultiva em seu sítio em Mendoza, na Argentina e, quando pôs os olhos na plantação, seu coração gelou: uma quantidade inacreditável de cabras devorava tudo o que via pela frente.

Imagem das cabras delinqüentes Depois de tentar sem sucesso espantar a horda de invasores, Vergel ligou para a delegacia, segundo foi publicado no site argentino Infobae.

"Eram dez e pouco da manhã e o homem, alucinado, nos contava sua tragédia. Fomos ao local com um caminhão preparado para o transporte de animais, mas chegando lá vimos que eram realmente muitas", declarou um dos policiais ao Los Andes online.

Uma a uma elas eram colocadas no caminhão na condição de presas. Foram encaminhadas a um centro de detenção de animais da polícia em Los Corralitos.

Na mesma tarde, pelo menos três pessoas apareceram dizendo ser as proprietárias do rebanho. A polícia afirmou que não vai ser assim tão fácil tirar a bicharada da cadeia.

Elas foram enquadradas no código 114 do Código Penal argentino, e o verdadeiro dono das cabras vai ter que pagar uma nota para libertá-las. Sem falar nos tomates e milhos do agricultor inconformado.

06 de fevereiro, 2007

CUNHA LIMA LEVA LISTA DE PEDIDOS DO NE PARA DILMA
Documento pede investimentos e ações integradas na segurança.
Governadores do Nordeste temem a migração do crime organizado.
Do G1, em São Paulo, com Agência Estado

Governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), entregou na segunda-feira (15) à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a “Carta de Natal”, lista de reivindicações dos governadores do Nordeste elaborada durante encontro promovido na capital do Rio Grande do Norte, Natal, na semana passada.

O documento sugere mais investimentos do governo federal, ações integradas na área de segurança pública e participação nos planos para a aceleração do crescimento do país. Cunha Lima aproveitou para cobrar obras de infra-estrutura para o seu estado.

Na semana passada, no encontro dos governadores nordestinos, a discussão sobre segurança pública foi um dos principais temas. "Nós estamos preocupados com a segurança no país todo", havia dito a governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB).

Na ocasião, Wilma de Faria disse temer que, com as ações de repressão à criminalidade anunciadas pelos governadores do Sudeste, cresçam os índices de violência em outras partes do país. "Sabemos do trabalho e do reforço que vem sendo dado no Sudeste e temos a preocupação da migração do crime organizado."
06 de fevereiro, 2007

Para cientista político, PMDB é "gelatinoso"
"O PMDB é um partido muito gelatinoso, que não tem doutrina", diz Moura.
Para Reis, "é difícil ter um consenso dentro do PMDB".
André Luís Nery

Do G1, em São Paulo

Em entrevistas ao G1, os cientistas políticos Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Paulo Moura, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS), afirmaram que o PMDB se caracteriza como um “partido dividido”, que se “adapta à lógica do poder local”.

“O PMDB é um partido muito gelatinoso, que não tem doutrina. Com o fim do regime militar, ele perdeu a bandeira da democracia e não a substituiu. Depois da morte de Ulisses Guimarães, ficou sem uma liderança nacional, com a possibilidade de disputar a presidência, mas preservou a máquina nacional, como uma federação de grupos nacionais”, disse Moura, ao analisar o fato de o PMDB ter elegido o maior número de deputados estaduais e distritais nas eleições 2006.

Segundo o cientista político da Ulbra-RS, “o PMDB se adapta em cada região do país à lógica do poder local. Se observa que o partido nunca vai unido para dentro do governo federal. Muitas vezes essas diferenças têm a ver como as disputas entre os caciques regionais do PMDB".

Opinião parecida tem o cientista político Fábio Wanderley Reis, da UFMG. “O PMDB opera com uma lógica de dispersão, de certa fragmentação, caracterizando-se como um partido dividido. Por isso, é difícil ter um consenso dentro do PMDB e estabelecer uma candidatura presidencial que tenha uma perspectiva", afirmou ele.

Para Reis, "o PMDB tem muita força no país, pois soube capitalizar e alcançar uma penetração grande na período do bipartidarismo (regime militar)". “Como opera de forma pragmática, cria lideranças regionais, o que não leva à convergência de uma linha nacional ou federal”, destacou.
06 de fevereiro, 2007

Aliados de governadores comandam assembléias
Nenhum dos presidentes de assembléia legislativa pertence à oposição.
Até agora, apenas os deputados de São Paulo ainda não tomaram posse.
André Luís Nery

Do G1, em São Paulo

Os governadores que assumiram os cargos em janeiro não deverão ter dificuldades para aprovar projetos no Legislativo. Em todos os estados, o presidente eleito da Assembléia Legislativa (ou da Câmara Distrital, no caso do Distrito Federal) é um aliado do governador.

Na maioria dos estados, a posse aconteceu em 1º de fevereiro. O único estado em que, até agora, os novos deputados ainda não assumiram é São Paulo, o que deverá acontecer somente em 15 de março. Mas o governador José Serra (PSDB) não deverá ter problemas - a tendência é que o presidente da assembléia seja um tucano.

O mesmo já acontece em seis estados, onde o presidente da assembléia pertence ao mesmo partido do governador: Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins (PMDB) e na Paraíba (PSDB).

Embora tenha cinco governadores, o PT não fez nenhum presidente de assembléia pelo país. No entanto, o partido tem à frente do Legislativo um deputado aliado nos cinco estados em que governa (Acre, Pará, Piauí, Bahia e Sergipe).

O PMDB foi o partido que elegeu o maior número de presidentes nas assembléias legislativas. Além de Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins, os peemedebistas comandam o Legislativo de Ceará, Pará e Piauí.

Já o PSDB fez o presidente de cinco assembléias (Amapá, Bahia, Goiás, Maranhão e Paraíba).

Confira os presidentes da assembléia e os governadores dos estados onde os deputados estaduais já tomaram posse:

Estado Presidente da Assembléia Governador do estado
Acre Edvaldo Magalhães (PC do B) Binho Marques (PT)
Alagoas Antônio Albuquerque (PFL) Teotônio Vilela (PSDB)
Amazonas Belarmino Lins (PMDB) Eduardo Braga (PMDB)
Amapá Jorge Amanajás (PSDB) Waldez Góes (PDT)
Bahia Marcelo Nilo (PSDB) Jaques Wagner (PT)
Ceará Domingos Filho (PMDB) Cid Gomes (PSB)
Distrito Federal Alírio Neto (PPS) José Roberto Arruda (PFL)
Espírito Santo Guerino Zanon (PMDB) Paulo Hartung (PMDB)
Goiás Jardel Sebba (PSDB) Alcides Rodrigues (PP)
Maranhão João Evangelista (PSDB) Jackson Lago (PDT)
Minas Gerais Alberto Pinto Coelho (PP) Aécio Neves (PSDB)
Mato Grosso do Sul Jerson Domingos (PMDB) André Puccinelli (PMDB)
Mato Grosso Sérgio Ricardo (PPS) Blairo Maggi (PR)
Pará Domingos Juvenil (PMDB) Ana Júlia (PT)
Paraíba Arthur Cunha Lima (PSDB) Cássio Cunha Lima (PSDB)
Pernambuco Guilherme Uchôa (PDT) Eduardo Campos (PSB)
Piauí Themístocles Filho (PMDB) Wellington Dias (PT)
Paraná Nelson Justus (PFL) Roberto Requião (PMDB)
Rio de Janeiro Jorge Picciani (PMDB) Sérgio Cabral (PMDB)
Rondônia Neodi Oliveira (PSDC) Ivo Cassol (PPS)
Roraima Mecias de Jesus (PR) Ottomar Pinto (PSDB)
Rio Grande do Sul Frederico Antunes (PP) Yeda Crusius (PSDB)
Rio Grande do Norte Robinson Faria (PMN) Wilma de Faria (PSB)
Santa Catarina Julio Garcia (PFL) Luiz Henrique da Silveira (PMDB)
Sergipe Ulices Andrade (PDT) Marcelo Déda (PT)
Tocantins Carlos Henrique Gaguim (PMDB) Marcelo Miranda (PMDB)

06 de fevereiro, 2007

23 janeiro, 2007

ITAMARATY ENVIA PEDIDO DE EXTRADIÇÃO DO CASAL DA RENASCER
A decisão de extraditar ou não será tomada pela justiça americana.
O casal foi detido na terça-feira da semana passada (9) pelo FBI.

Do G1, em Brasília
O ministério das Relações Exteriores enviou nesta segunda-feira (22) para o governo dos Estados Unidos o pedido de extradição dos fundadores da igreja apostólica Renascer Estevam Hernandes Filho e Sônia Hadsad Moraes Hernandes.

A decisão de extraditar ou não os dois será tomada pela justiça americana. A extradição é necessária para que eles cumpram a ordem de prisão decretada pela Justiça de São Paulo. O casal foi detido na terça-feira da semana passada (9) pelo FBI - a polícia federal norte-americana - por entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil não declarados.
23 de janeiro, 2007

Queda de andaime deixa três mortos e 23 feridos em Minas
Operários caíram de uma altura de 30 metros, o equivalente a nove andares.
Trabalho de resgate dos bombeiros durou quase seis horas.

Do G1, em São Paulo

Três pessoas morreram e 23 ficaram feridas na queda de um andaime, na manhã desta segunda-feira (22), em uma fábrica de cimento na região metropolitana de Belo Horizonte. Os bombeiros chegaram a divulgar que havia quatro mortos, mas uma pessoa soterrada foi retirada com vida dos escombros.

Operários limpavam chaminé da fábrica de cimentoO andaime estava instalado dentro de uma chaminé na indústria de cimento Soeicom. Os operários faziam a limpeza da estrutura quando ela desabou. Oito trabalhadores foram levados de ambulância para hospitais de Belo Horizonte.

O trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros demorou aproximadamente seis horas.
Segundo a empresa, o trabalho de limpeza já tinha terminado quando ocorreu o acidente. Aproximadamente 30 trabalhadores estavam na estrutura, que ficava a uma altura de 30 metros, o equivalente a nove andares, no momento do acidente.

Uma equipe da Delegacia Regional do Trabalho foi até o local, nesta tarde, para começar a investigar a causa do acidente. A área foi interditada.

De acordo com a empresa responsável pela obra, a manutenção era feita por uma companhia terceirizada e, por isso, não tinha informações sobre o acidente. Os bombeiros suspeitam que o desabamento possa ter sido provocado por excesso de peso.
23 de janeiro, 2007

POLÍCIA DESMONTA QUADRILHA DE TRÁFICO DE MULHERES
Mulheres eram enviadas para casas de prostituição na Europa.
"Clientes" pagavam passagem e hospedagem diária.

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Gazeta, de Vitória

A Polícia Federal desmontou uma quadrilha especializada em tráfico internacional de mulheres, na segunda-feira (22), no Espírito Santo. Pelo menos três pessoas foram presas. Uma mulher foi detida no aeroporto de Vitória, quando tentava embarcar uma moça de 24 anos para Portugal.

As "clientes" do grupo criminoso eram enviadas para a Europa para trabalhar em casas de prostituição. Cada uma pagava 2 mil euros (cerca de R$ 5,5 mil) pelas passagens, mais 10 euros (R$ 27) por dia, para hospedagem.

As investigações começaram há um mês e meio, depois de uma denúncia anônima. A polícia procura outros integrantes da quadrilha.
23 de janeiro, 2007

ESCRIVÃO DA PF ASSASSINA COLEGA E DEPOIS SE MATA EM MATO GROSSO
Agente foi executada quando saía para uma investigação.
Não havia indícios de problemas entre eles, dizem policiais.

Do G1, em São Paulo, com informações da Globo News
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Um escrivão da Polícia Federal assassinou uma colega e depois se matou, nesta segunda-feira, em Rondonópolis (MT). Segundo a PF, a vítima era agente da corporação e foi morta quando saía para uma investigação.

A direção do órgão no estado já foi para a cidade. Também estão no prédio da PF em Rondonópolis a Polícia Militar e o Instituto Médico-Legal.

Segundo os policiais, não havia indícios de problemas de relacionamento entre o escrivão, de 27 anos, e a agente, de 34. Ele estava há seis meses na Polícia Federal e ela era recém-empossada. A agente era casada e tinha uma filha de seis ano
23 de janeiro, 2007

AGRONEGÓCIO LAMENTA FALTA DE MEDIDA ESPECÍFICA PARA O SETOR
Agricultura não foi contemplada, diz CNA.
Apenas questão logística deve ser atendida.

Reuters
SÃO PAULO (Reuters) - O agronegócio deve ser beneficiado apenas indiretamente pelas medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado nesta segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram especialistas do setor, que lamentaram a ausência de medidas específicas para a área.

"A agricultura não foi contemplada, a não ser no quesito da infra-estrutura. Se for cumprido o que está colocado, atende em muito um dos problemas, que é o logístico", disse o superintendente técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Ricardo Cotta, por telefone.

O ex-ministro Roberto Rodrigues, hoje coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, concordou com Cotta.

Para ele, "embora, surpreendentemente, não tenha nenhuma medida específica em favor da agropecuária e do agronegócio, (o pacote) tem efeitos indiretos potencialmente favoráveis para o setor rural".

"É o caso do investimento em infra-estrutura, especialmente a anunciada melhoria do Porto de Santos, por onde sai a maior parte das exportações do agronegócio, sobretudo se tais melhorias de fato forem acopladas à implementação do Rodoanel e das rodovias e ferrovias que servem a região", afirmou o ex-ministro, em um comunicado.

"Em suma, não obstante ser lamentável o fato de não haver nenhuma medida diretamente relacionada com o maior setor da economia brasileira --o agronegócio-- os efeitos indiretos do PAC para o setor são positivos."

De acordo com o superintendente técnico da CNA, ainda que o setor agrícola possa ser beneficiado com os investimentos anunciados em infra-estrutura, eles representam apenas pouco mais de 10 por cento do total previsto no PAC, de mais de 500 bilhões de reais.

"O grande montante diz respeito a energia, e aí é investimento da Petrobras, que iria investir com ou sem pacote", completou Cotta.

(Por Roberto Samora)

23 de janeiro, 2007

Programa de crescimento pode mudar a pedido dos governadores
Alguns representantes dos estados querem modificar medidas tributárias.
Baixo corte nos impostos é a maior crítica contra o PAC.
Do G1

Em São Paulo e em Brasília

Pelo menos 19 governadores decidiram nesta segunda-feira (22), poucas horas após o anúncio do Programa de Aceleração da Economia (PAC) pelo presidente Lula, que irão apresentar propostas para mudar o pacote do governo. Mais cedo, alguns deles reclamaram que o governo federal não os consultou para elaborar as medidas. As mudanças serão sugeridas ao presidente em uma reunião marcada para o dia 6 de março.

O programa de aceleração da economia anunciou um investimento da ordem de R$ 500 bilhões nos próximos quatro anos para destravar o desenvolvimento, limitou salários do funcionalismo público, cortou mais de R$ 6 bilhões em tributos e barateou o preço dos computadores. No geral, reuniu uma série de medidas que apontam na direção certa. Mas ainda assim, foi alvo de críticas de políticos, empresários, economistas e sindicalistas, que avaliaram as medidas insuficientes - pelo menos para alcançar a meta do próprio governo, que é crescer 4,5% em 2007 e 5% ao ano até 2010.

Vários pontos do pacote provocaram reações. O principal deles foi a redução da carga tributária, a grande vilã da estagnação do país. O corte foi considerado tímido (será de R$ 6,6 bilhões, em 2007, e de R$ 11,5 bilhões, em 2008) e representa apenas 0,74% dos R$ 812 bilhões arrecadados em impostos no ano passado. “O principal obstáculo para o crescimento do país é a carga tributária. Para que o Brasil pudesse crescer 5% ao ano, a carga teria de estar por volta de até 33% do PIB, seis pontos a menos do que é hoje”, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral.

Na mesma linha, o corte nos gastos públicos – outro ralo do dinheiro que poderia estar sendo aplicado para promover o crescimento – ficou abaixo das expectativas. A medida mais significativa neste sentido foi o teto imposto para o salário pago ao funcionário público. Os reajuste foram limitados à 1,5% acima da inflação. Mas, por outro lado, o pacote concretizou o aumento do salário mínimo para R$ 380. O que deve gerar uma gasto extra do governo, só com o salários dos aposentados, de R$ 5 bilhões. “A questão do gasto público ainda preocupa”, afirmou Paulo Skaff, presidente da Fiesp.

O volume de investimentos, R$ 503,9 bilhões, agradou à indústria da construção civil e de máquinas e equipamentos – as principais beneficiadas. A maior parte deste valor será aplicada em energia – que ficará com R$ 274,3 bilhões. Em seguida, segundo anunciou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, vêm os investimentos em infra-estrutura social e urbana (obras como saneamento e metrô), com R$ 170,8 bilhões.

A infra-estrutura – rodovias, portos, hidrovias, aeroportos – é a vedete do plano, uma decisão acertada, de acordo com os analistas. Além do investimento direto, o governo ainda vai criar um fundo de investimento em infra-estrutura – e as cotas desse fundo poderão ser compradas pelos trabalhadores usando o Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). Para começar, serão R$ 5 bilhões de FGTS. Cada trabalhador poderá usar até 10% da sua conta e não pagará imposto retido na fonte depois de cinco anos de aplicação.

Habitação e saneamento básico também ganharam espaço nos planos do governo. Só a Caixa Econômica Federal receberá R$ 5,2 bilhões em crédito, o que permitirá um aumento de R$ 2,4 bilhões para investimentos nestas duas áreas. O limite de crédito para habitação popular será acrescido em mais R$ 1 bilhão em 2007 para famílias com renda familiar mensal de até três salários mínimos.

Uma das principais medidas para estimular a compra da casa própria, no entanto, ficou de fora do pacote. O governo chegou a afirmar que subsidiaria até dois terços do valor do imóvel para famílias com renda de até dez salários mínimos – faixa em que o déficit habitacional é maior. A idéia era prorrogar a multa adicional de 50% do FGTS (em caso de demissão sem justa causa) paga pelas empresas e usar esse dinheiro para o subsídio. Mas as negociações com os empresários não avançaram, segundo o governo, e o benefício não foi incluído no pacote.

Outra ausência sentida pelos críticos: a CPMF. A prorrogação da alíquota de 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira não consta do programa, mas isso não quer dizer que o percentual vá voltar aos originais 0,08%. O governo tem até o fim do ano para mandar um projeto de lei ao Congresso Nacional regulamentando a prorrogação do percentual.

Uma das medidas que o consumidor mais deve sentir no bolso é a que beneficia os setores de computadores. O programa determina ampliação dos limites beneficiados com alíquota zero de PIS e Cofins para microcomputadores. Atualmente, os limites são de até R$ 2,5 mil e até R$ 3 mil para microcomputadores e notebooks. A partir da medida, o limite sobe para até R$ 4 mil em ambos os casos - as máquinas estarão isentas do PIS e da Cofins. Com isso, os fabricantes economizarão cerca de R$ 200 milhões – o que significa que o computador vai ficar mais barato.

23 de janeiro, 2007

22 janeiro, 2007

A saúde das plantas nos jardins

por Rodolfo Geiser
*Engenheiro Agrônomo e paisagista

É comum os paisagistas serem consultados sobre a saúde das plantas. Muitos são os interessados em saber por que as folhas estão enrugadas; por que a planta não cresce; e assim por diante. Ficamos até constrangidos em responder estas perguntas pois freqüentemente a razão desses problemas está na falta de planejamento do jardim.

Plantas são como seres humanos. Necessitam serem cultivadas no lugar certo. Um homem que vive num porão, num lugar úmido, sem sair de casa, está "pedindo" para ficar doente ou pegar um resfriado que pode se desenvolver em uma gripe. E, no corpo debilitado podem surgir doenças oportunistas que se aproveitam de suas fraquezas. É exatamente assim com as plantas.

Um jardim saudável nasce de um bom projeto de paisagismo que considere as exigências de cada planta. A principal delas é o tipo de luminosidade que requer. Basicamente, na natureza existem dois tipos básicos de plantas: as heliófilas e as umbrófilas. Ambas palavras têm sua origem na língua latina e grega: helio= luz, filos = amigo de, o que significa no primeiro caso, plantas amigas-da-luz que exigem o máximo de luz durante todas as horas do dia. Não podem receber o sol da manhã e deixar de receber a luz do sol da tarde. Necessitam luz durante todo o período diurno, o que ocorre principalmente com as espécies de grama, as espécies de plantas floríferas anuais e semi-perenes.

Já as umbrófilas são plantas amigas-da-sombra, que gostam de sombra durante todo o dia. Mas não a sombra demasiada, como aquela do canto mais obscuro de nossa casa. Plantas sempre requerem luz para crescer e no caso destas últimas, luz indireta.

Entre um e outro tipo, existem diversas nuances quanto às exigências de luz. Daí a necessidade de conhecermos bem cada espécie de planta que vamos selecionar para nosso jardim.

Uma planta heliófila colocada num local à sombra está sujeita a ter o crescimento de suas folhas alongado à procura de luz. Elas, as folhas, ficam mais longas e estreitas e havendo menos luz ainda, começam a ficar amareladas. Técnicamente, denominamos esse sintoma de "estiolamento", resultado da planta que cresce sem as condições de luz genéticamente necessárias em função da espécie. E nesse alongamento, ocorre uma debilidade do sistema vital da planta, tornando-a mais vulnerável à incidência de pragas, principalmente as cochonilhas e pulgões. Pragas que não surgiriam se essa espécie estivesse crescendo à pleno sol, com todo vigor e, consequentemente, mais resistente.

O inverso também é verdadeiro. Plantas umbrófilas, em pleno sol, ficam esturricadas, não se desenvolvem e as folhas ficam também amareladas, de um amarelo mais intenso comparativamente à planta estiolada. Amarelo esse que tende a ficar cor-de-palha quando as folhas começam a ficar "queimadas" pelo sol.

Outro cuidado importante no trato do jardim, e raramente mencionado, é aquele para com as ferramentas. As ferramentas têm de estar limpas. Limpá-las quando terminamos os trabalhos do dia. No caso das tesouras de poda, limpá-las também quando passamos a utilizá-la em outra planta ou outra espécie de planta. A questão da higiene no trato das plantas é similar à higiene humana: lavamos nossa louça, nossas roupas e os médicos e dentistas sempre higienizam seus aparelhos antes de utilizá-lo em um outro paciente. Ferramentas sujas e não limpas, podem transmitir doenças, principalmente fungos e viroses. E enxadas e pás sujas de terra podem levar consigo sementes de ervas más e mesmo o bulbinho da temida tiririca.

Adubações corretas também colaboram na resistência das plantas. O pó calcáreo, além de melhorar o PH do solo, também dificulta o aparecimento de doenças oportunistas que atacam as raízes e o cloreto de potássio é um produto químico excelente para deixar as plantas sadias e mais resistentes à incidência de doenças e pragas.

É muito bom que os interessados em ter plantas saudáveis num jardim, pensem bem nos fatores citados. Porque depois que as pragas e doenças aparecerem, estaremos diante de um sério problema, que pode afetar não só o jardim de uma casa, como também os de toda a vizinhança. Há uma responsabilidade social e ética nisso. E não considerar o acima exposto, quando estivermos diante de ataques severos de doenças e pragas, vai nos levar à necessidade do controle químico, normalmente indesejável, dado seus riscos às crianças, animais domésticos, nós mesmos e ao próprio meio ambiente. Já ataques não severos podem ser resolvidos por métodos mais simples, como catação do predador e uso de produtos orgânicos que não causem dano às demais formas de vida, como a calda de fumo que controla os pulgões. Agora, é bom frisar, uma ou outra doença e praga, não severa, é perfeitamente aceitável e podemos conviver com elas. O problema é quando elas extrapolam seu dano e faz-se necessário utilizar medidas mais drásticas
22 de janeiro, 2007

Biólogos querem saber por que incidência de caravelas cresceu

Fonte: O Estado do Maranhão

Cinco biólogos maranhenses, que integram há dois anos o grupo Physalis, estão pesquisando os motivos do crescimento da incidência de caravelas nas praias de São Luís. Mais de 200 ocorrências de queimaduras, em decorrência do contato com estes animais marinhos, foram registradas este ano na capital maranhense.
O trabalho de pesquisa é inédito no estado e um dos poucos realizados no país. Para uma das biólogas envolvidas na atividade, Denise Ramalho, na hora da escolha do objeto de estudo, o grupo levou em consideração a falta de conhecimento sobre o tema.
Foi levantada ainda a necessidade de orientar a população sobre os cuidados relativos à prevenção e ao tratamento, em caso de contato com os quinidários, cujo nome científico é Physalia physalis.
“A caravela, como é popularmente conhecida em função do seu formato, é uma colônia de indivíduos que trabalha em cooperação. Não pode ser confundida com a água-viva, que é outro tipo de quinidário”, esclareceu a bióloga.
Na primeira fase do projeto, entre as hipóteses estudadas pelo grupo, chegou-se à conclusão de que as caravelas migram para a orla maranhense para garantir a reprodução da espécie, que ocorre entre os meses de agosto e outubro. Entre os motivos que explicam a preferência pelas águas da região estariam o clima e a velocidade dos ventos.
“Todos os levantamentos ainda não podem ser considerados totalmente conclusivos. O certo é que o nosso mar oferece as condições ideais para esses animais se reproduzirem. Para nossa surpresa, a fase de reprodução em 2006 se estendeu bastante. Queremos descobrir o que levou a isso. O problema é que o Maranhão não dispõe de recursos tecnológicos”, ressaltou Denise Ramalho.
apoio
Para continuar as pesquisas, o grupo Physalia está buscando o apoio do poder público. Os estudos até o momento concentram-se nas praias de São Marcos e Calhau, mas o objetivo é expandir o foco de atuação. Por conta da grande incidência na área, o Olho d’Água será um dos alvos. “Em uma única manhã nas praias que trabalhamos, encontramos mais de 400 ocorrências de caravelas. Algumas chegaram a medir 17 centímetros de comprimento”.
A parceria com outras instituições prevê o incremento das atividades de educação ambiental, que já foram iniciadas pelos biólogos. O grupo já percorreu algumas escolas da rede pública e particular aplicando questionários sobre as caravelas.
“É preciso que as pessoas tenham em mente que nós é que estamos invadindo o habitat desses animais marinhos e por isso é necessário tomar alguns cuidados para garantir uma convivência pacífica. Nesse tocante, fazemos um alerta, para que as pessoas não matem os animais”, disse a bióloga.
Por conta das cores, as caravelas chamam muita a atenção das crianças, principais vítimas das queimaduras. O veneno que provoca a irritação na pele é expelido pelos tentáculos.
O grupo fez um apelo para que as pessoas evitem utilizar outros produtos, que não uma solução de água com vinagre. Para aliviar a dor, pode ser utilizada também uma bolsa de gel a uma temperatura fria.
“O vinagre é bom porque ele evita que a substância tóxica ex-pelida pelos tentáculos se prolifere e aumente a queimadura, que podem até matar. Esse veneno é uma proteção das caravelas e também é expelido para imobilizar os peixes e crustáceos, que os alimentam”, concluiu a pesquisadora.
22 de janeiro, 2007

Semeando Desejos

fonte Recado do Cheida nº 86
por Luiz Eduardo Cheida

Quando possuímos poucas coisas, poucas coisas nos possuem.

Se é verdade, dificilmente agimos para que isso aconteça.

Antes disso, atuamos de forma oposta pois, desta forma foi que aprendemos.

Nos submetem, desde a infância, a uma verdadeira idolatria do gigantismo: o Maracanã é o maior estádio do mundo. A professora indaga pelas montanhas mais altas do mundo. Copacabana é a praia mais linda do mundo. Sua tia, para quem o sobrinho é raro superdotado, pergunta em voz alta, no almoço de domingo, os nomes dos rios mais extensos do mundo. Pelé é o maior jogador do mundo. Incrédulos, lemos sobre os filmes cuja produção foram as mais caras do mundo. O carnaval brasileiro é a maior festa popular do mundo. As revistas nos trazem as listas dos livros mais vendidos, dos carros mais rápidos, dos aviões mais super, e até das armas mais destrutivas. O Brasil, em terras ocupáveis, é o mais vasto país do mundo. Por fim, nos congratulamos, sem nem bem saber porquê pela fusão de empresas que, assim, se tornam as maiores do mundo!

Este culto ao imenso é a senha para entender que a aquisição de bens tem uma relação direta com a felicidade.

Ter é ser.

A idolatria do consumo.

É o nosso modelo de civilização que se reproduz semeando desejos.

São estes desejos que, transformados em necessidades inadiáveis, por pura estupidez, vampirizam a natureza, impondo frustração, desigualdade, alienação.

O resto você já sabe.

Ter é ser.

Ou seria o contrário?

Como dizia o pai do Verdi, dileto amigo meu, vivo na época em que ainda não tinham inventado esse negócio de ecologia:

Melhor ter amigo na praça que dinheiro na caixa

Um forte abraço e até sexta que vem (no mesmo banco, na mesma praça e no mesmo jardim).

*Luiz Eduardo Cheida é médico e deputado estadual eleito no Paraná. Foi Prefeito de Londrina (1992 – 1996), Secretário de Meio Ambiente do Paraná e Membro titular do CONAMA (2003 – 2006).
22 de janeiro, 2007

Unidades de conservação no sul da Bahia serão ampliadas

fonte:Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente

Está em fase avançada o processo de ampliação de três Unidades de Conservação (UC's) no Sul da Bahia consideradas os maiores fragmentos de Mata Atlântica no Nordeste. São elas: a Reserva Biológica de Una e os Parques Nacionais do Descobrimento e do Pau-Brasil. O Ministério do Meio Ambiente pretende ainda criar os Refúgios de Vida Silvestre de Una e do Rio dos Frades.
A Reserva Biológica de Una fica na região cacaueira do sul da Bahia, com área de 7.324 hectares. A previsão é de que ela seja ampliada em 64,5% passando a ocupar 18.679 hectares. O Parque Nacional do Descobrimento, localizado em Prado, extremo sul do estado, ocupa área de 10.623 hectares. Abriga uma rica fauna ameaçada de onças pintadas, o raro mutum do Sudeste e a águia Harpia ou gavião-real. Com a ampliação em 50,3%, passando a uma área de 31.705 hectares, será a maior reserva de Mata Atlântica do Nordeste e uma das maiores do Brasil. Já o Parque Nacional do Pau-Brasil, no município de Porto Seguro, envolve parte das bacias dos rios Taipe, da Barra e Trancoso. Ele hoje possui área de 12.240 hectares e terá uma ampliação de 106% passando a 23.777 hectares.

Será criado ainda o Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Rio dos Frades, onde ainda ocorrem restingas cobertas de vegetação com grande riqueza de orquídeas e bromélias, endêmicas do extremo sul da Bahia. O refúgio de vida silvestre é uma categoria de proteção integral que não necessita desapropriar a área, mas ordena o uso da terra de forma a garantir que as atividades econômicas sejam totalmente compatíveis com a preservação. Os 24.155 hectares por serem protegidos nos RVS Rio dos Frades e de Una serão aproveitados economicamente de forma sustentável, preservando os ecossistemas da faixa litoral e atraindo turistas com alto nível de exigência ambiental e paisagística. As propostas visam proteger integralmente os remanescentes existentes e ainda promover a regeneração natural de áreas que servirão para reconectar fragmentos isolados facilitando o fluxo gênico da biodiversidade através do deslocamento da fauna e da dispersão e cruzamentos de plantas.
22 de janeiro, 2007

Água é insuficiente em ⅔ do semi-árido

Mais de 65% dos municípios da região correm risco de enfrentar problemas de abastecimento até 2015, aponta estudo da ANA

por PrimaPagina

Dois terços dos municípios do semi-árido correm o risco de enfrentar problemas de abastecimento de água até 2015. Um levantamento da ANA (Agência Nacional de Águas) aponta que a disponibilidade hídrica é insuficiente em 447 cidades do Nordeste e do norte de Minas Gerais — onde vivem quase 8,7 milhões de pessoas. Em 60,1% dos municípios da região, a oferta de água não é satisfatória. Em 6,2% dos casos, o sistema de distribuição não deve atender o crescimento da demanda ou os mananciais é que não vão comportar o aumento do consumo.

Os dados são do Atlas Nordeste: Abastecimento Urbano de Água — um levantamento da ANA que pode ser dividido em dois produtos. Um deles é uma ferramenta interativa que permite consultas a informações técnicas sobre a situação dos sistemas de abastecimento e de mananciais em mais de 1,2 mil municípios do Nordeste e do norte de Minas Gerais. O outro é um pacote de estudos sobre o fornecimento de água no semi-árido, com análises sobre o cenário atual, projeções sobre a demanda, previsão de investimentos e propostas de alternativas para contornar a ameaça de desabastecimento.

Quando se observa o universo de cidades analisadas pelo Atlas, a situação fica ainda mais preocupante. A oferta de água não é satisfatória em 754 municípios, onde vivem cerca de 26,3 milhões de pessoas. Em outros 71, que possuem 1,8 milhão de habitantes, a situação é crítica devido à incapacidade do sistema de fornecimento ou dos mananciais atenderem a demanda por água. Entre os municípios que sofrem ameaças de desabastecimento estão algumas capitais nordestinas, como Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), São Luís (MA) e Teresina (PI).

Mas é possível identificar certa relação entre a situação do abastecimento e a qualidade de vida nas 1.256 cidades analisadas pelo Atlas. Entre os 50 municípios de menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais), apenas seis tem oferta de água satisfatória para atender a demanda até 2015. Já entre os 50 de maior IDH, são 30 os preparados para suprir o crescimento do consumo.

Com base no diagnóstico sobre as perspectivas futuras, os autores do atlas elaboraram uma série de planos alternativas — como a construção de estações de tratamento, de sistemas de captação e distribuição — tendo em vista um horizonte de 20 anos. Para a realização das obras propostas, a ANA estima que serão necessários investimentos da ordem de R$ 3,6 bilhões, dos quais R$ 2,4 bilhões seriam para municípios localizados na região semi-árida.

A quantidade de recursos que precisará ser investida varia muito caso a caso. Esse aporte tende a ser menor nos projetos realizados em municípios do Maranhão e Minas Gerais, que tem maior oferta de recursos hídricos (represas, rios, lagos, etc). Já em Estados como Piauí, Pernambuco, Paraíba e Maranhão, a maior oferta é de águas subterrâneas, que em muitos casos tem uma custo mais elevado de exploração.
22 de janeiro, 2007

" Desenvolvimento Sustentável só com Educação Ambiental "

Captação de água de chuva já é obrigatória em SP

por John Emilio Garcia Tatton*

São Paulo - Desde 2 de janeiro, tornou-se obrigatória a implantação de
sistema para captação e retenção de águas pluviais coletadas por telhados,
coberturas, terraços e pavimentos descobertos, em lotes edificados ou não,
que tenham área impermeabilizada superior a 500 m² no Estado de São Paulo.
É o que determina a Lei estadual 12.526/2007, promulgada pela Assembléia
Legislativa para a prevenção de enchentes (DOL de 2 de janeiro de 2007).

Para obrigar à implantação do sistema, as aprovações e licenças para os
parcelamentos e desmembramentos do solo urbano, os projetos de habitação,
as instalações, as obras e outros empreendimentos ficam condicionados à
obediência ao disposto na lei. O Poder Executivo tem prazo de 60 dias para
regulamentá-la.

O sistema de captação deve ser constituído de condutores e reservatório,
com a capacidade aferida de acordo com o cálculo fixado no artigo 2º da
lei. No caso de estacionamentos, 30% da área devem ser reservados para
drenagem, seja sem piso, seja com o uso de pisos drenantes (os
estabelecimentos desse tipo terão 90 dias para se adaptarem à lei).

A lei permite três destinos para a água reservada: infiltração no solo;
despejo na rede pública depois de uma hora de chuva; e utilização para
finalidades não potáveis, em edificações que tenham instalações desse tipo
(água de reúso, para regar jardins ou lavar pisos, por exemplo).
Justificativa ? A lei é originária do Projeto de Lei 464/05, de autoria do
deputado Adriano Diogo (PT). Em sua justificativa, o deputado afirma que,
além dos prejuízos recorrentes em áreas urbanas com alta impermeabilização
durante períodos de chuvas, também a qualidade de vida e a saúde são
afetadas diretamente, com a destruição de patrimônios pessoais e o risco
de contração de doenças infecto-contagiosas, comumente ocasionadas pela
água de enchentes.

Incentivo fiscal ? Na Câmara Municipal de São Paulo tramita desde 2005 o
Projeto de Lei 743/05, que propõe incentivo fiscal, em forma de desconto
no IPTU, aos contribuintes que, em suas edificações, mantenham áreas
permeáveis que possibilitem a efetiva absorção de água de chuva. O
desconto é de 3% a 8%, podendo chegar a 10%, caso a parte permeável atinja
um quinto da área total do terreno. O projeto, de autoria da vereadora
Claudete Alves (PT), tramita na Comissão de Constituição e Justiça.

Para ler a lei na ínntegra acesse o site http://www.sindusconsp.com.br. Meio Ambiente, Legislação Ambiental

*Educador Ambiental
Biólogo - Depto. Planejamento e Gestão Ambiental - Sabesp
22 de janeiro, 2007

Ambiente: Os impactos globais do consumismo

Por Stephen Leahy, da IPS

Toronto– O hábito compulsivo de comprar tem conseqüências ecológicas nefastas que deixam sérias seqüelas nos povos do Sul, segundo os especialistas, que prevêem, também, que este ano será um dos mais quentes do último século. É hora de as pessoas se darem conta da relação existente entre suas compras e as conseqüências que isso tem na deterioração ambiental e no aquecimento global. Na América do Norte as vendas para as comemorações de Natal e final de ano alcançaram números recordes. É sabido que os norte-americanos, canadenses e, em menor medida, os europeus são consumidores que desperdiçam muito.

Seriam necessários cinco planetas para sustentar o consumo dos primeiros e apenas três se todos nós nos comportássemos como os segundos, segundo o informe Planeta Vivente divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). A humanidade superou a capacidade do planeta de nos sustentar em 1984, segundo esse documento. Nestes 22 anos, os níveis de consumo de recursos aumentaram não somente na América do Norte e Europa, mas, também na China e Índia, além de algumas zonas da Ásia e América Latina. O ritmo de consumo sem precedentes, que para os economistas é um sinal do saudável estado da economia mundial, provocou a mudança climática, entre outros males sociais e ambientais.

“As pessoas não acreditam que com suas ações individuais façam a diferença”, disse à IPS Monique Tilford, diretora-executiva do Centro para um Novo Sonho Americano, uma organização que defende um consumo responsável do ponto de vista ambiental e social. Por exemplo, um computador chinês que nos Estados Unidos ou na Europa se compra por US$ 40 ou US$ 50 pode ser produto do desmatamento ilegal das selvas da Indonésia. Essa ação ilícita fomenta as organizações criminosas, a perda de biodiversidade, libera grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera e provoca a perda de terras dos povos indígenas.

“É necessário que as pessoas se transformem em consumidores com consciência ambiental e social”, disse Tilford. Isto é, que comprem menos coisas que não são imprescindíveis para sua subsistência, mas, também, que estejam dispostas a gastar mais em produtos que não prejudicam o meio ambiente nem os povos de outras nações. “E os que estão dispostos a ser mais conscientes costumam não dispor do conhecimento nem da informação sobre o que é melhor, e esse é o papel de organizações como a nossa”, acrescentou a ativista. A organização de Tilford iniciou uma Rede de Compra Responsável dirigida aos governos federais e regionais em 2000, que conseguiu criar um grande mercado de produtos que não prejudicam o meio ambiente.

“É muito complicado para as pessoas saber de onde vêm e com são fabricados os produtos existentes nas lojas”, disse Lester Brown do Earth Policy Institute, dos Estados Unidos, comprometido com uma economia sustentável a favor do meio ambiente. A China fábrica um terço dos móveis do mundo, um dado surpreendente para um país que protege suas selvas com rigor. A importação de madeira disparou nesse país e supera com folga os 40 milhões de metros cúbicos por ano. Os dados mostram que a reexportação de produtos florestais da China para os Estados Unidos e a Europa aumentou cerca de 900% desde 1998.

“A escassez cruza as fronteiras com rapidez”, disse Brown em uma entrevista. “Se os fabricantes de móveis chineses não conseguem árvores em seu país, as conseguem na Sibéria, em Myanmar (nome dado à Birmânia pela junta militar no governo), Papua Nova Guiné e Indonésia”, acrescentou. Greenpeace, Global Witness e outras organizações registraram grandes operações madeireiras ilegais nesses países, tendo a China com principal destino desses produtos. Na década passada, a China se converteu na principal fabricante de produtos de baixo custo. Mais de 80% dos brinquedos, incluindo artigos eletrônicos vendidos no mercado norte-americano, são fabricados nesse país. “Se não consumíssemos todas essas coisas chinesas, esse país não estaria crescendo tão rápido”, disse Brown.

O consumo excessivo chegou ao absurdo de um cidadão norte-americano comum, que vive na nação mais rica, gasta mais do que ganha no ano. Tilford admite que em nível do consumidor individual as pessoas costumam estar tão ocupada que não querem saber, ou ignoram o óbvio, que seu comportamento causa impactos ambientais como o aquecimento global. “É impressionante que as pessoas não façam o mínimo esforço para mudar”, ressaltou. “A enorme mudança social, necessária para que encontremos a forma de viver de maneira sustentável, não acontecerá sem que ocorra algum tipo de desastre que provoque o tipo de sofrimento que impulsione as pessoas a mudar”, acrescentou Tilford.

Brown e Tilford afirmam que a população norte-americana deve eleger pessoas que implementem políticas que visem a assegurar que os produtos vendidos nas lojas de seu país sejam sustentáveis, sem importar sua nação de origem. “As pessoas de outros países arriscam suas vidas para que possamos comprar nossos produtos gourmet”, disse Tilford. Mas, a menos que exista apoio popular, nada acontecerá. (IPS/Envolverde)

Crédito da imagem: Lido Contemori/Ciudad Redonda
(Envolverde/ IPS)
22 de janeiro, 2007

Vida longa ao mercado de carbono

Por Adalberto Wodianer Marcondes*

Existem alguns temas que caem no gosto da sociedade e passam a ocupar muito espaço nos cenários de comunicação. O aquecimento global é um deles. Aliás, é o tema ambiental que mais mobiliza as atenções no momento. E isto é muito bom. O termo “aquecimento global” retorna 798.000 hits no Google, enquanto “efeito estufa” tem 593.000 hits de presença na internet. Protocolo de Kioto, com “i”, tem 645.000 hits e Protocolo de Kioto, com “y” tem outros 852.000. Isto apenas em sites em português. Se a mesma busca for realizada em inglês certamente os números serão astronômicos.

No Brasil a febre atingiu os principais meios de comunicação, a ponto de o tema ser tratado em uma série de reportagens no principal informativo semanal da TV Globo, o Fantástico. E isto para falar somente dos líderes de audiência, porque, em verdade, os temas Efeito Estufa, Protocolo de Kyoto, Crédito de Carbono e outros correlatos tornaram-se corriqueiros nas conversas do dia a dia. Surgem especialistas e consultores de todas as partes, sites, reportagens, propostas de inventário de emissões de carbono, cálculos para a neutralização das emissões e outros modelos de pequenos e grandes negócios.

É bom que a sociedade tenha a percepção de que as emissões de dióxido de carbono na atmosfera estão causando o aquecimento global, que isto, como explica o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, vai levar a grandes catástrofes mundiais, seja no mundo desenvolvido ou nos países mais pobres. Em seu filme “uma verdade inconveniente”, Gore aponta números bastante convincentes para provar que o aquecimento global é uma realidade, alerta para a necessidade de adoção de política públicas globais de redução de emissões de carbono na atmosfera e mostra algumas alternativas para o desenvolvimento econômico mais limpo.

Mas este saber social sobre o efeito estufa pode realmente mudar hábitos? Mais, pode fazer com que os acionistas e consumidores tenham uma visão de longo prazo e busquem no presente alternativas sustentáveis? Esta é uma questão que ainda está no ar. Algumas empresas estão embarcando na realização de seus inventários de emissões de carbono completamente às cegas, sem compreender exatamente o que poderão fazer com os resultados. Outras, no entanto, não se preocupam muito com a precisão da medição de suas emissões, desde que possam usar isso para a construção de uma imagem politicamente correta diante de um público cada vez mais sensível às cenas de furacões e grandes blocos de gelo se destacando das calotas polares da Terra.

Este cenário de mistério, onde a ciência assume ares de alquimia, oferece muitas oportunidades para manipulação de dados e informações, fazendo oscilar as certezas ao bel prazer dos objetivos de quem está com a palavra. É justamente este o jogo de cena que está sendo feito pelo governo dos Estados Unidos, que aproveita os dados que lhe interessam e descarta o que lhe pode ser inconveniente em suas justificativas para não assumir compromissos de redução de emissões no bojo do Protocolo de Kyoto, que foi ratificado em março de 1999 por 23 países, dentre eles o Brasil, e busca alternativas que reduzam a quantidade de gases poluentes, em relação aos níveis de 1990, em pelo menos 5,2% até 2012. Isto significa que os países signatários terão que colocar em prática planos para reduzir sua emissão já a partir de 2008.

A moda agora é fazer algo mais reluzente e menos efetivo, a neutralização das emissões de carbono através do plantio de árvores e outras ações que se enquadrem na alínea de “seqüestro de carbono”. O marketing resultante destas ações movimenta muitos recursos em comunicação, com resultados pouco significativos em termos de redução real das emissões de carbono na atmosfera. Para se obter resultados relevantes são necessários compromissos mais estruturados e o ingresso consciente em um mercado que se convencionou chamar de “crédito de carbono”. Este é até o momento o único caminho capaz de criar um equilíbrio global das emissões de carbono através da transferência de direitos de emissão e de neutralização de fato de emissões via seqüestro de carbono em quantidades industriais.

O Brasil tem no mercado de carbono um cenário de oportunidades e desafios. É tido como um dos países de maior potencial na emissão de certificados de seqüestro de carbono passíveis de negociação no mercado internacional. No entanto ainda não tem organizações realmente estruturadas para obter o máximo desta oportunidade global. Por outro lado, não tem, até 2012, nenhum compromisso formal de redução de suas próprias emissões de dióxido de carbono. Assim como também não têm nossos paradigmas comerciais, a China e a Índia. Portanto, as empresas que atuam em terras brasileiras não deveriam, em tese, ter preocupações em relação às suas emissões. Esta é uma tese, no entanto, que não merece receber muitas fichas em uma aposta real.

As emissões de carbono brasileiras estão divididas entre queima de combustíveis seja para atividades industriais, de transportes ou de geração de energia, e uma grande parcela, a maior, da queima de matéria orgânica resultado de desmatamentos florestais, principalmente na Amazônia. Novamente em tese seria fácil ao Brasil reduzir suas emissões de carbono simplesmente parando de devastar as florestas. Este seria o melhor dos mundos. No entanto, não será bem assim. Os países signatários do Protocolo de Kyoto não estão dispostos a deixar que o Brasil ganho créditos simplesmente deixando de fazer algo que ele não deveria estar fazendo. Ou seja, parar de desmatar é uma obrigação brasileira e nada tem a ver com a s metas de redução de emissão. Isto terá de ser feito com um aperto sério nas empresas.

Este é o ponto de maior controvérsia para os negociadores brasileiros nas conferências de clima das Nações Unidas. O quanto vale parar de desmatar? É melhor as empresas partirem do princípio de que não vale nada, e que os medidores virão para suas chaminés. Portanto, devem se preparar desde já para um cenário de grande probabilidade em 2012, o de terem de efetuar de fato reduções em suas emissões ou ir atrás de certificados de carbono para compensar seus excessos. Dos três países em desenvolvimento mais na mira doas atuais subscritores do Protocolo de Kyoto, o Brasil é o que mais tem a ganhar com a redução de emissões, uma vez que está mais bem estruturado em termos de biocombustíveis e tem melhor capacidade de entrar como grande player no mercado de crédito de carbono.

Índia e China baseiam seu crescimento econômico na queima de combustíveis fósseis, seja carvão ou petróleo. Nenhum dos dois países tem a capacidade de alterar drasticamente sua matriz energética de forma a manter os níveis de crescimento econômico deste início do século XXI em um cenário de obrigatoriedade de reduções de suas emissões. A compreensão desta limitação das duas economias que mais crescem atualmente pode oferecer ao Brasil e às empresas que atuam aqui importantes vantagens competitivas.

Uma das primeiras coisas a se ter em mente é que será vantajoso para o Brasil assumir metas de redução das emissões de carbono a partir de 2012 e, assim, pressionar China e Índia a também projetarem suas reduções. Neste cenário o Brasil tem mais capacidade de ação a partir de um mercado estruturado de emissão de certificados de crédito de carbono e da utilização de tecnologias limpas. Como vantagem adicional está a decisão da Comissão Européia em reduzir em 20% suas emissões de carbono em relação aos valores de 1990. Um número que pode ser ampliado para 30% caso os Estados Unidos mudem sua posição de ignorar a existência das mudanças climáticas.

As empresas brasileiras que estão realizando os seus inventários de emissões de carbono de forma séria, referendada por organizações e profissionais capacitados, estarão um passo à frente na avaliação de suas ações no novo e possível cenário de restrições das emissões. Saber com antecipação qual é sua posição e poder planejar com calma as ações de compensação pode ser a diferença entre continuar a crescer ou ter de botar o pé no freio da produção. Além disto, a redução das emissões na Europa poderá representar excelentes oportunidades de negócios para o Brasil, na medida em que algumas das grandes empresas européias estão presentes aqui e poderão transferir suas linhas de produtos que ficarem inviáveis na Europa para o Brasil. Isto se o país estiver preparado para compensar o aumento em suas emissões de CO2.

Ganharão as empresas que conseguirem estabelecer uma fronteira clara entre a reputação de suas ações de caráter socioambiental e, em especial, de competência e qualidade em seus inventários de emissões de carbono, e as múltiplas facetas do marketing ambiental que está se estabelecendo através de ações meramente de comunicação. O valor da reputação é o que efetivamente tem o reconhecimento de acionistas e consumidores, sejam eles pessoas físicas ou as grandes trades responsáveis pelo comércio global, que estarão cada vez mais pressionadas impor critérios ambientais a seus fornecedores.

Por isso é importante que a moda pegue. E mesmo as empresas que estão apostando apenas no marketing acabam por contribuir para mostrar o valor da sustentabilidade e da consistência das ações das empresas comprometidas com resultados em um mercado que acabou de nascer, mas que certamente terá vida longa. (Envolverde)

(*) Adalberto Wodianer Marcondes é diretor responsável da Envolverde.
(Envolverde/Envolverde)

22 de janeiro, 2007

Meio ambiente nas mãos de especialista

por Gizella Rodrigues
Da equipe do Correio

A pasta ambiental voltará às mãos de um especialista. Depois de extinguir a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e fundi-la à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, o novo governo decidiu criar o Instituto Brasília Ambiental, que tratará das questões de meio ambiente no Distrito Federal. O professor Gustavo Souto Maior, coordenador do Núcleo de Estudos Ambientais (NEA) da Universidade de Brasília (UnB), comandará o órgão. O nome dele foi confirmado pelo governador José Roberto Arruda e pelo secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi. A nomeação deve ser publicada nos próximos dias, no Diário Oficial do DF.

Até que o Instituto Brasília Ambiental seja criado, o que exige a aprovação de uma lei na Câmara Legislativa, Gustavo Souto Maior assumirá o cargo de subsecretário de Meio Ambiente. O governador deve enviar o projeto de lei assim que os deputados distritais voltarem do recesso, em 1º de fevereiro. Inicialmente, o instituto terá a competência das extintas Semarh e Comparques.

O Distrito Federal foi a primeira unidade da Federação a criar um órgão para o controle do meio ambiente, mas, nos últimos três anos, o cargo de secretário era ocupado apenas por indicação política. Em 1989, foi instituída a Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (Sematec), na gestão do ex-governador Joaquim Roriz. O primeiro secretário foi o engenheiro civil Rubem Fonseca, que tinha cursos de especialização na área ambiental. Em 2000, a Sematec foi transformada em Semarh. Entre 2003 e 2006, o cargo de secretário foi ocupado pelo pastor Jorge Pinheiro, ex-deputado federal, por Antônio Gomes, atual diretor da Companhia Imobiliária do DF (Terracap), Roberto Giffoni, corregedor-geral do novo governo, e pelo jornalista Rubens Martins, o último secretário. Nenhum deles era especialista no assunto.

Os ambientalistas não concordam com a extinção da Semarh nem com a criação do instituto. “Meio ambiente é muito mais que fauna e flora e concessão de licenças ambientais. Quando a pasta fica vinculada à de habitação, o próprio governo não entende esse conceito. Na verdade, as duas pastas foram fundidas para acelerar a emissão de licenças para os condomínios. Isso é uma visão retrógrada”, afirma a doutora em geologia e integrante do Fórum das ONGs Ambientalistas do DF, Mônica Veríssimo. Para ela, o instituto não terá autonomia.

Em entrevista ao Correio em 12 de janeiro, Cássio Taniguchi, rebatia a crítica. “É preciso haver integração nessas áreas. O governo Roriz tinha 36 secretários, mas um ficava batendo cabeça com o outro”, afirmou. Gustavo Souto Maior é engenheiro cartógrafo, com mestrado em gestão econômica do meio ambiente pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorando em ciências ambientais. Desde 1993, ele trabalha na Câmara Legislativa do DF — é consultor legislativo concursado na área de meio ambiente, desenvolvimento urbano e rural desde 1993.

*legenda imagem: Marcelo Ferreira/CB - 15/3/06
Souto Maior é consultor legislativo desde 1993 e coordena o Núcleo de Estudos Ambientais da UnB
22 de janeiro, 2007

DEBATE COM CANDIDATOS À CÂMARA SERÁ NO DIA 29
Data foi confirmada pelos candidatos Chinaglia, Rebelo e Fruet.
Petista alegou problemas na agenda e pediu adiamento.

Leandro Colon, do G1, em Brasília

O debate entre os três candidatos à presidência da Câmara será realizado na próxima segunda-feira (29). A confirmação foi dada pelos candidatos Arlindo Chinaglia (PT -SP), Aldo Rebelo (PC do B-SP), que disputa a reeleição, e Gustavo Fruet (PSDB -PR). O encontro será no auditório da TV Câmara, com transmissão ao vivo pela emissora. Clique aqui para conhecer as regras do debate.

A idéia inicial era realizá-lo na quarta (24) ou quinta-feira (25), mas Chinaglia alegou problemas na agenda e pediu para que ocorresse no dia 29. Aldo e Fruet concordaram e o debate foi marcado para as 11h de segunda (29).

Em reunião nesta segunda-feira (22), os assessores dos três candidatos definiram as regras e descartaram a proposta de Chinaglia de realizar debates separados, com a presença apenas de dois dos três deputados em cada encontro.

O petista havia sugerido esse modelo na semana passada com o objetivo de evitar que os outros dois concorrentes se juntassem contra ele no debate. Entretanto, na reunião, os assessores do petista não fizeram essa exigência.

A eleição está marcada para o dia primeiro de fevereiro, mesma data da posse. Todos os deputados serão informados e convidados a assistir ao debate na Câmara.

Regras
Pelas regras acertadas, o debate terá duas horas de duração e será dividido em quatro blocos. No primeiro, os três candidatos se apresentam e respondem a perguntas da jornalista Cláudia Brasil, da TV Câmara, que mediará o debate. No segundo, seis jornalistas que cobrem a Câmara farão perguntas, sendo dois repórteres por candidato.

No terceiro bloco, os candidatos perguntam entre si, com direito a réplica e tréplica. E no quarto e último bloco, os deputados responderão às perguntas enviadas pela população por e-mail e telefone.

Fruet está em Brasília e pretende passar o dia ao telefone com aliados. Aldo e Chinaglia participaram do lançamento do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Palácio do Planalto.
22 de janeiro, 2007

DONA DO LEGACY NEGA QUE SISTEMA ANTICOLISÃO TENHA SIDO DESLIGADO
ExcelAire diz que reportagem baseia-se em informação incompleta.
Não havia indicação de que equipamento estava desligado, diz nota.

Do G1, em São Paulo

A ExcelAire, proprietária do Legacy que colidiu com um Boeing da Gol, em 29 de setembro, divulgou nota nesta segunda-feira (22) sobre reportagem da revista “Veja”. De acordo com a publicação, as gravações da caixa-preta do jato indicam que, após o choque, os pilotos Joe Lepore e Jan Paladino teriam percebido que o equipamento anticolisão estava desligado. A empresa nega que os equipamentos tenham sido desligados.

Depois da colisão, o Boeing da Gol caiu em região de mata fechada em Mato Grosso, causando a morte das 154 pessoas que estavam a bordo. Lepore e Paladino conseguiram pousar o Legacy na base aérea de Cachimbo, no Sul do Pará, e seus sete ocupantes nada sofreram.

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De acordo com a ExcelAire, as reportagens e notícias sobre o caso “baseiam-se em informações incompletas, especulações e interpretações equivocadas sobre complexas questões técnicas, o que gera considerações prematuras e incorretas”. Na nota, a empresa volta a afirmar que os pilotos não desligaram o transponder ou o sistema anticolisão. A comissão que investiga o acidente pretende fazer uma nova entrevista com os pilotos americanos para saber se os equipamentos estavam ou não desligados.

Leia abaixo a íntegra da nota:

"Sobre as recentes declarações publicadas pela imprensa, referentes às investigações e ao inquérito do acidente entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, a ExcelAire esclarece:

Diante da divulgação do que se alega serem trechos isolados dos diálogos registrados na caixa-preta do jato Legacy, a ExcelAire e seus pilotos Joseph Lepore e Jan Paladino manifestam que continuarão a agir com discrição sobre o assunto, em respeito às investigações em andamento.
Como já ocorreu no passado, as recentes reportagens e notícias sobre o caso baseiam-se em informações incompletas, especulações e interpretações equivocadas sobre complexas questões técnicas, o que gera considerações prematuras e incorretas sobre os fatos.

Mais uma vez, a ExcelAire enfatiza que conclusões precoces baseadas na interpretação de materiais e dados que vêm sendo analisados no processo investigativo não contribuem para seu adequado andamento.

A empresa afirma, novamente, que seus pilotos não desligaram o transponder ou o sistema TCAS, de anticolisão, seja intencional ou inadvertidamente. E que não havia nenhuma indicação na cabine, ao longo do vôo, que apontasse o não funcionamento desses equipamentos.

Os responsáveis pelas investigações do acidente continuam analisando o transponder do jato Legacy e outros sistemas aviônicos da aeronave. E somente após o término dessas perícias é que será possível determinar se houve falhas ou defeitos que pudessem comprometer seu funcionamento.

Por fim, a ExcelAire reitera que a conclusão das investigações responderá às várias questões ainda não resolvidas, esclarecendo e corrigindo assim os equívocos decorrentes das interpretações precoces recentemente publicadas.

ExcelAire"
22 de janeiro, 2007

Gripe aviária será ameaça por anos, diz OMS
Mundo está longe de conseguir controlar uma eventual pandemia do vírus H5N1.
Afirmação é da nova diretora da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan.

Da Reuters

O mundo vai precisar de anos para eliminar a gripe aviária, e a ameaça de uma pandemia humana vai existir enquanto o vírus estiver ativo nas aves, disse na segunda-feira (22) a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan.

"Enquanto o vírus (que causa a gripe aviária, o H5N1) continuar circulando nos pássaros, a ameaça de uma pandemia vai persistir. O mundo está a anos de controlá-la no setor avícola", disse ela em um pronunciamento à diretoria executiva da organização, formada por 34 países.

Desde o ressurgimento da doença, em 2003, houve 267 casos de infecção em humanos, a maioria no Sudeste Asiático, sendo que 161 deles resultaram em mortes. Quase metade das mortes aconteceu em 2006, disse Chan.

Embora a doença continue sendo uma enfermidade animal, ela não perdeu sua virulência nas oportunidades em que conseguiu passar para os seres humanos. A taxa de mortalidade em 2006 chegou a 70%, enquanto a média nos três anos é de 60%.

A OMS já fez vários alertas de que o vírus, que foi detectado pela primeira vez em 1997 em Hong Kong, pode deflagrar uma pandemia global se sofrer mutações que lhe permitam ser transmitido de pessoa para pessoa. Por enquanto, todos os casos de infecção humana envolveram contato com animais infectados.

Chan, que assumiu a liderança da OMS este mês, disse que é impossível prever quando, e se, essa mutação vai ocorrer.

"Os vírus da gripe são conhecidos por serem instáveis e caprichosos. É impossível prever seu comportamento", disse ela à diretoria, que se reúne duas vezes por ano. "A mensagem é simples: não podemos baixar a guarda."

A gripe aviária é um dos principais assuntos da agenda do encontro da diretoria, que durará oito dias e também discutirá doenças infecciosas como a Aids, a malária e a tuberculose, além de enfermidades crônicas como a diabete e as doenças cardíacas. Também será definido o orçamento da entidade para 2008-2009.

22 de janeiro, 2007

Ingleses saqueiam navio encalhado e levam fraldas e ao menos 15 motos BMW
População de Lyme, no sul da Inglaterra, levou para casa pacotes de fraldas.
O cargueiro MSC Napoli foi danificado por tempestades na semana passada.

Um acidente com um navio cargueiro no sul da Inglaterra produziu uma cena inusitada para os padrões europeus: moradores da região saquearam os produtos que caíram da embarcação. A imagem de pessoas carregando pacotes na praia de Branscombe, em Devon, ganhou destaque na mídia internacional por se tratar de um dos países mais ricos do mundo.

Foi uma ação parecida com a que ocorre nas estradas brasileiras quando um caminhão que transporta mercadorias tomba. Em poucos minutos centenas de moradores da região aproveitaram o encalhe do navio cargueiro MSC Napoli para levar os produtos que chegaram boiando à praia.

Levaram pacotes de fraldas, caixas de vinho e até mesmo 15 motocicletas da marca BMW -a um custo de cerca de R$ 65 mil cada uma. As informações são da polícia.

O cargueiro MSC Napoli foi abandonado por seus tripulantes depois de ser danificado por tempestades na quinta-feira da semana passada. A polícia foi chamada ao local para evitar novos saques.

Desastre ambiental

Moradores de Devon saquearam produtos que caíram de navio cargueiro que encalhou. O navio foi deliberadamente encalhado na baía de Lyme, em Devon, para impedir que afundasse. Ele adernou entre 18 e 25 graus e começou a liberar óleo e mais de 200 dos seus 2.400 contêineres no mar.

Por causa disso houve um vazamento de óleo que se espalhou por cerca de oito quilômetros, disse a guarda costeira. "Um brilho de óleo foi visto saindo do MSC Napoli, que é suspeito de vir do espaço alagado na casa de máquinas", disse em nota a Agência Marítima e de Guarda-Costeira.

Cerca de 200 toneladas de óleo já teriam vazado da embarcação, espalhando-se por cerca de oito quilômetros. Mas as autoridades disseram que a mancha está "se rompendo e dissipando", sem representar uma grave ameaça ambiental.

Equipes de resgate esperam começar a recolher as 3.000 toneladas restantes de petróleo dos tanques do navio ainda na segunda-feira, mas alertam que a operação pode demorar vários dias.

"Temos dois barcos fretados agora para receber o óleo, e o bombeamento deve começar hoje", disse Robin Middleton, representante do governo para operações de resgate e intervenção marítimos, à rádio BBC.

"Este é um produto muito viscoso, quase como lama, então o que eles têm de fazer é aquecê-lo e removê-lo lentamente. Pode provavelmente levar a maior parte da semana", afirmou.

A guarda costeira disse que alguns contêineres a bordo levam materiais potencialmente perigosos -perfume, ácido de bateria e autopeças. Alguns se romperam e foram dar nas praias, cujos freqüentadores foram alertados a não entrar em contato com os materiais.

"Os donos do barco indicaram uma empresa privada de segurança para guardar os contêineres que derem nas praias", disseram os proprietários da embarcação.

O Napoli, construído em 1991 e de bandeira britânica, ia da Bélgica para Portugal quando foi danificado, na quinta-feira. Seus 26 tripulantes foram resgatados de helicóptero em um bote.

Em 2001, o mesmo barco, então chamado Normandie, encalhou num arrecife no estreito de Málaca (entre Malásia e Sumatra), lotado e a plena velocidade. Ficou várias semanas por lá, até ser rebocado para reparos que incluíram a soldagem de mais de 3.000 toneladas de metal no casco.
22 de janeiro, 2007

JOVEM DE 17 ANOS RECUSA CONVITE PARA DANÇAR E É ASSASSINADA
Irmão da vítima tentou defendê-la e ficou ferido.
Crime aconteceu na madrugada de domingo, em Porto Alegre.

Do G1, em São Paulo, com informações da Globo News

Uma jovem de 17 anos negou um convite para dançar em uma festa em Porto Alegre (RS) e foi assassinada, na madrugada de domingo (21).

Vanessa Silva da Costa foi até um bar com seu irmão. Segundo testemunhas, um homem a chamou para dançar, mas ela recusou. Inconformado, ele saiu do estabelecimento, voltou armado e fez um novo convite. A adolescente negou e foi atingida com um tiro no lado esquerdo do peito.

A vítima foi levada para o Hospital São Lucas, mas não resistiu aos ferimentos. O irmão dela, de 13 anos, tentou defendê-la e levou um tiro de raspão. Ele não corre risco de morrer.

A polícia acredita que um vizinho de Vanessa foi o autor dos disparos. Ele está foragido.

O corpo da adolescente foi enterrado nesta segunda-feira (22).
22 de janeiro, 2007

Humanos invadiram Europa há 45 mil anos
Artefatos achados na Rússia apontam chegada do Homo sapiens ao continente.
Falta de competição com neandertais teria facilitado colonização a partir do leste.

Reinaldo José Lopes
Do G1, em São Paulo

Universidade do Colorado em Boulder/Divulgação
Artefatos de marfim com provável estatueta de homem (no centro, com 'cabeça' redonda no alto)Um sítio arqueológico na Rússia acaba de acrescentar mais uma peça ao quebra-cabeças da história da expansão dos seres humanos modernos pelo planeta. Artefatos desenterrados lá indicam que o Homo sapiens invadiu a Europa há cerca de 45 mil anos, por uma rota que pode ter partido do interior da Eurásia.

Os achados do sítio de Kostenki, cerca de 400 km ao sul de Moscou, ajudam a confirmar que essa é a história de uma expansão-relâmpago. Tudo indica que os seres humanos modernos saíram de seu lar original, o continente africano, há cerca de 60 mil anos. Cerca de 10 mil ou 15 mil anos depois, eles não só já ocupavam o interior russo como haviam seguido o litoral asiático até a Indonésia, e até cruzado o mar e alcançado a Austrália.

“O interessante é ver que esses recém-chegados da África tenham ocupado primeiro um dos lugares mais secos e frios da Europa”, afirmou em comunicado John Hoffecker, do Instituto de Pesquisa Ártica e Alpina da Universidade do Colorado em Boulder (EUA). Ao lado de colegas da Academia Russa de Ciências, Hoffecker é um dos autores do estudo sobre Kostenki, que está na edição desta semana da revista americana “Science” (www.sciencemag.org). “Seria um dos últimos lugares da Europa aonde você gostaria de ir tendo vindo da África.”

É verdade que a ligação entre os achados e os Homo sapiens não é a direta, já que os únicos restos humanos do sítio são dentes, que não permitem a diferenciação precisa entre gente como nós e os neandertais.

No entanto, a tecnologia parece típica de seres humanos modernos: instrumentos fabricados com osso, chifre e marfim (os neandertais só usavam pedra e madeira para criar suas ferramentas), artefatos de pedra feitos com lâminas finas, além de indícios de arte. A identificação ainda é duvidosa, mas parece haver uma estatueta não-concluída, feita de marfim de mamute e que lembra um homenzinho. Se novos estudos confirmarem o fato, poderá ser o exemplo mais antigo de arte figurativa (com imagens reconhecíveis) da história humana.

O mais impressionante talvez seja os sinais de trocas de longa distância com outras populações da Era do Gelo. Algumas conchas furadas, provavelmente usadas na fabricação de colares, vieram das margens do mar Negro, a nada menos que 500 km de distância do sítio. Os moradores do sítio tinham estratégias de sobrevivência diversificadas, caçando tanto animais de grande porte (mamutes, rinocerontes lanosos e cavalos) quanto bichos menores e mais numerosos, como lebres e raposas-do-ártico. A tecnologia deles, embora tenha alguns pontos em comum com a que dominaria a Europa nos períodos finais da glaciação, tem características únicas, que sugerem seu papel de precursora dos artefatos que viriam depois.

Universidade do Colorado em Boulder/Divulgação
Escavação no sítio arqueológico de KostenkiA questão óbvia que vem à mente, no caso da colonização da Europa, é: por que a Rússia? Afinal, após passar pelo Oriente Médio, os H. sapiens poderiam ter muito bem avançado diretamente rumo ao oeste. No entanto, para Hoffecker, a chave para explicar isso pode ser a provável ausência de tribos neandertais na região durante esse período. “É como se os neandertais tivessem deixado a porta de trás da Europa aberta”, compara ele. Assim, os ancestrais da humanidade moderna teriam tido tempo de se adaptar às condições do continente antes de competir diretamente com seus primos da Europa Ocidental.

22 de janeiro, 2007